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VISITA ÍNTIMA [M]

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Sinopse

Thayna voltou para o morro no fim da gestação, exausta, ferida e sem mais para onde ir. Fugiu de um relacionamento que quase a matou e encontrou abrigo na casa da avó, levando consigo apenas a dor, o medo e a esperança silenciosa de que, dali em diante, tudo pudesse ser diferente. Com o filho recém-nascido nos braços e um pai perdido no vício dentro da mesma casa, ela entende rápido que recomeçar não significa paz - significa luta.

Sem dinheiro e com responsabilidades que não esperam, Thayna aceita uma proposta que promete resolver seus problemas por uma noite. Uma visita íntima na cadeia. Nada que ela não consiga lidar, nada que ela não consiga controlar.

Até descobrir quem está do outro lado.

Max.

O homem do seu passado. O mesmo que agora é conhecido como Urso, um nome que impõe respeito até atrás das grades. O reencontro não traz alívio, mas tensão, lembranças e sentimentos que nunca foram realmente enterrados.

Porque algumas histórias não acabam… só esperam o momento certo para voltar.

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1. Thayna
É muita luta ser mãe solo. Você dá tudo que tem, mesmo não tendo nada, e, às vezes, parece que não é suficiente. Meu nome é Thayna, tenho 25 anos e um filho de 3 meses. Meu pequeno Thales, parece clichê, né? Thayna e Thales. Mas meu filho é minha metade. Ele sofreu muito quando, na gravidez, eu apanhava do pai dele. Achei que fosse perder meu pequeno, mas eu consegui fugir dele e vim parar na casa da minha vó. Aqui também não é mil maravilhas, minha vó é o capacho do meu pai, que é um drogado, como um monte que tem aqui no morro. Quase sempre tenho que ficar repondo algo que ele rouba para usar aquelas porcarias dele. Mas eu estou juntando dinheiro, e falta bem pouquinho para conseguir ir embora com meu preto. Aí vai ser apenas nós dois, para a glória de Deus. — Ei, Thales… qual o motivo do choro, ein, garotão? — murmurei baixinho, pegando ele do colchão ao meu lado. — Começou o berreiro! — meu pai gritou da sala, fazendo o bebê gritar mais ainda. — Para de gritar, pai! — falei, levantando da cama e balançando Thales, enquanto colocava a mamadeira na boca dele. O bebê começou a sugar, fechando os olhinhos que brilhavam por conta das lágrimas. Comecei a cantar baixinho e beijar o rostinho dele, até ele finalmente soluçar e soltar o bico. Coloquei ele de volta na cama com cuidado e fui para a cozinha lavar e colocar a mamadeira dele de molho, aproveitando para lavar umas vasilhas que estavam sujas. — Não precisava, minha querida. Eu mesma iria lavar assim que esse infeliz de remédio fizesse efeito. — minha vó sussurrou atrás de mim, e eu me virei para ela com um sorriso no rosto. — Tudo bem, vó. Aqui é rapidinho, além do mais, é meu dever ajudar a senhora. — Você já trabalha fora, criança. Eu me viro debaixo desse teto. — E a senhora cuida do Thales para mim, o que me faz acreditar que eu te devo muito mais do que a senhora me deve. — respondi, colocando a última louça no escorredor e me virando para ela, dando um beijo em sua cabeça branca. — Inclusive, vou descer mais cedo hoje, pois vou encontrar a Lays. Ela ficou de me arranjar um trabalho melhor. — Ai, menina, que notícia boa. Que Nossa Senhora abençoe seus caminhos e que tudo dê certo. — Amém, vó! Já deu certo, eu estou até com um bom pressentimento, sabe? Vai ver é a vontade logo de ter meu cantinho. — Você e o Thales merecem, né? Comeram o pão que o d***o amassou na mão daquele desgraçado. — Credo, não vamos falar dele para não dar azar. — resmunguei, batendo três vezes na madeira. — Meu pretinho acabou de dormir, tá limpinho e só vai mamar daqui a três horas de novo. — Certo… vai se arrumar, garota! Ele vai estar em boas mãos. — resmungou, indo para o fogão, e eu sorri, indo para o quarto. Fiz o mínimo de barulho possível para não acordar meu filho, mas consegui me arrumar. Apesar de ter acabado de ter filho, meu corpo continua igual a quando eu não era mãe. Meu único problema é a diástase, que me faz ter um bucho quebrado. Mas, ainda assim, consigo me achar mais bonita agora do que antes, quando eu vivia num relacionamento abusivo. Meu cabelo é liso e bate no meio das costas, sou n***a e com um metro e meio. Nada de diferente, nada de chamativo. Porém, eu sei o que tive que passar para poder ser eu mesma. Agora talvez o povo chame de vaidade, mas eu chamo de segunda chance. Terminei de me arrumar e abençoei meu filho antes de sair. Me despedi da minha vó e ignorei os insultos do meu pai, já sei que daquela boca não sai nada que preste. Desci o morro, saudando algumas pessoas que ainda me lembravam. Depois de quatro anos fora, virei quase uma desconhecida na comunidade. Lays me esperava no lugar que ela tinha dito, só esqueceu de me avisar que estaria grudada no namorado dela, que, por um pouco, não comia ela no meio da rua mesmo. — Oh, pouca vergonha, viu! Bora, minha filha, desgruda. Num calor desse? Tu tá é doida, né? — Ai, que susto, Thay! Sua capeta, tava super distraída aqui, sua maldita. — Quanto palavrão para uma pessoa só. — resmunguei, retribuindo o abraço dela. — Tu sabe que é amor, né? Cadê meu afilhado? — Ficou com minha vó, você sabe… — Vem cá, esse aqui é o meu namorido Lucas, mais conhecido como Magrin. É ele que tá com uma proposta, mas, se você não quiser, eu já falei que tá de boa. — E aí, de boa? Lays me falou que tu tava precisando de um trampo, umas paradas assim, mãe solo e tal. Disse pra te dar a oportunidade. Se tu aceitar, é sucesso pra ti e teu filho. Eu sabia que aquilo ia ser algo que mudaria minha vida para sempre, mas foi pensando no meu pequeno Thales que eu aceitei o convite para ir na casa dela com eles.

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