pov. Victor
Passei um tempo o encarando e tentando adivinhar o motivo de sua semelhança com Eris, aquilo era estranho. A guerra ao meu redor parecia simplesmente ter parado no tempo, como se existisse apenas eu e ele aqui, não parecia ser um Telecto qualquer, eu já tinha enfrentado vários mas nenhum deles exibia essa presença.
- Luiz, ajude os soldados. Eu preciso dar uma palavrinha com nosso amigo. - dei dois passos a frente e ele segurou meu braço com força.
- Tente não se descontrolar e não morrer. - assenti me afastando dele em direção ao Telecto.
Ficamos em uma distância de cinco metros um do outro, nenhum dos dois se atreveu a falar ou dar o primeiro passo, a guerra atrás de nós levantava poeira do chão batido. Ele sorria diferente de mim que tentava esquadrinhar suas intenções, sua ligação com Eris e suas atribuições.
- Vou poupar seu trabalho. Me chamo Erick, e como pode perceber sou irmão gêmeo da Erisabella. Não preciso nem ler sua mente para saber o que está pensando, embora minha querida irmã tenha feito um ótimo trabalho de proteção em você. - acho que o choque foi perceptível já que ele alargou o sorriso, Eris nunca tinha dito que tinha um irmão mas também eu sabia muito pouco da sua vida.
- Eu não sei o que quer aqui, mas posso garantir que não vai conseguir. - as chamas me rodearam furiosas.
- Ah, eu já estou fazendo. Isso é uma coisa que você não pode impedir. Eris protegeu você e deixou a mente dela aberta demais. Me diga, como foi tentar acorda-la essa manhã? - então a culpa de Eris não responder era dele, cerrei os punhos avançando um passo.
- Pare, antes que eu te force a parar. - ele avançou também balançando as mãos e fazendo os pedaços de alguns carros sobrevoarem ao seu redor, o que ele é?
- Quero machucar minha linda irmã de todas as formas possíveis, nesse exato momento ela está passando por tudo que eu passei. Sabe como é doloroso saber que os pais escokheram sua irmã em vez de você? Que eles preferiram cuidar e protege-la e te desprezaram? Eles gastaram tudo o que tinham para mante-la viva e eu fui jogado no lixo! - ele jogou um dos ferros em mim, lancei as chamas para me proteger. - Sou um experimento, sou uma falha... Erisabella é a Zero perfeita enquanto eu sou apenas um Telecto louco! Não possuo um lado Elemental por causa dos testes feitos em mim... Eles a querem porque ela é o equilíbrio, eu a quero para mostrar que é fraca... Ela vai passar pelo inferno que eu passei e quando ficar louca vai se autodestruir...
- Eu vou te mostrar o inferno... - não podia suportar a ideia de que ele estava fazendo m*l a Eris, minha Eris. A raiva se apoderou do meu elemento e as chamas explodiram em minhas costas com a forma da fênix, elas avançaram em minha frente cercando o oponente. Ele usou uma espécie de barreira e parecia rir.
- Isso é tudo o que tem?! - gritou, o ferro derretia em contato com as minhas chamas, me aproximei intensificando o calor ao seu redor, o sorriso do seu rosto se desmanchou quando o calor começou a penetrar seu escudo o transformando em uma enorme panela fervente. Eu podia ver o suor banhando seu rosto e as rachaduras em sua habilidade, foi minha vez de sorrir. - Não sou capaz de atingir você, Fênix. Mas ele é bem mais fácil.
A barreira se expandiu, fiz um escudo usando o fogo para não ser lançado para trás com a proporção do impacto, Erick não estava mais a minha frente, os carros recuavam em direção a Rebelion, tudo que ele queria era mostrar com o que estamos lutando. Os gritos logo começaram a encher meus ouvidos, alguns morreram e outros ficaram feridos dentre eles pude ver Luiz. Meu corpo inteiro gelou e corri ao seu encontro. Luiz estava deitado no chão com uma barra de ferro cravada no peito.
- Mais que merda! Luiz! Luiz! - ele se balançou antes de acordar, sua boca estava suja de sangue, encarei a barra de ferro tentando pensar claramente em algo que ajudase.
- Filho da p**a. Isso dói! - ele gritou colocando a mão na barra, pelo local onde ela cravou ele deveria ter morrido imediatamente.
- Como você? ... - antes que eu perguntasse ele se apoiou em mim para ficar de pé, com dificuldade conseguiu.
- Meu coração é do lado direito. Ai que p***a. - soltei um suspiro de alívio, o apoiei levando-o para dentro da cidade novamente, os Telectos que não foram rápidos o suficiente acabaram morrendo, a pilha de corpos do lado de fora estava enorme.
Entramos no palácio e descemos ao subsolo onde as mulheres estavam, elas cuidavam dos ferimentos dos soldados e não demoraram a atender Luiz. Ele tinha perfurado o pulmão e precisava de soro, por sorte eles sabiam como preparar o soro elemental, deitei ao seu lado sendo perfurado para retirarem meu sangue. A parte de baixo era repleta de camas e tecidos coloridos nas paredes, almofadas e jóias, tinha comida, mesas, cadeiras e salas em um corredor mais afastado, era como um segundo palácio.
- O que eles queriam? Tiveram mais baixas do que a gente. - Luiz reclamou retirando a blusa suja de sangue e colocando em um cesto de lixo ao seu lado, uma mulher de cabelos grisalhos limoava todo o ferimento e já se preparava para retirar o ferro.
- A Eris, eles estavam aqui para mostrar o que estamos enfrentando, eles querem a Eris. - murmurei, sentindo a raiva borbulhar dentro de mim.
- Aqueles filhos da p**a! - exclamou, a idosa ao seu lado o encarou com um ar de repreensão. - Desculpe.
- Ele está mantendo Eris desacordada, em alguma espécie de ilusão. Precisamos achar um jeito de acorda-la e voltar ao ponto de encontro. Temos aliados e precisamos ir a guerra. - ele assentiu, a barra foi reirada e o ferimento demorou para ser fexhado como devia. Luiz adormeceu enquanto recebia o soro e eu procurei pela rainha o mais rápido que consegui.
- Ela ainda não acordou, está quente e as vezes treme. Nós a vestimos, ela está em um quarto separado. - ela me guiou até o quarto onde Eris estava deitada sobre uma cama estreita, seu rosto estava pálido e não parecia nada bem.
Me ajoelhei ao lado da cama e segurei sua pequena mão entre as minhas, doia muito vê-la dessa forma. Beijei sua testa e fiz carinho em seus cabelos castanhos claros.
- Eris, acorde. Por favor, me escuta. Você é mais forte que ele, consegue sair disso. -