Tem o nome dela

1002 Palavras
Capítulo 18 – O Inferno Tem o Nome Dela Sebastian narrando Nunca imaginei que um dia estaria algemado no porão da casa que ajudei a construir. A luz fraca de um único refletor pendurado no teto ilumina o concreto sujo à minha frente. As paredes são frias, úmidas, e o cheiro de ferrugem do meu próprio sangue já não me incomoda. O que realmente me destrói é o vazio. O silêncio entre um golpe e outro. O tempo que me forçam a passar aqui, só com meus pensamentos... e com o nome dela girando como uma maldição dentro da minha cabeça. Isis. Ela era o pecado que eu podia ter evitado. Mas não quis. Ela era a faísca que eu deveria ter apagado. Mas alimentei. Ela era a minha perdição — e a única coisa que ainda me fazia querer sair vivo daqui. Desde a noite em que tentamos fugir e fomos cercados como animais, tudo se quebrou dentro de mim. O olhar de Wallace — aquele olhar de pai, chefe, carrasco — ainda me persegue. Ele não gritou. Não precisou. O modo como pronunciou meu nome foi suficiente para cortar mais fundo que qualquer faca. Traidor. A palavra ecoa nas paredes todos os dias, mesmo quando ninguém diz nada. Mas eu não o traí. Eu apenas escolhi amar. E na casa Donatello, isso é pior que traição. [...] Eles não me tocam mais. Wallace sabe que não precisa. Ele é inteligente. Ele prefere que eu apodreça sozinho. Sem cortes. Sem tiros. Só o veneno lento da culpa, da espera, da incerteza. Todos os dias ele manda alguém perguntar a mesma coisa: — Está pronto para contar tudo? E eu respondo a mesma coisa: — Não tenho nada para contar. Ele sabe que estou falando a verdade. Mas não se importa. Wallace quer que eu quebre. Que implore. Que rasteje. Mas ele esquece uma coisa: eu fui moldado pelo mesmo pai que o dele. Eu aprendi com ele a suportar o insuportável. Se ele quer me m***r, vai ter que ser de outra forma. Porque o que me mantém de pé… é o rosto dela. A lembrança da sua pele sob a minha. O som do seu nome dito no escuro. O gosto da sua boca quando ela sussurra “me leva daqui”. [...] Hoje, pela primeira vez, deixaram a porta do porão entreaberta. Armadilha? Provavelmente. Mas isso também pode ser a primeira falha da armadura Donatello. E eu aprendi a identificar rachaduras. Me levanto, mesmo com os músculos gritando de dor. Ando mancando até a porta. Empurro devagar. Silêncio. Corredor vazio. E uma sombra ao fim dele: Íris. Ela me encara. Respira fundo. E joga uma chave no chão. — Cinco minutos. — sussurra. — Você vai saber o que fazer. Sumiu antes que eu pudesse agradecer. Me ajoelhei e peguei a chave. Mãos trêmulas, pulsos marcados, mas o coração firme. Quando destranquei a algema e me senti livre, pela primeira vez em dias, respirei o ar da vingança. Do amor. Da decisão. Eu sabia o que fazer. Não era fugir. Era lutar. [...] Caminhei pelos corredores como um fantasma. Evitando os homens, as câmeras, os sussurros. Eu sabia onde ela estava. O quarto dela. O mesmo onde a beijei pela primeira vez. Onde ela disse que me queria, mesmo sabendo o quanto isso nos destruiria. Bati na porta duas vezes. — Quem é? — a voz dela, baixa, do outro lado. — O inferno tem o seu nome. — respondi. A porta se abriu. Ela estava com o rosto pálido, os olhos cansados, a alma quebrada. — Sebastian... Não precisei de mais nada. A abracei com força. Senti o corpo dela colar no meu como se estivéssemos tentando voltar a ser um só. — Você fugiu? — ela perguntou. — Não. Eu fui solto por Íris. Tenho pouco tempo. Ela me encarou. — Então por que veio aqui? — Porque se eu tiver que morrer… quero que seja depois de te olhar uma última vez. Ela chorou. Me beijou. Me puxou para dentro. Fechamos a porta. E, ali, naquela cela dourada que chamam de quarto, nos amamos outra vez. Com pressa. Com dor. Com fúria. Como se cada segundo fosse o último. Como se o mundo lá fora não estivesse esperando para nos julgar. Quando terminamos, deitados um sobre o outro, ofegantes, ela sussurrou: — O que vamos fazer? Fiquei em silêncio por um instante. Pensar em fugir parecia tolice agora. Pensar em lutar contra Wallace era impensável. Ele era o pai dela. O homem que me criou como um irmão. Por mais que tudo estivesse virando fumaça, eu jamais levantaria a mão contra ele. — A gente não vai fazer nada contra ele, Isis. — falei. — Eu... não posso. Você não pode. Não é quem somos. Ela fechou os olhos e assentiu. Uma lágrima escorreu pelo canto do seu rosto. — Eu sei. Ele é meu pai... — E foi me aceitou. De todas as maneiras que importam. Eu odeio o que ele está fazendo com a gente. Mas ainda o amo. E jamais faria algo para machucá-lo. Nem permitiria que você fizesse. — Então... o que sobra pra gente? Apertei sua mão. — Esperar. Pensar. Planejar. E, acima de tudo, sobreviver. Um dia ele vai ver que nosso amor não é vergonha. Que não é traição. É só amor. Ela me encarou, com os olhos vermelhos, mas brilhando como estrelas caídas. — Você acha mesmo que isso é possível? — Acho. Porque, mesmo com tudo que fizeram, eu ainda estou aqui. E você também. Nos abraçamos em silêncio. E naquela noite, entre medo e amor, promessas e cicatrizes, eu fiz a mim mesmo um juramento: não importa quanto tempo leve, Isis vai ser minha — e vamos reconstruir tudo juntos. Nem que o mundo inteiro tente impedir. ______ Notas da autora ________ aí meninas... esse amor impossível me deixa pirada... me contem aí, vocês estão torcendo por esse casal ou eu estou nessa sozinha? haha
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