CAPÍTULO 89 RAFA NARRANDO: Quando o Gringo ligou o carro e começou a descer a rua escura, o silêncio entre nós parecia mais alto do que qualquer sirene. A Yasmin tinha acabado de entrar na casa do Magrão, e foi como se a porta tivesse trancado um peso diferente dentro de mim, porque eu sabia que ela ia desabar ali sozinha. E o Gringo? O Gringo estava se segurando por um fio. Eu olhei pra ele de lado. As mãos no volante estavam tão duras que os nós dos dedos pareciam brancos. Ele não piscava direito, só encarava a rua molhada pela chuva, como se dirigir fosse a única coisa impedindo ele de quebrar no meio. — Vai direto pra boca? — perguntei baixinho. — Tenho que ir — ele respondeu, voz rouca, pesada. — Preciso ver como ficou, quem a gente perdeu… e organizar o enterro dos moleque. A

