Capítulo 16

2242 Palavras
Max Vladi Depois que deixei meu pônei em casa e recebemos aquela notícia terrível, seu irmão foi embora e dormi agarrado ao seu corpo, lhe passando carinho o quanto pude, mas tinha que voltar para casa, tinha trabalho a fazer, e pretendia deixar ele respirar um pouco sozinho para que ele pudesse processar e eu tomasse coragem de lhe falar tudo e oferecer minha ajuda para que ele se reerguesse. Mesmo com meu coração pequenino, fui embora depois de deixa ele bem aquecido e ainda dormindo embaixo de edredons fofos, como era cedo, pensei em voltar antes que ele acordasse, mas quando cheguei em casa, vi que não teria cabeça para escrever nada, então quando tomei um banho e estava pronto para ir em direção ao seu apartamento novamente, recebo sua mensagem, tentei descontrair falando bobagens como estou acostumado, mas logo ele me respondeu seriamente, então vi que ele tinha algo sério a tratar, com esse medo enraizado em minha pele eu ia saindo de casa quando mamãe ainda de pijama surge nas escadas. — Para onde vai a essa hora? — Olho para trás e a vejo vindo em minha direção. — Mamãe, pensei que ainda estivesse dormindo. — Ela me olha ainda esperando uma resposta à sua pergunta. Respiro fundo e com um sorriso em derrota eu falo por alto. — Como sabe estou vendo um rapaz, mas aconteceu algo com ele, pensei que conseguiria vir trabalhar, mas não consegui, vou voltar para ele. — Sua mão vem para meu rosto e ela tem um sorriso feliz. — Meus filhos estão felizes, cada um achou seu par, eu vivi para ver isso, cuide do seu amor meu filho, fique com ele e zele por esse amor. Fico muito feliz por você. Sinto que posso ir em paz. — Meus olhos se ampliam em com horror. — Não fale assim mamãe, ainda verá eu e meu irmão casados e com filhos, você verá isso tudo, não fale assim. — Ela me dá um sorriso gigante e feliz. — Claro, claro que sim. Vai lá, vai vê-lo. — Lhe dou um beijo em sua testa e abraço. — Volte a dormir, mamãe. A olho enquanto ela sobe as escadas, amo muito minha mãe, ela criou bem eu e meu irmão. Nos fez justos, homens cheios de valores. Quando me encaminho até a saída quase derrapo ao parar perto da porta quando ela é aberta e Leandro fica parado ali, atrapalhando minha saída. Sorrio para ele, já que vem tendo uns dias que eu o driblo para sair sozinho com meu Pônei. — Olá meu amigo, estou de saída, se puder sair da frente. — Seu rosto sério mostra que dessa vez não terei sucesso. — Não adianta, Max, dessa vez não vai fugir de mim, está se colocando em perigo toda vez que faz isso. — Ele diz, posso notar a frustação em sua voz, ele parece cansado, sinto muito que eu tenha feito ele chegar a esse ponto, mas cansa também ter alguém na sua cola o dia todo, não poder ter uns minutos sozinho com seu namorado sem alguém te vigiando não é algo legal. — Eu sei disso está? Mas eu não estou em perigo, ninguém, escute bem, ninguém sabe minha identidade, apenas minha família, e pouquíssimas pessoas da editora que estão sobre contrato de confidencialidade. Eu não passo de um filho de alguém rico. — Max, entenda, alguém pode descobrir, no mundo que vivemos nenhum segredo é totalmente segredo, eles sempre acabam dando um jeito de descobrir. Por isso tem que estar em segurança a todo momento, ninguém pode prever nada. — Minha postura relaxa e respiro fundo, talvez lá no fundo ele tenha um pouco de razão. — Olha, tenho algo urgente a resolver agora, não posso demorar discutindo sobre isso, por isso vamos logo, dessa vez irei ceder. Com um aceno de cabeça ele segue para fora e eu o acompanho de perto, chegamos até o meu carro e entro, sentando-se na frente, ao lado do banco do motorista, que logo é ocupado por Leandro. Assim que me encontro de cinto ele dar partida. — Para onde? — Para o shopping. — Ele acena com a cabeça e segue por entre os carros, o trânsito estar calmo, então seguimos sem muitos problemas, passamos por infinitos prédios. — Já contou para ele? — Ele pergunta de repente, quando me encontro distraído olhando a paisagem fora da janela do carro. — Ainda não. — Falo ainda com meus pensamentos longe. A voz de Murilo estava estranha, parecia que ele estava chorando, parecia fragilizado, pensando agora eu devia ter insistido mais para que ele me falasse o que estava acontecendo. Quando sai de seu apartamento ele parecia mais relaxado e que tinha aceitado que perdeu sua loja, mas também tinha um brilho do recomeço em sua íris, será que ele está mais ferido do que imaginei por perder algo tão precioso para ele? Aquilo significava o seu recomeço depois de tudo que sofreu, ele perdeu antes mesmo de ter um pequeno gosto de como seria as vendas e o sucesso de suas roupas. Estou preocupado. — Por que não? — Leandro me tira dos meus pensamentos novamente. — Pelo que parece ele é importante. — Ele me olha de canto de olho e desvio o olhar para janela novamente. — Ele é importante sim. — Digo por fim. — Então sabe que isso não ficará escondido para sempre. — Não quero esconder para sempre, eu vou contar, só ainda não apareceu o momento. — Digo me sentindo culpado por nunca ter conseguido falar nada. — Como não teve o momento certo? Não tem momento certo para algo assim, Max, será sempre a mesma reação, seja ela positiva ou não, ele nunca estará preparado o suficiente, por isso apenas diga de uma vez. — Eu tentei, juro que tentei, mas sempre acontecia algo que eu era obrigado a calar minha boca. Na última vez que tentei ele recebeu a notícia da loja, eu nunca contaria algo assim quando ele se encontrava tão fragilizado e precisando de apoio. — Eu te entendo, mas não espere muito, conte logo de uma vez. — Está bom, agora cuide de sua vida, já falamos demais sobre a minha, você precisa relaxar e t*****r. — Digo tentando fugir desse assunto mais rápido possível, não quero ter que me preocupar com isso agora quando parece que algo de errado está acontecendo com Murilo que ele precisa da minha presença com urgência. Quando volto a mim já estamos parados em frente as enormes portas do shopping, como estou com pressa salto do carro e passo pelas grandes portas, subindo de elevador direto para o andar da laja do meu Pônei. Quando chego a fachada da loja tem várias faixas da polícia para que não adentrem, mesmo assim o faço, olho ao redor e o vejo no canto esquerdo recostado na parede, o movimento dos seus ombros indicam que ele respira calmamente, vou até ele e me sento a sua frente, tendo uma arara com roupas queimadas em minhas costas. Estiro minhas pernas que ficam ao seu lado assim como as suas estão do meu, com meus movimentos ele levanta sua cabeça em minha direção. Vejo seus olhos vermelhos e quando eles se encontram com os meus se enchem de lágrimas novamente. — Pônei. — Tento lhe mostrar um sorriso. — Qual a urgência? Do que precisa de mim? Espero que não do meu corpo, você não está em condições de algo assim. — Ele ainda me olha e agora as lágrimas descem por seu rosto tão lindo, isso me parte o coração, quando tento me levantar e ir até ele sua voz embargada me faz ficar no lugar. — Fique aí, não se aproxime mais que isso. — Meu peito dói por suas palavras, quero segurar ele em meus braços e acalentar essa dor que vejo em seus olhos. — Eu só não aguento lhe ver assim, me fala o que aconteceu. — Mantenho meu olhar no seu. — Ok, mas devo lhe chamar de Max ou Valério? — Vejo seus olhos cheio de ressentimento. Fecho meus olhos com força não acreditando no que está acontecendo, ele já está ferido e eu acabo de lhe machucar mais ainda. Abaixo a cabeça e olhos para minhas mãos que pousam em meu colo, onde eu deixei que isso chegasse. — Desculpe. — É o que sai e me sinto um i****a nesse momento, me sinto os piores de todos. Escuto seu soluço, mas não levanto a cabeça, não aguentaria vê-lo dessa forma por minha causa, meus olhos se enchem de lágrimas não derramadas, meu peito parece pronto para explodir de tanta dor. — Se vai me pedir desculpas ao menos faça isso olhando em meus olhos. — Ele diz com sua voz chorosa. A muito custo levanto meus olhos e encontro os seus, que estão vermelhos, seu rosto molhado pelas lágrimas. — Por quê? Por que mentiu? Por que não me falou, não contou sobre algo tão importante da sua vida, importante na minha vida também, desde o momento que soube que eu gostava dos livros do Valério, dos seus livros, por que não me disse? Se divertiu vendo um fã morrer de amores por você? — a sua voz apesar de parecer abalada por causa do choro, soa cheia de raiva. — Você sabe que não é assim. Fui tudo muito real e verdadeiro o que aconteceu, não me aproximei de você nessa intenção, eu senti-me atraído, gostei de você desde o primeiro momento que nos esbarramos naquele estacionamento. — Por que não consigo acreditar em você? — as minhas lágrimas finalmente caem. — Não faz isso. — Não faz isso o quê? Foi você que nos trouxe até esse ponto, foi você que fez isso com a gente quando resolveu que não me contaria nada sobre isso. — Ele levanta-se e vira as suas costas para mim, sigo os seus movimentos e tento aproximar-me, mas ele olha-me e paro os meus movimentos. — Eu ia-te contar, eu falei ter algo importante a falar com você, sempre que eu tentava algo acontecia, na noite do acidente aqui eu iria contar, mas a ligação atrapalhou tudo. — Tenho certeza de que se quisesse realmente que eu soubesse, teria encontrado uma forma de contar-me. — Ele se vira para mim. — Eu não sei o que pensar, tudo está tão confuso, eu não sei em quem acreditar, Max. — Acredita em mim. Por favor, acredita em mim, eu… eu gosto muito de você. Essa é a verdade. A única coisa em que tem que acreditar são nos nossos sentimentos. Olho cada detalhe do seu rosto agora. A sua maquiagem está borrada, o lápis escorre nas suas bochechas, não restou nada da sombra, que tenho certeza estava linda nos seus olhos. p***a, eu sou muito burro, eu posso perdê-lo por um erro unicamente meu. — Você… você mentiu, eu sei se posso confiar novamente, eu contei-lhe os meus piores segredos e medos, e você escondeu o seu. — Ele passa as mãos pelos cabelos nervoso, nesse momento nenhum de nós dois chora mais, mas o que ele diz a seguir, me põe de joelhos na sua frente. — Vai embora. Só vá embora. — Ele começa a chorar novamente e eu vou junto. — Não, meu amor, não faça isso. — o seu choro fica mais forte. — Não faça isso, não faça, não me chame assim. Eu preciso de um tempo, preciso pensar, nada ainda está claro, você perdeu algumas chances de me contar por que foi interrompido, mas teve muitos outros momentos que esteve ao meu lado, poderia ter contado. deixe-me pensar, deixe que eu coloque as minhas ideias no lugar e para isso eu preciso estar longe de você. Me encontro tão petrificado de joelhos que não posso fazer nada quando ele me dá as costas e segue para fora da loja, ele vai embora e desaparece das minhas vistas. Levo as minhas mãos ao peito e me curvo para frente deixando o choro sair, é um lamento sofrido, cheio de dor e ódio, ódio por mim mesmo por permitir que isso terminasse assim. — p***a! p***a. — Cada palavra dita é um soco que deixo no chão. — p***a, p***a, p***a, p***a. Eu sou um i****a, um i****a! Escuto passos no local e penso ser ele que voltou, mas perco todas as minhas esperanças quando vejo os sapatos sociais pararem na minha frente, levanto-me sabendo que apenas é Leandro. Quando estou de pé na sua frente ele logo puxa-me para os seus braços. — Eu não vou falar que te alertei sobre isso. Vou apenas te dar um abraço e dizer que você, como sempre, dará um jeito e conquistará a confiança dele novamente. — Ele diz perto do meu ouvido enquanto ainda me tem nos seus braços. — Obrigado por isso. — Você é meu amigo, estou aqui para isso, agora se recomponha e dê o tempo que ele pediu, mas se depois disso ele não te perdoar, vá à luta, sim? — Ele me solta e apenas aceno que sim. O erro já foi cometido, só tenho que me rastejar pelo seu perdão. Apenas isso, darei o tempo para que ele pense e processe tudo o que lhe aconteceu, depois eu irei atrás do que é meu. Meu Pônei, eu ainda não perdi essa guerra.
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