Capítulo 17

2164 Palavras
Murilo Ferreira As minhas mãos e pernas tremem quando saio finalmente pelas enormes portas do ‘shopping, nesse momento estou me sentindo traído e posto de lado, não sei o que fazer, estou tão perdido, o meu coração como um bobo que é, quer acreditar que os sentimentos dele por mim são reais. Mas meu cérebro insiste em dizer que fui enganado mais uma vez. Paro ali em frente e as pessoas seguem entrando e saindo do grande prédio, nenhuma delas sabem a confusão que me encontro. Estou despedaçado nesse momento, eu preciso e necessito de colo, de ser amparado. Max, lentamente foi se tornando tudo o que eu tinha de precioso, ele sabia como fazer eu dar as minhas melhores gargalhadas, ele me animava com toda a sua conversa s****l, o seu jeito desbocado sempre falando o que vinha na sua mente. Pergunto-me como ele conseguiu esconder esse segredo por muito tempo, sendo que não consegue manter aquela boca fechada por mais de alguns segundos. Um riso sarcástico sai da minha boca e encaro o céu que agora parece nublado, ele é um bom mentiroso, será que isso o que me mostrou não é sua verdadeira face? O meu peito se aperta por pensar que tudo isso não passou de imaginações da minha mente criativa, iludida e carente. E ainda tem o meu ex-tóxico que voltou dos mortos para infernizar a minha vida, mas se ele acha que vai ficar por isso mesmo ele está enganado, uma vez já fui submisso aos seus caprichos, deixei-me ser rebaixado por suas palavras cheias de ódio e preconceito, não vou deixar esse erro se repetir, irei à delegacia o quanto antes, ele foi preso uma vez e acho que tem uma ordem restritiva contra ele, vamos ver o que pode ser feito já que isso foi processado em Paris. Ando, a princípio sem direção, apenas saindo da direção de olhares curiosos, eu gostaria muito nesse momento de sumir desse lugar, gostaria de nunca poder acordar, quem sabe assim os meus problemas desapareceriam. Peguei o meu celular no meu bolso e disquei o número do meu irmão, precisava conversar com ele. Chamou e chamou e nada, caiu na caixa postal, olho ao redor e vejo que estou longe do ‘’shopping’, mais tranquilo volto a andar, agora sem pressa, olho os contactos e vejo o contato com o apelido de Max, aperto no número e aparece as informações, com o botão de excluir, aperto nele e aparece a mensagem perguntando se tenho certeza, penso e repenso, ainda olhando, respiro fundo e acho melhor não fazer isso de cabeça quente para depois não me arrepender, aperto em cancelar e olho para o céu, algumas gotas de chuva caem sobre o meu rosto, sorrio triste, na previsão dizia que seria um dia quente e de sol, mas talvez o tempo queria acompanhar-me na minha tristeza, talvez o destino não me quis ver sofrendo sozinho e mandou-me um amparo, mas isso apenas me deixa mais triste ainda, esse tempo chuvoso deixa-me sem forças para lutar, queria estar no meu apartamento, acabando de acordar e percebendo que tudo isso não passou de um sonho, o meu ex-maluco voltando, a mentira de Max, minha loja, fecho os olhos com força desejando que isso não passe de um pesadelo, mas ao abrir os olhos vejo que ainda estou no mesmo lugar, parado agora tomando um banho de chuva, as lágrimas se misturam com as gotas da chuva. Como a minha vida transformou-se nessa confusão? Penso que talvez fiz algo de errado, fiz algo péssimo no passado e pago pelos meus pecados, queria ter um recomeço feliz, mas todos os meus medos estão se transformando em verdades, queria poder pular essa parte e acordar quando cinco anos tivesse se passado, talvez lá no futuro eu esteja a ser feliz, não esteja machucado nem me sentindo traído, talvez eu até tenha perdoado Max e estejamos juntos, não tenho como ter certeza disso, mas gostaria de saber para ir para o futuro e sair desse pesadelo que o meu presente transformou-se. Acabo pegando o celular novamente, mesmo que os pingos de chuva comecem a molhar-me, disco o número do meu cunhado, Fernando, no segundo toque ele atende-me. — Oi, Pónei, fiquei a saber sobre a sua loja, iria visitar-te mais tarde, mas você acabou ligando antes. — Ele fala, sinto-me acolhido na mesma hora, não me sinto mais sozinho ao saber que ele se importa, tenho o meu irmão também, então posso passar por mais esse momento turbulento na minha vida. — Você pode ainda ir-me ver mais tarde? — Tento ao máximo não deixar transparecer a minha voz rouca pelo choro, mas parece ter sido inútil essa minha tentativa. — Chorava, Murilo? — a sua voz transparece a sua preocupação. — Eu só preciso conversar com alguém. — Tudo bem, em mais ou menos três horas, o seu irmão estava numa reunião com alguns patrocinadores do restaurante. — Por isso não me atendeu, deve ter desligado o celular. — Quando ele chegar peço para ficar com as crianças e vou te ver, pode ser? — Podemos fazer isso mesmo. — a minha voz soa desanimada, mas não posso evitar, estou me sentindo triste com tudo isso, mas também quem não se sentiria? — Já falou com a sua mãe? Ela deve estar preocupada. — Vou falar agora. — Ok, até mais tarde. — Até mais. Olho ao redor e vejo que já passa da hora do almoço, então chamo um carro pelo aplicativo e logo estou no veículo seguindo para o meu apartamento, no caminho ligo para minha mãe num chamada conjunta com titia, mãe de Bruno, conto as duas o que aconteceu com a loja e logo elas oferecem-me ajuda financeiro, o que n**o na hora, irei reerguer-me com o meu esforço. Quando estou para descer do carro, desligo o celular com a promessa delas de logo virem me visitar, o que de certa forma acho bom, vou precisar distrair-me até ter um segundo plano, uma rota de fuga para voltar a construir o meu sonho. Passo pelo porteiro e o cumprimento apenas com um acenar, ele faz o mesmo. — Sinto pelo que tenha acontecido, as notícias correm por esses corredores, espero não está sendo delicado. — Paro quando a sua voz soa. Me viro para ele e tento o meu melhor sorriso gentil. — Obrigado. — Digo apenas e sigo o meu caminho para o elevador, enquanto os números vão subindo vou me sentindo cada vez mais cansado, queria poder colocar a cabeça no travesseiro e poder dormir um sono tranquilo, mas sei que não vou poder ter isso por longas noites, a última noite tranquila foi ontem quando tive a companhia de Max. A porta do elevador de abre e sigo a passos lentos e cansados até a minha porta, a abro e logo tiro os meus sapatos ali mesmo e sigo descalço para meu sofá, deito com a cabeça apoiada no estofado macio e deixo-me mergulhar nas lembranças de nos dois, das piadas de duplo sentido, das palavras carinhos para logo depois vir palavrões por qualquer coisa que desse errado, lembro de como ele amou o meu corpo, o venerou e despertou desejos que nunca soube ter. Max é um cacinha cheia de surpresas, com muitas faces que eu estava ansioso a desvendar e conhecer, ele levava-me ao limite da minha paciência. Conseguirei cofiar nele novamente? Será que posso perdoar a sua mentira? Levanto-me á muito custo do sofá e sigo para meu quarto, logo entrando no banheiro e colocando a minha banheira para encher, coloco alguns sais muito cheirosos e alguns que me ajudem a relaxar, enquanto vejo á agua ir subindo e enchendo a banheira, retiro todas as minhas roupas, quando vejo que está bom, desligo a torneira e entro na água morna e cheirosa. Recosto a minha cabeça no marmóreo frio e fecho os olhos, apenas sentindo o meu corpo relaxar com a temperatura ideal para isso. Após está muito relaxado e retirado todos os pensamentos que me afligiam da cabeça, mesmo que fosse por alguns segundos, vi-me mais calmo. Devo olhar tudo pela pespectiva de Max? Em como ele se sentiu quando me conheceu? Pensando bem, esse não é um assunto a ser dito no primeiro encontro, mas depois de todas as suas palavras de carinho, pensei haver confiança entre nós, então não tinha mais motivos de me esconder. Quando falei gostar dos livros do Valério, ele sentiu medo de me dececionar quando eu soubesse que era ele por trás do nome? Devo condenar ele por esconder algo intimo sobre a sua vida que poderia colocar ele em perigo caso caia nas mãos de pessoas erradas? Acho que peguei pesado demais, estava em choque por descobrir pela boca de Diogo, que me deixei levar pelo meu ódio e o descarreguei em quem não devia. Se ele é alguém famoso deve mesmo tomar todo esse cuidado ao contar algo tão valioso, se eu fosse um fã louco que se aproveitasse da sua confissão para ameaçar ou até mesmo revelar o seu segredo? — d***a! — Exclamo, me sentindo um i****a por pegar pesado, eu mesmo demorei para confiar nele e contar-lhe os meus medos, eu não falei deles quando nos conhecemos, falei quando me senti confortável em falar, então, por que apressei ele sobre isso? Por que o julguei errado se também fiz o mesmo quando no começo desconfiei de cada passo seu? Quando senti que os meus dedos estavam enfiados demais, sai da água e enrolei-me num roupão, segui até o meu closet após esvaziar a banheira e vesti um short curto confortáveis com uma blusinha de manga, estava mais calmo e pronto para conversar com ele, mas antes iria falar com Fernando e ver o que ele achava de toda essa situação, mas estava decidido a falar com Max e pedir-lhe uma oportunidade de consertamos tudo isso. Sai do meu quarto e segui para minha cozinha, coloquei água para esquentar e separei uns biscoitos para acompanhar o chá, quando tudo estava arrumado sobre a mesa, a minha campainha tocou. A passos apressados segui até a porta, pelo olho mágico vi ser meu cunhado, abri a porta e logo fui recebido nos seus braços. — Desculpe a demora. — Ele falava enquanto entrava na minha casa e eu o levava a sentar na mesa, lhe servindo uma xícara de chá. — Demorei a convencer o seu irmão de não vir aqui correndo saber o que de novo aconteceu para você ligar para ele e em seguida para mim. — Desculpe se preocupei vocês, não foi minha intenção. — Falei e em seguida dei um gole no meu chá de e**a-doce, não era um dos meus preferidos, mas o de camomila tinha acabado essa manhã. — Tudo bem, me conte o que aconteceu. — Ele sorri e deixa um aperto na minha mão que se encontrava em cima da mesa. — Descobri algo sobre o Max. Algo que me deixou com raiva sobre a sua falta de confiança em mim, mas depois de um banho demorado, percebi que talvez eu tenha reagido de forma exagerada. — Pode me contar tudo? — Ele pergunta avaliativo. Começo narrando como fui parar de um noite regada a beijos e amossas, as ameaças do meu ex e a descoberta de Max, meu Max, o desbocado, maluco que fala tudo sem se importar com nada, seja meu escritor de romance preferido. — Eu não posso acreditar! — Todos o conteúdo da sua xícara já tinha acabado ao que acabo a minha narrativa. — Você tem que falar com a polícia. — Acho que esse não seria o caso, ele só escondeu algo de mi... — Não, seu t**o, seu ex volta dos mortos, ou seja, da prisão e vem direto te ameaçar, se ele sabia disso, quer dizer que há muito tempo ele vem te monitorando, ele estava te perseguindo todo esse tempo desde que chegou ao Brasil? Não entende que esse é o verdadeiro problema e perigo? Ele está fazendo você apenas desconfiar de quem está ao seu lado, entendo que está chateado por ter descoberto dessa maneira, mas era uma coisa que ele deveria dizer quando se sentisse seguro, não é questão de confiança, sim, de p******o. — Eu já havia pensado em falar com ele, só queria saber de uma opinião de fora, saber o que pensa sobre. Ouvindo a suas palavras vejo que realmente deixei de lado o mais importante, como Diogo sabia sobre Max, a ameaça que ele é para mim e as pessoas que amo. Tomo a decisão de ir hoje mesmo a delegacia, devo me informar, saber que medidas tomar, depois, devo ir atrás do homem que tem bagunçado meus sentidos, que deu vida aos meus sentimentos antes adormecidos, o homem que fala e faz o que quer, o que pensa, devo a ele isso, devo a ele minha confiança nos seus sentimentos por mim.
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