Max Vladi
As lágrimas já secaram do meu rosto, mas a dor ainda continua a pressionar o meu peito, me deixando sem ar, gostaria de dizer que isso não passou de um pesadelo h******l, mas infelizmente a minha mentira, a minha omissão fez isso, destruiu tudo que lutei por dias para construir, perdi a confiança que Murilo tinha em mim, perdi ele. Ele será capa de me perdoar? Quando pensei ter finalmente encontrado aquela pessoa que se encaixa perfeitamente no meu corpo, a pessoa que eleva o s**o a outro patamar, ele me deixa de pernas bambas, mas claro que eu tinha que fazer algo para arruinar isso.
Não contei primeiro porque temia por minha segurança, e quando finalmente me senti seguro ao falar, nunca tinha tempo, algo sempre parava as minhas palavras no meio. Fui t**o ao pensar que tudo se resolveria da melhor forma e que ele ainda estaria nos meus braços, ah, como fui t**o.
Olho ao redor e vejo tudo vazio, ainda tenho a vasta esperança que ele volte e me perdoe, mas sei que não vou conseguir isso hoje, talvez futuramente quando Murilo estiver de cabeça fria e mais calmo. Vou saindo da loja quando um cara de olhos escuros e cabelos loiros me faz parar os meus passos, somos quase da mesma altura, mas sou um pouco mais forte que ele. Ele me encara como se eu não passasse de uma pedra no seu sapato, não gosto nada desse olhar, ele diz claramente que estou em perigo, o encaro de volta após passar os olhos rapidamente por seu corpo vestido de roupas pretas.
— Ainda não nos conhecemos, sou Diogo. — A simples menção do seu nome me causa repulsa, o que esse maluco está a fazer aqui? Será que é o que estou a pensar?
— Foi você! — Digo com toda a minha certeza, ele tem um sorriso zombeteiro nos seus lábios, os meus punhos se fecham na inútil tentava de não socar a sua cara de i****a. Não é preciso mais do que essas palavras para esse ser humano podre saiba do que estou a falar.
— Achou que eu deixaria você ficar com algo que me pertence? — Ele diz cheio de si, o escroto soa como se tivesse toda a razão. Sorrio, não acreditando na m***a que esse i****a está a dizer.
— Quem você pensa que é para falar de Murilo assim? — Ele se aproxima, mantenho os meus pés no lugar.
— Eu sou o homem dele.
— p***a, você é mais maluco do que eu pensava. Murilo, não é um objeto, ele muito menos pertence a você, ele é um ser humano cheio de sentimentos, sentimentos esses que você feriu, pisou e jogou fora, você é um canalha da pior espécie, não merece nada vindo daquele homem, nem mesmo o desprezo dele merece. — o seu lábio treme, mostrando raiva com as minhas palavras.
— Pensa que vai ter ele para sempre? Ele sempre acaba voltando para mim. — o seu olhar insano me passa o tipo de louco ele é, se ele acha que vai ser tão fácil assim me deixar com medo ou tirar o meu pônei de mim, ele está muito enganado. Eu sempre luto e vou atrás daqueles que amo, com Murilo não será diferente, não vou deixar que um filho da p**a desses me tire algo tão precioso.Dou um passo mais perto dele, o olhando com toda a minha indiferença e frieza.
— Você não sabe do que sou capaz. Então fique longe, não vai querer descobrir do que sou capaz de fazer para manter Murilo seguro. Você não passa de um escroto m*l-amado do c*****o, vai se fuder e volta do inferno de onde saiu. — os seus olhos pegam fogo de raiva, mas não tenho medo de filhos da p**a como esses, eles sempre partem para cima dos mais fracos. Ele tenta avançar mais a mão de Leandro nos seus ombros faz ele parar, ele parece surpreso com a aparição do meu segurança e amigo, até mesmo eu estou, não imaginava que ele estivesse tão perto. Ele olha por cima do ombro e nota o olhar nada amigável de Leandro, Diogo o merdinha me olha com mais raiva ainda.
— Você ainda também não viu o que sou capaz de fazer para me vingar.
Com um olhar mortal na minha direção ele desvia da mão de Leandro e some por entre as pessoas que passam.
— Desgraçado, ele contou tudo para Murilo.
— Tudo? Sobre você ser Valério?
— Isso mesmo.
— Como esse filho da p**a descobriu? Nunca fomos descuidados com nada.
— Eu sei disso. — Não é bom que Murilo ande por aí desprotegido. — Contrate alguém de confiança e coloque na cola de Murilo vinte e quatro horas por dia. Quero ter certeza de que esse inútil não tente nada contra ele.
— Muito bem pensado, ele pode tentar algo, vou alguém hoje mesmo.
— Ótimo. Agora vamos para casa, preciso de um pouco de tempo, relaxar, depois irei falar com o meu Pônei e, irei fazer com que ele entenda de uma vez o quanto eu gosto dele e que não foi minha intenção machucar ele desse jeito.]
Leandro me segue de perto em direção ao meu carro, entro e em pouco minutos estamos por entre os carros na pista, minutos depois chegamos na minha casa e subo as escadas com pressa, rezando para não encontrar ninguém no caminho, o que felizmente não acontece, chego em segurança no meu quarto e me tranco ali, seguindo para minha cama, deito a minha cabeça sobre os travesseiros fofos e penso no que posso fazer para trazer Murilo de voltar para mim.
O meu celular apita e vejo ser minha editora, o meu prazo para entregar o meu novo livro é daqui a três dias, ainda não como terminar se a minha vida se encontra uma loucura e eu não tenho inspiração ou motivação para escrever, nunca tive tantos problemas assim para concluir um livro, pudesse demorar como fosse, sempre entreguei os meus livros na data combinada.
Penso se deveria ir ao apartamento de Murilo, mas talvez seja cedo demais, o irmão ou o cunhado com toda certeza estará com ele, o que pode dificultar que eu consiga falar com ele. Então desisto da ideia, amanhã ele estará possivelmente sozinho e mais calmo, será o melhor dia para começar a falar com ele e implorar que volte para mim.
Com isso em mente desço, tomo um banho e visto algo confortável e desço para o meu escritório. Quando piso no último degrau meu irmão surge pela porta de entrada, seus olhos foca em mim e ele sorri.
— Irmão. — Ele cumprimenta-me e vem na minha direção para um abraço.
— Oi. Como você está?
— Estou bem, e bem noivo. — Lhe mostro o meu melhor sorriso.
— Ela disse sim! — Afirmo, feliz por sua felicidade.
— Disse, ela disse o tão sonhado sim.. — Ele me olha com atenção. — E o carinha que você estava a ver?
— Ele descobriu, e não foi por mim. — a sua expressão mostra que ele sente muito por isso.
— O que vai fazer irmão?
— Vou atrás, não hoje, vou esperar que ele se acalme e vá a aceitar tudo, o Valério era o escritor favorito dele.
— Poxa, irmão, vou torcer para que tudo der certo entre vocês, você gosta mesmo dele, não é? — Ele aperta o meu ombro com a sua mão direita.
— Sim, eu estou apaixonado por ele.
— Então tudo vai dar certo.
Ele me abraça uma última vez e sobe para seu quarto, veio pegar algumas roupas para passar o resto da tarde e dormi com a namorada. Imagino que logo esses dois estejam a morar juntos, antes mesmo do casamento, se continuar nesse ritmo.
Sigo o meu caminho até o meu escritório e sento atrás do meu notebook, abro o Word e procuro pelo arquivo do meu novo livro, fico ali por alguns minutos olhando as paginas, decidido a não ir procurar por Murilo hoje, rezo e foco apenas nas teclas em que aperto e deixo os meus pensamentos fluírem, com o passar do tempo, varias novas folhas cheias de palavras e emoções estavam prontas, terminei o que faltava do livro e quando olhei o relógio passava das 18h da tarde.
Os meus olhos doem, pois esqueci de colocar os meus óculos para leitura, esfrego os dois e os sinto arder, desligo o notebook e fico ali recostado sobre a cadeira.
Pego o meu celular sobre a mesa de escrivaninha e abro a minha galeria, tem fotos de nos dois juntos, felizes, no seu apartamento, no meu carro, até mesmo na sua loja, memorias lindas e felizes que guardarei para sempre, vendo como me sinto, apenas uma palavra resume tudo o que sinto nesse momento, o que sinto por ele. Eu amo aquele pôneizinho, o amo com tudo de mim, se duvidar o amei desde que nos esbarramos naquele estacionamento e ele me respondeu com o seu perfeito nariz empinado, sempre desviando das minhas investidas, o sorriso quando fomos aquela cafeteira que tinha milhares de flores dentro, aquele sorriso é o motivo do meu nesse momento.
Eu aprendi a viver com ele, antes eu respirava o meu trabalho e a encontros casuais quando o t***o chegava, hoje eu tenho calmaria, um ponto de paz, um lugar para onde voltar e permanecer, Murilo me mostrou uma vida extraordinária ao seu lado, é belo, chega a ser surreal de maravilhoso está na paz da sua companhia.
Não me assustei ou fiquei apavorado ao constatar que o amo, não mesmo, parece que eu já estava preparado para esse momento, estava preparado para ele.
Mal notei que o tempo lá fora se passava as pressas, passava das oito da noite quando mamãe entra pela porta do meu escritório.
— Querido, vamos jantar? — Ela parece não desconfiar que tudo está dando errado na minha vida, e espero que ela não saiba mesmo de nada, por enquanto vou manter isso em segredo, não tem porque falar muito agora, estou cansado, não quero relembrar sobre algo tão doloroso, imaginar nós dois futuramente como estranhos um para o outro é algo que não quero pensar sobre, não pode existir a menor possibilidade desse futuro.
— Já estou indo, mamãe. — Me levanto da minha cadeira e chego até ela, depositando um beijo na sua testa. Seguimos juntos até a sala de jantar, eu com o meu braço sobre os seus ombros e ela me abraça pela cintura, o caminho é curto, então logo estamos a entrar na sala, avisto meu pai na cabeceira da mesa, vejo apenas as suas costas, ao lado dele está o meu irmão com a namorada, mamãe vai para seu lugar ao lado de papai e eu me sento ao lado dela.
— Cunhada, você está bem? Como tem passado? Espero que o meu irmão não esteja dando trabalho. — Falo enquanto começo a me servir do arroz quentezinho, todos começam a se servirem também, coloco puré de batata, minha coisa preferida na terra, tudo que é feito de batata, não tem como errar. Olho para meu irmão com o meu melhor sorriso, nem parece que quero o provocar.
— Ele não me dar trabalho, não se preocupe, entendo que sinta falta dele e que sinta que eu estou a roubar seu irmão querido de você, mas eu não vou devolver ele. — Ela me olha com um lindo sorriso e um bater de cílios.
— Parece que foi pego na sua própria brincadeira, sente saudades irmãozinho? — o meu irmão tenta azucrinar meu ouvidos, não te dou atenção e me volto para a minha cunhadinha preferida.
— Hoje você não quer brincar, que grande chata, Ava. — Lhe mostro a língua. — Vocês formam o casal perfeito da chatice.
— Ninguém pediu a sua opinião, seu m***a.
— Chega, meninos, menos palavras de provocação e mais comida na boca de vocês, já são bem adultos para essas azucrinações. — Papai se manifesta, entramos numa conversa mais suave e calma, e começo a pensar no que Murilo diria depois de um almoço assim como esse.
Ele gostaria de todos aqui presentes nessa sala? Será que ele se daria bem com todos. Minha família com toda certeza amaria aquele homem, eles aqui abraçaria ele como se sempre fizesse parte de nós, meus pais e meu são pessoas maravilhosos, assim como minha cunhada, por isso fico tranquilo, sei que eles vão tratar bem a pessoa que eu amo.
Preferia que ele realmente estivesse aqui, não apenas nos meus pensamentos. Queria realmente estar vendo eles se conhecerem, falarem uns com os outros, queria que meu Pônei fizesse parte de cada pequena coisa da minha vida.
É assim que me sinto em relação a ele, me pergunto como ele foi capaz de nem que seja por um segundo questionar meus sentimentos, sempre me mostrei verdadeiro quando se trata disso, o mostrei a casa momento que estivemos juntos o quanto ele era importante. Mas não devo pensar assim, ele estava magoado, ferido, sua cabeça deve ter ficado confusa, no fundo ele deve saber o quão verdadeiro e forte é os meus sentimentos por ele.