Capítulo dezesseis

3010 Palavras
25 de dezembro de 1943: Fiquei me olhando no espelho e alisava o meu vestido azul-escuro com alguns botões na frente, ele era de frio e os pelinhos dentro dele me fazia sentir mais quente. Eu estava pronta para ir buscar o Tom no orfanato. E bom, ele não sabia disso e era melhor assim. E se ele soubesse, talvez ele brigasse comigo e isso não seria bom. Peguei a minha varinha, a colocando dentro da minha manga, saio do quarto e fechei a porta. Desço a escada e encontro a mamãe assando alguma coisa no forno, peguei o meu chapéu no cabideiro e o coloquei na cabeça, vou até à cozinha para despedir da mamãe. _ Mãe? - A chamo e ela me olhou. _ Estou indo, chegarei daqui a pouco. - Digo indo até ela e a beijei. _ Queria que sua irmã também estivesse aqui, mas será bom só nós três. - Concordei beijando a sua cabeça. _ Tome cuidado na rua, use luvas e está ventando muito ultimamente, coloque suas botas em vez de salto. _ Irei fazer isso. - Ela apenas riu me empurrando para fora da cozinha. _ Não volte tarde. _ Ok. - Me sento no chão e começo a colocar a minha bota. Peguei as minhas luvas e as coloquei, mais uma vez despeço da mamãe e saio de casa. Um vento frio passou por mim me fazendo tremer, odiava vestidos no inverno. Vou andando devagar e vou até uma rua deserta, peguei a minha varinha e apontei ela para a rua e o Nôitibus andante apareceu, entrei no ônibus e me sentei perto a saída. Não tinha muitas pessoas no ônibus. Coloquei a minha varinha no lugar e olhei para o motorista. _ Para onde? - Perguntou o motorista. _ Orfanato Wool. - Digo para ele e ele começou a acelerar. Eu já disse que eu odeio andar de Nôitibus? Se não, eu odeio andar, mas era a única alternativa que eu tinha além do táxi e ele poderia ficar no engarrafamento que teria hoje. Fico olhando para os carros parados no semáforo e eu me despedia desse tempo. Mamãe ficaria furiosa se ela soubesse que eu iria sumir por alguns anos. Anos... Eu sumiria por bastante tempo, até mesmo Tom poderia arrumar outra para ficar no meu lugar. Aquilo doeu, um sentimento indesejável se alastrou pelo meu peito sem permissão e sufocava a minha garganta como se fossem tentáculos. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu tentava suspirar fundo para tentar me acalmar, aquele sentimento não era meu. Eu não tenho medo de chegar em casa e não ver o sorriso caloroso de mamãe. Na verdade, eu tinha aversão por esses pensamentos. _ Próxima parada, Travessa do Tranco. - Gritou a cabeça falante. O ônibus parou e um homem desceu dele. Meu coração começou a relaxar e eu comecei a me recompor, por Merlim. Tinha vezes que eu não me entendia. Chorar só porque eu vou ficar sozinha no mundo? Faça-me rir, eu deveria estar louca alguns minutos atrás, eu não preciso de ninguém para me fazer feliz, eu sou a minha própria felicidade. Bufo vendo mais alguns carros pelo lado de fora e um prédio alto e horrendo apareceu, as grades negras fez meu corpo se arrepiar em desgosto. _ Próxima parada, Orfanato Wool. - Retiro o galeão do bolso do meu vestido e o joguei para o motorista. Desci os degraus e me vi de frente daquela quase horrenda mansão. Olho o portão e me sinto enojada, Tom merecia um lugar melhor para viver. Abro o portão e subo os degraus daquele lugar, escutava ao longe alguns gemidos de dor, mas a pessoa que chorava não tinha assinatura mágica. Abro a grande porta e me vejo no hall de entrada, era bem simples e m*l organizado. _ Posso lhe ajudar? - Uma mulher robusta perguntou vindo até a mim. _ Sim, eu estou procurando meu noivo. - Ela sorriu e me levou até um sofá. _ Eu já ouvi vários códigos, mas esse é novo. - Sorriu. _ A senhorita que adotar uma criança? _ Não, eu vim encontrar o meu noivo, ele se chama Tom, Tom Riddle. - Ela desmanchou o sorriso. _ Ah! - Engoliu em seco. _ Se me permite falar, eu acho que a senhorita não deveria se casar com o senhor Riddle, ele é meio... _ Perturbado, teimoso, rancoroso e vingativo? - Só falei algumas de suas qualidades. _ Isso. - Suspirou feliz. _ Eu acho que uma senhorita de seu porte, deveria se casar com um senhor rico e de boa índole, e não com uma aberração pobre. - Sorriu a mulher. _ Eu não me importo dele ser pobre, mas a palavra a senhora usou. - Digo apertando a minha mão na minha varinha. _ Aberração é um insulto para nós. _ Nós? - Ela sorriu azeda. _ Você também é uma aberração. - Bufou se levantando. _ Vocês dois se merecem... - Retirei a minha varinha da manga e apontei para a senhora. _ Ele ainda não pode fazer isso, mas eu sim. - Ela se virou e ficou apavorada. _ Crucius! Vejo ela cair no chão e a minha mente se desliga do mundo. Eu só queria vê-la se contorcer, gritar, pedir perdão soluçando, vê-la gemer de dor. _S-socorro! - Gritou e eu apenas intensifiquei o feitiço. Sua baba escorria em seu rosto, seus olhos estavam marejados e sua pele branca virou avermelhada, minha mente dizia para matá-la, mas eu não queria acabar com a diversão, eu queria que ela sangrasse. Andei até ela e meus passos são lentos e precisos. _ Ela vai matá-la? - Perguntou alguém. Chutei o rosto da mulher e o sangue vermelho saiu de sua boca e nariz, chutei mais uma vez e a consciência da mulher já vacilava. Chutei mais uma vez e o sangue que estava em sua boca espirrou no meu sapato. _ O que... Leesa? - Escuto a voz do Tom ao fundo, mas eu não me importei, eu apenas continue chutando a mulher. _ Leesa, para.- Me tirou da frente da mulher. _ Mate. - Minhas mãos tremiam e eu apenas pensava no sangue que saia dos orifícios de sua cabeça. _ Deixa-me matá-la.- Sussurrei e ele retirou a varinha da minha mão. _ Por que não a matamos? Tom me olhou e aquilo me fez cair na real, eu acabei revelando o meu verdadeiro caráter. Eu estava com medo, mas ele apenas sorriu e alisou o meu rosto. Apontou a minha varinha para a mulher e ela estava impecável. _ Temos uma ceia e precisamos ir, meu amor. - Beijou a minha testa e começou a andar comigo, eu ainda estava tentando raciocinar o que tinha acabado de fazer. _ Falaremos disso mais tarde. Olho para algumas pessoas que estavam ali e eles estavam temerosos. Saio daquele lugar sendo segurada pelo Tom e minha cabeça voltava aos poucos. _ Acho que eu acabei descobrindo seu verdadeiro caráter, minha pequena. - O olhei de lado e mordi os meus lábios em um ato desnecessário de fúria contra mim. _ Eu não estou com raiva ou algo do tipo, eu até mesmo gostei de ver aquela mulher sofrer pela minha futura esposa. _ Você me aceita? - Ninguém da minha família me aceitava, nem mesmo a minha mãe. Eles não entendiam como eu, a pequena e isolada menina, tinha um caráter enlouquecido e psicótico. Que poderia matar qualquer um sem pestanejar, que faria todos sofrerem para trazer a minha felicidade. Era um dos motivos que o meu avô, não, ele não era "meu". Era por isso que aquele homem me chamava de filha do d***o. Eu era quase igual ao meu pai, mas um pouco pior. _ Leesa. - Ele parou de andar e me olhou. _ Preste atenção no que eu vou te falar. - Acariciou o meu rosto. _ Eu aceito tudo que você fizer, se quiser me matar e comer o meu coração ainda com ele batendo em suas mãos, eu não irei fazer nada. _ Você já estaria morto. - Digo sendo óbvia. _ Você entendeu. - Sorriu beijando a minha testa. _ Eu aceito você, aceito todos os seus jeitos, manias e imperfeições. Eu lhe amo. - Olhei para ele, tentando ver algum sentimento de mentira, mas eu só encontrei um olhar brilhante. _ Eu também lhe amo. - Beijei os seus lábios. _ Muito. - Sorri o abraçando. Ele me aperta e me tira do chão me rodando no ar. _ Eu amo você, Leesa Granger. - Beijou os meus lábios e os mordeu logo em seguida. _ Futura Lady das Trevas, futura Leesa Marvolo. _ Prefiro Riddle. - Digo vendo-o revirar os olhos. _ Vamos, temos que chegar antes que a mamãe chame a polícia. _ Sua mãe é uma figura. _ Sim, eu concordo. - Ando com ele de mãos dadas e vamos conversando sobre tudo. _ Onde iremos morar quando nos casar? _ Eu irei em Gringotts para ver se existe alguma coisa para mim e se tiver, eu vou pegar uma mansão para nós, se não, eu vou ver o que meu progenitor tem no banco ou algo do tipo. _ Entendo, quando nós nos casarmos, eu tenho que falar algo sobre mim. _ E o que seria? _ Um pouco da verdade que eu escondi durante esses anos. - Digo aflita. _ Espero que você me perdoe. _ Leesa, eu posso perdoar qualquer coisa vinda de você, menos traição. - Me olhou sério. _ Nunca lhe traí e nunca vou. _ Vejo que me casarei com a pessoa certa. - Beijou a minha mão entrelaçada com a sua. _ Que bom, porque não tem como cancelar o noivado agora, mamãe ficaria estressada e eu magoada. - Ele me entregou a minha varinha. _ Obrigada. - A coloquei na manga. _ Por que você fez aquilo? _ Ela te chamou de aberração, não suportei a raiva e comecei a agredi-la. - Ele riu e o sorriso era o mais belo que eu já vi. _ Vejo que o senhor gostou. _ Como eu não poderia gostar? Minha futura esposa me protegeu, eu estou encantado. - Chegamos na rua da minha casa e eu olhei para o céu, já estava escurecendo e isso me preocupava. _ Se eu sumir, você cuidaria da minha mãe até que ela morra? - Ele franziu a testa. _ Apenas responda sim ou não. _ É uma pergunta interessante e sim, eu cuidaria. _ Que bom. - Sorri abrindo a porta. _ Cheguei. - Digo retirando os sapatos, as luvas e o chapéu. _ Achei que nunca iriam chegar. - Disse mamãe arrumada. _ Bem-vindo, Tom. _ Eu agradeço a hospitalidade. - Mamãe pegou em seu braço e o sentou no sofá da sala. _ Leesa. - Cheguei na sala e me sentei ao lado do Tom. _ Isso, fiquem assim e. - Pegou uma câmera fotográfica e tirou duas fotos. _ Fiquem juntos. - Me encostei nele. _ Mais. - Sorri pegando a mão dele. _ Isso. - Tirou a foto e sorriu indo até à cozinha. _ Um dia ela vai revelar e eu te entrego. - Digo apertando os seus dedos. _ Por que foi no orfanato? _ Eu queria te buscar, se eu soubesse que teria acontecido aquilo, eu não iria entrar no orfanato, esperaria ao lado de fora. _ Quando eu cheguei no hall de entrada e vi todos te olhando, eu levei um susto, mas depois eu comecei a perceber que você estava maravilhosa e seu sorriso impecável no rosto, fez o meu coração bater. _ Que fofo, me achou atraente quase matando uma pessoa. _ Seu senso de humor é belíssimo. - Sorriu beijando os meus lábios. _ Gosto de morango. _ E seu de chocolate, pensei que odiasse chocolate. _ O doce, mas o amargo é bom. - Disse brincando com os meus dedos. _ Por que eu sinto que algo vai acontecer e você estará envolvida? _ Porque algo realmente vai acontecer. - Beijei os seus lábios. _ Eu pegarei aquilo que eu te prometi. _ Hoje? Mas hoje você... _ Não quero que você crie alarde, eu vou à casa da mulher e irei pegar os objetos, tudo vai dar certo. _ O jantar está pronto. - Me levanto do sofá e ele faz a mesma coisa. Nós nos sentamos e começamos a conversar sobre algo sem sentindo. _ Como vão às coisas na escola? - Mamãe perguntou cortando a carne. _ As minhas aulas estão sendo animadas, depois que eu contei algumas coisinhas a eles. - Falo bebendo um pouco de vinho. _ Mas o dia quer eu fiquei internada... _ Internada? Por que não me contou? _ Não queria preocupá-la. - Falo sincera. _ Não sou essas mães que tem problema de coração, só tenho 20 anos. - Ela realmente gostava de diminuir sua idade. _ A senhora já passou dos vinte há muito tempo. _ Mas estou na casa dos vinte. - Disse bebendo um pouco do vinho e Tom apenas ria. _ Claro, 20+19. - Ela ficou vermelha e me bateu e Tom gargalhou. _ Por Deus, estou toda envergonhada. - Colocou as mãos nas bochechas. _ Eu não te criei para você revelar a minha idade, o que o seu futuro marido vai pensar? _ Que a senhora fez filho muito cedo, safadinha. - Tom só faltava engasgar e mamãe só faltava me expulsar de casa. _ Onde aprendeu esse linguajar? Aposto que foi com os seus alunos, por Deus. - Olhou para o Tom e riu. _ Até que foi engraçado. - E Tom concordou. As conversas iam e vinham, e sempre teria uma risada saindo da boca de alguém. Mamãe depois da décima terceira taça de vinho já estava meio bêbada. Eu não poderia consumir muito álcool, por isso que eu deixei para Tom beber e ele bebeu as três garrafas de vinho. Ajudo eles a subirem a escada e quase caímos para trás umas cinco vezes. Coloco a mamãe deitada em sua cama e logo coloco Tom deitado na minha, os dois dormiam e eu retirava a minha roupa para colocar a minha calça jeans e uma blusa comum. As roupas que eu peguei naquele armário ainda me serviam e era de boa ajuda agora. Dou um beijo em Tom e coloco os seus presentes na mesa de cabeceira, pego algo na mochila e coloquei no meu bolso da calça. Saio de casa. Estava na hora de colocar alguns planos em prática. Aparato no endereço que Hepzibah me entregou no hospital e bato em sua porta. Ela abriu a porta e ela sorriu me vendo. _ Oh! - Sorriu pegando nas minhas mãos. _ Achei que nunca iria te reencontrar. - Disse me sentando em uma poltrona e ela em outra. _ Fiquei muito atarefada. - Digo a olhando e ela continuou rindo. _ Eu cheguei em um horário impróprio para visitas, me perdoe. _ Oh, querida. Não fale bobagens, a senhorita sempre é bem-vinda. Mas eu pensei que a senhorita viria com seu noivo. _ Ele bebeu muito e acabou desmaiando. - Ou eu fiz que ele bebesse. _ Já que a senhorita está aqui, irei lhe mostrar a minha maior coleção. Aquela que eu lhe falei naquele dia. _ Ah, sim, a taça de Helga e o medalhão de Salazar. - Ela concordou indo até algum lugar e uma elfa veio para me entregar o chá e logo se foi. Pego o vidrinho no meu bolso e despejo na xícara de chá de Hepzibah. Misturo o conteúdo da xícara com o dedo e logo o retirei o limpando no sofá. _ Desculpe a demora. - Trouxe duas caixas. _ Aqui está, essa é a taça e esse é o medalhão. - Me entregou e pegou a xícara, bebendo o conteúdo. _ São peças magníficas. - Digo impressionada com as peças. _ Que pena que a senhora nunca mais vai ver elas. - Sorri abertamente para a mulher que se engasgava. Eu sabia que a elfa estava olhando para aquela cena e contaria aos aurores sobre mim. Mas era exatamente isso que eu queria fazer. Ir para Azkaban e retirar todos que estavam lá, principalmente os Dementadores. Levantei-me indo até à mulher que morreu de boca aberta e vejo se ela tinha pulso. Ela tinha, mas um bem fraco. _ Avada Kedavra! - O jato verde foi em direção do peito da mulher e a matou. Vejo que a elfa já tinha ido embora e eu sumo daquele lugar, eu precisava fazer uma coisa antes de ser presa. Apareço em uma floresta e começo a fazer a minha Horcrux, era presente de aniversário do Tom. Ele ficaria bonito usando o medalhão de Salazar e pensando em Salazar, como ele estaria vendo-me assim? Decepcionado, eu imagino. Saio dali e escondo os dois objetos em um lugar que ninguém descobriria, o lugar que começou a minha jornada. Aquela caverna onde eu viajei no tempo, aquele seria o lugar ideal para o Tom encontrar os dois objetos e uma carta. Coloco a carta na taça e faço vários feitiços que protegeria eles. Aparato daquele lugar e me vejo em frente da casa da minha mãe. Entro nela e começo a tirar a roupa, subo os degraus com as roupas em mãos e as joguei no chão do meu quarto. Peguei o vira-tempo que estava escondido atrás de uma caixinha de joias e o faço virar o anel. Pego o anel do Tom e o vira-tempo e os engulo, fazendo um feitiço para protegê-los do ácido que tinha no meu estômago. O anel de noivado ficaria no meu dedo, onde ele nunca sairia. Peguei um papel de casamento, assinei o meu nome no papel e preenchi tudo que eu deveria preencher, quando eu fosse embora eu já estaria casada. Deitei-me na cama apenas com calcinha e sutiã e dormi sendo abraçada por um Tom bêbado. Seja o que Merlim quiser.
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