Capítulo 18 N AŠ T A S H A. M O G I L E V I C

1022 Palavras
"Lembre-se, você está sozinho em suas escolhas, só terá apenas alguém para lhe oferecer uma opinião sobre. " Natasha Mogilevic *** — Eu preciso. — Tentei me convencer disso. — É o único jeito. Suspirei o ar gelado de Moscou, abracei o corpo no casaco. Mesmo depois de alguns meses aqui, não estava me acostumado com o clima completamente. Atravessei a rua escura sentindo um frio na espinha, passei por um conversível preto estacionado no meio fio, precisava encontrar o local certo pelo endereço dado a mim pouco antes de sair da mansão. Segurei o casaco com mais força desejando que ninguém me visse ou estivesse em meu caminho. Avistei um estabelecimento aberto a poucos metros. Apressei o passo entrando no estabelecimento, sacudi a sombrinha para tentar secar ela por conta da garoa ter a molhado. Chuva em Moscou significava mais frio, tomei rumo para uma das mesas me sentando, olhei no relógio reparando que faltava alguns minutos. A movimentação era pouca, mas não deixei de notar que uma mulher entrava às pressas segurando uma montanha de cobertor nos braços enquanto tentava fechar o guarda-chuva. Desastrada deixou cair a bolsa na poça de água, levantei para ajudar a pobre moça quando Estavam apareceu pegando a bolsa para ela, ambos trocaram cumprimentos e então ele entrou, caminhando em minha direção. — Senhorita Mogilevic. — Cumprimentou, mostrei a ele o lugar vazio para se acomodar. — Enfim, estamos nós aqui. — Minhas palavras pareciam ter sido ensaiadas. — O combinado já foi concluído? — Olhei para os lados, tirei o embrulho do casaco e deslizei o envelope sobre a mesa. Estevam manteve seu olhar sobre o meu, avaliando minhas feições. — Tudo deve ocorrer como o planejado, caso contrário será a sua cabeça como prêmio. — A ameaça foi clara, minhas pernas estavam moles e um calor se apossou de meu corpo me fazendo afrouxar o nó do cachecol. — Entendido. — Minha voz saiu falha, ele guardou o envelope sobre o casaco e deu um leve sorriso descontraído quando a garçonete veio nos atender. — Preciso ir. A encomenda não pode ficar muito tempo sem os cuidados necessários. — Confirmei sentindo um grande aperto no peito, a sensação de estar sufocando em um ambiente totalmente fechado. Pessoas cada vez mais chegavam para poder comer, as vozes, as respirações, os barulhos estavam me incomodando. Estevam se levantou e partiu, também fiz o mesmo já sendo recepcionada por gotas grossas de chuva. Abri o guarda-chuva e caminhei de volta para a mansão passando novamente ao lado do conversível que agora parecia estar com um dos vidros parcialmente abertos. Ignorei os sinais de perigo, porque as ruas já estavam mais movimentadas a essa hora, tomei o primeiro táxi de volta para a mansão, portanto, decidi que dar um tempo para Ivan seria a melhor escolha no momento, dei as coordenadas para o mesmo hotel onde passei alguns dias, o céu nublado mostrava que o dia seria completamente fechado e não valeria a pena ficar muito tempo nas estradas. Me arrependo por ter ficado com ele noite passada, me entregado, talvez seria a falta de levar uma vida normal com diversão ou por eu ter me privado de relação s****l que acabou me transformando nessa pessoa. Aquele momento foi intenso, Ivan teve a capacidade de me fazer esquecer dos meus problemas, das obrigações que preciso cumprir, das ameaças de morte e até mesmo das vezes que quase tive meu fim. Dante precisava de uma acompanhante na noite da boate, meu objetivo era estar o mais perto dele possível, conhecer todos os seus esquemas sobre a máfia italiana e poder derrubar de uma vez esse poder. O governo precisava de certos documentos perdidos, mas as chances de os encontrar seriam mínimas. Entrei no hotel deixando a correria paga com o taxista que saiu sem dizer nada, virei as costas para a rua sentindo um frio percorrer todo meu corpo, como se estivesse sendo vigiada. Suspirei tentando controlar a paranóia, por estar sozinha no momento de frente para o hotel, então entrei já desejando por um banho e uma boa noite de sono. Peguei minhas chaves com o porteiro, segui para meu quarto onde passaria pelo menos umas duas noites, seria o suficiente para colocar os pensamentos em ordem. Havia muitas coisas que precisava ajustar, principalmente o que realmente comecei a sentir por Ivan, não era algo normal e muito menos natural de se acontecer, principalmente porque boa parte da minha vida sempre recusei relacionamentos, nunca quis. Minha família achava esse meu comportamento um tanto fora do comum, enquanto as meninas da minha idade procurava atenção masculina, eu preferia focar a minha atenção nos livros, estudar e ser a melhor da turma, mas isso me custava muito. Não poder ter amizades, sempre ser a chacota na sala de aula e os piores momentos em que minha vida se tornava um tormento após colocar os pés para fora dela. Minha única proteção contra o restante dos alunos sempre era andar perto dos porfessores. Então é isso que passei boa parte da infância e adolescência, minhas experiências sempre me ajudou a não encontrar encrencas maiores do que as que já passava, bastava ser vista como a nerd de toda a escola, não entendia porque de tanto ódio e rancor das pessoas que conviviam comigo, mas eu tinha tudo em relação a minha família, o orgulho deles sempre me motivou a continuar, tanto que agora não sei buscar um simples motivo para poder parar. Subi para o décimo nono andar com aquela sensação de perseguição no encalço, peguei as chaves do bolso da blusa, encaixei sobre a fechadura e girei a maçaneta. Entrei já acendendo as luzes da sala de visitas que era dividida com a cozinha, meu coração saltou quase saindo pela boca, as pernas viraram gelatinas de tão moles e não havia cordas vocais potentes o suficiente para que me ajudasse com a fala. A voz potente e grossa reverberou pelo ambiente trazendo aquela sensação de aperto no peito, com uma fluência tão perfeita na língua local que poderia jurar ser algo surreal para meus ouvidos. — Boa noite Natasha.
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