CAPÍTULO 11

2493 Palavras
Uma semana após o ano novo — Louis? Aqui é o Harry, caso você ainda não tenha o meu número salvo. Como você voltou de Londres, eu adoraria te encontrar na The Boardwalk, aquela boate onde nos conhecemos, às 5:00. Não precisa ter receio de me ver. É claro que vamos apenas falar sobre... Negócios. Nada além disso. Eu prometo. Quando a mensagem de voz de Harry chegou, Louis tinha acabado de tomar banho no seu mais novo hotel em Sheffield, onde estava hospedado. Depois de tanto reclamar, o FBI lhe concedeu uma estadia de um mês, até que ele arranjasse um apartamento e ficasse ali até completar sua missão. O quarto talvez fosse três vezes maior que o do hotel anterior, e William estava finalmente se sentindo valorizado pelo trabalho duro. Ao que a voz rouca soou de algum ponto distante do banheiro, Louis só pôde fechar os olhos e tentar controlar os próprios pelos eriçados com aquele timbre deslumbrante. Depois, correu para a cama apenas com sua toalha amarrada na cintura, pegando o celular que ali estava jogado, e apertou o comando para que a mensagem de voz se repetisse. Ainda que não gostasse da ideia de rever o Styles, era algo que ele simplesmente não poderia evitar. Portanto, vestiu um casaco de brim e uma calça jeans cuja bainha ele teve que dobrar (a contra gosto) pela mesma estar grande em suas pernas. Pegou a chave do carro com determinação, antes que desistisse de encarar tudo aquilo e inventasse qualquer desculpa para não aparecer.  O hotel não era tão próximo da The Boardwalk, por isso Louis calculou que a distância oscilaria entre quinze e vinte minutos, tempo suficiente para que chegasse cinco horas em ponto no local marcado. Já em frente ao The Boardwalk, prestes a tirar o dinheiro da carteira para pagar a própria entrada na boate, WIlliam foi surpreendido por dois seguranças que bloqueavam a entrada. Quando o moreno foi perguntado sobre o próprio nome, os brutamontes se entreolharam e deixaram que o Tomlinson passasse sem ao menos pagar.  Mesmo que no começo estivesse confuso, já podia imaginar de onde aquela surpresa viera.  O The Boardwalk estava começando a abrir, a julgar pelos funcionários arrumando mesas e a checagem de som no andar inferior. As luzes fluorescentes e todo aquele equipamento que fazia do lugar algo louco — nas lembranças que Louis tinha desde a primeira vez em que esteve ali — estavam sendo preparados, mas nem sequer as dançarinas haviam chegado para começar o show. Talvez fosse uma estratégia do Styles, William pensou, marcar um horário pouco movimentado para que os dois pudessem conversar. Quando o moreno subiu para o andar superior da boate, apenas confirmou suas suspeitas sobre a sua entrada já paga. Com uma banda desconhecida treinando acordes no violão, num dos cantos ele pôde avistar um homem vestindo suéter e a usual calça jeans azul, os cabelos sensualmente desgrenhados numa bandana cor marrom. Harry era o único ali, apoiado numa cadeira em frente a uma mesa redonda e envidraçada. Ele bebia algo enquanto observava a banda tocar sua primeira música, mas logo se distraiu do som quando seus olhos vislumbraram o seu tão esperado Louis Tomlinson. De imediato, um indício de sorriso surgiu nos lábios rosados do de olhos verdes. — Dois minutos atrasado, mon amour. — Disse Harry, puxando a cadeira oposta à dele na mesa. Como o cavalheirismo não era o seu forte, o ato foi rápido e quase imperceptível.  — Britânicos... Tão pontuais. Esses dois minutos foram o tempo que levei para subir do andar inferior até o superior. E obrigado pela minha entrada já paga, não precisava. — O menor deu uma piscadela enquanto sentava-se de frente para Harry. Ele ainda não estava pronto para contatos visuais, por isso se manteve olhando apenas para as mãos tatuadas e cheias de anéis do maior. — E então? Vamos falar de negócios? Harry deu risada, se curvando para mais perto de Louis. Lentamente, ele traçou a linha da mandíbula do menor, causando calafrios que percorreram toda a espinha de Louis. Em seguida, puxou gentilmente o seu queixo para cima, fazendo com que o contato visual fosse obrigatório, e aproximou o próprio rosto ainda mais ao dele. Louis tentou se desvencilhar do toque, mas a força do outro parecia mil vezes maior que a dele, que se sentia tão desestabilizado pela respiração quente do Styles estar tão perto de seus lábios. Ele precisava se controlar. Os dois precisavam se controlar. Se controlar. — Você disse que seriam negócios, nada além disso. — Bem... Eu não sou uma pessoa tão confiável. Você deveria saber.  — A voz do gângster pareceu soar mais rouca que o comum, e William tinha certeza de que fazia de propósito. Num estalar de dedos, Harry juntava seus lábios aos do outro, num selar que parecia tão simples, mas que acendeu toda a chama que ainda os envolvia desde o natal. O toque provocava um choque inexplicável. — Senti tanto a falta disso. — Merde. Eu realmente não vim aqui pra isso. — Virando o rosto antes que o de olhos verdes aproximasse as duas bocas novamente, Louis sussurrou com a voz ainda fraca demais. Harry não quis pressioná-lo. Na verdade, ele queria que tudo acontecesse tão lentamente a ponto de ser torturante; até que Louis se sentisse tão tentado que viesse lhe pedir "por favor" por um beijo ou por qualquer mísero toque. Portanto, o cacheado se afastou, ainda com o seu sorriso mais cretino plantado nos lábios. — Ora essa, senhor Tomlinson, você está muito tenso. Será que toda essa coisa de gângster está começando a te assustar? — Harry zombou, pedindo para que o garçom trouxesse um Martini para o seu "companheiro". Quando a bebida chegou, Louis olhou de cara feia para a taça cheia; não iria cometer o mesmo erro duas vezes. — Sendo sincero, eu só estou impressionado. Achei que você fosse mais profissional. E foi assim que a expressão do gângster, de um segundo para outro, se transformou de brincalhona para a mais séria e intimidadora possível. Ele tinha uma de suas sobrancelhas arqueadas enquanto tirava algo dos bolsos, o maxilar travado e os olhos verdes perdendo o brilho conforme o fazia. Em sua mão havia um saquinho plástico quadricular, com um pó branco ocupando-o até a metade. — Você pediu para eu ser direto. Então vamos lá. Pegando o saquinho da mão do Styles, Louis arregalou os olhos ao ver que era nada mais, nada menos, que algum tipo de droga. Ele não sabia aonde Harry queria chegar lhe trazendo um saquinho cheio de cocaína, ainda mais em público, tão exposto, num local onde a droga era totalmente proibida. Harry era louco e estava começando a enlouquecer Louis. — O quê? — O de olhos azuis rapidamente escondeu a droga embaixo da mesa, olhando ao redor antes de dirigir seu olhar confuso para o gângster. — É isso que queria? Me incriminar por tráfico ilegal? — É óbvio que não! — Harry revirou os olhos. — Mesmo que essa seja uma emboscada interessante... — Ele enfiou as mãos embaixo da mesa e roubou o saquinho das pequenas mãos de Louis, rindo. — Tudo isso aqui é meu, você sabe. Se alguém abrir a boca sobre o que está vendo, morre. E eu te chamei apenas porque queria... Bem... A sua opinião. O Tomlinson arqueou as sobrancelhas, olhando para o pó branco nas mãos do maior. Achou estranho. Afinal, o homem m*l o conhecia e já queria a sua opinião. Opinião para quê, de início de conversa? — Pois então, que prazer. Em que eu posso ajudar? — Preste atenção. — O Styles deixou o saquinho no centro da mesa, com suas mãos livres para que começasse a gesticular enquanto falava. — Nós temos vários pontos de tráfico pelo mundo todo, uns mais arriscados, outros mais lucrativos. Mas ultimamente eu estava avaliando os custos e retornos e percebi que deveria inovar. O meu objetivo, então, é achar mais pontos para comercializar a droga, mais especificamente na América do Norte, Central... Onde há mais consumidores, mas, ao mesmo tempo, menos monitoramento. E eu sei que eu poderia estar discutindo isso com qualquer expert, mas você está começando, e eu preciso te testar. Saber se naquela dia, no restaurante, você me falou a verdade. William não sabia bem o que fazer de início. Com seus olhos levemente arregalados e vidrados nos verdes do Harry, ele ficou confuso entre ajudá-lo ou não. Se não o fizesse, perderia a oportunidade de ser seu braço direito. Ele perderia a chance de ser indispensável, e Deus sabe que organizar os próximos pontos de tráfico do Styles seria magnífico para a espionagem. — Você fez a pergunta certa para a pessoa certa. — Um sorriso astucioso surgiu nos lábios do moreno, enquanto Harry o olhava cheio de expectativa. — Colorado, Washington, Oregon, Alasca... Esses estados legalizaram o consumo recreativo, você sabe. Eles são mais tolerantes com a maconha, o que significa que estão combatendo o tráfico de um jeito mais eficaz. Por isso, eu acho que você deveria arriscar a Costa Rica. — Costa Rica? Não é totalmente ilegal por lá? — Sim. Costa Rica. Pela lei, sim, é ilegal. Mas na prática? — Ele riu. — Quem for pego com quantidade considerada de uso pessoal não vai preso. Tá aí, menos problema pra você. — Sim... Muito bem. — Harry arqueou as sobrancelhas, balançando a cabeça em sinal de aprovação. Ele m*l conseguia esconder o quão se sentia ainda mais atraído por Louis ao que o moreno falava tão inteligentemente. Era sexy. — Pierre et Marie Curie, uhn? — Estou te falando, Sr. Styles: Eu estudei. — Ele desviou o olhar das esmeraldas penetrantes do gângster. Louis estava começando a ficar ruborizado, mesmo com a plena consciência de que todo aquele conhecimento na verdade vinha de anos convivendo com o meio, pelo simples fato de ele ser um agente policial. — Merci. — Pois então, vamos arriscar a Costa Rica. — Harry fez questão de selar um brinde com um Louis ainda sem jeito. De fundo, a banda que fazia covers no centro da pista iniciou uma música que atraiu a atenção do Styles. Ele e Louis eram o único público ali, apesar de estar começando a escurecer lá fora. O segundo andar, portanto, era praticamente deles; o que fez o de olhos verdes ter uma ideia. Ele podia ser a pessoa mais desengonçada para dar ao menos três passos sem que tropeçasse, mas movido à vontade e a sua música favorita, que ainda estava no começo, ele levantou-se e puxou o Tomlinson pelo braço. Louis não estava gostando nada da ideia. Quando puxado para a pista, rapidamente atraiu a atenção de funcionários por perto e da própria banda, que se animaram ao ver que um casal estava curtindo o pequeno show. Só com a ideia de pensarem neles como um casal, Louis já tinha vontade de sair correndo. — Eu não sei dançar, Styles. — Nem eu. — Ele riu, fazendo com que suas covinhas ficassem à mostra, a porta de entrada para a perdição de Louis. Com as duas mãos tatuadas, ele segurou firmemente a cintura do menor, apenas esperando que o mesmo tomasse a iniciativa de envolver seu pescoço com os braços. E assim Louis fez, revirando os olhos para Harry, como se o simples gesto fosse algo insignificante e que ele só estava fazendo... Por fazer. Em parte era verdade. Ao ritmo da música, foi Louis quem começou a dar os primeiros passos, sempre olhando para baixo e com a testa apoiada nos largos ombros de Harry, se recusando a olhá-lo. Harry até que estava indo bem, a cada passo tentando aproximar ainda mais o corpo do menor ao seu. Era como num jogo: enquanto um tentava não se render, o outro fazia de tudo para ele ceder. — Será que finalmente estabelecemos uma relação de confiança? — Louis levantou o rosto, dessa vez muito mais seguro e cheio de si. Com os olhos desafiadores, continuou: — Eu estou dentro ou não, Harry? — Achei que isso já estivesse claro. — Harry sussurrou ao pé do ouvido do menor, lento e roucamente. Por um momento, Louis sentiu suas pernas fraquejarem. Ele fechou os olhos e suspirou pesadamente, tentando encontrar forças no oxigênio. Tentativa em vão. — Só ficará claro quando você me contar mais coisas sobre você. — Retomou coragem e deixou que seus olhos azuis encontrassem os verdes. Seu coração batia absurdamente mais rápido, mas ele continuou. — Eu, de verdade, mereço saber mais sobre você. — Eu sei que você quer saber sobre a ligação do natal. — Aproximou seus lábios do pescoço do Tomlinson, encostando-os levemente na pele quente. Era para provocar, sempre para provocar. — Eu não comando todo o império como todos acham que acontece. Tudo não passa de um disfarce para alguém ainda mais importante que eu.  — Você não precisa me contar quem é. — WIlliam assegurou, tentando disfarçar o quão surpreso estava com a revelação. E arfou logo em seguida, quando os lábios cheios e frios em comparação à sua pele quente tocaram novamente o seu pescoço, dessa vez deixando um beijo molhado e demorado ali. — James é o nome dele. — Disse simples, como se a informação não lhe valesse muito. — Eu o respeito muito. É uma pena que ele esteja morrendo, e é tão teimoso a ponto de não aceitar tratamento. Louis lhe lançou um olhar que Harry interpretou como um "sinto muito", mas que no fundo não passava de uma mera curiosidade. Ainda era cedo para o policial esquecer-se da repulsa que sentia em relação ao Styles. Ele apenas se sentia... Muito atraído por ele. De uma forma física. O resto do tempo foi ocupado pela música de Harry acabando, enquanto o de olhos verdes continuava a distribuir beijos demorados pelo pescoço do Tomlinson. Em certo ponto, quando Louis estava prestes a se soltar dos braços firmes do outro, Harry pediu para que a banda repetisse a canção, tornando o toque na cintura de Louis ainda mais firme e intenso. — Se fazemos parte de uma mesma gangue e somos parceiros de negócios, trocas devem existir entre nós. É uma lei, Sr. Tomlinson. — Ergueu os ombros, como se aquele fosse um fato sobre o qual ele não tinha controle. — Sob essa condição, acho razoável que negociemos uma dança e um beijo, em troca de mais e mais confiança.  — Canalha. E então, eles recomeçaram os passos, dessa vez com o toque eletrizante das duas bocas juntas e em um perfeito movimento. Os olhos de ambos estavam fechados no deleite que era estar sentindo os lábios um do outro, então era quase impossível saber como ainda assim eles conseguiam dançar num ritmo tão calmo quanto o beijo que trocavam.  Era simplesmente muito boa a forma como se davam tão bem de forma carnal; a forma como Louis puxava os cachos do maior, trazendo-o para si conforme o beijo se intensificava, e as mãos de Harry subiam e desciam pelas suas costas, até chegarem à sua cintura e então ao início de sua b***a. Mesmo com as barreiras que os impediam de fazer daquela história algo simples, naquele momento, Harry Styles e Louis Tomlinson eram apenas duas pessoas muito diferentes. Ligados à justiça de William, e ao desejo de Harry. — We must be killers. Children of the wild ones.
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