— Melody, precisa de ajuda? — Mabel perguntou quando chegou na sala e viu a mulher sentada no sofá, parecendo exausta.
— Uma ajudinha do coração mais puro de todos não faria m*l nenhum! — ela suspirou aliviada — Sei que Clary é a minha responsabilidade, mas já estou sem dormir há três dias! Se você não se importasse...
— Não se preocupe, eu adoro crianças! Posso ficar com ela pelo tempo que você precisar. Vá para casa descansar e pode ficar tranquila.
— Ah, como é bom ouvir isso! você é mesmo a dona do coração mais puro — ela se levantou do sofá e entregou a criança no colo de Mabel, enquanto a mesma dava uma risadinha envergonhada — Venho busca-la as 6 da tarde. Está bom para você?
Ela assentiu com a cabeça e Melody deu um beijo na cabeça da filha, despedindo-se das duas e indo embora.
Mabel ficou sentada no chão brincando com a criança por quase uma hora até que Dipper e Ford aparecessem.
— Nossa, a conversa era mesmo importante — ela ponderou, sem tirar os olhos da criança sentada à sua frente agarrada em seu dedo e rodeada de brinquedos.
— Não vai nem perguntar sobre o que era? — perguntou Ford, suspeito — Cadê a minha sobrinha curiosa que eu conheço?
— Vocês vão me falar se eu perguntar? — levantou a cabeça para mirar o irmão que estava em pé à sua frente.
— Não.
Ela deu de ombros, como se provasse seu ponto, no mesmo momento que ouviu seu outro tivô gritar da lojinha de presentes.
— Dipper, Mabel! Preciso de alguém para aumentar os preços!
— Já vou! — Dipper gritou de volta — Parece que o dever me chama — ele falou e saiu dramaticamente, imitando um super-herói que joga sua capa para o lado antes de ir salvar uma donzela em apuros.
— Bom, eu também estou de saída — disse Ford — Fiddelford está me esperando no laboratório para continuarmos com as nossas experiências.
Ele deu um beijo na cabeça dela e saiu, enquanto Mabel escutava tivô gritando entusiasmado.
— Rápido, Dipper! O ônibus está chegando! Ônibus significa turistas e turistas significa dinheiro!
Enquanto Mabel ria sozinha com seu pensamento de que Stan não devia nada além de uma carteira recheada de dinheiro quando olhava para os turistas, o mesmo entregava uma caneta para Dipper, que começou a aumentar os zeros nas plaquinhas de preços. Tudo estava absurdamente caro, mas por incrível que pareça, acabavam com o estoque.
Stan e Wendy foram para fora se posicionar para fazer o discurso sobre os mistérios de Gravity Falls e vender os ingressos.
— Olá meus queridos amantes do mistério! — ele os saudou com um falso sotaque britânico quando os turistas começaram a se aglomerar na frente da cabana com suas maquinas fotográficas — Sejam bem-vindos à Cabana do Mistério! O único lugar do Oregon que revela os segredos e as criaturas mais sombrias e raras de todo o mundo. Podem comprar os ingressos com a nossa recepcionista.
Todos correram na direção de Wendy quando Stan apontou para ela. Depois de esgotarem os ingressos, eles começaram o tour e Wendy voltou para dentro, para a lojinha, indo para trás do balcão.
— Então... — ela olhou para Dipper, com uma mistura de curiosidade e empolgação.
— Então o quê? — ele sabia o que ela queria saber, mas se passou por bobo. Ela apertou o olhar, tentando arrancar uma informação e ele cedeu — Ford e tivô Stan acharam um novo tipo de monstro, mas não estão tendo tempo e nem pique de ir atras dele para saber o que realmente é. Precisam de Mabel e eu para ajudar.
— Já sabe pelo menos a aparência?
— Não exatamente. Sabem que é carnívoro e anda se alimentando de animais e, eles acreditam, de pessoas também. Mas não sabem como se alimentam nem sua forma.
— Vai precisar da nossa ajuda também? Eu e Soos estamos entediados desde que vocês foram embora.
— Com certeza, eles não sabem quais são as verdadeiras ameaças dessas coisas, quanto mais ajuda, melhor — ela sorriu divertidamente para ele e ele sorriu. Depois de um tempo, lembrou de outra coisa — Por que o Stan está comandando a cabana? Pensei que ele tinha entregado o comando para o Soos.
— Ele tinha, mas o Soos está exausto por causa da Clary e tudo mais, então pediu uma folga, e Stan ficou mais do que feliz em comandar a cabana mais uma vez.
— Entendi. E o que você está fazendo agora durante o ano, agora que já se formou na escola?
— Estou fazendo faculdade de biologia em Portland, aqui perto. Vou tentar entrar para a perícia criminal quando acabar a faculdade. Tenho um amigo que trabalha na polícia de Portland, ele disse que pode me ajudar a arrumar um emprego. E ainda trabalho aqui durante as férias, é bom ficar aqui e lembrar de tudo o que passamos há quatro anos.
Ficaram conversando sobre assuntos aleatórios até Stan voltar, lotando a loja de turistas eufóricos.
Várias pessoas correram para comprar coisas inúteis por um preço absurdo, e treinados para vender globos de neve à 200 dólares, venderam tudo o que tinha na lojinha de conveniência.
Quando a maioria foi embora, Stan abriu o caixa e tirou o dinheiro de lá, começando a contar quanto tinha feito, e quando terminou contou para eles sua ideia maluca.
— Ei crianças. Lembram que Soos falou que encontrou a estátua de Bill Cipher na floresta n***a? — eles se entreolharam e franziram a sobrancelha, assentido — Estou pensando em fazer um caminho até lá e arrancar dinheiro de trouxa com isso. 5 dólares para tirar foto e 10 para apertar a mão. O que acham?
— Um pouco perigoso, não é? — disse Dipper — E se algo der errado? Apertar a mão do demônio que quase matou todos nós, não é uma boa maneira de começar o verão.
— Qual é, é só uma estátua. E não é como se algum de nós fosse fazer isso — ele guardou o dinheiro na registradora e continuou, dessa vez, falando bem baixinho — E é só deixar a Mabel longe daquela estatua e tudo vai ficar bem. Sabe que eu sou um pouco cético quanto as teorias do Ford, mas é melhor não arriscar, certo?
Deu um tapinha nas costas do mais novo e saiu dali.
— Que teoria é essa que ele falou? — sussurrou Wendy.
Mas ela não obteve resposta, pois o assunto da conversa entrou no cômodo, segurando a bebê Clary no colo.
— Ele estava mesmo falando com os turistas com um sotaque britânico ou foi impressão minha?
— É só mais um dos seus métodos estranhos para atrair turista — disse Wendy.
Eles riram e concordaram.
Algumas horas se passaram enquanto eles conversavam sobre tudo o que tinha acontecido enquanto estavam longe, até Melody chegar para buscar a filha e Wendy ir embora enquanto Stan fechava a Cabana.
Os gêmeos subiram para o sótão e começaram a desfazer as malas.
— Ah, como eu estava com saudades dessa cama — Mabel se jogou no colchão, observando tudo em volta, principalmente para a viga solta no teto — Ei, olha só! Soos fez o que eu pedi — ela apontou para seu mofo preferido — Daryl ainda está aqui.
— É claro que está, Mabel. Esse negocio está aí há tanto tempo que já deve ter desenvolvido uma consciência, é uma coisa mutante. Se Soos tentasse tirar isso daí, ele seria comido vivo.
— Credo Dipper — ela riu.
Ele meneou a cabeça e voltou a colocar suas últimas coisas no armário, sentindo falta de algo importante que sua irmã devia ter esquecido.
— Mab, cadê a sua espada?
— Deixei em San Francisco — respondeu enquanto mexia no celular.
— Por quê?
— Dip, Bill está morto, você mesmo disse isso — ela repousou o celular no peito e olhou para o irmão — Não é como se fossemos precisar do máximo de armamento possível para lutar contra os monstros de Gravity Falls.
— Ok, então na sua teoria, a gente precisa de espadas para nos defender em San Francisco por causa dos monstros que procuram vingança, mas não precisamos no Oregon, que é só o lugar com o maior índice de atividade paranormal do mundo? Pior, Gravity Falls, que foi onde tudo começou.
Ela olhou para o lado, percebendo o quão errônea era sua teoria, tentando achar uma resposta inteligente.
— É exatamente por ser o centro da bizarrice que a gente não vai precisar — ela tentou confundi-lo com uma teoria que nem mesmo ela acreditava, mas não deu certo, ele apenas estreitou o olhar — Tudo bem, talvez eu tenha errado um pouquinho aí — admitiu — Mas não é como se o tivô Stan e Ford não tenham algumas reservas. E a gente não vai se fuder só por causa de uma arma, eu ainda trouxe as minhas facas.
Dipper olhou para ela com advertência pelo palavrão. Sabia que ela usava esse palavreado o tempo inteiro – má influência das garotas populares e escrotas com quem ela andava –, mas ainda era estranho ver sua irmã sempre tão fofa falando essas coisas.
Sentia-se hipócrita por pensar daquela maneira, já que eles tinham exatamente a mesma idade, mas às vezes se esquecia que ela também crescera. Já tinha quase 17 anos, e não iria agir como uma garota de doze para o resto da vida.
Tentou afastar o pensamento de sua cabeça. Pensar que Mabel já era quase uma adulta era um pouco perturbador, principalmente sabendo de todos os namorados cafajestes que ela já teve. Preferia acreditar que ela ainda era pura e ainda vê-la como uma irmã mais nova, mesmo sendo sua gêmea.