1 de junho de 1996
Respirei fundo e olhei para o céu escuro da noite, eu mais uma vez girei o vira-tempo demais e agora eu estava quase cinco anos atrasada. Tom já deve ter se casado com outra ou a guerra já aconteceu antes do tempo, eu...
Deslizo pela parede do beco em que estava e chorei. Era muita coisa para a minha cabeça, a minha loucura já começou a gritar na minha cabeça me deixando com dor. Estava com fome e eu queria um banho e chocolate quente.
Eu só queria a minha cama e chorar pela vida que eu não pedi.
Eu não queria fazer a merda dessa missão, não queria ver os meus pais morrerem na minha frente, não queria que aquele homem fosse o meu pai. Não queria... Tanta coisa.
Mas eles nunca vieram até mim, para me perguntar o que eu quero, é sempre: Leesa faça isso e...
Estou cansada, estou exausta. Só quero chorar.
Eu só preciso de um tempo sozinha com os meus pensamentos conturbados, eu só preciso de um tempo.
Começo a cantar uma cantiga antiga e lágrimas rolavam pelo rosto, o manchei com rastros de lagrimas. Meus soluços me deixavam inquieta e aquilo acabava comigo.
_ Você consegue, aguentava mais um pouco e tudo vai se resolver. - Digo para mim.
_ Tem certeza? - Uma senhora que estava fumando na varanda de sua casa perguntou. _ A vida não é tão simples quanto ela parece, venha, meu bem, acho que você merece uma xícara de chá. - Me levanto do chão e pego a minha mochila que estava no chão.
Vou até à porta dos fundos e vejo que a senhora de cabelos grisalhos e corpo mediano estava me esperando.
_ Pensei que não fosse vir. - Deu passagem para que eu entrasse. _ Qual é o seu nome?
_ Leesa e a senhora? Como se chama? - Trazia o chá em uma bandeja e me olhou me dizendo para se sentar na mesa da cozinha.
_ Me chamo Lahane, nome estranho, eu sei. - Disse saboreando o chá e eu a imito, estava gostoso. _ Por que chorava?
_ Meus pais morreram na minha frente. - Digo deixando mais uma vez as lágrimas saírem dos meus olhos. _ Eu viajei por muito tempo e eu não sei se meu esposo já se casou com outra, não sei se a maldita guerra acabou ou ainda continua um caos, eu... Eu estou cansada de fazer tudo. - Sinto ela bater devagar no meu ombro e sorriu.
_ Eu acho que todos dependem de você, mas eles se esqueceram que você é humana e tem sentimentos. - Ela tinha um sorriso doce nos lábios e aquilo me fazia chorar ainda mais. _ Chorar não é vergonhoso, chorar faz que todas as coisas que sentimentos dentro de nós se esvazie para novos sentimentos.
_ Dói. - Digo bebendo mais chá. _ Dói não saber de nada.
_ E está tudo bem, você vai aprender com o tempo, ele pode ser o nosso maior aliado de vez em quando.
_ E se meu esposo... - Ela me calou.
_ Se ele te trocou por outra, ele que está perdendo a mulher maravilhosa que você é, querida, você é linda e tem um sentimento puro dentro de você.- Acariciou meu rosto. _ Tome seu chá e tudo que você está pensando vai se resolver.
_ Obrigada. - Ela apenas continuou bebendo o seu chá.
Ela tinha razão, eu não poderia supor de coisas que eu não sei. Vou terminar de beber esse chá e ir atrás do Tom, talvez ele ainda me ame ou pelo menos seja um bom amigo nesse tempo tão complicado da minha vida.
Terminei de beber o chá e eu me despeço da senhora, ela era muito simpática e me lembrava da Lisandra. Falando nela, ela deve ter morrido, queria visitá-la, mas eu não sabia onde ela foi enterrada.
Continuo andando pela rua e alguns carros passavam me dizendo que o meu tempo mais uma vez mudou, sou uma viajante do tempo, mas sem tempo de ficar em algum fixo.
Aparato daquele lugar e me vejo de frente do portão da mansão Malfoy, eu nunca fui naquele lugar, mas eu logicamente sabia da localização.
Abro o portão e vou em direção da porta, faço um feitiço para que minha assinatura mágica não seja detectada pelos bruxos que estariam nessa mansão.
Abro a porta da frente e vejo que ninguém estava no hall de entrada. Passo pelo hall e começo a identificar as assinaturas mágicas e a do Tom estava em uma sala de reuniões e ele estava nervoso.
Vou pé por pé até a sala de reuniões e abro vendo quem estava ali.
_ Dumbledore tem que ser morto na guerra, se eu o matar de uma vez, a população vai perder a credibilidade em mim. - Gritou nervoso.
_ Mas ele que está fazendo todo esse caos acontecer. - Lucius falou tentando acalmar o seu Lorde.
_ Eu sei de todos os planos daquelas pessoas da luz, tudo que eu preciso é seguir passo a passo das observações da minha esposa. - Será que era eu? Estava empolgada.
_ Uma esposa que está 53 anos sem aparecer! - Gritou Bellatrix. _ Eu já fiz tanta coisa, por que não me coloca em seu lugar? - Depois não quer perder a língua.
_ Cale a boca! - Apontou a varinha para ela e ela tremeu. _ Se eu ouvir você falar da minha esposa novamente, eu cortarei a outra mão.
_ Me perdoe, milorde. - Disse abaixando a cabeça.
_ Já temos tudo pronto para a guerra, só precisamos de ter um mapa de Hogwarts. Já tem muito tempo que eu não vou lá e seus filhos não saberão onde fica cada passagem secreta. - Mas eu sabia.
_ E a varinhas das varinhas? - Perguntou Severus.
_ Eu não preciso dela, para que eu iria precisar de uma varinha?
_ Achei que o senhor fosse querer uma varinha mais forte para combater Potter e Dumbledore. - Então os pais de Harry estavam mortos, isso é bom.
Saio dali e vou para a escadaria principal, estava cansada, não queria causar confusão. Tento achar o quarto do Tom e não foi muito difícil.
Uma porta de carvalho e um pouco da magia do homem estava na entrada.
Confundo a magia do homem e entro no quarto totalmente n***o e cinza. Algumas coisas eram verdes, muito Sonserino. Mas era seu título, Lorde Slytherin.
Fecho a porta e vejo que tinha duas portas, uma delas seria o banheiro e a outra o closet. Tiro a minha mochila das costas e a coloco encostada na parede e vou até o closet do homem. Só vestes escuras e eu só precisava de uma camisa.
Peguei um moletom preto, uma toalha e saio do closet. Vou até a minha mochila e retiro uma calcinha de renda.
Como eu sabia que Tom iria demorar, eu iria tomar banho de banheira, claro, se tivesse.
Abro a porta do banheiro e ele era cinza com branco. Fechei a porta e vou até à banheira a ligando. A corrente de água caia na banheira e eu começava a retirar minhas roupas. Retiro o meu sutiã e os meus s***s médios respiraram pela enfim liberdade, minha calcinha se perdeu em algum lugar daquele banheiro e eu entrei na água.
A água estava quente e estava maravilhosa, sentia cada músculo se deliciar com a temperatura. Não demorou muito para que a banheira se enchesse e quando isso aconteceu, eu desliguei a torneira e comecei a tomar banho, passava sabonete, shampoo e coisas essenciais para o banho.
Enquanto Leesa tomava banho, Tom planejava seus passos e tentava tirar os seus pensamentos na mulher que lhe assombrou por 53 anos. Leesa falou que iria voltar, mas até agora ele só perdia cada vez a esperança de se reencontrarem.
Ele a odiava, depois passou a admirá-la, com o passar dos meses o sentimento paixão nasceu em seu coração e depois de quase um mês antes dela ir embora, ele acabou descobrindo que a amava. Leesa acabou sendo tudo que ela queria ser na vida de alguém.
Ela era a única coisa em sua vida.
Enquanto eles se planejavam, Leesa já vestia o moletom e penteava os seus cabelos. Seus olhos passeavam por todo o quanto e pensava em coisas pecaminosas.
Ela colocou a toalha no banheiro, a estendendo em algum lugar e voltou para o quarto, se deitando na cama.
_ Será que ele vai demorar? - Me perguntei ansiosa.
Levantei-me da cama e vou até a mochila, retirando as três varinhas que eu tinha, a minha feita por Salazar, a varinha das varinhas que foi entregue a mamãe e ela colocou dentro da minha mochila e a terceira era do auror.
Olho para o meu dedo e vejo o anel de noivado e a Horcrux de Tom, elas eram a coisa mais preciosa da minha vida. Peguei as minhas varinhas e as coloquei na mesa de cabeceira.
Deitei-me novamente e me cobri me sentindo quentinha nos cobertores fofos de Tom, tinha o cheiro dele.
E pelo conforto eu acabo dormindo.
Tom que encerrava a reunião estava exausto e ele só queria tomar um banho e descansar. Ele se levantou da cadeira e foi até a porta de saída, dando de cara com a Bellatrix.
_ O que você quer, Bella?
_ O senhor. - Ele revirou os olhos e se foi. _ Eu posso lhe dar prazer, meu senhor... - Ele a enforcou e disse entredentes.
_ Nunca, de forma alguma, tente dizer isso novamente, se a minha esposa estivesse aqui, ela já teria te matando. - Largou o pescoço da mulher e subiu a escadaria principal indo até à porta do seu quarto.
Ele parou e viu que sua magia comia algo e o cheiro era familiar, seu coração bateu rapidamente em sua caixa torácica e ele abriu a porta dando de cara com uma mochila que ele conhecia muito bem.
Tom fechou a porta e a trancou, foi com passos lentos até a cama e a viu. Sua pequena estava ali, dormindo na sua cama, ele não poderia acreditar que ela estava ali.
Tom até mesmo pensou que estava sendo induzido a imaginar Leesa e quando fez de tudo para sair da suposta miragem, ele se ajoelhou e começou alisar o rosto leitoso de sua mulher.
_ Leesa. - Sussurrou e o hálito quente beijou o rosto da Leesa, ela abriu os olhos e viu o seu marido a olhando.
_ Seus olhos mudaram. - Disse sonolenta, os olhos do homem estavam vermelhos por causa da magia proibida que ele mexia. _ Mas eles continuam perfeitos, senti saudades. - Alisou o rosto do homem e ele beijou os seus dedos.
_ Acabou de chegar? - Ela balançou a cabeça e ele franziu a testa. _ Quanto tempo me esperou?
_ Acho que duas a três horas. - Ela chegou para o lado para que Tom se deitasse com ela.
_ Eu vou tomar um banho e já volto. - Beijou a testa da menina e tentou se levantar.
_ Não quero que você vá. - Disse chorosa. _ Não quero me sentir sozinha de novo. - Ele nunca tinha visto Leesa naquele estado.
Ele retirou os sapatos e a camisa social e se deitou com a sua garota. Ele acariciou o seu rosto e sentiu algo molhado em seus dedos, ela estava chorando.
_ O que aconteceu? - Ela o abraçou de uma forma quase esmagadora e disse:
_ Eu me sinto cansada de tudo, me sinto sobrecarregada com essa missão e outras coisas. Eu só queria que tudo acabasse. - Tom beijou sua testa e a abraçou.
_ Falta pouco para acabar e quando acabar faremos nosso casamento onde você quiser. Eu não gosto de ver você assim.
_ Vai passar, mas agora apenas me abrace, me abrace tão forte que me faça esquecer dos meus problemas. - Ela chorava e Tom tentava acalmá-la.
_ Eu vou estar aqui para o que der e vier. - Fez cafuné em seus cabelos.
_ Como a mamãe morreu?
_ Ela morreu depois de dois anos.
Leesa chorou e chorou. Mas aquela noite foi amorosa, Leesa precisava de carinho e precisava saber que ela não estava sozinha. Tom e Leesa carregavam um fardo, mas eram os dois e não um.
Tom fazia a guerra e Leesa o ajudava no que era possível.