pov. Victor
Passei o resto do dia ao lado de Eris, segurando sua mão e tentando chamar sua atenção para que ela volte. Estava sentado ao lado da cama estreita, acariciando sua mão pequena e pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo. Ouvi um barulho na porta do quarto e vi Luiz passar por ela, estava com uma faixa no peito um pouco manchada de sangue mas parecia bem.
- Como ela está? - perguntou sentando do outro lado da cama, suspirei encostando a cabeça na parede.
- Do mesmo jeito. - ele acariciou o rosto dela, parecia totalmente desarmado assim como eu estava.
- A culpa não foi sua. - ele começou, neguei. A culpa foi minha sim, não deveria ter permitido que ela viesse.
- Primeiro lugar, era para ela estar a salvo no ponto de encontro. Segundo eu devia ter matado o Erick, você não estaria machucado e a Eris teria voltado. - passei a mão no rosto frustrado.
- Você não tinha como adivinhar nada disso, e se tivesse matado o irmão da Eris já pensou em como ela reagiria? Ela não gosta muito de mortes e duvido que iria gostar de saber que você matou o irmão que ela nem chegou a conhecer. Então pare de se culpar por tudo que acontece. - o encarei de soslaio, coloquei a mão dela de volta sobre a cama.
- Eu preciso clarear as ideias, cuida dela? - ele assentiu, se encostando na parede e soltando um suspiro de dor ao se movimentar.
- Não faça nada que eu não faria, porque se magoar ela eu juro que quebro sua cara Victor, e não vai ter soro que te concerte. - sorri de lado para ele e sai da sala, meu sangue não tinha ajudado apenas o Luiz, vários soldados já estavam em ótimo estado. Passei pelas alas e subi para o palácio.
A culpa me corroendo novamente, o sentimento de que tudo que amo estava escapando das minhas mãos como água. Primeiro a minha mãe, e agora a Eris, eu não posso perde-la. Me sentia fraco, não poder fazer nada para mudar a situação estava acabando comigo, de repente senti uma mão em meu ombro.
- Você lutou bem, mas tem que entender que nem sempre as coisas vão sair como planejadas. - Pietro colocou as mãos nos bolsos da calça vermelha folgada.
- Sou um líder, Pietro. Devo estar ciente dos riscos e evita-los a todo o custo, mas quando se trata dela. Quando se trata da Eris é diferente, eu nunca sei o que pode acontecer... - suspirei olhando para as minhas mãos onde algumas fagulhas rodeavam meus dedos.
- Eu também sou um líder, e entendo que as coisas tendem a sair do controle. Quando se trata das pessoas que amamos viramos feras irracionais, proteger, amar e cuidar são as únicas coisas que rondam nossa mente. E se algo foge do que esperamos é nosso dever consertar e não lamentar. - olhei para o horizonte, não dava para ver Rebelion daqui mas eu sabia exatamente onde ela estava, coloquei as mãos nos bolsos e baixei os ombros. - Minha mãe está fazendo o que pode para ajudar, fique ao lado da Zero. Ela precisa da sua força.
Ele saiu me deixando sozinho novamente, nós precisavamos sair daqui, eu precisava encontrar Tavarres e comtar tudo que descobri para ele. Dar início a reconquista e salvar a minha Eris. Passei a mão nos cabelos que já estavam geandes e os joguei para trás, não tinhamos nem notícias de Aruna, precisavamos voltar imediatamente.
- Fênix! - ouvi alguém gritar, a rainha parecia desesperada. Me apressei em correr até ela. - Ela está convuncionando!
Corri para o andar de baixo praticamente atropelando qualquer coisa que estivesse em meu caminho, entrei no quarto. Luiz estava caído no chão desacordado assim como Nicole, Eris se debatia sobre a cama. Tentei segura-la para que não se machucasse e senti como se ela estivesse invadindo minha mente, penetrando fundo e destruindo todas as defesas que eu tinha criado, o ar me faltou mas permaneci segurando ela em meus braços. Meu corpo doía mas eu sabia que podia aguentar isso, encostei minha testa na sua e tudo que veio depois não passou de um vulto.
Ah!
[···]
Juan Victor Gabero! Va agora!
[···]
Certas coisas eu quero que você escute da minha boca.
[···]
Prometa que vai voltar para mim, Eris...
[···]
Eu amo você!
[···[
- Entra ai sua peste! - a porta de ferro foi trancada por ele, eu estava sentado no chão sujo do lugar, era menor e mais raquítico do que os outros garotos da minha idade e por causa disso não conseguia me defender. O fogo só aparecia quando ele queria, eu não tinha controle.
- Por favor me tira daqui! Eu juro que não faço mais! Eu juro! Por favor! Eu não os matei de propósito, não foi de propósito! Eu não queria fazer isso! Me perdoa! ... me perdoa... - esmurrei a porta até perder as forças e deslizar por ela chorando. - AH!
Me arrastei até a cama de concreto e me sentei sobre ela chorando, o incidente com a Aline foi minha culpa, totalmente minha. Eu a matei e matei os outros que estavam por perto, não só o bando da escola como mais vinte pessoas nos arredores do local, eu sou um monstro. Preciso morrer antes que volte a matar mais pessoas, sou um assassino.