Capítulo 20 – O Preço do Perdão
Isis narrando
Foi Íris quem me encontrou na varanda naquela manhã, deitada em silêncio no chão frio de pedra, olhando o céu como se ele pudesse me dar respostas.
Ela parou diante de mim com o rosto sério, e pela primeira vez em muito tempo, não havia sarcasmo em sua voz.
— Meu pai está te esperando no escritório. Agora.
Levantei devagar. Meu corpo tremia, mas não era de frio.
— O que ele quer?
— Sebastian está lá também. — ela respondeu. — Não faz perguntas. Vai.
Meu coração disparou.
Sebastian.
Corri pelos corredores, ignorando os olhares dos seguranças, ignorando até minha própria razão. Entrei no escritório sem bater. E o mundo parou.
Sebastian estava de pé, no centro da sala. As mãos amarradas nas costas. Os olhos marcados pela dor. Mas de pé.
Meu pai estava encostado na mesa, de braços cruzados, como um juiz esperando a confissão do condenado.
Minha mãe estava sentada à direita dele, tensa, com os dedos entrelaçados no colo. Olhou para mim com algo que parecia culpa.
— Senta. — meu pai disse, sem me encarar.
— O que você está fazendo? — perguntei, a voz trêmula.
— Senta, Isis. — repetiu, mais firme.
Obedeci. Mas não me calei.
— Se fizer algo contra ele, eu juro por tudo que me resta que nunca mais olho na sua cara.
Wallace finalmente virou o rosto em minha direção.
— Ele te tocou. Dormiu com você. Te desvalorizou. E mesmo assim, você vem aqui me ameaçar?
— Ele não me desvalorizou. Eu o amei. Eu o amo. — falei, de pé agora, os olhos marejados. — E não me arrependo.
— Não se arrepende? — ele repetiu, como se cuspisse a frase. — Você é minha filha. E ele é...
— Ele é o único que me viu de verdade! — gritei. — O único que não tentou me controlar, que não me tratou como moeda de troca.
O silêncio na sala ficou cortante. Minha mãe abaixou a cabeça. Wallace respirou fundo, caminhando até Sebastian.
— Eu devia te m***r aqui mesmo. — disse ele, encarando Sebastian com os olhos cheios de fúria. — Você era meu irmão. Meu braço direito. Eu te dei tudo. E você... tomou a única coisa que eu não podia perder.
Sebastian não respondeu.
E isso me fez entrar em desespero.
— Por favor... pai... — minha voz se quebrou. — Se fizer isso, vai me perder. Para sempre.
Wallace cerrou os punhos.
— Já te perdi, Isis. No momento em que você se deitou com ele.
— Não... — dei um passo à frente. — Me m***r seria mais fácil. Mas viver sem ele? Isso é morte lenta. Você quer que eu apodreça aqui dentro, sufocada, sorrindo pra um casamento que é uma mentira?
— A mentira foi você ter me traído. — ele retrucou.
— Eu não traí você! Eu só... amei. — caí de joelhos no tapete. — Por favor...
Foi nesse momento que minha mãe se levantou.
— Basta. — disse, com firmeza. — Wallace, você é um homem duro. Frio. Mas não é c***l.
— Isso não é crueldade, Melissa. É justiça.
— Justiça não é vingança. — ela caminhou até ele. — Você quer proteger sua família? Então pare de destruí-la.
Ele a encarou.
— O que está sugerindo?
Ela olhou para mim. Depois para Sebastian
.
— Um acordo. — disse. — Um que preserve a honra... e a vida.
Wallace não respondeu, mas seus olhos ardiam.
— Eles fingem. — Melissa continuou. — Fingem que tudo foi um erro. Fingem que seguirão com o plano. Isis se casa com Rodrigo. Sebastian se afasta emocionalmente, mas permanece leal à família. E ninguém... ninguém fora dessas paredes saberá o que houve.
Meu coração disparou.
— Está sugerindo que eles mintam... por mim?
— Estou sugerindo que você os mantenha vivos. — ela respondeu.
O silêncio voltou a dominar a sala.
Eu olhei para Sebastian. Pela primeira vez, seus olhos encontraram os meus. E havia dor. Havia aceitação.
— Se é isso... que vai te manter viva... — ele disse, com dificuldade. — Eu aceito.
Meu pai caminhou até mim. Ficou de pé ao meu lado ajoelhada
— Se você cruzar essa linha outra vez, Isis... eu juro... não haverá mais negociações.
Assenti. As lágrimas escorriam, silenciosas.
— A partir de hoje, vocês são estranhos. — ele declarou. — Vão fingir até o último suspiro. Ou perderão tudo.
E assim, foi selado o acordo que nos manteria vivos...
Mas nos mataria por dentro.