Entrei no baile e ele estava mais top que o normal. Já fui logo para a pista e comecei a dançar com o Gaby.
Tinha um cara na nossa frente que não tirava os olhos de mim, mas não dei muita atenção.
Logo fomos nos enturmando, o papo fluindo e quando me dei conta, já estávamos em uma roda com uma galera super legal.
Como disse no início, não sou muito de bebidas, pois tenho medo, mas aos poucos fui me soltando, golinho vai, golinho vem... Eu tinha o Gaby ali para cuidar de mim, então me soltei um pouco mais. Eu sabia toda a história sobre minha mãe e seus vícios, meu medo era se tornar uma viciada como ela, mas isso não iria acontecer comigo, eu consigo me controlar, posso parar quando eu quiser.
Papo vai, papo vem, o Gaby se identificou com uma guria e me chamaram para ir atrás de uns bofes bonitões que foram para o lado do estacionamento, quando estava me preparando para ir, o cara que me ajudou a entrar apareceu...
- E aí ruiva, rola aquele drink?
Olhei para o Gaby e ele deu uma piscadinha de olho, seguida de um "vou estar no estacionamento"
Fui com o carinha para o bar. Ele pediu dois lagerita, como nunca havia tomado, perguntei pra ele se era forte, ele disse "relaxa gatinha, você vai gostar"
Realmente gostei, era muito bom, era forte, mas bom. Fui com calma, pois ja estava meio tonta.
- Bom ruivinha, acho que já está na hora de nos conhecermos melhor, né? Me chamo Thomas, mas me conhecem aqui por jabuti.
Estendeu as mãos em minha direção. Apertei as mãos dele e disse:
- Me chamo Lorena, e você pode me chamar de Lorena mesmo.
Ele riu, e eu gostei daquele sorriso.
Quando me dei conta a gente já estava se beijando em um canto do bar. Não falávamos sobre nada importante, só um papo casual, na verdade, não falávamos quase nada, só nos beijavamos muito mesmo.
Ele me convidou para subir até a casa dele, nesse momento ouvimos um barulho, seguido de um estouro muito forte, tive certeza que aquilo foi um tiro e me protegi atrás de um pilar. Em seguida ouvimos gritos e pessoas passaram correndo, fiquei desesperada!
Ele me colocou em um canto e disse para eu não sair dali que ele precisava resolver isso, e antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele sumiu no meio da confusão
As pessoas corriam em direção a saída, ouvi mais tiros e gritos e fiquei desesperada. Tentei correr para o estacionamento, tropecei e cai, mais pessoas caíram em cima de mim, até pisaram em mim. Foi tudo muito rápido, senti que meu braço ardia, e antes de poder olhar meu braço, senti alguém me puxando pelo outro. Era o cara que ficou me secando praticamente a noite toda. Ele me ajudou a levantar, meu braço estava sangrando. Ele tirou uma bandana da cabeça e amarrou no meu braço, nisso fomos novamente empurrados, meio que se separando pela multidão que corria desesperada. Ele só gritou "Corre, sai daqui!" Nesse momento olhei em seus olhos e senti que já os tinha visto antes, mas não sei onde. Fiquei olhando ele sumir na multidão, então senti outro braço me puxando. Era o Gaby, saímos da confusão, entramos no carro e fomos para longe dali.
Quando já estávamos seguros, ele parou o carro e mandou uma mensagem para a garota que estava com ele, ela disse que teve uma briga por causa de mulher, e que uma pessoa morreu e mais duas tinham se ferido. O Gaby gritou comigo dizendo que era por isso que ele não gostava de ir em lugares assim. Nunca vi ele tão nervoso. Me senti culpada por passarmos por isso. Poderíamos ter se machucado f**o lá.
Ele foi me levar para casa, passamos um tempão conversando no carro e acabamos pegando no sono. Acordei com uma amiga batendo no vidro e me falando para subir por que a tia Ciça havia passado m*l a noite. Subi rápido, ela estava na cama, parecia abatida. Disse que era a pressão, me pediu para ficar em casa com ela o resto do final de semana. Eu fiquei, cuidei dela.
Comecei a pensar no Thomas, queria muito ver ele de volta, mas não deu tempo nem da gente trocar w******p.
Segunda fui para o colégio, era meu último ano. Teríamos a formatura em menos de dois meses, e eu ainda não havia decidido o que faria depois disso.
Depois da aula fomos para a casa de uma colega, estávamos ensaiando para a formatura. Quando acabou ficamos fumando Narguile em frente à casa dela.
Já estava me despedindo para ir embora, quando chegou um carro, desceram quatro homens, e um deles era o Thomas.
Ele já desceu perguntando por um tal de Alex, minha colega só apontou para a casa ao lado, foi então que ele me viu ali. Disse para os outros rapazes resolverem que ele precisava trocar uma ideia comigo. Me cumprimentou com um beijinho no rosto e disse:
- Que bom que ficou bem ruivinha! Preciso resolver uma fita aqui, me passe seu número que depois conversamos.
Falei meu número a ele. Ele repetiu em voz alta e disse que não ia esquecer, jogou um beijo e foi com os outros. Pegaram o garoto da casa ao lado e levaram a força, aquilo me deixou assustada. O pessoal que estava comigo ficou me perguntando quem era aquele cara, e eu sem entender nada só respondia que não sabia, que conheci no fim de semana.
No dia seguinte na saída do colégio, o Gaby estava me esperando, pois combinamos de almoçar juntos, quando cheguei perto do carro, aquela minha colega veio correndo e disse que eu precisava falar de onde conhecia aqueles caras do carro, pois o vizinho dela havia sido encontrado morto. Eu só sabia dizer que não sabia, m*l conhecia ele, estava em estado de choque. O Gaby abriu a porta do carro e me mandou entrar, entrei e ele saiu deixando a menina falando sozinha.
- Caramba Loh, em que você foi se meter agora maluca?!
- Eu não sei, aquele cara do baile, acho que ele matou o menino.
Fomos ao shopping, me acalmei um pouco, almoçamos, conversamos e ele me deixou em casa. Quando cheguei, tia Ciça parecia preocupada, foi logo fechando a porta e me mandando sentar.
- Lorena em que você se meteu? Pelo amor de Deus menina, não te criei para virar bandida!
- O que houve tia Ciça, eu estava com o Gaby no shopping, juro que não fiz nada.
- A Polícia bateu aqui Lorena, disse que você é testemunha de um crime. Menina por onde você andou? Foi assim que machucou esse braço?
- Não tia. Eu não conheço aquele cara, eu conheci sábado no baile, só sei o nome dele, mais nada.
Ela me levou para a delegacia. Eu estava muito ferrada.
Tive que dar meu depoimento. Por sorte nem o número do cara eu tinha, ele pegou o meu mas não me ligou nem mandou mensagem.
Passei 5 horas na delegacia, meu celular foi revirado. Fiquei muito assustada com tudo aquilo.
Dois meses depois foi meu aniversário de 18 anos, e um mes depois minha formatura. Até então não soube mais nada sobre o caso.
No meu aniversário fiz um churrasco da casa do Gaby com os amigos mais proximos. E no dia da formatura, para minha surpresa, o Thomas apareceu lá. Sai da festa para conversar com ele, mais por medo que por vontade mesmo.
Ele me explicou que não sabia que iriam m***r o garoto. Era só para ser um susto. O garoto devia para o traficante do Morro. Foi assim que descobri tudo sobre o trabalho do Thomas. Eu não sabia que tipo de relação queria ter com ele ainda, para ser sincera, ele me atraia muito sim, mas eu tinha medo daquele mundo. Acabamos ficando, e curti o resto da noite ao lado dele. Ele era gentil, carinhoso, não sei ao certo o que estava fazendo, só deixei rolar.
Com o fim das aulas, consegui um trabalho em uma lojinha, trabalhava das 8:00 da manhã as 18h da tarde. Foi bom para mim, me mantive mais ocupada e parei um pouco de ir aos bailes. Passei a manter contato diariamente com o Thomas, mas não subi mais ao morro. Nos encontramos várias vezes no shopping depois do trabalho. Estava curtindo ficar com ele, eu não era virgem, mas ainda nao tinha passado de bons amassos com ele.
Até que certa noite, ele foi me buscar no trabalho, era sexta e eu havia combinado de sair com o Gaby. Ele apareceu de surpresa na loja, me trouxe flores e disse que queria me levar em algum lugar especial nessa noite. Eu já tinha avisado minha tia Ciça que ia para a casa do Gaby, ela sabia que eu sempre dormia por lá, então só avisei ao Gaby, e disse que depois iria para a casa dele. Ele parecia uma irmã mais velha, ficava todo preocupado, me enchia de conselhos, pediu para manter contato com ele sempre. Nunca havia saído para lugares mais discretos com ele, sempre ia para onde tinham mais pessoas por perto, mas já faziam quase três meses que eu vinha saindo com ele, e ele não me parecia um cara perigoso.