POV – LORENZO ROSSI
Ao entrar na sala de comando central, o som dos servidores e o brilho dos monitores me acolheram. O Arquiteto estava de volta, mas desta vez, meus olhos viam além das plantas baixas. Eu via as falhas no plano do inimigo como se estivessem iluminadas por neon.
— Situação — ordenei, minha voz cortando o ar com uma autoridade que fez até os guardas de elite se empertigarem.
Arthur levantou-se da mesa tática, projetando o holograma da base e os arredores do Mississippi.
— O "Velho" continua monitorando o sinal falso, Lorenzo. Ele está devorando a isca. Na última hora, interceptamos uma comunicação criptografada dele com os Vanchini. Ele ordenou que o ataque total ocorra durante a cerimônia de investidura. Ele acredita que o setor leste continua sendo nossa brecha.
Eu sorri, um gesto frio que não chegou aos meus olhos.
— Excelente. Deixe-o acreditar que ele encontrou a rachadura na armadura. Vittoria, como estão os preparativos para o "comitê de boas-vindas"?
Vittoria aproximou-se da mesa, apontando para os pontos de entrada subterrâneos.
— Vinícius e Dante já instalaram os sensores de vibração. No momento em que a primeira bota do Velho tocar o túnel, o sistema de isolamento de vácuo será ativado. Eles não terão para onde correr, nem oxigênio para planejar uma fuga.
POV – O VELHO DO RIO (Galpão Portuário)
Do meu esconderijo, eu observava as telas. O retorno de Lorenzo e Vittoria parecia comum. Eu os via discutindo mapas, via a tensão habitual. Eu me sentia como um deus observando formigas em um labirinto que eu mesmo construí.
— Eles estão nervosos — comentei com meu braço direito, um sorriso de escárnio marcando meu rosto enrugado. — Lorenzo está tentando reforçar a segurança, mas ele é técnico demais. Ele não entende que a verdadeira guerra se ganha no estômago, no medo, naquilo que você não pode ver em um gráfico.
Eu tinha certeza da vitória. Eu já conseguia sentir o cheiro das cinzas da família Rossi. O Conselho de 20 seria a sua tumba, e eu usaria a pele do Arquiteto como tapete para o meu novo trono. Minha arrogância era o meu manto, e eu não percebia que as costuras desse manto estavam sendo desfeitas fio a fio.
POV – LUCAS DUARTE
Enquanto Lorenzo e os outros focavam no macro, eu estava focado no micro. Minha mente, sempre voltada para a execução rápida e a neutralização silenciosa, estava trabalhando em dobro. Eu observava a movimentação na base, mas meus pensamentos escapavam para o que viria a seguir.
— Você está muito quieto, Lucas — Maya disse, aproximando-se com uma bandeja de café. — Lorenzo disse que o próximo par a ser integrado oficialmente é o seu.
— O próximo passo precisa ser cirúrgico, Maya — respondi, pegando o café, mas mantendo os olhos nos feeds de segurança externa. — O Velho acha que conhece todos nós. Ele mapeou nossas vidas, nossas rotas, nossos gostos. Mas ele não faz ideia de quem eu escolhi para estar ao meu lado.
Eu olhei para o relógio. O tempo estava correndo. O Conselho de 20 estava se tornando uma realidade palpável. O que o Velho via como uma "safra para colher", eu via como uma falange de aço. Ele estava focado nos Rossi e nos Vitale, mas ele estava esquecendo que os Duarte eram a liga que impedia que tudo explodisse.
— A Investidura será o fim dele — murmurei. — Mas antes disso, eu preciso garantir que a peça que falta no meu tabuleiro chegue a Chicago em segurança.
POV – LORENZO ROSSI
Mais tarde, na privacidade do nosso escritório, eu e Vittoria revisávamos os últimos detalhes técnicos. O clima entre nós era diferente. A tensão s****l que antes nos distraía agora havia se transformado em uma sinergia letal. Eu a sentia em cada movimento, em cada troca de olhares.
— Lorenzo, você acha que ele suspeita de algo? — Vittoria perguntou, sentando-se na beirada da minha mesa, a mão acariciando meu pescoço.
— O Velho do Rio sofre da pior doença de um estrategista: a nostalgia — respondi, puxando-a para mais perto. — Ele acredita que Chicago ainda é a cidade que ele deixou décadas atrás. Ele acredita que o poder vem do conhecimento do passado. Ele não entende que o poder agora vem da capacidade de processar o presente em nanossegundos. Ele está monitorando uma base de dados que eu já reescrevi três vezes enquanto ele dormia.
Eu me levantei e fui até a janela, observando as luzes da cidade.
— Ele está abaixo de nós, Vittoria. Muito abaixo. Ele está rastejando nos esgotos da sua própria ignorância, enquanto nós estamos no topo da torre, controlando a luz. No dia da Investidura, eu não vou apenas derrotá-lo. Eu vou mostrar a ele que o mundo que ele amava está morto. E que eu sou o novo deus dessa cidade.
Vittoria abraçou-me por trás, encostando o rosto nas minhas costas.
— E depois que o sangue dele for derramado?
— Depois — virei-me para ela, segurando seu rosto com as duas mãos — nós governaremos sem sombras. O Conselho de 20 será a lei suprema. E você estará ao meu lado, não mais como um segredo, mas como a Rainha de tudo o que os olhos podem alcançar.
POV – MAYA DUARTE LOMBARD
A base estava a todo vapor. Vinícius estava no campo de tiro com Dante e Vitor, treinando os novos protocolos de extração. O som dos disparos rítmicos era a música de fundo da nossa preparação.
— Eles estão ficando mais rápidos — comentei com Isabella, que revisava os contratos de sigilo para os novos pares.
— Precisam ficar — Isabella respondeu sem desviar o olhar da tela. — O Velho pode ser ignorante sobre nossa tecnologia, mas ele ainda tem homens. Muitos homens. O que o Lorenzo planejou é brilhante, mas a execução precisa ser perfeita. Se um único sensor falhar, a guerra vem para dentro da nossa cozinha.
— Não vai falhar — Vinícius disse, entrando na sala e limpando o suor da testa. — Lorenzo não deixa nada ao acaso. E depois daquela viagem dele com a Vittoria... o homem está focado como um laser. Eu nunca vi o Arquiteto tão perigoso. É como se ele finalmente tivesse encontrado o combustível que faltava para a máquina dele.
Eu sorri, sabendo exatamente qual era esse combustível. O amor, misturado com a possessividade, tinha transformado Lorenzo Rossi em algo além de um gênio. Tinha transformado ele em um predador com uma causa.
POV – LORENZO ROSSI (Fim de Noite)
O silêncio finalmente caiu sobre a base. Vittoria já tinha ido se deitar, mas eu permaneci na sala de comando por mais alguns minutos. Olhei para o monitor que exibia o que o Velho via. A imagem simulada de mim mesmo, sentado à mesa, parecendo cansado e vulnerável.
— Continue olhando, Velho — sussurrei para a câmera oculta. — Continue acreditando que eu sou o menino que você viu crescer. Continue achando que as sombras te protegem.
Eu abri uma pasta oculta no meu sistema pessoal. A foto de uma mulher misteriosa apareceu na tela. O par de Lucas. O Velho não tinha essa foto. Ele não tinha esse nome. Ele não tinha nada além de mentiras que eu o alimentava diariamente.
O Conselho de 20 estava pronto para o parto. O sangue seria o preço do nascimento, e o Velho do Rio seria o sacrifício necessário para selar a nossa era. Ele achava que estava por cima, mas a queda dele seria tão profunda que nem o fundo do Mississippi seria capaz de encontrar seus restos.
Fechei o sistema e apaguei as luzes. Amanhã, a contagem regressiva para a Investidura entraria na fase final. E Chicago conheceria, finalmente, a verdadeira face do Arquiteto.