Capítulo 4 – O Baile

4374 Palavras
Ela estava ficando completamente louca. Todos aqueles livros sujos lidos ao longos daquele último ano a haviam tornado uma esclerosada, que agora via e ouvia coisas que não existiam na realidade. Aquela era a única explicação que Araminta conseguia encontrar para o porquê de estar conseguindo sentir, mesmo em meio ao baile - com uma infinidade de pessoas e longas mesas separando-os -, os olhos de Gareth queimando suas costas. Desde aquela tarde desconcertante no jardim, no dia anterior, ela tinha feito seu máximo para manter-se longe dele e dos pensamentos que ele a fazia ter. Porque diabos ele tinha que ter-lhe dito para vê-lo como um homem, afinal? Aquela era, justamente, a fonte de seus problemas, o fato de que ela não conseguira vê-lo como outra coisa, desde sua chegada. Alto, másculo, forte... Todas aquelas características haviam engolido por completo a imagem dele como um garotinho frágil que ela costumava ter, substituindo-a por uma névoa quente de ânsia que ela vinha ansiosamente tentando reprimir, mesmo que ele não estivesse colaborando para isso. Não, olhando-a daquela maneira estranhamente intensa e sempre com um sorriso charmoso nos lábios, Gareth definitivamente não a estava ajudando. - Você está bem, Minty? – uma voz ali perto chamou sua atenção – Parece que vai desmaiar... Engolindo em seco, tentando desesperadamente disfarçar aquelas reações despudoradas que o novo Duque incompreensivelmente lhe despertava, Minty virou-se para sua cunhada e melhor amiga, Alice, e a filha dela, Rose, paradas ao seu lado, olhando-a com preocupação. Virando o rosto por completo para elas, Araminta tentou, pela milionésima vez naquela noite, esquecer-se de que Gareth estava ali. - Sim, eu estou. – ela deu um sorriso trêmulo – Apenas acho que passei muito tempo planejando esse baile. Talvez eu deva me deitar mais cedo... - Mas você ia me apresentar para o Duque, tia Minty? – Rose fez um beicinho desapontado – Eu estive esperando por isso a noite inteira, mesmo que ele me pareça um pouco frio sempre que alguma jovem se aproxima. - Oh, sim... – de repente, Minty sentiu uma onda fria percorrer seu corpo ao lembrar-se de que, de fato, ela chegara a cogitar que Rose pudesse ser uma boa escolha para próxima Duquesa. Agora, tudo parecia um absoluto pandemônio, com aquela atração proibida que ela sentia por Gareth complicando tudo – Eu... Eu acho que... - Boa noite, senhoras. – Minty quase fez uma oração silenciosa aos céus quando a voz grave de Henry, o filho de Louis e a quem ela muitas vezes ouvira Gareth se referir como “irmão”, aproximou-se de onde as três estavam de pé conversando, com um sorriso charmoso capaz de derreter o coração de qualquer mocinha e os olhos castanhos fixos em Rose – Será que eu poderia ser apresentado, Duquesa? - Ora, é claro. Desculpe, Henry, eu já deveria ter feito isso antes. – Minty suspirou – Não sei onde estou com a cabeça essa noite. Essa é minha querida cunhada Alice Williams, esposa do meu irmão Arthur e Marquesa de Daydurb. E esta é minha sobrinha e filha mais velha dela, Rosaline. - É um prazer conhece-la, senhorita. – Henry fez um rápida mesura, tomando a mão de Rose e levando-a aos lábios antes mesmo que ela pudesse oferece-la, ainda com aquele sorriso desavergonhadamente sedutor no rosto – Eu sou... - Oh, eu sei quem você é Henry Victor Duncan. – Rose puxou a mão, coberta pela luva, com certa rudeza, revirando os olhos com desdém – Como poderia não saber, quando as colunas de fofoca não cansam de falar do notório libertino vindo da França, que m*l chegou à Londres e já visitou todos os bordéis da cidade em apenas uma semana? - Ora... – os olhos de Henry se arregalaram e ele pareceu petrificado por um segundo, antes que um sorriso divertido, e levemente encabulado, se espalhasse por seus lábios – Você é bastante direta, não, minha cara dama? - Muito mais do que imagina, meu caro senhor. – a jovem resmungou – Será que poderia me apresentar ao Duque, tia? Estou ansiosa para poder conversar com um homem verdadeiramente honrado e comedido, para variar. – Rose alfinetou, mesmo sem lançar um segundo olhar na direção de Henry. - Então acredito que terá que se conformar com a companhia deste libertino, minha bela senhorita. – Henry sorriu, ácido, indicando um dos cantos do salão como queixo – Aparentemente, o Duque está ocupado neste momento. Confusa, Minty virou o rosto, apenas para sentir seu estômago afundar com a cena ali a diante. Perto de uma das janelas, Gareth estava parado, rodeado pela Condessa Viúva Harriet Garland e suas filhas gêmeas idênticas, Petúnia e Tulipa, ambas com cabelos dourados e olhos verdes que haviam sido considerados a grande beleza da temporada anterior, onde haviam estreado, junto à Rose. Não era novidade para ninguém que ambas haviam recebido dúzias de tentativas de corte e até mesmo pedido de casamento nas duas últimas temporadas, mas foram dissuadidas por Harriet a aceitar. Mais do que tudo, a Condessa queria ter a certeza de conseguir o melhor casamento possível para suas meninas e, a julgar como seus olhos estavam brilhando, mesmo ao longe, ao observar Gareth responder ocasionalmente alguma fala das gêmeas, ela parecia ter encontrado o que tanto procurara. De repente, Minty percebeu que estava sendo ridícula. Não apenas por suas reações repreensíveis ao filho de seu falecido marido, mas também por ter se sentido desconcertada com a maneira como ele a tratara. Por que ela estava agindo como uma mocinha inocente, desconcertada e tímida diante da tentativa de corte de um rapaz? Deus, Gareth provavelmente nem mesmo percebia a maneira como estava sendo charmoso e como suas palavras muitas vezes soavam com um sentido duplo. E, mesmo se soubesse, era ridículo de sua parte que Minty estivesse se incomodando com seu comportamento. Afinal, em pouco tempo, ele encontraria uma jovem bela, solteira e estonteante, que o conquistaria a ponto de fazê-lo leva-la ao altar e torna-la a próxima Duquesa. E Minty seria apenas a viúva velha vivendo solitária na propriedade, tendo desesperadamente perder sua mente na ficção reconfortante de seus livros proibidos, ao invés da verdade seca de sua realidade. De repente, ela se sentiu doente. Sufocada pelo salão bem iluminada e cheio de conversas amenas. Esmagada pela realização de como, mesmo sem perceber, ela vinha mentindo para si mesma e se impedindo de sentir a dor de saber que todos os seus sonhos da juventude haviam, definitivamente, ficado para trás e agora, só lhe restava a solidão. Minty achava que havia percebido aquilo a muito tempo, mas, naquele momento, percebeu que não. Ela nunca havia se permitido compreender por completo o que aquilo significava e onde a deixaria. Mas agora, da maneira mais difícil, ela havia compreendido. E a única reação na qual conseguia pensar agora era se deitar em sua cama e chorar. - Acho... Acho que realmente precisarei me recolher mais cedo. – ela comunicou fracamente, abaixando os olhos até o chão – Estou me sentindo mais fraca do que imaginava. - O que você está sentindo, Minty? – Alice quis saber, preocupada, colocando as mãos em seus ombros – Deixe-me acompanha-la até seu quarto... - Não se preocupe, Alice. – Minty sorriu para a amiga – Não é nada tão grave, garanto. Apenas uma dor de cabeça inconveniente, nada com o que se preocupar. Agora, por favor, fique. Já basta que eu, que deveria ser a anfitriã da festa, seja forçada a perde-la. – sem arriscar mais um olhar na direção de Gareth, ela virou-se para Henry – Pode, por favor, dizer ao seu irmão, quando tiver a oportunidade, que eu sino muito pela minha indisposição ter me impedido de ajuda-lo a se apresentar às pessoas, como manda a etiqueta? - Mas é claro, Duquesa. – o homem assentiu, embora seus olhos tivessem um brilho de diversão que ela não entendeu – Considere o recado como dado. - Oh, bem, obrigado. – ela agradeceu, desconcertada – Um bom resto de noite para vocês. Nos vemos em breve, sim? Ainda com aquela sensação amarga dentro de si, Minty escutou os desejos de melhoras dos três com os ouvidos quase surdos e saiu do salão a passos mais rápidos do que aconselhava a etiqueta. Porém, ao invés de dirigir diretamente para seus aposentos, acabou escolhendo refugiar-se no jardim, desejando que o ar fresco limpasse um pouco daquela sensação sufocante. Estrategicamente, ela escolheu sentar-se em um dos bancos de pedra que haviam no fundo do jardim, entre as acácias amarelas, onde ninguém poderia vê-la através das grandes janelas do salão. Durante vários minutos, ela ficou ali, em silêncio, finalmente deixando que sua cabeça refletisse sobre tudo o que acontecera na última semana. Suas reações à Gareth, por mais inadequadas que fossem, eram apenas respostas de seu corpo, não? Ela aprendera, ao longo de seus 18 anos de casamento e ouvindo as histórias de suas amigas, que uma mulher também tinha suas necessidades. E, muito provavelmente, o fato dela ter reprimido suas próprias havia contribuído bastante para a resposta que ela estava tendo ao charme de um homem tão mais jovem que ela. Mas, bem, ela se reprimira até aquele momento, não? Poderia reaprender a fazer aquilo, por mais difícil que fosse. Talvez ela devesse até mesmo retornar ao baile. Talvez assistir Gareth conversar com as moças e começar a decidir qual delas seria o melhor partido para si a ajudasse a enviar aquelas emoções para longe. Talvez a ajudasse a se conformar com seu destino... - As estrelas estão bonitas hoje, não? Com um engasgo de horror, Araminta voou para longe, escorregando pelo banco até que já não estava mais sentada em nada. E certamente teria atingido o chão, se um par de braços fortes não tivesse se envolvido ao redor dela, puxando-a para cima até que ela se viu com o rosto e o corpo praticamente colados aos de Gareth. O Duque, por sua vez, apenas lhe ofereceu um de seus sorrisos matadores, limitando a apenas recolocar seus pés trêmulos no chão, sem libertá-la de seus braços nem por um segundo. - Desculpe... – ele riu, como se estivesse achando incrível assistir suas bochechas corarem tão de perto – Eu não queria assustar você. - O... O que você... – Araminta arfou, desnorteada – O que você está fazendo aqui? Deveria estar na festa... - Henry me disse que você estava se sentindo m*l. – Gareth de repente ficou agudamente sério – Como acha que eu poderia continuar tendo conversas completamente inúteis, quando você poderia estar precisando de ajuda? Se bem que, felizmente, você não parece pálida... Bem, pelo menos não mais do que o normal. – ele brincou – Por acaso aquele salão cheio de gente a estava deixando sufocada? Por isso você quis vir até o jardim, tomar ar fresco e olhar as estrelas? - Como você...? – ela engasgou por um momento, pasma. - Fico aliviado em saber que eu não era o único que estava se sentindo assim. – ele admitiu, divertidamente conspiratório. - Oh, eu... – mais encabulada do que já estivera em toda a sua vida, Minty se remexeu entre os braços dele, tentando ansiosamente se libertar; contudo, como ele não se afastou nem sequer um centímetro, tudo o que ela conseguiu foi esfregar-se sugestivamente naquele peito firme e largo – É apenas uma dor de cabeça... Se você puder me soltar, eu posso ir até o meu quarto e... - Excelente ideia. – Gareth sorriu, mas ainda assim não a soltou – Vou acompanha-la até lá. - Até o meu quarto? – agora com certeza ela estava mais corada do que nunca – Ora, mas é claro que não. Isso seria completamente inadequado! O que algum dos convidados diria se nos visse... - Eu tenho certeza de que ele veio por aqui! Minty m*l teve tempo de reagir ao som da voz da Condessa Garland, antes de ser puxada por Gareth para detrás de uma das grandes cercas vivas que compunha o pequeno labirinto florido que eles tinham no jardim. Em choque, ela se viu com as costas firmemente pressionadas contra a parede de folhas, enquanto o corpo de Gareth, e seus braços ao redor de sua cintura, a mantinham no lugar, em uma prisão escandalosamente inapropriada. - Gareth! – Minty arfou, em um suspiro desesperado – O que está fazendo?! - Nos escondendo. – ele deu de ombros, despreocupado, com o rosto a pouquíssimos centímetros do dela - Se não queria que nenhum dos convidados nos visse andando juntos até o seu quarto, então imagino que deseja ainda menos que eles nos peguem sozinhos no jardim, não? - M-mas... Mas elas entenderiam se disséssemos que você veio apenas averiguar se eu estava passando bem. – ela argumentou, hiperventilando, com a voz ficando cada vez mais alta – Agora... Agora o que elas dirão se nos virem nessa posição? - Bem, então acho que, de fato, precisamos ficar muito quietos, não acha? – ele abriu um sorriso malicioso que, vergonhosamente, fez o ventre dela apertar – Estão vindo! – ele murmurou de repente, pressionando-se ainda mais contra ela, a tal ponto que ela podia sentir as pontas de seus s***s esmagadas contra o peito dele – Fique quietinha, está bem? - Gareth... Gareth... – encabulada, ela arfou entre murmúrios várias vezes, tentando encontrar as palavras que os tirariam daquela situação, enquanto as vozes da Condessa e de suas filhas ficavam cada vez mais próximas, até que, repentinamente, ela sentiu algo duro, extremamente duro, na verdade, pressionar-se contra seu ventre – Oh, Deus... – ela chiou, mortificada ao dar-se conta de o que exatamente ele estava roçando contra seu ventre naquele exato momento. - Desculpe. – Gareth abriu um sorriso que deixava bastante claro que não se arrependia de nada – É difícil não me sentir assim... Quando estamos juntos desse jeito. - B-bem... – ela gaguejou, com a mente completamente em branco, sendo capaz apenas de raciocinar que ele provavelmente dissera aquilo no sentido de que não conseguia controlar seu corpo quando estava naquela posição sugestiva com uma mulher, fosse ela quem fosse... Mesmo sua madrasta – A-acho que não é necessário que fiquemos tão próximos, então... - Oh, muito pelo contrário... – ele trouxe os lábios até a altura de seu ouvido, perto o suficiente para que ela pudesse sentir a respiração quente dele contra seu pescoço, fazendo sua pele se arrepiar – Se acha que há alguma maneira de eu me afastar de você agora, está muito enganada. – dito isso, Gareth intensificou ainda mais seus movimentos, moendo com cada vez mais vigor seu m****o rígido contra o ventre dela, tornando sua entrada úmida e sua mente, confusa. - Oh, Deus... – tudo o que Minty foi capaz de fazer foi soluçar de puro prazer, quando uma das mãos dele segurou com força seu traseiro e a outra um de seus s***s, acariciando o mamilo rígido sobressaindo-se por baixo do tecido, fazendo-a esquecer por completo de tudo: porque aquilo era errado e proibido; de porque eles estavam se escondendo; de como aquele seria o maior escândalo da história se eles fossem pegos juntos. Naquele momento, havia apenas o fogo prazeroso queimando dentro dela e as grandes mãos daquele homem, saído diretamente de seus sonhos mais febris, em seu corpo – Gareth... - Eu adoraria transformar esses gemidinhos em gritos... – o Duque deu-lhe um longa e quente lambida no pescoço, antes de murmurar, com a voz rouca de desejo – Mas você vai acabar fazendo com que elas nos peguem e essa não é assim que as coisas devem acontecer entre nós dois. Você merece mais. Por isso... – ele desviou aqueles intensos olhos azuis para seus lábios – O que acha de eu dar algo para essa boquinha se distrair enquanto esperamos elas irem embora. Ainda completamente anestesiada por aquela névoa de prazer em sua névoa, Minty sentiu uma arrepio intenso balançar seu corpo e umedecer ainda mais suas saias quando uma imagem pecaminosa lhe passou pela cabeça, fazendo sua boca salivar. Porém, foi quase com um rosnado interno de decepção que ela recebeu os lábios de Gareth nos dela, quentes e firmes, como o aperto de suas mãos segurando suas partes mais proibidas. A decepção, porém, durou menos de um milésimo de segundo, pois, assim que a boca do Duque começou a se mover sobre a dela e sua língua ávida mergulhou entre seus lábios, Minty se viu novamente alheia a tudo ao seu redor, até mesmo seu próprio nome. De repente, só havia ela e aquele homem, beijando-a com avidez o suficiente para roubar seu fôlego; como se pudesse morrer se não provasse cada centímetro de sua boca. Era ardente, despudorado e intenso. O tipo de paixão fulminante que ela acreditava existir apenas nas páginas dos livros, mas que agora estava molhando suas coxas e arrepiando seus m*****s, enquanto ela mesma se pegava acariciando os braços musculosos por sobre a casaca de tecido nobre e roçando aquele m****o rígido dentro da calça com um de seus joelhos. Eles talvez tenham ficado daquela maneira, entrelaçados um ao outro, por minutos, horas ou até semanas. Minty não fazia ideia. Porém, quando a boca dele finalmente abandonou a dela, para dar a ambos a chance de respirar um pouco, e ela soltou um longo e profundo gemido ao senti-lo cravar a grande protuberância em suas calças contra sua coxa, o som reverberou no silêncio da noite de tal maneira que acabou voltando para ela, acertando seus ouvidos tal qual um chicote. De repente, ela se deu conta de que estava se deixando agarrar ao ar livre, no meio do jardim, próximo a uma festa repleta da mais alta sociedade, pelo filho seu falecido marido. 10 anos mais jovem que ela. E o pior de tudo. Estava desfrutando de cada segundo. Mordendo o lábio quase ao ponto de sangrar para conter um grito de horror, Minty empurrou Gareth para longe com uma força que ela sequer imaginava que possuía. Porém, nem mesmo isso foi suficiente para separá-lo dela por completo e o Duque apenas deu um passo para trás, ficando o rosto a alguns centímetros do dela, parecendo genuinamente confuso. - Não se preocupe. – ele pareceu querer acalmá-la – Acho que as ouvi saindo alguns momentos atrás. - Oh, Deus, é verdade... A Condessa... – Minty engasgou, cada vez mais horrorizada com o que havia feito – Céus, onde eu estava com a minha cabeça? Como pude deixar isso acontecer?! - Minty, tenha calma... - Calma? Como pode me pedir para ter calma?! – ela arregalou os olhos na direção dele, com um murmúrio engasgado – Não se dá conta do escândalo terrível que poderia ter acontecido se fôssemos pegos? Do quão deplorável é o que acabamos de fazer?! Nós estávamos... Estávamos... – ela de repente se sentiu zonza, desnorteada – Na casa do seu pai... - Ele não era meu pai. – a expressão de Gareth, embora ainda calma, tornou-se tempestuosa – E sei muito bem que ficou completamente impotente pouco depois do casamento de vocês, então não me parece que você possa se considerar mulher dele, também. Afinal, sei que não o amava. - E você acha que isso justifica o que fizemos? Gareth, por Deus, sou sua madrasta! – ela o recordou, quase aos pratos – Não se sente imundo pelo que visemos. - Não, não me sinto. E você também não deveria se sentir, Minty. – ele acariciou-lhe o rosto gentilmente – Não há nada de errado com o que fizemos. Eu sou um homem livre e solteiro e você é uma mulher viúva. Suas obrigações com aquele maldito velho foram enterradas e estão apodrecidas junto com ele! Então, o que pode haver de imundo em nós nos desejarmos? - Como pode falar assim?! Por acaso pensa que, apenas porque fiquei viúva, me tornei uma desfrutável? – assim que aquela lhe acorreu, Minty ficou possessa – Ou acha que será tão fácil assim se aproveitar de mim e me levar para sua cama, para poder se vingar do antigo Duque, já que sabe assim tão bem que ele e eu não compartilhamos o mesmo leito por anos? - Eu jamais pensei isso! – agora foi a vez de Gareth de ficar escandalizado – Acho que o que acabei de fazer com você tem a ver com o velho? Acho que não a desejo de verdade? – de repente, ele a puxou para perto, esmagando novamente seu m****o rígido contra o ventre dela, fazendo-a arfar de surpresa e, para seu mais completo constrangimento, também de necessidade – Acha que isso, de alguma maneira, é uma farsa? Pois escute bem o que vou lhe dizer agora, Araminta Duncan. – ele aproximou o rosto do dela aos poucos, com uma intensidade no olhar que deixou Minty absolutamente paralisada – Planejei fazer isso de uma maneira mais romântica, mas parece que não tenho outra opção, já que me tem em tão baixa estima. - Oh, Gareth... – Minty gaguejou, arrependida pelo que dissera, ao ver a mágoa sincera no olhar dele – Eu sinto muito. Eu sei que você ainda é jovem e inconsequente, mas precisa entender que... - Eu estou apaixonado por você, Araminta. – ele a interrompeu. Por um momento, o mundo ficou completamente silencioso. Ou pelo menos assim parecia, na mente confusa de Minty, enquanto ela tentava compreender o que ele acabara de dizer. Ela tinha que estar sonhando. Ou delirando. Não havia outra explicação para ela ter ouvido que achava que acabara de ouvir... - E tenho estado apaixonado por você desde antes mesmo de saber o que isso significava verdadeiramente. – Gareth continuou, alheio ao seu choque – Eu sonhei com você, desejei você e ansiei por você todos esses anos em que estivemos longe, contando cada segundo até que chegasse o dia em que poderia vê-la novamente... – ele tomou sua mão, completamente enfraquecida pelo atordoamento, e a pressionou contra sua bochecha, deixando-a sentir a aspereza de sua barba por fazer e o calor de sua pele – Aguardando pelo dia em que não haveria mais nada em meu caminho que poderia me impedir de fazê-la minha. E, finalmente, este dia chegou. - Você... – Araminta ofegou, desnorteada – Gareth, e-essa é uma piada extremamente inapropriada... Você não deveria... - Piada? – Gareth rosnou, frustrado – Por Deus, Minty, o que mais tenho que fazer, além do que já fizemos hoje, para provar a você que nunca falei tão seriamente sobre algo em minha vida? Será que preciso deitá-la nesse gramado e possui-la como um animal? Pois saiba que estou bastante disposto a fazer isso, minha Duquesa, se for o que a senhora deseja. - Oh, céus... – Minty engasgou diante daquelas palavras obscenas, corando até a raiz dos cabelos ao sentir que uma nova onda de umidade havia revestido seu sexo, como se um convite silencioso para que Gareth cumprisse aquela ameaça – Isso... Isso não deveria estar acontecendo! Deus, eu sou mais velha, sou sua madrasta... E simplesmente não há como você ter passado os últimos 14 anos apaixonado por mim. – ela argumentou, desorientada – Você muito provavelmente sente apenas gratidão por tudo o que fiz para ajuda-lo e está confundindo as coisas... - Acho que sou perfeitamente capaz de identificar sozinho o que estou sentindo, Araminta. – Gareth estreitou os olhos - E o que estou sentindo agora, sem sombra de dúvida, não é gratidão. – ele disse aquela última palavra com profundo desdém, ao mesmo tempo em que os olhos traidores de Minty desviaram para a protuberância em suas calças, agora um pouco menor, mas ainda assim impressionante – Curioso, não? – mortificada por ter sido pega cobiçando-o, Minty ergueu o olhar para encontra-lo fitando-a com malícia e diversão – Estamos aqui tendo esta conversa inútil e sem fundamento, mesmo que seus atos deixem bem claro que também me deseja. Me diga: o que exatamente a está impedindo de me deixar abraça-la e leva-la até minha cama esta noite? E depois ao altar, daqui algumas semanas? - Por que? Por que ainda não fiquei totalmente louca, Gareth! – Araminta choramingou, perturbada – Faz ideia do tamanho do escândalo que seria? Casar-se com a mulher do seu falecido pai? Especialmente com ela sendo tão mais velha que você? - Whiteshire é próspera. Temos uma colheita própria e meus negócios no exterior não serão afetados por “escândalos” irrelevantes como esse. – o Duque deu de ombros, displicente – Quanto aos nobres esnobes dentro daquele salão? Deixe que falem à vontade. Estaremos muito ocupados, em nosso quarto, nos amando, para nos importar com isso. - Oh, meu Deus. – Minty lamentou – Seja razoável, Gareth, por favor. E-eu... Eu até mesmo consigo compreender o que nós sentimos... Fisicamente. – ela engoliu em seco, desviando os olhos para o chão, encabulada – Você está em uma idade em que é difícil para os homens resistir aos seus desejos e eu... Eu confesso que nunca realmente experimentei algo assim. – Minty admitiu, encabulada – Mas, por mais tentador que seja ceder a essa ânsia, nós temos que nos controlar, Gareth. Isso não é certo! Não pode acontecer! - Então temos um problema, Araminta. – ele aproximou-se dela, fazendo-a dar vários passos para trás, até que suas costas encontraram uma árvore ali próxima, deixando-a completamente vulnerável a determinação intensa e apaixonada no olhar dele – Por que eu não vou desistir tão facilmente de você, meu anjo. Se é capaz de me desejar... – ele pressionou o peito contra o dela, estimulando seus s***s e fazendo-a gemer – Então vou provar a você que também é capaz de me amar... E de se tornar minha esposa, independente de qualquer julgamento que possamos receber. Dito isso, ele tomou os lábios dela em um beijo profundo e ardente, que arrepiou cada centímetro de pele em seu corpo, antes de separar-se dela repentinamente, deixando-a ofegante e desejosa, praticamente derretida contra a árvore. - Vá descansar, meu anjo. Eu vou entreter nossos convidados, por essa noite. – ele a instruiu, com um sorriso perverso – Você vai precisar de toda a energia possível, para o que eu estou planejando para nós dois a partir de amanhã. 
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