Dia 5

1184 Palavras
Um fato estranho é que quando se está morto você nem percebe a hora passar, não que precise né, até porque estou morto, mas só agora parei para pensar que faz cinco dias que estou nessa dimensão. Vagando e ceifando almas na tentativa de salvar Nancy já que não posso me salvar. Não sentimos sono, porque apesar de estar acordado há mais de cinco dias até agora não sinto meu corpo fraco ou v*****e de dormir, e também não sentimos fome, ou tomamos banho: estamos mortos, não transpiramos ou temos necessidades fisiológicas como os humanos. Pensei que conforme ceifava vidas, me acostumaria, mas não, em todos os casos ainda é difícil porque não acho que alguém mereça viver mais ou menos que outra pessoa, não cabe a mim julgar isso. Morte me explicou que tudo se tem um preço, e isso eu sempre soube: quando se faz uma coisa, isso volta pra você depois e pode ser que volte em dobro, o cara tentou envenenar o outro da sala e isso acabou virando-se contra ele. Estamos caminhando pela fora do lugar, quando novamente o ar a nossa volta muda e ela entra em estado de alerta, ante mesmo que ela diga do que se trata eu já sei, porque já tive essa sensação antes quando ele apareceu. Tão rápido quanto o ar mudou, um buracos e abre bem na nossa frente e novamente aqueles gritos ensurdecedores saindo da foice começam. O Ceifador de cara esquelética me encara de uma forma esquisita apesar de só o seu rosto por si só á ser, e ergue os braços em minha direção segurando-me pelo pescoço e começo a ficar desesperado, porque agora sim, estou sentindo um m*l estar. — Sua alma é minha! — diz com uma voz muita esquisita, mas ele não está olhando pra mim nesse momento, está olhando para Morte. Ela arregala os olhos, assustada e bate contra a parede quando ele me larga de uma só vez fazendo-me cair no chão todo destrambelhado. Então, quando vira-se na direção dela, ela some e é ai que entro mais em pânico ainda. Ela me abandonou. Ela me deixou pra trás pra ser pego. Levanto ainda cambaleando e saio correndo, eu não sei teletransportar como ela fazia e também sei que o ceifeiro pode me alcançar em um piscar de olhos, mas o estranho, é que ele não faz. Ele olha pra mim com aquela expressão vazia, mas não se move e não faz nada, no estante seguinte, sinto algo na minha mão e começo a gritar antes de perceber que é a Dona Morte, e no mesmo instante, desaparecemos dali. Ela nos leva de volta ao jardim. — Que coisa é essa? — Consigo finalmente dizer, eu sei que não vou vomitar nem nada parecido, mas é essa minha v*****e. Ou eu acho que quero, nem sei mais. — Estou sem tempo! — Ela diz — Ele está focado em levar minha alma, faz muito tempo que ando me escondendo e não há mais lugares que ele não possa me encontrar. Ela esta claramente muito assustada. — É o seguinte Carter. Preciso ajudar o mais rápido possível você cumprir sua missão. Assim você tem uma passagem segura. Ele não fez nada com você porque ainda não é sua hora, mas é a minha. Se fugir da sua missão como eu fugi da minha é isso o que vai acontecer. — Mas porque fugiu da sua missão? — Questiono, querendo saber o motivo arás de tê-la feito desistir de conseguir uma passagem — Está o temo todo me jogando missões com o proposito de me fazer cumprir, mas não cumpriu a sua. Ela desvia o olhar, encarando o chão e sinto o pesar nas palavras. — Quando morri, recebi uma chance assim como você: eu precisava ceifar dez almas em dez dias e eu concordei, porque sabia que não havia outra escolha. — ela me olha — Claro, concordei depois de negar por um tempo. Então, na minha última alma, recebi a missão de ceifar a alma da minha melhor amiga. Então entendi o ponto, a vi estremecer e isso doeu em mim. — Carter, eu não consegui. Não consegui fazer e era minha última hora. — podia jurar que ela queria chorar, mas estamos mortos, não temos essa reação — Eles estavam me testando e eu falhei. Por falhar, eu fiquei presa aqui, como a Morte, como uma Ceifeira tendo que recolher as almas e designar-lhes uma missão, mas não era o meu serviço, eu o faço porque as missões continuam vindo, na linha do tempo, é como se eu fosse a Morte, mas os ceifeiros estão ai para garantir que tudo siga a linha natural, que nenhuma alma fique para trás. E eu fiquei. Fui egoísta e meu único caminho é o inferno. — Não é justo! — Não, não é! Mas você ainda tem uma chance. — Ela diz, dando um passo em minha direção — e eu puder ajudar-lhe antes de partir ficarei bem com isso. Uma forma de poder me redimir por meus pecados em vida já que não conseguir fazê-los depois da morte. — Um pecado porque não quis ceifar a alma da sua amiga? Ela me fuzila com os olhos e me encolho. — Não! Eu não fui uma santa em vida. Eu era toda m*l humorada e não ligava muito para as pessoas, discutia com quem podia e era toda revoltada por causa dos problemas familiares, mas não era desculpa para virar as costas para quem precisava de mim. Eu virei as costas para minha amiga e por isso não consegui completar a minha missão. Ela estava morrendo por minha causa. Se eu não fosse egoísta poderia ter ajudado muitas pessoas. É por isso que admiro o quanto você quer salvar sua amiga e o quanto existe uma pessoa incrível ai dentro. Eu começo a piscar chocado com todas as informações até meu cérebro processar o elogio dela. — Você acabou de me elogiar? — pergunto, abrindo um sorriso. Ela desvia o olhar de mim, toda sem graça — Não! — Elogiou sim. —Não elogiei não, seu tapado. — Ela me dá outro t**a na cabeça e de repente sinto bom humor dela ir embora. — Vamos sair daqui. Você tem outra missão pra cumprir, — Como funciona isso? Você decide quem eu devo ceifar? — Não. A foice sussurra as missões, além disso, conforme você ceifa, você consegue sentir quem está nas últimas, sabe? Quase morrendo. Ela me passa a foice e a encaro, surpreso. Não sei se quero escutar alguma coisa da foice. Já atingi minha cota de loucuras. Pego a foice dela e sinto uma energia passar pelo meu corpo, da ponta dos dedos das mãos até os pés, e então, vozes sussurrantes dizendo varias coisas ao mesmo tempo e me enviando imagens: mulher loira, de uns trinta e poucos anos, rua, casa, onde ela está e como vai morrer. Olho para a Morte e ela assente pegando a foice de volta e, então, saímos para cumprir mais uma missão. Ceifar a quinta vida.
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