O abrigo do m*l

1713 Palavras
Fred Fui correndo na direção de Priscila enquanto mirava as flechas para acertar o outro olho daquele touro mitologicamente i****a. Quando consegui finalmente, me concentrei em chegar perto e ver como a minha garota estava. Quando cheguei perto dela, vi que estava desacordada, mas sem ferimentos aparentes. –Amor, olha pra mim, você tá bem? Você se machucou?— segurei sua cabeça e olhei no fundo dos seus olhos recém abertos com um semblante preocupado. –Eu tô bem, vem, vamos destruir aquela b***a quadrada mágica. — ela disse beijando meus lábios rapidamente e se levantando com dificuldade. Percy estava furando o minotauro como um louco e Annabeth estava pendurada em seu pescoço, Annie passou sua faça pelo pescoço do animal e ele caiu. Percy arrancou seu chifre e tirou Annabeth de cima do minotauro. –Nem precisaram da gente pelo visto, hein. — disse Priscila bebendo água da mochila enquanto a cor rosa claro voltava à suas bochechas. –Você e Fred ajudaram bastante, acreditem. É bem mais fácil lutar com um minotauro cego e machucado. –Percy, qual é a do chifre? — perguntei chegando perto do monstro caído no chão. –Ah, nada demais, só aumentando a coleção. –Ta bom né, cada maluco com sua maluquice. –Como ela está? Eu sabia que ela não devia ter vindo, é muito perigoso, ela não sabe nada ainda. –Nenhum de nós sabia na primeira vez, eu acho bem melhor que a dela seja com a gente, pelo menos a gente fica de olho nela. E eu sou o segundo curandeiro no comando do acampamento.—disse convencido enquanto Priscila bufava e sorria na minha direção. –Ta certo, vamos. Continuamos a andar e finalmente chegamos à ilha que Annabeth disse ter sentido Nico. Numa parte de areia onde uns meninos jogavam bola, tinha uma grande estátua de metal de um cavalo. Nos pés do cavalo, havia um alçapão fechado com uma corrente, nós nos aproximamos e eu e Percy golpeamos o cadeado com nossas espadas ao mesmo tempo. Os garotos que estavam em volta nos olharam. –O que vocês estão fazendo com esses pés de c***a? Vocês não vão nos assaltar não, né? Priscila se aproximou e deu seu sorriso educado se explicando a eles. –Nós estamos apenas explorando, tudo bem? Não precisam se preocupar. Eles se afastaram e voltaram a jogar bola. Entramos no alçapão e fomos descendo mais e mais, a medida que a luz do sol sumia do alto, eu ia me tornando mais assustado. Eu sempre tive medo do escuro, mas a muito tempo não sentia essa sensação r**m na pele. Era o meu medo, mas não apenas isso. Era o próprio medo. Fomos descendo e Percy e Priscila começaram a ficar esquisitos. Priscila segurou minha mão e quando olhei para ela, não conseguia vê-la. –Amor, você está bem? –Aqui tá muito apertado, não tô me sentindo legal. Percy, você tá sentindo que aqui tá muito apertado? –Aham, tô até suando frio. Annie, o que houve? — Percy perguntou quando, do nada Annabeth deu um salto e gritou. –Aranha. Ela estava subindo no meu pé. Percy, cadê você? –Bem atrás de você, sabidinha, só continua descendo que tá tudo bem. Cada um acendeu uma lanterna e continuamos descendo a rampa daquele buraco escuro e h******l. Depois de um tempo chegamos em uma sala maior e mais iluminada. O chão tinha imagens do olimpo e o topo da sala era estrelado. Annabeth parou e começou a tremer. –Percy. — ela disse baixinho com a voz embargada enquanto encarava o chão. –Oi Annie, alguma coisa? — ele disse empunhando contracorrente e a apontando para todos os lugares da sala. –As aranhas, esta vendo? São tantas. Eu não consigo. — Annabeth falava e tremia ao mesmo tempo com os olhos cheios d'agua. –Mas Annie, não tem nenhuma aranha aqui, nenhumazinha. — disse ele apontando sua lanterna pela sala para confirmar as suspeitas. Priscila me puxou pela mão e eu olhei pra ela. –Fred, o que você está sentindo agora? –Só estou achando aqui muito escuro. Porque? –Escuro? Aqui está extremamente iluminado, só é pequeno demais, me sinto presa. Perai. Você está sentindo medo por conta do escuro. –Eu não, tá tudo bem comigo. –Aham, e eu e Percy estamos nos sentindo apertados. Annabeth está vendo aranhas, sendo que não vi uma desde que entrei. Eu já entendi. Nós estamos sentindo medo. Mas não qualquer medo, você entende? Annabeth tremia e Percy tinha puxado ela para que pudesse ouvir o que Priscila dizia. –Phobia. — disse Annabeth com os olhos arregalados para mim. – estamos sentindo nossos medos primordiais, que herdamos de nossos pais. –Exatamente, o que já me dá uma idéia de quem possa ter prendido Nico e Will aqui, a pergunta é, como fazer isso parar? "Vocês nunca vão conseguir, e enquanto tentam e fracassam, seus amigos ficam sem força vital, ou seja, eles ficam mais fracos e nós ficamos mais fortes." Ouvimos duas vozes retumbando pela sala, mas não parecia que o som estava se propagando pelo aposento e sim, que alguém estava sussurrando nos nossos ouvidos, um sussurro demorado e gélido. –Phobos e Deimos, filhos de Ares. O que vocês querem conosco? — Percy gritou para cima. –Com vocês nada, vocês são só os aperitivos. Se bem que um pouco mais de força não mata ninguém. Bom, só mata vocês, no caso. –Não tenho medo de vocês dois não, seus retardados. Já enfrentei vocês uma vez e posso enfrentar de novo. "Ah, mas eu acho que não." Percy e Annie ficaram com os olhos vidrados e começaram a gritar, Percy gritava "mamãe, não!" Com desespero na voz e Annabeth caiu no chão se debatendo de um ataque de aranhas invisíveis. Olhei pro lado e vi Priscila ajoelhada no chão chorando baixinho, ela sussurrava meu nome e chorava mais ainda. Não sabia como ajudá-los, e não entendia porque só eu não estava ficando maluco. Ajoelhei na sua frente e ela chorou mais ainda. –Fred, por que? Não, não, não. Achei que você me amasse. –Pri, olha pra mim, não é real. É tudo da sua cabeça, eu tô aqui. Quanto mais eu falava, mais ela chorava e eu não aguentava mais aquilo. –Já chega, seus covardes. Eu não gosto de brigar de longe, se estão com tanto medo de me enfrentar, então deixem meus amigos livres e fujam. Caso contrário, apareçam e lutem! Phobos e Deimos apareceram. Os dois tinham os olhos vermelhos e os cabelos escuros de Ares, mas a leveza de movimento de Afrodite. Era tão esquisito que eles chegavam a ser feios. –Me pergunto porque só você não caiu em nossas visões. Bom, não importa, vai ser quase fácil demais destruir você. Peguei meu arco e acertei uma flecha no pescoço de Phobos, uma cena apareceu na minha cabeça, Minha mãe apanhando do novo marido, seu rosto roxo e inchado e ela chorando. Cortava meu coração, mas eu sabia que aquilo não era verdade, o marido dela, Walsh, era um sujeito bacana e eles estavam em um cruzeiro pela Europa agora. A partir do momento em que eu aceitei que aquilo não era verdade, a imagem se dissipou e eu golpeei Deimos na coxa, fazendo icor pingar de sua perna. Outra visão, Priscila morta em cima de uma pilha de cadáveres no acampamento meio sangue. Seu rosto sem vida e sua camiseta do acampamento rasgada, com seus órgãos aparecendo pelo buraco na barriga. Afastei aquela visão terrível e cortei um cordão que pendia sobre o pescoço de Deimos enquanto tentava acertá-lo com minha espada, fazendo este se transformar em um bebê. Quando eu olhei em Phobos e percebi que o mesmo cordão estava em seu pescoço, me lancei em sua direção. Vi no canto da visão, Annie se levantando e Percy voltando ao normal, mas Priscila ainda estava ajoelhada chorando. Percy me olhou desorientado e acionou contracorrente. –Percy, o cordão dele, tire-o. Eu me aproximei mais e fui golpeado por uma visão um pouco diferente, Priscila estava boiando no meio do mar e ela levantava a mão me chamando até ela, eu nadava e nunca chegava, quando finalmente consegui, ela não estava mais lá, eu fui puxado de volta para a realidade com Percy arrancando o cordão do pescoço de Deimos. Priscila saiu de seu transe e correu na minha direção. Percy abraçou Annabeth e os dois sentaram no chão ao lado dos dois bebês que eram agora os filhos de Ares em miniatura. –Ah, meu amor, nossa. Foi tão h******l. Eu vi você... Nossa. — Priscila falava tremendo e beijando todo o meu rosto. –Eu sei, eu também vi. Eu tô aqui agora, nós dois estamos. Tudo vai ficar bem. Você é meu amuleto da sorte, lembra? Sentei no chão e a puxei para meu colo. Ela encostou o rosto no meu peito e acalmou a respiração. –Percy, você está com o outro cordão? –Sim, esse é uma chave, e o seu? –O meu também. Mas não sei o que significa isso que aconteceu — disse apontando para os bebês gregos que brincavam juntos num canto. Annie já estava melhor e de pé, Priscila também estava legal, então deixamos as "crianças" brincando com umas coisas das nossas mochilas e continuamos pelo corredor da caverna, ao lado de uma porta, eu vi um contorno de fechadura, então chamei Percy, ele enfiou o cordão na parede e uma porta abriu, revelando Nico, desmaiado e desnutrido. Ele estava tão fraco que Percy conseguiu levanta-lo sozinho, seguindo o mesmo raciocínio, levei o outro cordão ao buraco na parede e ali estava ele, Will Solace, o chefe do meu chalé, o mais responsável dos filhos de Apolo, todo magro e machucado. Peguei ele e passei seu braço pelo meu pescoço. No fim, Annie e Priscila pegaram os bebês deuses e saímos de lá o mais rápido possível, chegando no iate, transformei a cabine de restaurante numa ala hospitalar, onde cuidei de Will e Nico e Annie e Percy arranjaram um jeito de entreter as crianças do deus da guerra. Priscila controlou em segurança nossa volta ao acampamento.
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