Capítulo 4

1029 Palavras
Me troquei e encontrei Carter brincando com as nossas filhas no jardim, era uma cena linda de se ver, meus olhos se encheram de lagrimas, era exatamente aquilo que eu desejava, aquilo que eu queria para nós antes de descobrir sua última traição. Era para estarmos casados agora, vivendo o nosso felizes para sempre, mas tudo saiu dos trilhos, nada se encaminhou como deveria, e era sempre assim, porque aquilo deveria ser diferente? Eu nunca consigo o meu final feliz, sempre tem algo, uma coisinha que acaba com tudo. Carter – Oi. – Ele gritou acenando para mim. – Vem aqui, se junte a nós. Luna – Está começando a esfriar, não seria bom leva-las para dentro? Carter – Não, vamos ficar aqui um pouco mais, elas adoram ver as flores, e também temos que deixar que elas se acostumem com as mudanças de temperatura, para que não fiquem sempre doente quando o tempo mudar. Luna – Eu sei cuidar delas Carter, não precisa querer me ensinar. Estávamos conversado a distância, quase gritando um com outro, como dois malucos. Eu fui me aproximando aos poucos, enquanto ele apenas sorria como um bobo. Carter – Como tem ido na empresa? Luna – Não é como se você não soubesse, meu avô e você parecem dois melhores amigos, e ele te conta cada um dos meus passos como se eu fosse uma criança. Carter – Isso não é verdade, eu realmente me interesso por saber como tem ido, e ele só me liga quando algo como hoje acontece, quando você não está bem, ou quando acontece alguma coisa com as meninas, nada além disso. Ele está mentindo, meu vô quer que a gente fique juntos, tenta a todo custo fazer com que eu o perdoe, e isso não vai acontecer. Luna – Quer comer alguma coisa? Posso preparar um lanche, ou se você esperar um pouco mais, posso fazer um jantar mais elaborado. Ele parou de brincar, e me olhou, talvez pensando no mesmo que eu, que aquela deveria ser a nossa vida, que aquele pequeno fragmento de felicidade deveria ser a nossa vida inteira. Carter – Não tenho nenhum outro plano, se não for te incomodar, posso ficar sim para o jantar. Obrigado. – Ele e olhou intrigado e continuou. – Não tem ninguém para te ajudar, fora a babá, uma cozinheira e governanta? Luna – Não, eu não tenho mais ninguém. Carter – Se quiser eu posso encontrar alguém para lhe ajudar, você tem se esforçado demais, vai acabar ficando sobrecarregada. Luna – Não. Eu não me importo de cuidar da minha própria casa, estou acostumada, e isso me faz muito bem. Não precisa de nada disso, a casa é pequena, eu posso me virar bem. vou cuidar do jantar, cuide delas enquanto isso. Carter – Precisa de ajuda na cozinha? Eu não sou um cozinheiro de mão cheia, mas posso ser um bom quebra galho. Aquilo tudo é tão natural, como se nada tivesse acontecido, como se fossemos um casal feliz, uma família perfeita, e estamos longe disso. Luna – Não é necessário, aproveite para ficar mais tempo com elas, eu venho chamar assim que estiver tudo pronto. Saí antes que ele pudesse me falar qualquer coisa de novo. Não quero mais me sentir tão abalada, tão mexida, mas tem sido praticamente impossível. Ele é um pai excelente, as meninas o amam tanto, está escrito nos olhinhos brilhantes de cada uma delas. Eu nunca tive isso, um pai presente e amoroso, nem mesmo uma mãe de verdade eu tive. Mesmo não conseguindo culpá-la por toda a falta de amor, sei que ela tem uma enorme culpa por eu ser da maneira que sou. Ela me ama, sei disso, mesmo daquele jeito torto dela, ela quer apenas que eu seja forte o suficiente para não precisar de ninguém, muito menos de um homem. Ainda assim, é muito difícil não me sentir triste, quando me pego dando as minhas filhas, todo o amor e carinho que eu nunca recebi. Ao menos isso eu aprendi com ela, basta seguir o contrario do que ela fez comigo e eu serei uma boa mãe para minhas filhas. Tudo o que ela me fez, me deixou mesmo mais forte, mas não completamente funcional. Se por um lado parece bom, por outro é completamente errado. Decidi que faria um macarrão, com almondegas, um dos pratos que eu mais gosto, um dos poucos que minha mãe fazia para mim quando eu era pequena, e quando ela estava em casa. A minha cozinha dava de frente para o jardim, e é impossível não observar o Carter brincando com Ayla e Selene, ele faz aviãozinho, brinca de pecinhas, joga os enormes dadinhos de pelúcia, deita no chão e as deixa subir nele. Vê-lo ali com elas, me despertou a curiosidade de conhecer o meu próprio, eu nem mesmo imagino como ele pode ser, eu sou o clone da minha mãe, não tem nada em mim que possa parecer com ele. Me pergunto se ele seria um bom pai, se eu tenho irmãos, ou irmãs, se ele se casou mesmo, ou se depois do que minha mãe fez em seu casamento deu tudo errado, se ele é feliz, se gostaria de me conhecer. A única que pode me dizer onde ele está é minha mãe, mas eu duvido muito que ela me diria algo sobre. Luna – Ai droga... – Me distraí, e o macarrão passou do ponto. Chamei Carter pela janela, estava começando a escurecer, as meninas provavelmente estariam com sono, principalmente depois de terem brincado tanto com ele. Ele entrou com uma em cada braço, as duas sorrindo e mexendo no rosto dele. Luna – O macarrão passou do ponto, será que você pode colocar elas pra dormir? Eu levo as mamadeiras em alguns minutos. Carter – Claro, viu, eu disse que poderia te ajudar, você é teimosa. Ele saiu sorrindo da cozinha, levando nossas filhas, enquanto eu fazia o leite delas. A cabeça cheia por pensamentos inconvenientes, a sensação de que algo está faltando, de que preciso dele. A nossa proximidade me amolece, mesmo quando tudo que eu quero é me manter o mais distante possível. 
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