Vinte e três.

1276 Palavras
Conversas de apaixonados. — É um prazer, Anne — Rick me encara. — Igualmente. Pego minhas coisas e seguro na mão de Gilbert. — Blythe eu preciso falar com você. — Até breve — Rick sai depois de mais um sorriso. Realmente, o garoto novo era uma coisinha linda. — O que foi Anne? — Cuida dos meus materiais. Eu já volto, é sério. Dou minhas coisas pra ele e saio correndo em direção ao banheiro. Assim que bato a porta, olho para meu bumbum no espelho. Graças a Deus. Não tinha nada. Logo que me certifico, e me protejo, volto para o corredor onde eu deixei um belo garoto a minha espera com um olhar curioso e uma mente enciumada. Acha que eu não notei o sarcasmo em sua voz ao falar "Anne com E"? Bobinho. Por isso eu segurei em sua mão. Passar um tempo longe dele só me deu uma certeza: eu estava apaixonada por ele. E eu contaria assim que tivesse uma oportunidade. — E então, Anne? — ele me encara assim que me vê caminhando com passos desconcertados. — Era uma emergência — ergo os ombros — meninas, tem emergências. Ele da um sorriso ladino. — Tudo bem, o que quer conversar? Antes que ele continue, lhe dou um abraço. Eu não estava lá quando tudo aconteceu, mas eu estava agora. Se ele precisasse de um ombro para chorar. — Você não precisa — ele diz. — Já fiz, Blythe. Um de seus braços me enlaçam. O outro estava ocupado segurando minhas coisas. — Sinto muito, espero que consiga superar essa dor, estou aqui para você, como você esteve para mim quando o Matthew estava naquela situação. — É muito bom tê-la comigo, Anne. Nós nos desgrudamos. Eu pego minhas coisas e enquanto caminhamos juntos para a próxima aula, que era na mesma direção eu me lembro de novo do assunto que eu tinha para tratar com ele. — Quase me esqueci de novo!!! — O que foi? Desvio os olhos para ver se tinha pessoas muito próximas. Ninguém. — Lembra daquele dia na sala do Sr. Philips? Eu conversei com Prissy e disse que minha boca seria um túmulo. Espero que a sua também. — Você está pedindo para que eu não conte a ninguém, é isso? Assinto. Ele da um sorriso, aquele em que o masseter contrai e você se sente hipnotizada, aquele sorriso tóxico que te prende e você não consegue desviar. — Eu não sou um fofoqueiro, ruivinha. Antes de entrar na sala eu paro, e lhe dou um beijo na bochecha. Torno a olhá-lo, seu rosto estava ruborizado e seus olhos iluminados. — Obrigada, Blythe. . . . — Rick Galle definitivamente é um deus destronado — diz Cole se juntando a nós — vocês tinham que vê-lo no teatro. Engasgo imediatamente. — Teatro? — Conseguiu o papel de Fred Poenisc. E eu não posso esconder quando a Sra. Vanderson disse " Anne Shirley interpretará Antonieta". — Mas ele não sabe que a Anne Shirley sou eu. — Deixe-me completar — ele se senta — e então ele disse, Anne Shirley é aquela garota ruiva? Anne com E? — p**a m***a — levo a mão a testa — esbarrei nele quando estava correndo por causa de uma emergência menstrual. — Você tem uma p**a sorte Anne — Margot diz concordando — dois garotos gatos pra caramba, meu coração não ia aguentar. — A questão é, todo mundo viu você e o Gil abraçados no corredor hoje — Diana interrompe — já declarou todo seu amor para ele? — Ela não admite. — Eu gosto dele — admito encarando Margot que disse que eu não admitia — estar perto dele me faz acreditar que o amor não é tão t**o como eu imaginei que seria. — Minha bebê está apaixonada — Cole ergue a voz e todo mundo do refeitório fica encarando a gente. — Quem está apaixonada? — Roy Gardner pergunta. Gilbert Blythe ao lado dele me encara, Billy Andrews do outro lado encara Margot. E no meio, de tantos olhares nos encarando, Rick Galle abre os lábios carnudos e rosados em um sorriso para mim. — Eu — Diana se levanta — estou apaixonada por Jerry Baynard. Jerry não estudava mais, era mais velho, já tinha terminado os estudos. Que pena, seria hilário vê-lo com os olhinhos pequenos por causa da imensa vergonha que se apossaria de seu charme francês. Todo mundo bate na mesa para comemorar a confissão de Diana, e um garoto fotografa ela com a desculpa "anuário". — De nada — ela senta — agora, viu como Gilbert a encarava Anne? E viu como Billy também encarava a Margot? — Sim — nós duas respondemos em empatema. — Já está na hora né minhas rainhas ruivas — Cole fala — vocês precisam assumir esses relacionamentos antes que outras pessoas cheguem abalando. Ele aponta para o corredor. As quatro oxigenadas entravam com mais classe do que das outras vezes, passos sincronizados, cabelos ao vento, maquiagens sutis cheias de delicadeza. No meio, a Queen Bee, do lado direito Prissy, do lado esquerdo Ruby e atrás, Josie Pye. — Até no enquadramento dos passos elas são perfeitas. — Não tem nada de perfeito nelas — dou risada — são bonitas, e ser bonita não significa muita coisa. Eu acho. Tipo, eu não sou bonita então na verdade eu não sei. Winifred e suas marionetes se sentam na mesa de Rick. No mesmo instante ele se levanta e pega a bandeja. — Você não gosta de garotas? — Winifred diz ávida em tom alto para humilhá-lo em público. — Não gosto de garotas como vocês — ele fala em um tom mais alto. Os idiotas do ensino médio vibram. Rick caminha até nossa mesa e com uma voz doce ele pergunta: — Posso me sentar aqui? — os olhares dele estão fixos nos meus. Winifred e as oxigenadas ao longe reviram os olhos com raiva de mim, óbvio. Mas eu não tinha culpa alguma. — Claro — Cole me interrompe. O garoto se senta frente a mim, contudo, a única coisa que consigo ver é Gilbert, que estava sentado duas mesas para trás. Nossos olhares ficam fixados, quem é Rick Galle, quando se tem um Gilbert Blythe aos seus pés? Fora isso, eu sou completamente apaixonada por garotos branquinhos com cabelos escuros, Rick era loiro. Definitivamente, não faz o meu tipo. Talvez o de Cole. Certamente o de Cole. — E então Anne, seremos um casal no teatro — diz Rick, interrompendo minha troca de olhares intenso com Gilbert Blythe. — Só no teatro boy — diz Cole — o coração dela já pertence a alguém — ele aponta para Gilbert que vem até nossa mesa. — Que ordinária! — escuto a Queen Bee. — desde quando se tornou tão importante? — Desde que você declarou uma guerra em silêncio contra ela — Ruby diz. — Pare, ela não é uma pessoa a quem se deve manter uma guerra — Prissy me defende. — Se vocês não são boas para permanecer ao meu lado, não são boas para serem minhas amigas — Winifred encara as duas — Josie, agora somos só nós. Ela chocam os dedos indicadores e fazem o barulho de um refil queimando. — Ruby, Prissy — digo — podem se sentar aqui se quiserem. As duas caminham apressadamente até nós. E Winifred e Josie saem aparentemente com os cérebros prestes a explodir. Bom Winifred, acho que definitivamente essa guerra já foi ganha. Agora eu só precisava de uma coisa, controlar a guerra que estava prestes a começar, só que dessa vez, por mim.
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