Capítulo 06

1025 Palavras
Alemão Ouço uma voz na minha varanda, reconheço uma delas. Carioca, grita seja lá com quem for, e está irritado. — Cala boca, vagabunda*. — apressei os meus passos porque se a minha coroa visse as coisas iam ficar embassadas. — Que p***a* ta pegando aqui? — pergunto, soltando a voz na raiva, Carioca sabe que bagunça na minha casa, não rola. Me deparei com ele todo arranhado, parecia ter brigado com algum tipo de gato selvagem, o seu rosto, pescoço, e braços tinham vermelhidão, e teria ferida pela profundidade. Saltei o olho pro lado, vendo a provavelmente gata que havia provocado aquilo. Um morena, ou melhor, uma pretinha. Os seus olhos castanhos escuros estavam inchados, raivosos. Me fuzilaram com a mesma intensidade que uma bala atinge um alvo, eu sei, pois já fui alvo muitas vezes. As suas mãos estão amarradas, e os pés também, mas ela se equilibra perfeitamente. Veste um vestido que parece ser pijama, com alguns rasgos, mas nada que revele muito. — Passei pra dizer que ta resolvido, Lanceloti vai passar amanhã mesmo lá. — Carioca, manda o papo, mas eu não quero saber daquele pedaço de terra agora. A atração na minha frente esta muito mais interessante. —SOCORROOO —Fui pego de surpresa quando a gata selvagem começou a correr para o portão. Ela não teria nenhum sucesso, o jardim era grande, ser dono do morro tinha, sim, os seus privilégios. Fora a extensão do gramado, havia homens na área suficiente para imepdi-lá da fuga. O que não foi necessário, pois o seu corpo foi ao chão no quinto passo por conta da corda nos seus pés. Ignorei a mulher se debatendo no chão, antes que a sua calcinha lilás desconcentrasse-me. Mesmo parecendo ter muito pano ali, a sua b***a* era grande o suficiente para ser notada. — Vai me dizer que merda* tá acontecendo? — pergunto sem paciência para o meu sub. Carioca, coça a cabeça, e solta um suspiro derrotado enquanto alguns soldados trazem a selvagem de volta. — Parte do pagamento. — Ele disse simples, e eu sabia o que queria dizer, muitas mulheres vinham atrás de dinheiro, os agiotas que trabalhavam para nós liberava, e o destino de algumas era o nosso bordel na parte mais elaborada do morro. A casa de prostituição* era uma das maiores fontes de renda que eu tinha, Carioca era o meu sócio, assim como em muitos negócios. Conforme você vai crescendo, vai vendo que não precisa se arriscar tanto, ou arriscar muito do seu capital, por isso prezo pelas boas sociedades, e a do meu sub é uma delas. — Não pode ficar com ela como pagamento. — digo por impulso. Sem ao menos saber porque. — E porque não? — ele pergunta franzindo a cara em deboche. — Já temos a terra da roça. — falo o óbvio, mas sei que isso não irá para-lo, mas porque mesmo estou me importante. — Eu sei, mas gostei da garota. — responde simples, tirando um cigarro do bolso. — vou ficar com ela. É meio arisca, mas gosto de domar animais selvagens. Ponderei em falar algo, e olhei mais uma vez para a garota ao seu lado, ela se mantinha quieta agora, os caras que a pegaram do chão foram agressivos, os meus homens foram treinados para serem assim. Eu não era a favor de escravidão, nem algo do tipo, mas as pessoas precisam ter em mente como o crime funciona, temos leis, e elas são brutas, cruas, e nuas. Elas vem com uma justiça insana, pagador e devedor não saem no prejuízo, não n**o que o dinheiro tem o seu lugar, e a voz mais alta, ele sempre vence, e a única coisa que posso fazer por essa garota é lamentar, o irmão dela deveria ter pensado mais, antes de aceitar fazer acordo com o tráfico. Carioca, é um dos meus e se ele quer essa garota, ele vai ter, até poderia intervir, mas ele é meu sócio, e ficou a frente da situação, essa pobre garota, vai ser só mais uma estatista na favela, e depois, muito provável que ele á descarte no bordel para fins lucrativos próprios. Ela não me olhou e eu não a olhei mais, apenas virei as minhas costas, como quem lavava as mãos, esse é o nosso mundo, as nossas regras. Entro dentro de casa ganhando um olhar de reprovação da minha mãe. E sei que vai começar com os seus sermões. — Era só o que me faltava, Otto. — ela diz, com a sua mão na cintura, a sua fisionomia nada boa. O seu avental um pouco molhado. — Mãe, é melhor a senhora não se meter nisso. — falo firme, dando passos até o meu quarto, mas ela não desiste, e me segue. — Vocês não podem sequestrar pessoas, Otto! — Não é sequestro, a família dela tinha uma dívida, e ela era o pagamento. — digo frio, a minha voz soa autoritária, e sem sentimentos, é difícil mostrar esse lado para a minha coroa. Mas ela precisa se limitar com as suas coisas. — As vezes eu não te reconheço filho. — ela diz com pesar, os seus olhos de mãe, que me fazem questionar se realmente é isso o que quero para sempre. — As coisas já não são como antes mãe, no tempo do pai não tinha tanta maldade, mas agora, são outros tempos. — Não quero ver você igual o Carioca, esse menino, meu Deus, eu pegava ele no colo, e agora vendo isso... — suspirei, frustrado e irritado com o choro da minha coroa, eu amava e respeitava ela, mas já estava cansado da mesma ladainha. — Seria melhor se a senhora fosse embora do morro, mãe. — tento pela milésima vez convencer ela. — E deixar você e a sua irmã, ainda mais perdidos? — esbraveja. — Nanda iria junto. — Você sabe que não. — murmura, em tom de derrota. Abraço a minha coroa, mesmo já tendo várias vezes aquela conversa com ela, eu entendia que sempre seria o seu garotinho, só faltava ela entender que eu já não era mais.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR