Capítulo 17 – Fuga ou Morte
Isis narrando
Sebastian segurava meu rosto com firmeza, como se quisesse me manter ali, presa ao presente, ao agora — longe das ameaças, das decisões, dos olhos que tudo viam. Mas não havia como escapar da realidade. A gente estava cercado por todos os lados.
— Fugir não é simples. — murmurei, tentando racionalizar. — Eu sou filha do Capo, Sebastian. Eles não vão só me procurar. Eles vão me caçar.
— E eu vou te proteger. — ele rebateu, e havia verdade no olhar dele, na respiração dele. — Prefiro morrer ao te ver casada com outro.
— Você não entende… meu pai já suspeita. Ele me confrontou. Olhou nos meus olhos como se já soubesse.
— E o que você disse?
— Que não era nada. Que ele estava errado. Mas ele nunca está errado, Sebastian. Ele já está se preparando para o golpe.
Ele me puxou para o peito. Senti seu coração acelerado. Tão igual ao meu.
— Esta noite. Meia-noite. Na estufa. Leve só o necessário. Vamos desaparecer.
Assenti.
Mas por dentro, tremia.
Não de medo. De certeza.
[...]
Passei o resto do dia em silêncio. Íris percebia tudo, mas não dizia nada. Ela se aproximou no fim da tarde, encostando na porta do meu quarto.
— Vai mesmo? — perguntou, sem emoção.
— Vou.
— Então leve isso. — e jogou um envelope em minha cama. Dentro, dinheiro e um passaporte falso. — Eu sou louca, mas não sou burra. Se fosse você, fugia mesmo.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Você é a única que me entende.
— Não. Eu sou a única que entende o que é amar alguém que você não pode ter.
Ela saiu sem mais nada dizer.
E eu entendi.
[...]
À meia-noite, como combinado, caminhei até a estufa. O vento cortava minha pele e minha respiração era rasa. Meu coração batia alto demais. Qualquer som me fazia estremecer.
Quando entrei na estufa, Sebastian já estava lá. Mochila nas costas. Casaco preto. Armado.
— Está pronta?
Assenti.
Mas antes que déssemos o primeiro passo rumo à liberdade, a estufa explodiu em luz.
Holofotes.
Homens armados.
E no meio deles… Wallace Donatello.
— Acabou, Isis. — ele disse. — Você escolheu o lado errado.
Meus pés congelaram no chão. A luz me cegava, mas mesmo assim consegui ver tudo: o desprezo nos olhos do meu pai, o julgamento no rosto de Melissa, e a decepção irreversível nos soldados ao redor.
Sebastian ergueu o corpo, protegendo o meu, sacando a arma no mesmo instante.
— Não façam isso. — ele gritou. — Não com ela aqui!
— Abaixe essa arma, Sebastian! — Wallace ordenou. — Você cruzou uma linha que não se cruza. Você tocou na minha filha!
— Ela não é uma posse sua! — Sebastian rebateu.
Meu pai caminhou até nós, cada passo mais pesado que o anterior.
— Você é meu irmão. Meu sangue. E mesmo assim ousou me trair com o que tenho de mais valioso.
— Não sou seu irmão. — Sebastian falou com firmeza. — Fui criado por você, moldado por você, mas não sou seu. E ela… nunca foi sua. Sempre foi dela mesma.
Wallace cerrou os punhos. Seus olhos eram pura fúria.
— Isis, venha comigo agora. — ele ordenou, a voz carregada de controle.
— Eu não posso. — respondi. — Não depois de tudo.
— Está disposta a morrer por ele?
Olhei para Sebastian. E então, a resposta foi óbvia.
— Estou.
Ele sacou o revólver mais alto, mirando Wallace.
— Se tocar nela, eu atiro.
Os soldados engatilharam suas armas. Melissa gritou. Íris apareceu na entrada, ofegante, olhos arregalados.
— Não! — ela berrou. — Não façam isso! Se atirarem nele, terão que me m***r também!
Todos congelaram.
Wallace olhou para Íris, depois para mim.
— Que tipo de filhas eu criei?
— As únicas que não têm medo de amar. — eu disse.
Houve uma tensão insuportável. Então, Wallace virou as costas e falou com frieza:
— Prendam Sebastian. A garota… será vigiada. A partir de agora, está oficialmente em prisão domiciliar.
E assim, enquanto Sebastian era levado, eu caía de joelhos na estufa… com o coração despedaçado.
Os dias seguintes foram uma névoa pesada.
Meu quarto virou minha cela.
Dois homens armados faziam guarda do lado de fora. Íris vinha me ver às escondidas, trazendo cigarros que eu nem fumava, mas que me ajudavam a sentir que tinha algo proibido entre os dedos.
— Sebastian está no porão. — ela disse um dia, sussurrando. — Está amarrado, sendo torturado psicologicamente. Wallace quer que ele confesse algo que não fez.
— O quê?
— Que está trabalhando para os Farkas.
Ri, amarga.
— A única coisa que ele fez foi me amar.
Íris me olhou com ternura.
— E isso, na nossa família, é o maior crime.
Durante as noites, sonhava com ele. Em silêncio, relembrava os momentos em que ele me dizia que preferia morrer a me ver com outro. E agora, ele estava morrendo… por mim.
Na quarta noite, a porta do quarto se abriu com força. Wallace entrou.
— Está na hora de encerrar essa palhaçada.
— Vai me m***r?
— Pior. Vai se casar com Rodrigo. Dentro de cinco dias.
— Você está destruindo a sua filha.
— Estou salvando a família.
— A que custo?
Ele se aproximou, agarrou meu rosto com força.
— Você acha que amor vai te salvar? O amor só serve pra enfraquecer. E você já está fraca demais.
Quando ele saiu, deixei meu corpo deslizar até o chão.
Cinco dias.
Cinco dias até o casamento.
Cinco dias até eu ser enterrada viva dentro de um véu branco.
Cinco dias… para salvar Sebastian ou morrer tentando.
.... NOTAS DA AUTORA....
OLÁ MENINAS, ESTOU DE VOLTA. IREI ATUALIZAR COM 1 CP TODOS OS DIAS, A MINHA PAUSA FOI DEVIDO AO APP DA DREAME, MAS AGORA JA ESTA TUDO CERTO E O LIVRO JA FOI FINALIZADO, TA QUENTINHO PARA VOCÊS.... ME DIGAM AI SE VOCES GOSTAM DESSA HISTÓRIA FANTÁSTICA????