5. CAPÍTULO

1621 Palavras
Hoje está tão quente! Lucius comenta todo sedutor. Ele abana a sua camiseta de forma exagerada enquanto arrastamos preguiçosamente nossos pés sobre a ponte de arco que dá acesso do refeitório às salas de aula. Lucius é extremamente bonito, do tipo que te hipnotiza com o sorriso perfeito dele, o corpo atlético, a pele escura e os lábios carnudos, mas não é muito esperto quando o assunto é flerte. Se ele queria que eu visse o abdômen definido dele, era só ter dito, não precisava de todo esse drama. Prendo um sorriso quando percebo seus olhos castanhos mirados nos meus com a mais pura malícia. Aos doze anos, eu caia de amores por Lucius, mas, para a minha completa falta de sorte, ele era apaixonado por Lorena. Então, por dois anos seguidos, eu tive que enfrentar uma paixão platônica, até que finalmente consegui deixar esse sentimento de lado, no entanto, como mágica, ele passou a se interessar por mim, desde então, colou no meu pé como chiclete. Porém, já faz um bom tempo que não o vejo mais assim. O fato de sermos amigos nunca o impediu de tentar e, apesar de eu nunca aceitar as suas investidas, também gosto de provocá-lo. Meio que se tornou um lance só nosso, você ficaria mais refrescado se tirasse a camiseta de uma só vez. Aposto que a sua linda pele máscula adoraria absorver vitamina D, meu caro. Só uma sugestão, balanço as sobrancelhas e ele cai na risada. Seria ótimo, minha cara, mas em cinco minutos eu já teria ganhado duas advertências. Lucius revira os olhos e finjo estar decepcionada, mas a minha horrível atuação o faz gargalhar ainda mais. Disfarçadamente, sinto-o colocar seus braços em volta da minha cintura, puxando-me para perto dele. Finjo não notar quando, vez ou outra, as pontas dos seus dedos escorregam rumo ao meu quadril e voltam, em um vai e vem. Quer matar a aula de inglês, Dyana? sussurra, os lábios roçando a ponta da minha orelha. Ele seria perfeito demais, se não fosse um baita galinha. Não, eu quero um futuro desconverso me afastando de seu abraço. O que eu tenho para lhe dar ali no cantinho será mais gostoso que uma aula chata. Lucius me joga uma piscadela, isso aí será momentâneo, meu caro, momentâneo. Meu futuro vai durar bem mais do que meros dois minutos....Sorrio ao vê-lo fazer careta. Olhe! Elas parecem animadas hoje, ele aponta com o queixo para as carpas no pequeno lago artificial debaixo de nós. Andamos até o guarda-corpo e inclinamos o tronco sobre ele para observá-las. Os peixes coloridos nadam com calma de um lugar para o outro, descendo na pequena cachoeira de pedras e descendo até o fim do lago, para, então, darem a volta por um lado mais raso e subirem novamente. As coitadas devem mesmo é estarem enlouquecendo depois de serem obrigadas a conviver todo santo dia com tanto adolescente... comento. Pelo menos elas ficam bonitas como decoração. Elas não fazem parte da decoração, Lucius, elas são uma herança cultural implico. Tanto faz, você entendeu o que eu quis dizer. Ele balança os ombros...Pequenas partes dos nossos costumes, como: alguns festivais de danças, arte e ornamentação, vieram de vestígios j*******s, já que, quem de fato descobriu a nossa ilha, foi uma velha família da nobreza japonesa, os grandes e famosos Takahashi. A família mais vil e rica de Silvervale, há tantos boatos esquisitos dessas pessoas que é até difícil ter um pouco sequer de gratidão por essas pequenas heranças que eles nos deixaram, visto que, há um longo histórico de torturas, rituais, intimidação e ganância em seu nome. Hoje em dia sabemos apenas que eles existem, pois, ao passar dos anos, pouco a pouco ganharam uma identidade mais anônima, até que se tornaram apenas fantasmas ocultos convivendo em nossa cidade. O que só torna a história toda mais bizarra. Saco! Lucius resmunga.... Que foi? Tenho um jantar importante hoje com os meus pais. Odeio ter que pensar em faculdade agora, já não está no quarto ano? Deveria começar a pensar nisso....Ele torce o nariz. Nem sei ainda o que eu quero fazer, bom, então procure algo. Nossa escola criou um ano a mais no ensino médio justamente para isso. Só não invente de tirar um ano sabático. Dyana, ainda bem que você é muito linda, porque às vezes, você consegue ser irritante pra c*****o reclama, fazendo-me rir. Puxo o seu rosto e dou-lhe um longo beijo na bochecha. Você vai se descobrir, não se preocupa. Sorrio gentil e ele faz o mesmo, Lucius lentamente aproxima o seu rosto do meu, mas desvio a tempo de ele chegar em meus lábios. É a quinta vez só hoje pontuo, ele ergue a cabeça ao alto. Deus, faça com que ela me aceite como o namorado dela um dia. Eu não aguento mais levar fora...esmurro fraco o seu peito. Cai fora, eu vou pra aula apresso os passos para entrar em sala antes dos outros. Odeio chegar atrasada, sinto como se todos soubessem de algo que eu não sei. Por sorte não me atrasei tanto quanto Lucius queria, sou a segunda a chegar e me sento na sétima cadeira da terceira fileira. Meu lugar favorito, aos poucos, a sala vai se enchendo e um tumultuado de vozes começa a gradualmente aumentar. Alguns dos garotos da minha sala entram animados e chutam coisas causando o maior barulho. Céus, eu não vejo a hora de dar o fora daqui. Solto um suspiro baixo ao mesmo tempo em que escorrego o corpo na cadeira. À esquerda, vejo um grupo de garotas conversando, todas parecem serem super amigas, do tipo que você olha e acha muito brega, mas que por alguma razão adoraria fazer parte. Curvo um pequeno sorriso quando as vejo rirem. É uma droga não se encaixar, mesmo sendo convidada a participar. O único que ainda tenta andar comigo é o Lucius, porque tá sempre tentando me beijar. E a minha irmã, porque é a minha irmã, mas hoje ela infelizmente faltou. Ontem extrapolou na bebida pós-festa e está com tanta ressaca que m*l consegue ouvir o som da própria voz. Lorena diz que só aproveitou mais do que deveria, porém, eu particularmente acho que o lance com o Christopher a afetou mais do que ela deixa transparecer. O professor entra após alguns minutos e a sala inteira se acomoda em seus lugares. Olá, queridos alunos e alunas o homem baixinho anuncia animado e a sala responde um “Olá” em uníssono. O senhor de idade sorri, mostrando todos os seus dentes amarelados e desgastados, parece prestes a contar uma deliciosa fofoca ou uma grande novidade, ou quem sabe, os dois. Hoje teremos uma participação muito agradável. Teremos um estagiário observando e auxiliando na aula, então sejam educados revela, enquanto articula com as mãos. Ele aponta para a porta, e todos os olhos se vão para lá, de modo que mais parece que a própria Beyoncé vá entrar na sala, e antes fosse. Sou tomada pelo choque no instante em que Christopher surge na entrada da sala com uma bolsa de professor pendurada no ombro esquerdo. Senti o sangue fugir do rosto e meu corpo paralisar. Suas mãos estão enfiadas nos bolsos da calça Caqui. Os ombros relaxados, mas a expressão fatalmente séria em seu rosto. Seus olhos vagam devagar pela sala de aula, tal como procurassem por alguém. Notei quando os burburinhos deram início, principalmente o das garotas. Mas é claro que falariam dele, por que não falariam? Céus, ele é tão lindo! Christopher, por fim, adentrou o lugar e, sem hesitar, depositou sua bolsa sobre a mesa do professor que, por ser extremamente humilde, não ligou para o gesto arrogante dessa torre tatuada e prepotente. Meninas e meninos, esse é o Christopher. Em breve ele também estará se tornando um professor. O ancião apresentou-o, já que ele não parecia que o iria fazer. Pisco algumas vezes, atordoada, seu olhar passeava pela sala de aula com atenção, ainda não havia me avistado ou, ao menos, até o exato instante. Um arrepio percorreu minha coluna assim que seus olhos esmeraldas recaíram sobre os meus, ainda mais sombrios. Ele não os moveu, me encarou com tanta rigidez que quase implorei para que parasse com aquilo. Eu realmente quis enfiar minha cabeça dentro da minha mochila, mas, ainda assim, ele não iria magicamente desaparecer. Nosso professor terminou de apresentá-lo e fomos bombardeados por burburinhos que prontamente começaram a aumentar. Logo em seguida, deu-se início aos estudos do dia. No decorrer da aula, Christopher tomou um tempo para lecionar. Mesmo que estivesse explicando um assunto para mais de 35 alunos, era sempre em mim que seu olhar cravava violentamente. Minha pele parecia queimar e meu estômago embrulhava toda vez que Christopher olhava para mim. E ele olhava muito para mim, me sentia impaciente e agitada. Conferia meu relógio a cada dois minutos, mas o tempo dava a impressão de nunca passar. Já não conseguia mais parar de balançar a perna e de suspirar, frustrada. Estava distraída em meio ao turbilhão de pensamentos ansiosos da minha mente, quando vi sua mão pousar na superfície da minha mesa. Meu olhar naturalmente subiu pelo seu braço e encontrou o seu corpo pesando sobre mim. Tem alguma dúvida quanto ao assunto do seu dever, senhorita Bell? perguntou, seco. Por um breve instante eu não reagi, apenas fiquei o encarando como um completo i****a. Até que, enfim balancei a cabeça, negando, sem nem mesmo ter prestado atenção no que ele dizia. Christopher franziu a testa, ainda não respondeu nada. Ele aponta com o queixo para a folha em branco em cima da carteira e arregalo os olhos. Droga! Quando foi que isso veio parar aqui? sussurrei, espantada.
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