CAPÍTULO 9

3830 Palavras
A ressaca de William pareceu durar mais que apenas um dia. No dia seguinte ao seu aniversário, no natal, ele acordou completamente esparramado no sofá, babando nas próprias roupas e cheirando à bebida. Louis tinha uma vaga lembrança do que havia acontecido, e só essas pequenas e breves imagens que lhe vinham à mente já faziam-no sentir uma dor muito pior que a já presente por culpa da ressaca. Ele queria gritar só de pensar que havia perdido a cabeça a ponto de trocar beijos e algo mais com Harry Styles. O gângster que ele deveria destruir. Era engraçado como Louis também se lembrava pouco a pouco dos toques de Harry. Às vezes estava lavando a louça, arrumando as malas, tomando banho... Não importava qual a situação: As imagens de seu corpo junto do pecaminoso do Styles lhe vinham de surpresa à mente, como um carro atingindo seu subconsciente, revirando-o e deixando tudo fora do lugar. A todo custo tentando ocupar sua cabeça confusa com qualquer outra coisa que não envolvesse o Styles, Louis levantou a b***a do sofá e logo tratou de abrir o computador para comprar passagens para o dia seguinte, com destino a Londres. Não importava o horário; desde que ele estivesse com a mãe, as coisas ficariam bem.  Aquele era um momento em que ele precisava, mais que de qualquer coisa, de um abraço de sua Johannah, ou até mesmo das briguinhas desnecessárias com Lottie e os interrogatórios sobre o trabalho como policial que Fizzy sempre fazia questão de arranjar. Em seu celular, havia cerca de quatro chamadas perdidas do gângster, mas Louis se recusava a retornar. Para falar a verdade, ele estava quase jogando o aparelho celular na privada.  O natal já estava péssimo o bastante, não precisaria ficar pior. Outra coisa que vinha atormentando sua mente era o fato de Harry ter se assustado tanto com uma ligação. Já voltando para casa, através da paisagem que Louis maravilhosamente tinha de sua amada Inglaterra em uma dimensão maior, ele conseguia enxergar breves borrões do momento em que Harry recebeu a ligação e o deixou plantado no meio de uma rua qualquer. Suas pupilas arrumaram algum jeito de se tornarem ainda mais dilatadas naquele momento, enquanto Louis preservava a magnífica sensação dos músculos do Styles começando a se contrair em suas mãos quando ambos ouviram o toque do celular. Harry era uma caixinha de surpresas, William sabia. E essa caixinha de surpresas temia a alguém. Certo alguém que o policial certamente deveria descobrir quem era. — Alguém em casa? — Louis disse, sorrindo à toa enquanto adentrava seu lugar favorito no mundo. As mãos estavam ocupadas por caixas de diferentes tamanhos e estampas, e uma mala pesada que carregava nos ombros.  A porta estava aberta, assim como costumava ficar, e então, ele foi entrando e colocando seus pertences no sofá com manchas de chocolate em forma de pequenas mãozinhas. O cheiro de comida de mãe podia ser sentido dali, e não demorou muito para a alegria da casa nascer. — Will Will! — Duas menininhas de estatura mediana, com os cabelos loiros presos numa trança delicada, chegaram da cozinha para a sala numa rapidez incomum. Eram gêmeas, e não demorou muito para ambas se agarrarem ao pescoço do irmão mais velho. Enquanto William beijava a testa de cada uma delas, conseguia ver as duas outras irmãs chegarem com um sorriso de orelha a orelha; até Lottie, que costumava não se derreter pelo irmão, não conseguiu conter a felicidade em ver seu grande (e pequeno) Will, correndo em direção ao mesmo, carregando os dois irmãos menores.  Até os bebês, Ernest e Doris, sorriam. — Apesar do papai-noel ter chegado tarde, ele trouxe muitos presentes, uhn? Louis imitava a voz rouca do bom velhinho, o que sempre fazia as gêmeas corarem e se sentirem orgulhosas do irmão, enquanto Lottie revirava os olhos para Fizzy, que gargalhava exageradamente com a tentativa brincalhona do irmão.  Era um costume ele se vestir de papai-noel, desde os seus doze anos. Durante a faculdade, William saía pelas ruas de Londres distribuindo balinhas para as crianças que passassem por ele. Depois, o costume acabou — infelizmente — se tornando algo exclusivo para a própria família. Ele era o papai-noel mais gostoso de Londres, Stan gostava de dizer só para encher o saco, mesmo que essa fosse a mais pura e irremediável verdade. — Temos aqui... Hum... — Ele pegou as caixas do sofá e com elas encheu os braços, quase se desequilibrando pela quantidade das mesmas. — Presente para as gêmeas mais não-parecidas do universo. Para os meus dois gatinhos, Doris e Ernest. Para a princesa Fizzy , é claro. E, quanto à Lottie, bruxa má das trevas e da solidão, que inclusive não se comportou esse ano, sem presentes para ela. Lottie revirou os olhos — o que mais fazia quando William estava por perto —, e roubou a única caixa que havia sobrado nos braços do irmão, já sabendo que aquele era o seu presente.  Todos foram abrindo os presentes como se fossem uma pequena faísca de sol escapando de suas mãos caso não fossem libertadas do embrulho de papel reciclável. Aliás, Louis tinha essa mania. Tudo o que comprava possuía uma etiqueta reciclável, ao menos 60% de composição orgânica. As gêmeas ganharam fones de ouvido circumaurais — William fez questão de explicar o nome —, dizendo que o aparelho tinha um bom isolamento acústico dos ruídos externos e que o formato côncavo cercava e cobria toda a orelha; mesmo que, no final das contas, Phoebe e Daisy só prestassem atenção no quão rosa choque e brilhante era a armação. Fizzy ganhou um vale-compras de uma livraria local, tendo de escutar o irmão dizendo que o presente foi escolhido a dedo para que ela parasse de mexer tanto no celular e começasse a ler. Os bebês ganharam pequenas luvas de tricô, e Lottie ganhou um babyliss. Além disso, no fundo da embalagem, havia também uma camisinha, já que William jamais poderia perder a oportunidade de irritar a irmã. — E o papai-noel não ganha nada? — Louis perguntou, fingindo decepção. — Ganha umas palmadas da mãe por nos ter feito esperar tanto, isso sim. — A voz doce e maternal de sua amada Johannah surgiu repentinamente na sala. De relance, a mulher logo corria em direção ao filho, os olhos azuis se enchendo de lágrimas ao ver seu pequeno boo bear. Não importavam seus vinte e quatro anos, ele sempre seria o bebê da família. — Meu filho! — Mãe! Minha heroína... — William gostava de chamá-la assim quando ficava períodos consideráveis sem vê-la. Ela era digna de ser tratada como uma super-heroína, afinal. Cuidar sozinha de seis filhos e ainda dar apoio moral, profissional e maternal a eles não era tarefa fácil. Nada fácil. Depois do memorável reencontro, Jay fez questão de arrastar William até a cozinha para então empanturrá-lo de comida, até que o mesmo dissesse chega e se rendesse ao olho gordo diante de todos aqueles pratos. Depois da refeição, como de costume, as gêmeas e os bebês foram para a cama e ouviram Louis contar mais uma das histórias do livro de contos que usava para distraí-los, desde que Phoebe e Daisy pegaram obsessão por contos de fada. Lottie e Fizzy foram ao cinema, cada qual com seu namorado, e, quando as crianças dormiram, Louis se juntou a sua mãe. Precisava colocar o papo em dia. Johannah fazia o melhor chá de toda a Inglaterra, com os melhores acompanhamentos também. Ela sempre se sentia à vontade para tagarelar a tarde inteira com o filho, dando risada e também reclamando. Dessa vez, começou contando sobre a viagem de seu recém-marido, Daniel Deakin, aos Estados Unidos, pois a avó havia morrido e ele precisava consolar a mãe por pelo menos duas semanas. Jay ia desabafando sobre o quão sofreu de saudades de William e Daniel ao mesmo tempo, logo depois mudando de assunto, reclamando da vizinha que escutava música alta no andar de cima.  Jay era assim: Ela contava uma história triste, e, quando as coisas começavam a afetar muito o seu emocional, mudava para um assunto totalmente oposto, como se não houvesse falado nada de mais anteriormente. Porém, foi quando ela perguntou sobre a missão de William que as coisas ficaram realmente tensas. E, dessa vez, ela não tinha como mudar de assunto repentinamente. — Eu já estava começando a me esquecer do meu nome verdadeiro. Lá eles me chamam de Louis Tomlinson, e eu sou francês. Acredita? — Louis Tomlinson. — Johannah repetiu lentamente e com um forçado sotaque francês, tentando fazer com que o filho recuperasse o humor para criar coragem e falar mais. — Como eu não pensei nesse nome antes? p***a, que sexy. Lou- í. — Sexy? — Ele franziu as sobrancelhas, rindo junto com a mãe. Mas logo a risada cessou ao que ele se sentia na obrigação de contar mais detalhes para Jay. Desabafar sobre tudo que estava acontecendo. — Tem sido um baita processo lento em Sheffield, e, bem... O dono da gangue que eu estou tentando destruir... E-ele... Johannah, tentando acalmá-lo, apertou as mãos do filho por debaixo da mesa de mármore da cozinha. Ele não se permitiu olhar nos olhos da mãe para contar o resto da história, e, como mãe, Johannah entendeu perfeitamente. Ela apenas encheu sua xícara de chá e lhe ofereceu mais biscoitos quentinhos. William engoliu em seco e tomou coragem para continuar. — O nome dele é Harry Styles. Harry Edward Styles, vinte e um anos, para ser mais preciso. — Começou. — Ele é um baita filho da p**a convencido. Já matou mais pessoas que o George Clooney pegou mulheres. É um monstro, mãe. Mas, ao mesmo tempo, tão... Tão... Tentador. Jovem. — Tentador? — Sim, mãe. Eu sei, é muito embaraçoso que eu admita algo assim. E ele me provoca ainda por cima! É como se me desejasse e me quisesse na cama, como qualquer um, como qualquer carne boa. E ele... Hum. Quer dizer... Nós... — O policial teve de cobrir seu rosto com as próprias mãos para que pudesse criar coragem o suficiente para falar as palavras seguintes. Ele nem sequer queria ver a reação de sua mãe. Era a mesma sensação de levar uma revista pornô para a escola, ser descoberto e depois ter de chegar em casa com aquela merda de peso na consciência e dever em contar — por bem ou por m*l — o que havia feito. Isso já aconteceu com William, e ele poderia lhe garantir que é quase a mesma sensação. — Nós nos beijamos. — Oh! — Foi a única coisa que ela conseguiu dizer. A seguir, tudo o que sobressaiu entre os dois, mãe e filho, foi o silêncio. Johannah não sabia o que dizer ou fazer de início; só permanecia com as sobrancelhas arqueadas e a boca entreaberta. Mas não que ela estivesse brava. Ela apenas estava com muita dó da situação na qual o próprio filho se colocara. Muita dó. Naquele exato instante, William podia se lembrar da vez em que chegou tarde da escola, reuniu todos na mesa de jantar e anunciou que queria ser policial. Ele tinha só onze anos, mas, desde aquele tempo, Jay já o olhava de cara feia só pela ideia de imaginar um futuro como policial para o seu pequeno Will. Apenas imaginem como foi a cara dela quando, mais tarde, ele disse que seria um agente do FBI. — Para falar a verdade, eu encostei na... Uh... — Por mais que tivesse i********e suficiente com sua mãe, Louis se recusava a falar que bateu punheta para um criminoso. Claro que não com essas exatas, precisas e diretas palavras. Que tipo de mãe quer ouvir isso? Que seu filho encostou as mãos que ela e Deus lhe deram, numa genitália? — ... No órgão s****l dele. — E os dois dispararam em gargalhadas. — Meu Deus! Agora que as palavras saíram eu definitivamente estou me sentindo um adolescente perverso.  — Meu amor... — Após as risadas, Jay resolveu fazer o que ele menos esperava que ela fizesse, segurando as mãos de William de forma maternal e reconfortante. Essa era outra característica de Jay: Ela sempre o surpreendia. — Pelo o que você me contou, e, claro, por razões óbvias, ele parece um cretino muito nojento. E é justamente essa a maior arma de um homem... — Falou com experiência. — Todas essas coisas não representam o que o rostinho bonito dele diz. Além disso, talvez ele queira brincar com você, e isso não é nada bom. Por isso, continue com a sua missão, porque ela é importante para o seu profissional. Talvez seja até mesmo proveitoso que você se aproveite da brecha s****l que ele te dá. Sei lá! Durma com ele, Will, mas sabendo que você está sempre um passo a frente.  — É uma tática confiável? — Não. Mas não custa tentar. — Ela também era muito sincera. Naquele mesmo dia, William teve o prazer de se deitar às nove horas da noite com seu cobertor felpudo azul-bebê e um generoso chocolate-quente nas mãos. Ele dormiu sem preocupações, sem nervosismo e, por consequência desse último tópico, sem cigarros por perto. Não teve pesadelos com o Styles; apenas sonhou com um grande nada, mas isso era bom. Um nada tranquilo e quieto, a sensação de estar dormindo em casa depois de tantas semanas num grande breu de confusão. E dele. Harry Styles. O dia seguinte estava consideravelmente bom. Era o último dia do ano, a típica data em que Dona Jay resolvia reunir todos os conhecidos — e alguns desconhecidos que se tornariam conhecidos depois da festa. Daquela vez, William, com sua calça skinny branca e uma camisa social que marcava muito bem os seus bíceps, jurava ter encontrado até mesmo a sua dentista da época do aparelho fixo tomando um champanhe no sofá de seu apartamento. Ele também encontrou a professora de sexologia da época do colegial. E, para ficar ainda melhor, sua melhor amiga do fundamental e parte do ensino médio, a garota prodígio que havia conseguido uma bolsa para Harvard antes mesmo de terminar o colegial. — Eleanor Calder! — Sherlock William Holmes! — A garota não se conteve e se jogou nos braços do amigo, dando-lhe um longo e apertado abraço. Ela tinha cabelos castanho-escuros e ondulados nas pontas, além de encantadores olhos negros.  Continuava a mesma garotinha escandalosa de sempre, e o fato de tê-lo chamado por "Sherlock William Holmes" foi apenas um lembrete de que Eleanor ainda se lembrava dos apelidos nerds que ela e Louis costumavam criar um para o outro.  — Estou mesmo falando com o famoso agente FBI da família Pistone? — O próprio! — William riu, permanecendo mais alguns segundos abraçado à amiga, antes de se soltarem para colocarem o papo em dia. Eleanor e ele eram amigos desde quando a professora de ciências colocara os dois para dar aula de apoio ao resto da sala. Houve até uma época em que namoraram, mas durou pouco tempo; até Louis se descobrir muito mais atraído pelos garotos mais velhos que se exibiam às meninas enquanto compravam lanche na cantina da escola.  Eleanor era como Johannah, ela o surpreendia. Até porque, quando ele lhe disse que era gay e, portanto, não havia nem mesmo 1% de chance de ele iludi-la com aquele papo de primeiro amor, Eleanor foi a primeira a apoiar a sua sexualidade. Depois, a menina acabou se apaixonando por um garoto que trabalhava na manutenção da sala de informática, foi embora da escola precocemente e deixou um coração partido. William, enquanto isso, era preso no sonho de virar um policial experiente com seu outro amigo nerd, Stanley Lucas — ele mesmo, que tempos depois se tornara a pessoa da qual ele estava mais enjoado. — Ora, ora. Agora estamos os três reunidos. — Falando em Stan, lá estava ele. Depois de tantos e-mails m*l respondidos, a primeira coisa que William queria fazer ao ver a figura era esmurrá-la. Mas se conteve. — Eleanor continua deslumbrante. — Sim, e com um novo namorado, pelo jeito. — Avisou William, se referindo ao homem musculoso e de cabelos loiros presos num coque charmoso que vinha logo na direção do trio, parando para colocar as mãos na cintura da Calder. — Quem é o amaldiçoado? — Ei! Você já foi um amaldiçoado, já que quer jogar sujo. — Ela mostrou a língua para o amigo, depois se virando para o namorado e selando os lábios aos dele. — E o nome dele é Edward. — Prazer, Edward. Eu sou Sherlock William Holmes, e esse sujeito de cabelo lambido ao meu lado é o Dr. Stanley Watson. — Essa era uma piada interna e antiga entre eles. Eleanor era a Irene Adler.  De imediato, Eleanor o repreendeu com um cutucão nos ombros, ao mesmo tempo que cobria a cara em descrença. Não poderia estar mais envergonhada.  — Ah, já entendi. Então, Eleanor é a Irene Adler. — Edward acertou, logo depois cumprimentando os amigos da namorada e sorrindo gentilmente. — É sério que já foi um amaldiçoado, William? — É... Mas então eu descobri que sou gay. Acho que não conta como maldição, certo? Vamos lá, eu não sou tão azarado assim. Stanley costumava dar muita risada quando Louis soltava repentinamente que era gay para algum recém-conhecido, o que William considerava muito desrespeitoso. Porém, daquela vez, depois de tantas repreensões, ele apenas deixou que o papo se estendesse por apenas mais alguns minutos, e logo roubou o amigo para si, dizendo a Eleanor e Edward que precisava tirar uma casquinha de William.  A verdade é que ele queria falar de trabalho, em plena noite de comemoração, o último dia de um ciclo com 365 dias de puro suor. Na varanda do apartamento, onde a maioria dos convidados estava — alguns conversando, outros admirando a paisagem do grande Big Ben marcando poucos minutos para o próximo ano —, Stanley e William se debruçaram sobre o apoio da sacada e passaram certo tempo sentindo a brisa fria que vinha lá de fora, observando os pontinhos de luz que formavam Londres lá de cima. Louis resolveu que não desistiria de acabar com seu pulmão, por isso estava fumando, apenas esperando que Stan começasse a falar sobre a merda de missão da qual ele queria se esquecer pelo menos por aquele dia. — Como foi com o Styles? — Conforme o esperado, ele perguntou, se virando para focar-se nos olhos azuis do amigo. — Eu não acredito que você quer falar del— — Falo logo, William. — Okay. Certo. Tenho fé que algum dia você vai me pedir perdão por tudo isso. — Suspirou por alguns segundos, sentindo o aroma indescritível do cigarro. — Está tudo indo bem. Como eu te disse nos e-mails, ele tem mais três capachos que o ajudam a comandar tudo por ali. O loiro inteligente, o moreno misterioso e o outro que é bonzinho demais para ser um gângster. Eles parecem três crianças que acabaram de sair das fraldas, são muito jovens. Mas cuidadosos, o que significa que por enquanto não trago nenhuma novidade. Todo aquele esquema de segurança que já conhecemos... — Louis resolveu que soltar tudo de uma vez seria mais rápido e livre de interrupções. Ainda que não tivesse contado o episódio com Harry. Stan encheria seu saco até a morte. — Algo me diz que tem mais coisa aí. — Stanley, querendo ou não, conhecia o amigo melhor do que qualquer um. Só pelo fato de William não ter sequer olhado no fundo de seus olhos para falar, os dedos estarem tamborilando em qualquer superfície que encontrasse, já era um sinal de que algo ele estava escondendo. — Vamos, me conte. Faltavam apenas dez minutos para meia-noite. William olhou para o horizonte e as estrelas que se estendiam no céu n***o. Respirou fundo antes de voltar a falar. Para começo de conversa, ele não tinha o mínimo de interesse em voltar naquele assunto. — Eu beijei Harry Styles. A gente se pegou. A gente deu uns amassos. Quer que eu especifique mais? Stan se desatou a rir. Uma característica dele era rir de toda e qualquer desgraça de William. De um jeito irônico, sua forma única de demonstrar que estava com dó do melhor amigo. O problema era que Stan nunca fora colocado em missões; ele apenas sabia sobre todos os criminosos e passava as informações para os superiores, não sabia o que era estar na situação de Louis. Então, para ele, rir ou não rir não faria diferença alguma.  — Seu filho da mãe, não tem como eu te contar uma coisa dessas! — O de olhos azuis estava vermelho como um pimentão. Ele ficava adorável quando estava nervoso. — Calma, ei! Não tem nada demais nisso. Desde que você não perca o foco do que foi fazer lá, não há problema algum. — Depois de tanto zombar, Stan resolveu agir como um amigo por uma vez na vida, acalmando William. — O problema real do que estamos lidando aqui é que Harry é a p***a de um nojento que matou centenas de pessoas. Estamos falando, Stanley, de um baita cretino que pega qualquer um que esteja ao seu alcance. Eu não quero isso. — Oh, como você é o rei do drama. — Stan riu, abraçando o amigo com força. — Não consegue t*****r com alguém e separar o psicológico do físico? — Está me aconselhando a ser uma prostitua? — Estou te aconselhando a fazer o inimaginável para colocar o Styles na sua cola. William, você não enxerga? O que você fez foi, na verdade, maravilhoso nessa missão. Sinceramente, era o que Martin do departamento de organizações te pediria para fazer, se isso não fosse um tremendo abuso trabalhista. Já que você fez por conta própria, voilà! Outra característica de Stan era que ele conseguia ser o único a calar a língua afiada de William. Louis não era uma pessoa que levava desaforo para casa, sempre tendo uma resposta direta para tudo. Mas Stanley Lucas tinha mestrado em terminar com a razão no final das contas. O resto dos cinco minutos em que passaram na varanda se resumiu em William reclamando sobre o seu lastimável hotel em Sheffield, a insistência de Niall com ele e a cozinha química da casa vitoriana. E eles não parariam a conversa tão cedo se não fosse por Johannah anunciando que a contagem repressiva começaria. Antes que a contagem regressiva começasse, todos se reuniam na sala de estar e faziam a típica tradição britânica do "Auld Lang Syne", que consistia em pessoas cruzando os braços na frente do corpo e apertando as mãos da pessoa ao lado, formando uma corrente para a cantoria daquela música que você já deve ter ouvido falar, "Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo". Lottie achava uma baita besteira, além de sempre ter de dar a mão para o irmão mais velho, que por sua vez apertava os dedos da irmã até que ela ficasse vermelha de raiva e fosse reclamar com Johannah. E então, da varanda, eles conseguiam ver o momento em que o céu estrelado se preenchia de fogos de artifício, com um Big Ben anunciando o novo virar de páginas. No meio daquilo tudo, Louis enxergava o que estaria por vir. Um ano difícil, ele já podia presumir. Um ano com ele. Com Harry Edward Styles. Aquele homem dos olhos verdes e cabelo cacheado, o seu pesadelo para o resto da vida, a não ser que William o destruísse antes disso.  E ele jurou aos céus: destruiria.
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