pov. Anthony
O caminho foi terrível com a Gaby reclamando o tempo inteiro que estava cansada, Gabriel e Leticia dormiram boa parte do trageto e o Eduardo estava apenas sendo ele mesmo, fazendo nada. As vezes eu cochilava no volante e passava por cima de alguma pedra ou buraco mas dizia que eu não tive como desviar e o pessoal não enchia minha paciência.
Estava quase cochilando novamente quando vejo a cabana, dei um salto do banco e comecei a apertar a buzina, nem acredito que estavamos chegando. Eles despertaram atordoados e encaravam a pequena cabana a nossa frente.
- Quantas pessoas você disse que tem ai mesmo? - Gaby perguntou, estava meio óbvio que isso era apenas uma distração.
- O Ponto de Encontro é em baixo da cabana, Gaby. - Leticia respondeu sorrindo, finalmente estamos a salvo.
Estacionei o carro a frente e desci abrindo a porta da traseira para que os outros pudessem sair também. Gabriel quase se desmancha no chão ao descer e Gaby pular em suas costas.
- Estou exausta, obrigada por se oferecer para me carregar gostozinho. - Eduardo desdenhou gargalhando e passou a frente, Gabriel me encarou como se procurasse ajuda e eu fingi que nem estava o vendo.
Ajudei Leticia a descer e continuei buzinando igual um louco, demorou um pouco mas Ruby, Tavarres e Elena logo apareceram atordoados. Elena cuidou em ajudar Leticia que precisava repor as energias e Ruby guiou os outros para dentro, Tavarres me olhava com as sobrancelhas arqueadas e cruzou os braços parecendo preocupado.
- Felipe nos traiu, tomou toda a cidade e quase nos matou. Achei que ele já estaria aqui com seus soldados. - respirei fundo me jogando contra a lataria do carro desbotado.
- Ele não chegou, ainda. Fiquei preocupado com vocês mas não podia abandonar o PE, você entende não é? - eu sei que se estivessenao seu alcance Tavarres tinha chutado a b***a do Felipe, mas eram três vidas por dezenas que eld tinha que manter seguro. Assenti. - Você fez um ótimo trabalho como líder, Antony. Estou orgulhoso.
- Acredite eu quase matei metade da minha equipe de propósito. - ele gargalhou abaixando a guarda.
- Isso acontece nas melhores equipes, perdi a conta de quantas vezes Victor tentou matar Ruby. - gargalhei também, estavamos a salvo agora, pelo menos por enquanto.
- Trouxe um presente para os alunos do primeiro ano. - apontei para o porta malas mostrando as armas, seria um ponto ao nosso favor. Os alunos do primeiro ano não sabiam manipular seus elementos muito bem então isso evitaria uma explosão.
- Isso é ótimo, vai diminuir muito o tempo de treinamento e aumentar nossas chances contra eles. - assenti. - Vou pedir que subam para buscar todas, você precisa descansar.
Não respondi, era aparente que eu precisava de uma boa noite de sono, segui para dentro da cabana e desci os degrais estreitos para o subsolo. Aqui estava lotado com alunos do primeiro ano como eu imaginava, respirei fundo me guiando por um pequeno mapa que tinha na parede oposta a escada, achei o banheiro madculino e me despi a procura de um chuveiro.
Após um banho e uma nova farda no corpo eu encontrei o dormitório e me joguei em uma das camas, precisava dormir por no minimo um ano depois de todo o estresse que tive que passar. Ao fechar os olhos os pensamentos martelaram minha cabeça tirando a pouca paz que ainda me restava, a preocupação com o Ruan ainda estava presente, como parceiro eu sentia sua falta e torcia para que ele estivesse bem. Forcei o sono a se aproximar, em breve a guerra chegaria e sem descanso eu seria apenas um peso morto.
[···]
- Acorda Antony, hora do café! - a voz de Ruby me despertou, estiquei o corpo sobre a cama e a realidade me deu um soco no estomago, café?
- Espera, café? Quanto tempo eu dormi? - me forcei a sentar encarando o dominador da água a minha frente, Ruby sorriu mostrando seus perfeitos e alinhados dentes brancos.
- Uma tarde e uma noite inteira, eu te deixaria dormir mais um pouco mas Tavarres tem medo de um ataque surpresa. - ele deu de ombros se encostando na porta. - Estamos em cima da hora para o café então acho melhor tomar banho depois.
Assenti e me levantei arrumando a cama rapidamente em seguida, a passos largos caminhei ao lado de Ruby que parecia preocupado com algo, seus sorrisos não estavam subindo para os olhos e isso não era parte da sua personalidade.
- Emerson Ruby preocupado? Essa é nova para mim. - tentei chamar sua atenção com um ar mais brincalhão, o sorriso leve que dava morreu instantaneamente.
- Sinto falta dele, estou preocupado e perdendo as esperanças. E se o Ruan estiver morto? Eu não sei como aguentaria isso, estou tentando manter a compostura mas... - e a voz morreu, eu entendia como ele estava se sentindo já que Ruan era meu parceiro.
- Ele não está morto, eu e você conhecemos o Ruan como ninguém aqui conhece. Ele é forte, vai conseguir chegar até aqui. - eu precisava conforta-lo sei que era isso que o meu parceiro iria querer.
- Eu espero que estejamos certos, caso contrário eu vou afogar cada Telecto que crusar o meu caminho. - respirou fundo estufando o peito, depois de muito tempo notei que ele não usava mais a farda do GEC, Ruby agora usava uma farda de aluno normal. - Pare de me olhar desse jeito, Antony.
- Desculpe, é que acabei de notar que está com o fardamento escolar. - ele olhou para baixo e sorriu, passou a mão sobre seu número com orgulho.
- Foram bons tempos... - dei de ombros sem me interessar muito nisso. Essa guerra acabou com o nosso último ano letivo e nos tirou a chance de entrar oficialmente no GEC, agora teriamos que enfrentar quase meio ano de aulas cansativas para poder concluir. A vida pode ser horrível as vezes.
Ao entrar no refeitório abarrotado corri para a fila e comecei a me servir de tudo que eu tinha direito, estava faminto e comeria qualquer gororoba sintética que servissem aqui. Assim que enchi o meu prato vasculhei os locais atrás da minha sobremesa de cabelos cacheados, Leticia estava sentada junto a Tavarres e nosso pequeno grupo da escola agora desfalcado sem Ruan, Lorena, Felipe e Luiz. Respirei fundo e me aproximei colocando a bandeja sobre a mesa e me sentando ao lado do meu pedacinho de chocolate.
Tavarres parecia incomodado com alguma coisa e mantinha uma conversa baixa e séria com a professora Elena, Ruby chegou em seguida e sentou ao lado de Gaby que ficava o tempo inteiro jogando indiretas para Gabe que fingia não ligar. Eduardo não estava presente como imaginei que estaria. Passei a mão sobre a coxa de Leticia que me encarou sorrindo, ela deitou a cabeça em meu ombro e eu beijei seus cabelos cacheados revoltos inspirando o cheiro gostoso que saia deles, sem querer chamamos a atenção de todos que nos olhavam espantados.
- O que foi? Não posso namorar? - perguntei em um tom irônico, Tavarres clareou a garganta e sorriu.
- Finalmente vocês assumiram? - foi Elena quem falou me deixando rubro igual uma pimenta, empurrei o óculos sobre o nariz e revirei os olhos.
- E você e o Tavarres vão assumir quando? - Ruby não perde uma, garhalhei junto a Leticia e Tavarres se engasgou com o suco, Elena ficou da cor do próprio cabelo e as palavras morreram.
- Ruby... - advertiu Tavarres limpando a boca suja depois da sua quase morte de vergonha.
- O que? Vocês são adultos, se comam por favor. Não é de hoje que ficam se encarando a distância, até o Antony já enlaçou a Leticia e vocês ainda estou com sussurros por ai. Por todos os sols, se tranquem em um quarto o mais rápido possível, o que vem ai é uma guerra. - e o Ruby ganha novamente, esse cara não existe, sempre direto no que quer falar. Ruby não arrodeia ou deixa que as outras pessoas tirem suas próprias conclusões orecipitadas, ele fala tudo detalhadamente para que você entenda perfeitamente o que ele quer dizer.