CAPÍTULO 232 BRUNA NARRANDO Três dias. Três dias naquele hospital que parecia sugar o tempo, a força, a fé. Eu já nem sabia mais o que era dia ou noite. Só sabia que o Juninho ainda tava ali — e que enquanto ele respirasse, eu não ia sair do lado dele. O som do monitor era a trilha sonora da minha vida agora. Bip... bip... bip... Cada apito me fazia prender o ar, como se eu mesma respirasse por ele. A UTI era fria, o ar pesado, e o cheiro de álcool e remédio já grudava na minha pele. A enfermeira vinha de hora em hora, olhava os aparelhos, trocava soro, ajeitava os fios, e eu ficava observando, tentando entender se aquilo era bom sinal ou não. A Alanny vinha às vezes, tentava me tirar dali, dizia pra eu ir comer, tomar banho… mas eu não conseguia. Era como se eu tivesse medo de pisc

