CAPÍTULO 104 GRINGO NARRANDO: Eu estava parado no meio da rua do morro, o carro desligado, só o som distante de um funk vazando de alguma casa mais acima e o barulho constante da vida seguindo como se nada tivesse acontecido. O copo de açaí suava na minha mão, roxo escuro, doce demais, gelado demais praquele calor que parecia nunca ir embora. Rafaella estava no banco do passageiro, também com o dela, mexendo distraída com a colher, como se estivesse tentando organizar os próprios pensamentos antes de falar qualquer coisa. Eu puxei o freio de mão e encostei melhor no banco. Ainda não tinha me acostumado com a ideia de que o Magrão estava fora do hospital. Um mês inteiro indo e voltando daquele lugar, sentindo o cheiro de desinfetante grudado na roupa, vendo meu irmão deitado numa cama se

