CAPÍTULO 95 GRINGO NARRANDO: Eu estava sentado na cadeira de plástico dura da boca, com a prancheta apoiada no joelho, tentando fechar as contas finais. A planilha na minha mão parecia um borrão; eu lia, mas nada entrava de verdade na cabeça. As últimas horas tinham sido um turbilhão, e eu ainda estava ali, resolvendo burocracia enquanto meus caras estavam sendo velados. Era o tipo de coisa que o Magrão sempre dizia que eu deixava para depois. — Tu é muito coração mole, Gringo, tem que aprender a concluir as coisas. Engraçado pensar nisso agora. Assinei a última folha, ajeitei os recibos, respirei fundo. Era para eu estar aliviado, mas meu peito continuava pesado. Não importava quantas contas eu fechasse ou quantos papéis resolvesse, nada apagava o cheiro do sangue, o barulho dos tir

