O fedor de suor e p***a ainda impregnava o colchão fino quando a porta do quarto de íntima bateu. O guarda já tava do lado de fora, esperando pra me levar de volta pro pavilhão. Mas eu nem me mexi na cama. Fiquei ali, deitado de barriga pra cima, olhando pro teto de amianto, sentindo o cheiro dela no meu pescoço.
Thayna.
Porra.
Tirei a mão do rosto e ri sozinho. Que rizada b***a, de quem tomou um baque e ainda tava tonto. Eu tive mulher pra c*****o dentro dessa cadeia. Mulher que vinha de fora, mulher que entrava na revista. Mas nenhuma - nenhuma - me deixou assim.
Gamado.
Gamado que nem menino de quinze anos na primeira paixão.
E ela era exatamente a minha primeira paixão, c*****o. A diferença é que antes eu não podia. Antes eu era homem e ela era menina. Agora ela era mãe, e eu tava preso, e a merda toda continuava atrapalhando.
Mas o bagulho era doce. Doce demais.
A b****a dela apertando meu p*u, o gemido dela no meu ouvido, o cabelo molhado colado na testa, os p****s balançando quando ela cavalgou em mim. E aquela cara de pânico quando perguntei se ela amamentava... p***a, eu não devia ter falado nada. Mas a boca funciona antes do cérebro quando o assunto é ela.
O agente bateu na porta de novo.
— Bora, Maxuel. Tá na hora. Vou perder meu réu primário por tua causa.
Levantei devagar. As pernas meio bambas - não por falta de costume, mas porque a Thayna sugou até minha alma. Vesti a calça de algodão, a camisa do time, o chinelo de dedo. Passei a mão no cabelo, que tava bagunçado de tanto ela puxar.
Abri a porta.
O guarda me olhou de cima abaixo e balançou a cabeça.
— Tá com cara de quem viu Deus.
— Vi não. Vi foi o d***o.
Ele riu, mas não disse mais nada. A gente desceu o corredor ladeado por muros cinzentos, passou pela guarita onde o agente assinou minha saída do setor de íntima, e entrou no pátio do pavilhão 3.
A cadeia fedia a mijo e desinfetante. Os presos me olhavam passar - alguns respeitosos, outros com aquela curiosidade suja de quem quer saber no que eu tava metido. Mas ninguém chegava perto. Eu era o Urso. Eu tinha respeito.
O agente abriu o cadeado da minha cela. Entrei. A porta fechou atrás de mim com o barulho metálico que já era trilha sonora da minha vida.
Cela pequena, parede cinza, beliche de concreto, um tanque pra lavar roupa e um vaso sem assento. No canto, o plástico com as coisas que minha coroa deixou na última visita: sabonete, pasta, um pacote de biscoito e o celular.
Meu celular.
O verdadeiro crime dentro do sistema. Um Samsung velho, tela trincada, mas funcionava. Recarregava na tomada da máquina de barbear, escondido dentro do colchão durante as revistas.
Peguei o aparelho, deitei no beliche de baixo, e abri o w******p.
Uma mensagem do Magrin já tava lá:
"Ela pegou a grana. Deixei ela na esquina. Tava com cara de cansada, mas inteira. Sem estreia."
Sorri. Cansada. Eu tinha deixado ela cansada mesmo. Mas inteira. Claro que tava inteira. Eu nunca faria m*l de verdade pra minha pretinha.
Mas agora o bagulho era outro.
Ela não era mais só uma visita. Ela não era mais só "mulher que veio pra ganhar dinheiro". Agora ela era minha.
E eu não ia deixar nada de errado acontecer com ela.
Abri o teclado e comecei a digitar pro Magrin:
"Escuta aqui, irmão. Quero que tu vigia ela pra mim. Olha onde ela vai, quem visita, se tem algum o****o chegando perto. Ela mora com a avó e o pai, o pai é noia, fica de olho nesse desgraçado também. Se ele roubar um centavo do dinheiro que eu mandei, tu quebra ele na porrada, pode ser?"
O Magrin respondeu rápido:
"Tá louco? Não sou babá de ninguém, mano. Tenho minha mina, tenho meus corre."
Digitei mais devagar, deixando claro:
"Tu não vai ser babá. Tu vai ser meus olhos. Ela é minha agora, Magrin. A Thayná tá no seguro. Tá no meu seguro. Então tu vai fazer isso por mim, ou vai fazer por obrigação? Escolhe."
Guardei o celular no bolso da calça e fechei os olhos.
A imagem dela não saía. A boca dela.
Thayna na minha cama. Thayna montando em mim. Thayna de quatro, gemendo meu nome, pedindo pra gozar junto.
Meu p*u endureceu de novo. p***a. Eu nunca fui viciado em droga, mas agora entendia o que era vício. O chá da preta me pegou. E eu não quero tratamento.
Peguei o celular de novo. Dessa vez abri o bloco de notas. Não tinha foto dela - ainda. Mas eu descrevi cada detalhe que lembrava:
"Pele dourada. Cabelo liso até as costas. Boca de coração. Cheiro de leite e sabonete de bebê. Risada baixa quando tenta não rir. Morde o lábio quando tá com vergonha. Tem uma pinta atrás da orelha direita."
Salvei.
Depois mandei mais uma pro Magrin:
"Ah, e arruma um jeito de conseguir o número dela. Não quero pedir na cara dura. Mas quero falar com ela antes da próxima visita."
"Tu tá gamado, hein, irmão."
"Tô. E daí? Vai me julgar?"
"Longe de mim. Só acho que tu vai se f***r bonito."
"Já tô fodido. Ela só veio terminar o serviço."
Joguei o celular pro lado e encarei o teto de novo. O ventilador de teto tava quebrado fazia meses, mas eu nem sentia calor. O que me queimava por dentro era o gosto dela na minha boca.
A semana ia ser longa.
Mas valia a pena.