pov. Eris
Os muros da cidade ficavam cada vez mais perto deixando que a tranquilidade atravessasse meus pulmões em um ar totalmente puro, o que nunca seria possível cientificamente. Com a falta de árvores o ar que respiramos é aspero e muitos morreram até que o corpo conseguiu se adaptar ao ambiente.
Os dois estavam calados, quietos e centrados, chegar a Arcaria era um alívio e ao mesmo tempo transmitia tensão, não sabiamos como eles iriam reagir a nossa aproximação. As vezes Victor fazia um leve carinho em minhas mãos como se quisesse me acalmar e isso estranhamente funcionava.
Poucos metros nos separavam agora, se antes eu me sentia pequena olhando para esse muro pareciamos meras formigas operárias. Os músculos de Victor travaram quando Luiz fez um escudo para se proteger dos tiros, eles não gostaram nenhum pouco da nossa presença.
Infelizmente para nós o Luiz era a nossa única defesa e ataque, Victor não podia se utilizar do seu elemento sem me ferir no processo, seu corpo estava quente de raiva por não poder fazer nada. Eles não são muito gentis com viajantes isso estava explícito.
O que faremos?
Eu estava ficando assustada, qualquer movimento poderia ser fatal para qualquer um, sentia minhas veias flamejarem em uma chama gelada ascendendo todo o meu corpo.
As balas vão nos atingir se eu não fizer nada.
Victor tremia sob minhas mãos, não de medo. Ele estava temeroso e irritado, se Luiz nos cobrisse com seu elemento eles nos cercariam em minutos e estaríamos mortos.
Então faça alguma coisa.
Vou machucar você se fizer, Eris... Não vou te perder por um descontrole!
Victor, se não fizer vamos morrer!
Não vou te matar! Esqueça!
Não vai precisar...
Os tiros começaram a nos cercar, Victor trincou os dentes e seu vorpo psreceu borbulhar em combustão sob meu toque. Ele perdru a capacidade de pensar quando aquelas balas entraram em nosso raio, as chamas e o calor consumindo tudo ao redor de nós dois. O meu corpo ficou frio de repente, como se lutasse contra as chamas que saiam do corpo do número Cinco. A visão do fogo de Victor era magnífica, elas pareciam ter vida própria defendendo o seu criador com garra e ferocidade.
ERIS!
Era a voz do Luiz em minha cabeça, ele parecia desesperado, era impossível ver algo além das chamas dançantes de Victor. Demorou mas pararam de atirar ao notar que não iriamos recuar ou que não adiantava continuar gastando munição. Quando as chamas abaixaram pude sentir tudo novamente, estava tão envolvida com a beleza do fogo que não notei os movimentos de Victor que agora estava me pressionando contra seu peito quente.
- Como fez isso? - ele perguntou me apertando um pouco mais, senti um líquido quente em meu pescoço e notei que algumas lágrimas tinham escorrido de seus olhos. - Tampinha, me perdoe por ter agido sem pensar... Eris, eu podia ter perdido você para sempre.
- Eu não... - os portões foram abertos causando um barulho estrondoso, Victor não se afastou de mim mas desviou o oohar para encarar as pessoas que saiam da cidade.
Luiz desceu da moto apenas para agir sem pensar, ele empurrou Victor brutalmente no chão se colocando por cima dele. O susto quase me fez cair da moto, o pequeno show de chutes e socos estava chamando a atenção de muitos espectadores, eles iam se matar e não importava o quanto eu gritasse.
- Você podia ter matado ela! - gritou Luiz parecendo igualmente triste e irritado, o dominador do fogo preferiu ficar calado e apenas se desviar dos ataques.
- Luiz! Para com isso! - gritei, eu estava bem não tinha motivos para começarem uma briga i****a dessa maneira. Por fim Victor acabou o nocauteando sem piedade alguma, ele não estava calado por falta de opção ele estava economizando folego.
- Fizeram todo aquele show desviando dos nossos ataques para terem o prazer de se matar? - a voz forte despertou a todos do transe da luta, era um homem um pouco avançado em idade, alto mas não o suficiente para se declarar um elemental.
- Magestade, não foi nossa intenção. Viemos até aqui conversar, pacificamente. - Victor sabia bem como agir na frente de alguém importante, ele olhou de soslaio para Luiz que se levantava devagar esbravejando alguns palavrões.
Minha intenção foi sim matar esse i****a!
Luiz!
Como consegue defende-lo? Eris, ele poderia ter mstado você. Não consegue entender isso? Teve sorte do seu corpo repelir o elemento dele mas e se isso não tivesse acontecido? Nem um corpo tinha sobrado para poder velar!
Eu escolhi arriscar.
Sua vida não pertence só a você.
Minha vida é completamente minha, Luiz. Eu decido os riscos que vou correr.
Por causa da nossa pequena discussão mental acabei não prestando atenção no que Victor conversava com o rei, eles pareciam estar se entendendo e isso era bom.
- Tudo bem, fênix. Vamos fazer o seguinte, hoje comemoraremos a chegada dos nossos visitantes assim como mandam as tradições e amanhã pela manhã trataremos de tudo com mais calma. - temos esse tempo todo? Pela careta de cansaço que Victor fez era óbvio que ele havia tentado recusar a comemoração mas tradições são tradições. - Levem todos para os seus aposentos, Pietro acompanhe os cavalheiros aos seus devidos quartos. Nicole acompanhe a jovem para a preparação.
Pietro era um pouco mais alto que o rei e por suas roupas coloridas e exuberantes dava para notar que era o príncipe. Diferente dos homens que já vi, ele era albino, Pietro tinhs cabelos quase brancos e uma pele alva que deixava as cores mais fortes. Nicole era totalmente o seu oposto embora não fosse uma princesa, ela tinha pele bronzeada e cabelos negros como as trevas. Ela tentou se aproximar de mim mas Luiz se colocou a minha frente.
- Qual preparação? - ele quase rosnou para o rei, Victor se aproximou cautelosamente com uma sobrancelha arqueada como se pedisse para que Luiz ficasse calmo.
- É uma coisa entre as mulheres. Luiz mantenha a calma, ninguém vai fazer m*l a ela aqui. - ele quase sussurrou, seu olhar ia de mim para Luiz procurando compreensão.
- Igual a você? - oh céus, respirei fundo massageando a cabeça embora a nuca já estivesse mais dolorida pela raiva e ódio dos dois.
- Eu nunca machucaria a Eris... Você sabe disso, agora pare de agir como uma criança. Já basta o pequeno show que fez! - nunca tinha visto Victor agir frio daquela forma mas ele falava como um líder de equipe, o estouro de Luiz quase foi tão fatal quanto suas chamas, mostrou que somos agressivos e brigamos por besteiras.
Deixei eles dois discutindo entre si, eu decidi que não vou ficar louca por causa deles. Tinha coisas que mereciam muito mais a minha atenção do que essa briga sem sentido, abri um doce sorriso para Nicole que retribuiu. Ela me guiou por dentro da cidade que parecia aqueles desenhos de reinos perfeitos.
Varias casas idênticas compunham a grande cidade, ela me mostrava tudo com uma certa empolgação, apontava para vários lugares e eu via em tudo como eles eram diferentes, principalmente pela rouoa que usavam. Os homens vestiam roupas largas com cores fortes se fossem da realeza e cores pasteis se fossem plebeus, as mulheres quase não usavam roupas.
Me espantei ao ver o vestido quase transpsrente e sem tecido que a maioria usava, Nicole disse que elas se vestiam assim por causa do calor e o corpo feminino era muito idolatrado em seu reino. As tradições, cultura e crenças eram totalmente diferentes das nossas eles acreditavam que existia seres superiores capazes de nos abençoar ou amaldiçoar conforme nossos atos. Mas a deusa protetora deles era Edwin, dona da fertilidade, sedução e prazer.
- Todas as mulheres que irão participar da festa precisam passar por uma preparação e purificação no templo de Edwin. É uma tradição antiga e nos trás sorte. - eu não tinha motivos para recusar.