Cap. 12 O Toque Áspero

1287 Palavras
Pegamos outro caminho na floresta para chegar na caverna, ao chegamos ele a abriu e entramos nela, lá dentro ele fez uma fogueira e fechou a caverna com a pedra que a tapava, isso me fez ver o quão forte esse homem podia ser, ele pegou algumas coisa nos alforjes (bolsas de viagem) do cavalo e me entregou, eram frutas, com certeza não as mais frescas, mas isso não importava agora, já que eu estava com muita fome, no entanto até comer perto dele me deixava nervosa, depois de tudo o que passei nas mãos dele nas últimas horas, eu estava apavorada por dentro, estava inquieta e principalmente insegura. - Por que? - disse com a voz baixa e logo fui repreendida com um olhar severo, e por um breve momento o encarei e senti algo familiar em seu olhar de repreensão, mas não sabia de onde vinha essa sensação. - Seu pai é um mentiroso e me deve muito, por isso és minha. - foi o que ele disse apenas, e eu baixei a cabeça quando ele mencionou que eu era dele. - Tu não tens escolha, além do mais, eu já te toquei de forma “inapropriada” não é mesmo. - ele riu de forma sarcástica. -Não é como se eu quisesse aquilo… tu estavas… estavas me… - eu parei não podia dizer isso a ele. - Vais dizer que foi forçada? Sabe, isso não vai funcionar, és minha, pronto, nenhum homem vai querer te tomar como esposa, foste tocada por um desertor, apenas aceite e me aceite! Eu comecei a chorar mais uma vez, que triste a minha vida, ele tinha razão, eu estava impura, mesmo sendo virgem ainda, um desertor assassino, caçador de elfos. -Seu bastardo! - eu gritei, e logo senti meu rosto esquentar com o tapa que levei, eu paralisei e abaixei a cabeça chorando, ele por sua vez saiu de perto de mim e foi andando até a saída, ele precisava ficar sozinho e eu também. *** Estevan narrando Como fui perder a droga da paciência, ela é tão… delicada, ela já me vê como um monstro, o que de fato sou, e agora eu bati nela. Eu bufava e passava as mãos no cabelo tentando encontrar a calma dentro de mim, o fato é que eu estava me contendo para tocá-la, fosse como fosse, carinhosa ou agressivamente, queria apenas tocá-la e o quanto antes ela aceitasse isso melhor, a observei tanto, me toquei tanto já pensando nela, esse último ano a transformou em uma mulher realmente desejável, o que era uma droga para os meus planos, já que eu não posso ter nenhum querer em relação a essa… essa… criatura nojenta e desprezível, tudo bem, posso fude-la, mas não irei gostar dela, ela vai ter que me satisfazer é claro, mas meu propósito com o corpo dela também é claro para mim, meu herdeiro e nada mais! No entanto, não sei o quanto mais posso me conter. *** Mirian narrando Não tive certeza de quanto tempo passamos ali, sem fazer absolutamente nada, ele ficou distante o que eu achei ótimo, já que a distância dele significava segurança para mim, por fim ele retirou o cavalo da caverna, me colocou em cima do mesmo, subiu e saímos correndo, literalmente correndo, ele galopava com muita pressa, eu me segurava nele, em alguns momentos bati a cabeça em sua costas, então ele disse. — Vais me dizer para parar com isso também? - a irritação em sua voz era notável. — Não, eu não quero dizer nada, você não me entendeu… - tentei me explicar em relação a tudo, mas sem saber o motivo de querer me explicar para ele. — Só fique quieta! - ele esbravejou. Andamos por muito tempo, passamos por todos os tipos de lugares, andávamos dentro da floresta, às vezes por uma mata fechada, outras vezes fomos para pântanos, parávamos para dar água para o cavalo e esticar as pernas, mas nunca íamos pelas ruas principais, já deviam ter passado muitas horas pois o céu que antes estava escuro, começará a ficar mais claro, ele finalmente parou próximo a uma casa abandonada, colocou o cavalo em um dos cômodos, entramos e ele nos fechou lá dentro, acendeu um fogão com o pouco de lenha que tinha lá dentro também, mais um lugar provavelmente preparado por ele, para nos receber, me deu algo para comer, comeu também e esquentou uma bebida para ele no fogão. Ele já tinha feito muitos preparativos, mas nada de falar comigo, quando entrei no quarto não dava nem para sentar na cama, tudo estava abandonada a muito tempo, eu não queria ficar ali, sinceramente não estava acostumada a essa vida largada, a cada lugar que íamos eu pensava em quando meu pai iria me encontrar, era certo que estavam me procurando. — Eu sei o que está pensando, não podes dormir aí, vamos tem uma cama neste outro quarto, ele está arrumado. —Outro quarto? Eu vi apenas essas duas peças. - fiquei surpresa. — Temos um quarto secreto por aqui — ele acendeu uma tocha e a porta abriu — Venha, você ficará aqui – ele voltou para apagar o fogão e também a tocha. Ele parecia mais calmo, voltou a falar comigo, mas podia ser tudo fachada, obedeci ele prontamente, não queria que ele ficasse bravo novamente, meu rosto ainda estava dolorido, pela forma como ele tinha me segurado ontem a noite e claro, pelo tapa que me deu. — Vamos dormir, teremos uma longa viagem à noite. Eu ia ter que dormir com ele novamente, já estava ficando chateada com essa situação, e se ele tentasse de novo eu resistisse e ele me batesse? — Olha não quero tu dormindo na garupa do cavalo, pode acabar sofrendo uma queda, venha se deitar, eu vou dormir também. Ele se levantou e começou a tirar a roupa pesada, eu deixei os itens que ele havia separado para mim no outro esconderijo em um canto do quarto, que não tinha nenhum luxo, apenas uma cama e uma cômoda. — Tu ficarás no canto. - como sempre, eu pensei. Eu não tinha expressão no rosto, é claro que ficaria no canto, para ele novamente se aproveitar de mim, iria fazer o maior esforço para dormir novamente sem um banho. — Tem outra roupa para eu me trocar? — Na cômoda.- ele respondeu de forma ríspida. Não precisei pedir para ele não ficar olhando, ele mesmo já se virou e eu comecei a me trocar coloquei uma camisola, ele também estava com a roupas mais leve para dormir, e tirou uma espécie de capuz que usava,, seus cabelos eram de um castanho escuro, como seus olhos, um cabelo com um corte bem baixo, após o analisar me deitei, e ele que até então mantinha uma vela acesa, que ele pegou na cômoda, a apagou e se deitou ao meu lado, pelo menos dessa vez a cama era maior, estávamos deitados em cima de um lençol que ele tirou também da cômoda e cobertos por um cobertor fino que ele trazia no cavalo. — Estás sem sono? - perguntou de repente. — Eu dormi demais ontem, também não costumo dormir de dia. - respondi de forma baixa. — Tu deves aproveitar que nesse cômodo não entra claridade para dormir. - Ele estava mais falante, talvez querendo se desculpar por me bater? — Por que viajamos de noite? — Para que meus inimigos não nos matem. Essa foi uma resposta que me pegou em cheio, eu estava tão preocupada em não deixar ele me tocar que tinha me esquecido que ele era um traidor pelo o que pude entender das conversas de minha mãe e minha avó.
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