Desde que a sua colega de classe entregou um desses a todos.
Mordo o lábio inferior, constrangida, Christopher se distancia, mas não demora muito a voltar com uma cadeira, sentando-se ao meu lado.
— O que está fazendo? questiono, surpresa.
Ainda não sei como reagir perto dele, e sempre que estamos juntos, eu esqueço de como um ser humano normal age.
— Vou ajudá-la com a lição....Ergo uma sobrancelha.
Christopher olha para o professor, que nos encara com curiosidade.
— Ela está com dificuldades em responder, explica.
— Oh, claro! o professor sorri, olho para o garoto ao meu lado, irritada....não estou com dificuldades, não.
Chris põe a mão discretamente sobre a minha coxa, em um lugar um tanto quanto íntimo e a aperta.
— Agora está decreta, gélido.
— Está mesmo entendendo o assunto, senhorita Bell? Chris pressiona sua coxa na minha.
Engulo em seco, sentindo a vermelhidão tomar conta da minha face.
— S-sim....Eu já estava terminando a lição, mas, ele continuava a me atormentar, como se sentisse prazer ao me ver desconcertada ao seu lado.
Sempre averiguando cada mínimo detalhe e tendo a certeza de que iria me deixar ainda mais nervosa na sua intoxicante presença.
Cada palavra que saía de seus lábios era rígida.
Sua postura era sempre imponente e ameaçadora.
Não sabia o que havia feito para ele agir assim, mas me mantive quieta enquanto ele me explicava, obrigatoriamente um assunto que eu já sabia.
Respiro fundo, mas o ar parece entrecortado.
Por mais que eu tenha me esforçado para me manter tranquila, fraquejei diversas vezes.
E tudo culpa da incessante pressão que Christopher fazia em meu corpo.
Por que está tão distraída, então? sua voz soa mais baixo desta vez.
Seu olhar parecia querer impulsionar uma resposta da minha parte, no entanto, tudo o que fiz foi balançar a cabeça e dar continuidade ao que estava escrevendo.
Estava tão estressada com a situação que a minha letra virou um completo garrancho cheio de tremidas em toda a atividade.
— Não me convenceu, insiste.
Fingi não tê-lo escutado e, por sorte, o som estridente e contínuo do alarme assomou o lugar no mesmo momento....Finalmente!
Meus ombros, antes tensos, relaxam e meu corpo se inunda de alívio ao saber que, enfim, sairia daquela aula após 35 minutos com Christopher ao meu lado, olhando-me
impiedoso.
Durante todo o tempo em que a Torre Tatuada permaneceu comigo, temi que fosse aprontar algo macabro.
Eu não conseguia dizer nem mesmo uma frase inteira sem gaguejar.
Ele não se levantou para ajudar os outros com o dever.
E, na única vez em que o chamaram mesmo que as intenções da aluna parecessem outras.
— Chris a incentivou, de maneira nada sutil, que ela se dirigisse ao professor, pois, pelo visto, ficar ao meu lado era tão necessário que ele não estava nem aí para o restante da sala.
Desde então, os alunos ficaram receosos de pedirem oVicente, nosso professor, nos olhou desconfiado por diversas vezes, mas não se atreveu a nos confrontar.
Acho que até o próprio tem um pouco de medo de Christopher, mas, quem não teria?
Assim que os alunos começaram a guardar os seus materiais, Chris se aproximou do meu ouvido e automaticamente congelei no lugar quando senti sua respiração quente no meu pescoço.
— Nos vemos em breve, Dingo Bells eu estou de olho em você , alerta sério e só então, ele se põe de pé, afastando-se rapidamente.
Sentindo meu rosto queimar de vergonha pela ideia de que alguém possa ter nos escutado, olho em volta para dar seu o auxílio novamente....conferida, todavia, ninguém parece ter prestado atenção.
De longe, vejo-o se juntar ao professor, antes de ele cair fora, seu olhar procura o meu uma última vez e um sorriso perverso pinta os seus lábios.
Lucius me alcançou na hora da saída para me acompanhar até o meu carro como sempre fazia, mas, assim que começamos a andar, ele parou no lugar e me olhou com
cara de quem sabia que havia algo errado comigo.
Meu amigo ergueu o olhar e me analisou de cima a baixo com os olhos semicerrados.
— Você está… estranha decreta, franzindo a testa.
Ele agarrou o meu queixo para examinar o meu rosto, mas bati em sua mão para que me soltasse.
Pelo visto, estava literalmente estampado na minha cara que eu ainda estava
balançada com o que havia acontecido na sala.
Depois daquela aula, eu não conseguia parar de pensar em Christopher um segundo sequer.
Ele havia conseguido arranjar um jeito de grudar na minha cabeça e me consumir completamente como se estivesse drenando as minhas energias.
Lucius consegue ser muito intrometido quando está preocupado, mas não quero lhe dar motivos para isso ou ele vai querer dar um de “macho alfa” para o meu lado, então apenas dou de ombros....Não é nada.
Me esforço para fingir pouco caso e enrolo uma mecha do meu cabelo entre os dedos, porém, sinto seu olhar desconfiado sobre mim.
— O que houve? instiga, eu sou a pior pessoa do mundo mentindo, mas agora eu
realmente vou precisar da minha melhor performance ou ele vai me questionar até semana que vem sobre isso.
Solto um suspiro exagerado e repuxo o canto dos lábios para baixo.
Sei lá, só devo estar cansada, não gosto de ter que ficar o dia inteiro na escola quando Lorena não vem.
Lucius parece mais aliviado e passa os braços ao redor dos meus ombros.
— Você tem a mim e, mas você não é a minha irmã.
Você é um descarado, o afasto e ele ri.
— Você me ama que eu sei.
— Você que pensa, gracejo.
— Quando é que você vai deixar de ser tão fria e vai me convidar para sair, Dyana? Ele cruza os braços.
— Não sou fria, eu sempre te chamo para sair.
— Você me chama para festas, e eu mereço um encontro rebate, frustrado....Não.
Ele bufa, mas finjo não ouvi-lo, ignorando a sua insistência por um encontro, seguimos para o estacionamento, onde os amigos de Luc nos olham com sorrisinhos bobos ao
passarmos por eles, pois juram que existe algo rolando entre nós, no entanto, a realidade é bem diferente.
Ao alcançarmos o meu sedan, paramos frente a frente, o que acaba me proporcionando a visão do seu rosto de cachorro chutado.
— Você merece um pouco de juízo, Lucius,
ele encosta o seu corpo em meu carro e curva um sorrisinho.
— Oh, Dyana, só me dê uma chancezinha e eu vou te mostrar que eu sou o homem da sua vida.
Rio alto disso e balanço a cabeça.... Não mesmo.
Passo por ele e jogo as minhas coisas dentro do carro, quando volto para onde estava, o encontrando olhando
fixamente para um ponto específico.
— Tá olhando o que? pergunto, sorrindo.
— Por que o Christopher está nos encarando? A expressão bem-humorada evapora de meu rosto e arregalo os olhos.
O-o quê? indago nervosa....Ali, logo ao lado do carro sussurra, baixando o olhar para os seus próprios pés, a fim de disfarçar.
Passo os olhos pelo lugar, e o encontro do outro lado do estacionamento, o corpo apoiado em uma ranger vermelha, uma de suas mãos no bolso e a outra segurando
um cigarro nos lábios.
Christopher nos encara sem o menor pudor ou constrangimento.
Noto que os seus olhos se demoram em Lucius.
A forma em que ele o encara me causa calafrios.
Uno as sobrancelhas e alterno meu olhar entre Chris e o meu amigo, ainda sem entender o que está havendo.
— Você fez algo para ele? investigo, séria.
— Eu não, só o vi algumas vezes em algumas festas.
Não imaginei que ele estivesse aqui hoje, eu acho melhor você ir embora.
Ele está te olhando muito estranho, Lucius revira os olhos, não dando a mínima, mas se despede com um forte abraço que quase me parte em dois.
— Está me devendo um encontro pontua....Não estou, não.
— Eu vou cobrar avisa, ao passo em que se afasta andando de costas.
— Já vou antes que eu leve uma surra, balanço a cabeça em concordância e me obrigo a rir para camuflar o nervosismo, o que acaba soando mais como um motor morrendo.
Assim que Lucius ganha distância o bastante, volto a olhar para Christopher que, agora, me observa atentamente.
Ao perceber que eu o encarava, ele acenou de leve com a cabeça, em um gesto desafiador.
Meu rosto esquentou e fechei os punhos diante da situação.
— Seu psicopata sussurro e viro-me para o meu carro.
Não voltei a olhá-lo, mas senti que ele manteve seu olhar sobre mim durante todo o tempo em que usei para ir embora.
Como foi o seu dia? Papai perguntou, sentado à beira da mesa com os olhos postos em mim.
Apesar de vaidoso e consideravelmente jovem, seu cabelo já possui vários indícios de fios grisalhos.
O rosto com resquícios de juventude, agora é marcado por algumas linhas de expressão que estão mais associadas ao estresse do que a idade chegando.
De canto, vejo Lorena inspirar fundo, como se já não aguentasse mais nem um segundo sequer sentada aqui.
Hoje é dia de jantarmos juntos, fazemos isso pelo menos uma vez na semana, pois, em grande parte do tempo, não nos vemos.
Papai é um cardiologista renomado e está sempre transitando entre uma cirurgia e outra.
Mamãe é diretora de marketing em uma grande empresa e está sempre ocupada elaborando estratégias de vendas ou viajando a trabalho.
Ambos vivem em função de seus empregos e, nas folgas, vão para a igreja e nos obrigam a ir juntos.
Eles são bem rígidos quando se trata de religião em razão de terem vindo de famílias católicas super devotas, o que os
levam a pensar que devemos agir igual.
E Deus nos livre de sequer pensar em seguir outra crença, seria um absurdo sem perdão.
Eles não são lá o tipo de pessoas que estão dispostas a serem mentes abertas com os filhos e terem uma conversa um pouco menos formal do que as do dia a dia.
Então apenas seguimos a tradição das quintas em família.
— Foi bom, o mesmo de sempre, respondo baixinho, evitando realmente pensar no meu dia.
Encolho o corpo na cadeira e fixo os olhos no prato de comida agora vazio, apenas para não ter que encarar a tensão no rosto de todos à minha volta.
E o seu, Lorena? papai questiona, numa entonação mais severa, em seguida beberica o seu suco de laranja.
Por alguma razão, ele sempre a trata como suspeita de um crime, até mesmo quando ela não fez nada para isso.
Lorena não é exatamente o modelo de filha perfeita, mas ainda parece um grande exagero da sua parte agir tão friamente
assim.
Ela solta o ar pesadamente e cruza os braços foi chato.
Já está se sentindo melhor, minha Lobinha? mamãe a aborda, afagando gentilmente o rosto de minha irmã.
— Sim, devo ter passado m*l por algo que eu comi, Lorena cochicha, visivelmente desinteressada no assunto.
Papai a olha desconfiado e ergue uma sobrancelha....Ou bebeu contesta.
Nosso pai odeia o fato dela beber e nunca
escondeu isso.
Em geral, Lorena mantém um certo controle com o álcool, apenas para evitar discussões como esta, mas noite passada deve ter sido uma barra e tanto para ela e, por isso, não contei nada sobre Christopher hoje.
Apesar da minha consciência ainda me martelar a cada instante, sinto que foi o que precisava a se fazer.
Será melhor se ela não souber logo após ter se recuperado de uma ressaca da qual eu tenho certeza que a razão foi tentar esquecê-lo.
— É eu bebi Lorena retruca rudemente....
Massageio as têmporas, já sabendo o tornado que está por vir.
— Acha isso bonito? Nosso pai reclama irritado.
— Você precisa dar um jeito nessa sua vida ou vai acabar sendo uma inútil pra sempre.
Ele aponta para ela ao dizer, como se precisasse enfatizar a sua raiva.Ah, merda!
O rosto de Lorena rapidamente ruboriza e lágrimas brilham no canto de seus olhos.
Isso é pesado demais para se ouvir, papai não impõe barreiras no que diz e isto sempre termina com Lorena magoada e ele furioso, enquanto o resto de nós procura
uma forma de amenizar a briga.