The Mornings

2193 Palavras
"Doux réveil, au goût amer Était-ce un cauchemar, était-ce un cauchemar? Oh non, c'était bien hier J'ai les yeux si rouges et bombés Par la nuit ou par les pleurs Draps usés ou mauvais rêve [...] C'est les matins comme ça qui me font pleurer Leur vérité me tue Car la nuit a su me faire oublier" "Doce despertar, um gosto amargo Isso foi um pesadelo? Isso foi um pesadelo? Oh não, isso foi ontem Meus olhos estão vermelhos e inchados Pela noite ou pelos choros Lençóis usados por sonhos ruins [...] Essas são essas manhãs que me fazem chorar A verdade me mata Pois a noite soube me fazer esquecer" - Les Matins, Angèle Mabel acordou suando às seis da manhã, segundo o relógio analógico ao lado da cama. Olhou para o lado e viu que Dipper ainda dormia profundamente. O sol já estava nascendo e os raios começavam a atingir a viga de madeira a cima da cama da garota. Ela passou a mão no rosto, limpando as lágrimas que escorria de seus olhos e abraçando os joelhos. O sonho não tinha sido triste, ainda assim, ela chorava em silencio para não acordar o irmão. O motivo dela chorar não era tristeza, mas sim medo. Medo de que ela poderia trair a todos naquela casa, incluindo a si mesma. Medo de que as verdadeiras ameaças não tinham, de fato, ido embora. O sonho começava na Floresta n***a, à noite. Mabel andava assustada, procurando por algo. Escutava a risada de Bill Cipher ecoando em seus ouvidos enquanto ele fala algo para a garota, mas ela não conseguia entender o que ele dizia. Ela começou a correr, fugindo para que ele não a encontrasse, mas esbarrou em algo e caiu no chão de grama com o impacto. Estava escuro, e quando olhou para cima, não conseguiu ver uma forma nítida, mas a sombra que formava na frente de seus olhos já era o suficiente para que ela soubesse que não queria ver. E em um piscar de olhos, ela foi levada de volta para o dia do Weirdmageddon ~ Bill tinha mandado monstros para pegá-la depois que ele a tinha enganado na forma do Cara que Viaja no Tempo para que ela entregasse o portal entre os mundos. Quando recobrou a consciência, dois de seus capangas a seguravam, um de cada lado, enquanto a arrastavam para dentro de sua pirâmide. Estava fraca demais para lutar e sair dali, então, derrotada, deixou-se levar. Mas logo eles pararam na frente de um trono enorme feito de ouro. Se ela estivesse mais perto, poderia constatar que não era ouro, e sim, pessoas de ouro. Na frente do trono, Bill estava em sua forma triangular, observando cada movimento da garota. — O que está fazendo, Bill? — ela começou. — O que você acha, garota? — disse ele, em um tom calmo. — Estragando sua vida! — exclamou ao sentir as forças voltando para seu corpo, tentando ficar de pé, mas sendo impedida pelos capangas — Você ainda tem algo humano dentro de você. Eu sei disso! Posso sentir. — Você não sabe nada sobre mim, Shooting Star — ele fechou a mão, começando a se irritar, ficando vermelho como normalmente. Virou-se de costas para eles e fez um gesto com a mão, como se dissesse para se livrarem dela, e seus monstros começaram a leva-la para fora. Desesperada com o que estavam prestes a fazer, começou a se debater, tentando sair das mãos deles, mas sem resultado, estava apenas sendo arrastada com mais força. Mas não desistiu, e começou a gritar. — Está mesmo disposto a jogar o resto da sua humanidade no lixo?! — conseguiu chamar sua atenção, e os monstros pararam de arrastá-la quando Bill se virou — Se você for adiante com isso, você estará desistindo de qualquer chance de ser uma pessoa melhor que você pode ter no futuro! Ele apertou o único olho, agora seu corpo já estava totalmente vermelho, chegando no auge de sua raiva, e chegou mais perto dela, transformando-se em sua forma humana. — Está vendo essa forma?! — apontou para seu próprio corpo humano — É apenas uma ilusão, uma mentira! Esse corpo é a única coisa humana que sobrou em mim! — ele estava bem perto dela agora, mas ela o encarava com o olhar mais pacífico que conseguia fingir, ainda morrendo de medo por dentro, mas sem deixar transparecer — Eu era humano milênios atrás, agora eu tenho poderes — ele parou de gritar, e voltava lentamente para sua cor usual — Não entendeu ainda que eu não quero voltar a ser um humano? — Você mesmo me disse uma vez... que por ter o coração mais puro, eu tenho a habilidade de ver bondade onde os outros não veem. Lembrava-se bem daquele dia, era impossível de esquecer. Depois que os unicórnios falaram que ela não tinha o necessário para poder pegar seus pelos, ele a visitou em seus sonhos, e falou que tudo aquilo era bobagem, e que eles eram apenas seres esnobes e egoístas. Claro que sua intenção na época era apenas assustá-la, fazê-la se sentir pressionada e mostrar que não importava o que fizesse, nunca conseguiriam o ingrediente necessário para completar a barreira e se defenderem. Mas ela olhou pelo lado positivo, como sempre fazia, e usou isso contra ele. — Você está fazendo a coisa errada, Bill — suplicou — E você sabe. Não é tarde demais para você desistir dessa ideia, não é tarde demais para vir para o nosso lado! — Não me diga o que é certo e o que é errado! Eu sei o que estou fazendo. Sei o que quero e quais suas consequências. Mabel não tinha tanta certeza disso. As consequências disso iam muito mais além de sacrificar sua humanidade. Envolviam a solidão eterna e nunca ser amado, sempre temido. Um mundo onde não há amor, não há nada. Não há felicidade. As consequências eram incontáveis. Mas ele não devia se importar com nada daquilo. Fez o mesmo gesto de antes e voltou a se virar de costas, juntando as mãos atrás do corpo. Dessa vez, porém, seus capangas não continuaram a leva-la para fora. O monstro à sua direita desembainhou uma faca n***a de seu cinto e brincou com ela por alguns segundos, enquanto sorria maliciosamente para seu parceiro. Tudo ficou em câmera lenta quando o segundo puxou seu longo cabelo para trás, obrigando-a a levantar a cabeça, deixando o pescoço exposto. A faca veio lentamente em sua direção e Mabel fechou os olhos pelo medo enquanto ainda se debatia desesperadamente, o que era difícil com as mãos deles imobilizando-a pelo cabelo e pelos ombros. Ela grunhiu ao sentir a faca gelada contra seu pescoço, e pareceu que todo o seu calor tivesse sido arrancado a força de seu corpo. As únicas coisas que Mabel podia ver eram as lembranças mais obscuras e tristes de sua vida. Todas as lembranças ruins, todas as vezes que fora ignorada ou rejeitada, tudo que a fazia se sentir como lixo. Aquilo parecia demorar uma eternidade. Quando finalmente sentiu os músculos do monstro enrijecerem e a faca começar a rasgar sua pele, ele parou subitamente. Abriu os olhos, confusa pelo que estava acontecendo, mas o que ocorreu a seguir, só a deixou mais incerta. Bill ainda estava de costas para eles, mas estava com uma mão aberta, como em um sinal de pare. Levantou o olhar para o monstro que segurava a faca e o viu com os olhos arregalados e seu corpo petrificado de medo, encarando seu mestre a sua frente. Ele tremia como se estivesse tentando se mexer, mas algo o impedia. O homem loiro virou-se com um olhar homicida e foi até eles. — Não falei que podia matá-la! Sem mexer um músculo, Bill arrancou a faca de sua mão com seus poderes. Mabel sentiu seu cabelo ser libertado. O outro também estava paralisado. Ela caiu para frente, apoiando-se na mão esquerda enquanto a direita corria para o local do machucado. Tudo girava a sua volta e os cantos da sua visão começavam a ficar turvos quando levou a mão para frente para verifica-la. Não era sangue que escorria em seus dedos, mas sim um liquido gelado e n***o. A tontura se intensificou e seu braço cedeu, deixando-a cair de bruços no chão. Quando olhou para seu lado direito, pôde ver aquele monstro morto ao seu lado, e quando se virou para o outro lado, viu Bill cravando a faca no olho do outro, que caiu de joelhos, agonizando. Ele se ajoelhou e a pegou no colo, e quando o fez, Mabel se sentiu repentinamente aquecida, confortável e incrivelmente bem. Mas sua visão ainda escurecia com o passar do tempo, como se ela estivesse quase dormindo. Uma esfera rosa com uma estrela cadente desenhada apareceu a sua frente. Bill entrou com ela ali e a colocou delicadamente no chão de grama, indo embora logo em seguida. Mabel estava sozinha em uma floresta e não sentia mais dor. E quando tudo parecia certo como nunca fora antes, ela foi puxada para a Floresta n***a do início do sonho, e voltou a ouvir a risada convencida do iluminati. Desesperada, levou as mãos aos ouvidos, tentando abafar sua voz. — Viu? Eu salvei você — a voz dele ecoava em sua cabeça. — Eu não precisava ser salva! — Não? Você era fraca, Shooting Star. Não conseguiria sobreviver naquele mundo. Eu te ajudei. — Eu podia ser fraca, mas não pedi a sua ajuda — ela tirou as mãos da orelha, desistindo de fugir dele. Tentou parecer segura, mas sua voz estava trêmula demais para ele acreditar — Você não tinha direito de me isolar do mundo e da verdade! E mesmo que tenha me salvado, tudo o que você fez foi impedir que eu sofresse na realidade que você criou. Ter me colocado na esfera não apaga o fato de você ter dado início ao Weirdmageddon! — Um simples obrigado já bastava, Star — ironizou — Admita logo que você ainda tem esperanças sobre mim. Que estava errada quando falou que se eu desse continuidade ao meu plano, eu não teria mais nenhuma chance. Você ainda acha que pode me curar, não é? — ele riu — Quer que eu volte para o mundo físico. Ela não entendeu bem o que ele queria dizer com aquilo, afinal, ele estava morto, não estava? Dipper prometeu isso a ela. Mas não teve muito tempo de ponderar sobre isso, pois viu uma sombra triangular no chão, e quem a fazia era Bill, em sua forma humana. Ele andava até ela, chegando cada vez mais perto e mais perto... ~ Foi ali que ela acordou, e ficou na mesma posição abraçando os joelhos, lembrando-se do que Bill havia dito e feito, tanto no sonho quanto no Weirdmageddon, e o que ocorrera após aquele dia. Na única pessoa que confiou e que traiu sua confiança semanas depois, e no trauma que foi tudo aquilo. Tudo por causa de Bill. E não conseguia sair daquele looping de pensamentos até que Dipper acordasse e chamasse sua atenção. — Desde quando está acordada? — perguntou com a voz sonolenta e a cara amaçada com a marca da mão em que estava apoiada. —Agora pouco — mentiu ao olhar o relógio ao lado que dizia que já eram 8:46. Olhou pela janela triangular que ficava no meio das camas e viu o céu azul do verão, juntamente com os raios que entravam por ali e iluminavam todo o quarto. Precisariam de uma cortina se quisessem agir como adolescentes comuns que estavam de férias e dormirem até tarde. Mas isso provavelmente não aconteceria, afinal, não eram adolescentes comuns. Dipper não ficaria até meio dia na cama ao invés de ir explorar os mistérios da cidade, e nunca que ele deixaria a irmã ficar enquanto ele se "divertia". Derrotada em seus próprios pensamentos, ela se levantou da cama, sincronizada com o irmão e foi para o banheiro se trocar enquanto ele fazia o mesmo no quarto. O garoto estava muito diferente. Da primeira vez que foram para Gravity Falls, ele era baixinho, magrelo, estranho e medroso, mas agora, quando se olhava no espelho, via um homem alto, forte, bonito e confiante. Acreditava que uma boa influência disso fora Stan. Ele ajudou os gêmeos a achar um bom lugar para treinar lutas corporais e com armar. Ele foi quem comprou facas, adagas e espadas, e foi quem manteve tudo em segredo de seus pais, sempre encobrindo para os dois. Dipper se lembrava o quão chato e trabalhoso fora conviver com Stan da última vez que vieram para a cidade. Ele sempre pegava no seu pé e deixava os trabalhos mais pesados para o garoto, mas aquilo reforçou seu caráter, e ele levou dois meses para perceber isso, quando quase o perdeu para Bill. Seus pensamentos foram interrompidos por Mabel, que saiu do banheiro já pronta para um novo dia. Eles desceram juntos para tomar café, e Mabel se perguntava silenciosamente qual seria a aventura que seu irmão tinha preparado para o dia.
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