O homem da Lua

2015 Palavras
Lua narrando. O dia no trabalho estava um verdadeiro teste de paciência. Como toda sexta-feira no marketing, parece que todos os clientes resolveram ter crises existenciais ao mesmo tempo. Campanhas que não subiam, métricas que não batiam... meu celular vibrou na mesa às 11h com a mensagem dele sobre o risoto, mas eu estava no meio de uma apresentação de resultados e não pude nem desbloquear a tela. Só consegui um respiro quando parei para um café rápido, por volta das 14h. Sentei na copa da empresa, o coração ainda acelerado pelo estresse das planilhas, e abri o w******p. Li a mensagem dele e, instantaneamente, o estresse evaporou. "Transformar o risoto em realidade...". Sorri, sentindo as bochechas esquentarem. Digitei rapidamente: Lua (14h02): "Oi, gigante! Desculpa a demora, o trabalho aqui virou um caos total hoje, não consegui nem respirar. Mas eu adoraria esse jantar... Se você prometer que o risoto é bom mesmo, eu aceito o convite! Sábado à noite?" Bloqueei o celular e voltei para a minha mesa com uma energia renovada. Saber que eu teria aquele encontro no dia seguinte fez as próximas horas de reuniões chatas passarem voando. Eu já me pegava olhando para o relógio, contando os minutos para o fim do expediente. Quando saí do escritório, às 19h, o céu já estava escuro. Cheguei em casa exausta, joguei os saltos num canto e fui direto para a varanda. A avenida lá embaixo continuava o mesmo caos de sempre, mas agora parecia diferente. Eu não estava apenas olhando os carros; eu estava pensando se um daqueles carros seria o dele amanhã. Meu celular apitou. Ele tinha respondido logo depois da minha mensagem das 14h, mas eu só vi agora: Matheus: "Sem problemas, eu imagino a correria! O risoto é uma promessa de honra, você vai ter que me dar uma nota de 0 a 10. Sábado à noite está perfeito. Passo para te pegar às 20h? Me manda sua localização." Mandei o endereço e, por um segundo, senti uma pontada de ansiedade. Era o meu endereço real, minha casa. Mas havia algo na forma como ele escrevia que me passava uma segurança estranha. "Engenheiro civil...", pensei, me encostando no guarda-corpo. "Um homem que constrói coisas. Exatamente o que eu preciso: alguém que saiba levantar bases fortes." Tomei um banho demorado, hidratei o cabelo e deitei. Amanhã era o dia. Amanhã eu descobriria se o gigante de 1,87m era realmente o homem que a Lua tinha me enviado. Depois de responder o Matheus, minha barriga deu um sinal de vida. Com a correria do escritório, eu tinha esquecido completamente de comer. Fui até a cozinha e preparei algo rápido, mas confortável: um sanduíche de queijo quente com um toque de orégano e um copo de suco de uva bem gelado. Sentei na banqueta da cozinha, dei a primeira mordida no pão crocante e peguei o celular. O visor brilhou com uma nova mensagem dele. Matheus: "Endereço recebido. Agora é oficial: não tem mais volta, Lua. Vou ter que caprichar nesse risoto para não passar vergonha com a jurada mais exigente do marketing." Lua: "Pode apostar que eu sou exigente! E olha que eu estou jantando um queijo quente agora, então o nível de comparação amanhã vai estar alto, hein? (risos)" Matheus: "Queijo quente? Isso é um crime contra a gastronomia numa sexta à noite! Se eu estivesse aí agora, já teria assumido esse fogão. Mas tudo bem, vou usar isso como motivação para o prato de amanhã." Lua: "Convencido! Mas me diz, 'engenheiro', como foi o seu dia? Muitas vigas e cimentos ou foi mais tranquilo que o meu?" Matheus: "O dia foi... intenso. Muita análise de estrutura, alguns problemas imprevistos que tive que resolver na base da estratégia. Sabe como é, às vezes o plano parece perfeito no papel, mas na hora da execução o terreno não ajuda. Mas agora que parei para falar contigo, o 'modo trabalho' finalmente desligou." Lua: "Imagino. Deve ser uma responsabilidade enorme garantir que nada caia. Eu sou mais das ideias, se um post der errado, a gente deleta. Se um prédio der errado... bom, melhor nem pensar." Matheus: "Exatamente. No meu trabalho, não dá para deletar o erro. Por isso eu sou tão detalhista. Mas chega de falar de obra. Quero saber o que a Lua gosta de fazer no sábado de manhã, antes de se preparar para encontros com gigantes." Lua: "Ah, eu sou do time da preguiça! Gosto de acordar tarde, tomar um café bem longo ouvindo música e, se o sol estiver bonito, talvez dar uma caminhada. É o meu momento de recarregar. E você? Acorda cedo para bater ponto na obra?" Matheus: "Amanhã não. Amanhã meu único compromisso importante é passar no mercado para escolher os melhores ingredientes para o nosso jantar. E, claro, dar uma conferida no roteiro da comédia romântica se a gente decidir assistir algo." Fiquei ali, trocando mensagens e terminando meu lanche. A conversa fluía tão bem que eu nem percebia o tempo passar. Ele tinha uma resposta pronta para tudo, um jeito de conduzir o papo que me deixava curiosa e, ao mesmo tempo, estranhamente relaxada. Terminei meu sanduíche, mas a vontade de dormir passou longe. O café da tarde ainda estava fazendo efeito e, sinceramente, a conversa com o Matheus era muito mais interessante que o meu travesseiro. Me ajeitei no sofá, puxei uma manta para as pernas e continuei digitando. Lua: "Sabe, você fala muito de 'planejamento' e 'estratégia'. Isso é coisa de quem é muito perfeccionista ou você só gosta de ter o controle de tudo?" Matheus: "Um pouco dos dois, confesso. No meu meio, se você não antecipa o que pode dar errado, o estrago é grande. Mas não sou um robô, tá? Eu também sei improvisar quando a situação pede. E você? Parece ser do tipo que segue o fluxo ou tem um caderninho com a vida toda planejada?" Lua: "Eu sou o caos organizado! (risos). Eu planejo as metas, mas o caminho eu deixo a vida me levar. Só não suporto monotonia. Se as coisas ficam iguais por muito tempo, eu sinto que estou sufocando. Talvez por isso eu ainda esteja solteira... a maioria dos caras que conheci eram previsíveis demais. Do tipo que você já sabe até o que vão pedir no jantar antes de abrirem o cardápio." Matheus: "Bom, então eu já ganhei pontos, porque duvido que você tenha adivinhado o ingrediente secreto do meu risoto." Lua: "Ah, é? E qual é? Se você disser que é 'amor', eu bloqueio você agora mesmo por excesso de fofura clichê!" Matheus: "Hahaha! Jamais. O segredo é um toque de raspas de limão siciliano e um caldo que eu mesmo preparo por horas. Mas o verdadeiro truque é o tempo. Nada que é bom de verdade fica pronto em cinco minutos, Lua. As melhores coisas exigem paciência." Lua: "Gostei da filosofia. Você aplica isso a tudo na vida? Ou só na cozinha?" Matheus: "A quase tudo. Às vezes a gente precisa de velocidade, claro... mas para as coisas que realmente importam, eu prefiro a precisão. Até para conhecer alguém. Eu não tenho pressa, mas quando eu decido o que quero, eu não desisto fácil." Senti minhas bochechas queimarem de novo. O tom da conversa estava ficando mais profundo, saindo do básico de um app. Lua: "E o que um gigante de 1,87m, engenheiro e mestre cuca, decidiu que quer agora? Além de me ganhar pelo estômago amanhã?" Matheus: "Eu decidi que quero descobrir se essa conexão que a gente teve por texto é tão forte pessoalmente. E, honestamente? Eu tenho um pressentimento de que o sábado vai ser curto demais para tudo o que eu quero te perguntar." Lua: "Nossa... agora quem ficou sem palavras fui eu. Você é bom nisso, Matheus. É o tipo de homem que sabe exatamente o que dizer, ou é apenas honestidade de sexta à noite?" Matheus: "É a honestidade de quem cansou de conversas vazias. O clima de confidência na madrugada começou a mudar. A curiosidade intelectual deu lugar a uma tensão mais física, aquele tipo de conversa que faz o coração acelerar e a temperatura do quarto parecer subir alguns graus Eu ainda estava encolhida no sofá, mas a manta já parecia desnecessária. A conversa tinha atingido aquele ponto onde as palavras começam a desenhar imagens, e eu conseguia quase sentir a presença dele ali na sala comigo. Lua: "Sabe, Matheus... você disse que seu abraço tem a altura perfeita para eu me sentir protegida. Mas agora eu fiquei pensando: um homem de 1,87m, detalhista e que não desiste do que quer... você deve ser um perigo quando decide que quer algo de verdade." Matheus: "Um perigo? Talvez. Mas eu prefiro a palavra 'intenso'. Eu não entro em nada pela metade, Lua. Especialmente se for algo — ou alguém — que me desperta tanto interesse quanto você despertou em menos de 48 horas." Lua: "Você é bem seguro de si, né? Isso me deixa curiosa. E um pouco intimidada também, confesso." Matheus: "Não precisa ter medo. Minhas mãos podem ser grandes, mas eu garanto que sei ser muito suave quando a situação pede. Inclusive, eu estava aqui olhando sua foto de perfil novamente... aquela em que você está com o vestido preto. O ângulo do seu pescoço naquela foto... é um convite ao erro." Senti um arrepio percorrer minha espinha. Minha respiração falhou por um segundo. Lua: "Um convite ao erro? E que tipo de erro um engenheiro tão preciso cometeria, Matheus?" Matheus: "O tipo de erro que envolveria esquecer completamente o risoto no fogo para descobrir se o seu perfume é tão viciante quanto a sua voz parece ser. Eu passaria horas ali, naquele ponto exato entre o seu pescoço e o seu ombro, só para ver como a sua respiração mudaria." Lua: (Mordi o lábio inferior, sentindo meu rosto arder) "Você está jogando pesado agora... Meu coração até errou a batida aqui. Se você continuar falando desse jeito, eu não vou conseguir esperar até as 20h de amanhã." Matheus: "Então estamos iguais. Porque eu estou aqui imaginando como deve ser o contraste da minha mão na sua cintura... 1,65m de pura tentação. Eu te puxaria para perto até você sentir exatamente o quanto esse nosso 'papo' está mexendo comigo agora. Você tem ideia do que eu faria se você estivesse na minha frente agora, Lua?" Lua: "Não... me diz. O que você faria?" Matheus: "Eu começaria afastando esse seu cabelo loiro do rosto, bem devagar. Olharia nos seus olhos verdes até você entender que eu não estou aqui para brincar de 'match'. E depois... bom, depois eu deixaria você descobrir o resto, mas eu te garanto que você não ia querer dormir tão cedo." Eu fechei os olhos por um instante, o celular pressionado contra o peito. A adrenalina estava lá no topo. Aquele homem doce das comédias românticas tinha acabado de mostrar um lado dominante e sedutor que eu não esperava, mas que desejava desesperadamente. Lua: "Você é um problema, Matheus. Um problema muito grande que eu estou doidinha para resolver amanhã." Matheus: "Eu sou a solução, Lua. Só depende de como você quer me usar, falando em usar, o que você esta vestindo agora? Lua: Agora estou só com uma camiseta larga e o silêncio do quarto. Matheus: Sei exatamente. Consigo até imaginar o contraste da camiseta com a sua pele... se eu estivesse aí, o silêncio ia durar bem pouco. Minhas mãos teriam planos bem específicos pra essa sua camiseta. Lua: Matheus... você não tem noção do que falar desse jeito faz comigo. Meu corpo inteiro arrepiou aqui. Matheus: É só o começo. Eu queria estar sentindo esse arrepio de perto, passando os dedos pela sua nuca, puxando seu cabelo devagar enquanto sussurro o que eu quero fazer com você. Lua: Para de falar e vem fazer? A porta não está trancada na minha mente... e eu estou começando a perder a paciência com essa distância entre a gente. 😈🔥 Matheus: Não me provoca, Lua. Se eu for agora, não garanto que você dorme antes do sol nascer.
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