Finalmente, véspera de natal. As ruas lotadas de turistas e moradores locais comprando seus presentes e disputando as melhores decorações caseiras — uns com mais luzes, outros mais simples, porém com o mesmo clima natalino que sempre tomara conta de toda a tradicional vida tranquila inglesa. A neve pairava sobre os pinheiros de forma uniforme, o que deixava as ruas ainda mais bonitas, elegantes. As músicas eram harmoniosas, e, de resumo, a véspera de natal não poderia estar mais agradável.
Para Louis, aquela data tão especial devia ser exatamente assim; além de ser presenteado com suéteres quentinhos e passar a data com sua mãe e irmãs, era também o seu aniversário. Naquele dia estava completando seus vinte e quatro anos de vida, e, pelo contrário de muitos, costumava comemorar a velhice. Gostava de ficar mais velho e ganhar mais respeito de alguns por conta disso. Portanto, todos os seus aniversários eram, definitivamente, a melhor data do ano para ele.
Ainda assim, o seu vigésimo quarto ano de vida não poderia estar mais desastroso e horripilante. Dessa vez, não seria a melhor data do ano para William, afinal.
Logo depois de Harry deixá-lo na porta de seu velho hotel, no dia passado, o policial m*l conseguira respirar ao dar-se conta da burrada que havia acabado de cometer, chamando o gângster a ultrapassar os limites de sua privacidade e, dessa forma, passar a véspera de natal e aniversário com ele. Quando adentrou seu pequeno quartinho apertado, teve um ataque de pânico. Surtou. Precisava falar com alguém, definitivamente precisava.
Primeiro ligou para a mãe, sem nem mesmo se importar com o horário, chamando a pobre Jay no meio da madrugada, afobado e, como sempre, nervoso. Explicou que um gângster estaria em seu ambiente pessoal dali vinte e quatro horas, ou até menos, e teve de ouvir sua mãe garantir que não se importaria em não ter o filho passando o natal e aniversário em família, mesmo que tristemente. Louis sabia que ela se importava, e isso apenas serviu como um peso gigantesco em suas costas.
Mas já era tarde para despistar o Styles.
Sem muita demora, prometeu que passaria o ano novo com a mãe, repetindo inúmeros perdões até que a mesma soltasse um risinho mais animado e mandasse seu boo bear descansar um pouco, antes que sua desejada visita batesse na porta.
E então, o Tomlinson seguiu o conselho da mãe, apenas tragando o último cigarro de seu maço na varanda cúbica do quarto. Depois, tratou de mandar um imenso e-mail para Stan, explicando o porquê de não voltar a Londres e praticamente implorando por apoio moral diante de uma situação tão perturbadora — passar quase uma noite inteira com Harry Styles. Por fim, caiu num sono de quase dez horas com a mesma roupa do dia anterior.
Quando acordou, o dia ainda estava nublado; o que, querendo ou não, provocou-lhe ainda mais sono. A cama era como um íman, mas ele conseguiu se levantar e deixar toda aquela preguiça no edredom, por fim tomando um banho e ficando apenas com uma toalha amarrada na cintura, até que a tarde começasse a ir embora e dar olá à noite. Apesar da lastimável situação daquele quarto de hotel, ele agradeceu pela pequena lareira perto do sofá, onde ficou por um bom tempo fumando e tamborilando os dedos num jornal que lia, de tão ansioso que estava.
18:00.
Logo ele chegaria.
Louis precisava se controlar. Precisava. Precisava. O máximo que poderia acontecer eram os flertes comuns e mais informações que seriam essenciais à sua missão. Sem contar que ele se aproximaria do Styles suficientemente para ganhar a sua confiança, e assim, conseguiria se aproximar da vida criminosa do gângster.
Seria assim, Louis. Não fique nervoso.
Abrindo seu guarda-roupa, ele deu graças a Deus por encontrar suas roupas passadas, especialmente as mais apresentáveis. Não que ele quisesse parecer um supermodelo na frente do Styles — algo ali fora mais forte que ele quando vestiu uma calça skinny de cor clara e que valorizava um pouco mais que o normal as suas curvas, além de um suéter cinza, o qual as mangas cobriam até a metade de suas pequenas mãos. Seus olhos, naquele dia, pareciam mais claros que o azul de um céu ensolarado, o azul flamejante que mais enaltecia a beleza do policial.
Ele estava adorável e incrivelmente sexy ao mesmo tempo. Seria isso possível?
Mas não. Não era para agradar a ninguém, muito menos ao Styles.
A decoração de natal que costumava fazer na casa de Jay estava guardada num grande caixote ao lado da lareira, e então, ele se fixou ali, arrumando o quarto para que ao menos se ocupasse o bastante, esquecendo o nervosismo que tomava conta de si. Já havia chegado um pacotinho surpresa do hotel, com um vale-presente para lojas locais. Contudo, quando a campainha tocou pela segunda vez, Louis sentiu que estava, literalmente, em frente a um abismo.
Ele havia chegado.
Harry havia chegado.
Suas mãos estavam trêmulas quando as cobriu com as mangas do suéter, até que apenas os dedos ficassem descobertos. Tentava parecer ao menos despreocupado enquanto bagunçava os cabelos de um lado para o outro, ajeitando a calça apertada nas coxas grossas — ele as odiava por isso. Respirou fundo e girou a chave do quarto.
Ali, de frente ao de olhos azuis, estava ele. Tão perdidamente tentador, como sempre. Seus cabelos estavam mais desgrenhados que o comum, dessa vez sem a tradicional bandana prendendo seus cachos; a calça jeans continuava azul, mas Louis percebeu que era de outro modelo, um mais despojado, com a parte dos joelhos rasgada. Usava um sobretudo estampado por cima de uma camiseta branca, o colar de cruz lhe caindo loucamente bem e sensual. Os olhos verdes não poderiam estar mais vibrantes e hipnotizantes.
De início, o Tomlinson m*l conseguia alternar entre inspirar e expirar corretamente. Ele estava indiscutivelmente sem reações, e, a julgar pelo sorriso convencido que se plantava nos lábios do gângster, Louis devia estar prestes a babar de tanta admiração.
— Oi? — O de olhos verdes se pronunciou lentamente, abusando da voz rouca que tinha. Fazia de propósito, é claro. — Vai me deixar entrar ou...?
— Ah! Claro! Salut. — Louis respondeu, sem graça, por pouco se aproximando do maior para abraçá-lo, por pouco também se esquecendo dos limites que lhes deveriam ser impostos. — Não me trouxe um presente de natal?
— Eu deveria?
— É o que as pessoas costumam fazer. E é meu aniversário também. — Louis estava tão nervoso que m*l notou o quão rápido estava falando.
— Oh! Parabéns, Loueh. — Harry piscou para o menor, dando um passo à frente para olhar o pequeno quarto de hotel. Talvez ele tivesse passado tempo demais observando a cama.
— É pequeno, eu sei. Mas é o suficiente por enquanto. — O Tomlinson disse e deu de ombros, puxando Harry para sentar-se no sofá, ao mesmo tempo em que correu para a pequena cozinha anexada ao quarto, para assim buscar duas taças e a garrafa de vinho mais cara que havia conseguido comprar com o mediano salário de agente policial.
Já de volta ao sofá, se juntou ao Styles. Procurou manter-se a uma distância considerável, servindo o vinho conforme era encarado descaradamente pelo gângster.
O olhar sobre Louis era tão penetrante que a taça poderia cair de suas mãos a qualquer momento, e tingir o sofá branquinho de vermelho-vinho.
— Vosne-Romanée. Boa escolha. — Harry comentou, ainda sem tirar as íris esverdeadas do pequeno ser em sua frente. Ele segurava a taça com uma classe que tornava a tensão entre os dois ainda pior.
— Yep. É francês. Por isso mesmo foi uma boa escolha. — Louis se gabou, soltando um risinho e bebericando o conteúdo da taça.
— Convencido. Todos sabemos que um português seria de maior agrado, mas preferi não comentar, antes. É sempre bom bancar o bon-vivant, sabe? — O de olhos verdes riu suavemente, e Louis m*l podia acreditar no que estava vendo. Harry Styles rindo. Sem ironia ou deboche como costumava acontecer, ele estava rindo.
Louis não se aguentou e soltou um pequeno risinho também, orgulhoso do efeito que poderia causar no indomável Cold Heart. Talvez o seu coração pudesse se derreter por alguns momentos de sua vida, mesmo que por tempo muito passageiro, assim como foi naquele instante, pois logo ele cessava a própria risada e ia se ajeitando no sofá até que recuperasse a pose indiferente de sempre.
— Como você nunca esteve numa comemoração de natal, eu queria fazer da primeira vez a mais tradicional possível. Por isso, o cardápio de hoje é arroz com passas, champanhe e tender. Eu não sei cozinhar de maneira tão magnífica assim, mas, bom, eu tentei. — A voz de William soava amigável, suave. Tudo fazia parte de seu teatrinho para convencer o Styles do quão desejada era a sua visita. No fundo, sim, Louis queria que Harry se sentisse gente comum por uma vez na vida.
E então, Louis ligou seu mp3 numa playlist de músicas calmas e se dirigiu em direção à cozinha. Se é que aquilo podia ser chamado de cozinha — era um balcão em L que se ramificava em um fogão simples e geladeira. Enquanto pegava os ingredientes que havia comprado há poucos dias, na prevenção de ter de passar o natal em Sheffield, Harry ainda tomava seu vinho elegantemente, seguindo cada movimento de Willian com os mesmos olhos verdes intensos. Ele estava com fome. Mas pode-se dizer que estava ainda mais faminto pelo corpo que se mexia delicado de um lado para o outro.
— Os meninos não ficaram curiosos com a sua saída misteriosa em pleno natal? — Louis perguntou, ora olhando para Harry, ora temperando o tender do jeito mais convencional que sabia, besuntando o mesmo de forma habilidosa, o que, de certa forma, maravilhou Harry.
— Claro que não. Para eles, eu estou trancado no meu apartamento com três prostitutas e duas garrafas de champanhe 11% álcool.
— Eles devem pensar isso porque é o que você costuma fazer. — O Tomlinson concluiu, levando o tender ao forno e, após isso, encostando-se no balcão da cozinha para que pudesse conversar melhor com o gângster.
— Realmente é o que eu costumo fazer. Não sai muito barato, mas eu me divirto. — Harry revirou os olhos, enchendo sua taça de vinho pela segunda vez na noite. Estava seguindo ao certo o plano do policial: ficar bêbado. Assim seria mais fácil para ele soltar o verbo. — Por algum motivo, você está valendo mais à pena, Tomlinson.
— Deve ser porque você vê isso com segundas intenções. Mas sabe o quão bravo Niall ficaria se soubesse que eu, Louis Tomlinson, me envolvi com você, Harry, o inalcançável, Styles... Não sabe?
— Sim! Niall te odeia — Riu Harry, desacreditado — é desconfiado com qualquer pessoa, mas isso passa. — No mesmo momento foi se levantando para se pôr ao lado de Louis na bancada da cozinha, carregando consigo as duas taças e o vinho, logo depois enchendo a taça do Tomlinson e entregando-na ao mesmo. — Não se pode deixar o convidado beber sozinho. É uma tremenda falta de respeito, para falar a verdade.
Louis, então, aceitou a taça de vinho, hesitante. Ele engoliu em seco antes de bebericar o líquido, sabendo que não estava em seus planos ficar bêbado também. Uma vez que havia aceitado, não poderia recusar mais.
Por isso, foi bebendo aos poucos, evitando o olhar do maior sobre si enquanto tamborilava os dedos nervosamente na bancada. Ainda assim, ele pôde ouvir seu coração bater mais forte e os dedos de suas mãos fraquejarem quando sentiu o conhecido hálito fresco perto de seu pescoço. Quando se deixou olhar para o gângster, o mesmo estava a centímetros de distância de seus lábios, seus olhos estavam fechados, em concentração, apenas apreciando o cheiro doce que vinha de seu diabinho francês. Suas mãos, tão enormes em comparação às de Louis, estavam próximas de tocarem a cintura do menor. Muito próximas. Um passo para a perdição, mas Louis ainda estava sóbrio o bastante para evitar que o quase inevitável acontecesse.
— Vamos comer! — Sua voz saiu fina e quase gritante. Louis deu alguns passos para trás, deixando um Harry confuso e ofegante terminando de beber seu vinho; se antes já estava ansiando por tocar Louis Tomlinson, agora estava quase pulando em cima dele.
Ambos sentaram-se em volta da quadricular mesa de centro de frente à TV, no tapete mesmo; aliás, não caberia nada mais naquele quartinho de hotel, então, aquela seria a maior das atitudes acolhedoras que Louis poderia fazer por Harry.
Mesmo que o gângster estivesse acostumado com banquetes em sua envidraçadamesa de 16 lugares, numa sala iluminada por lustres majestosos e caríssimos, o Styles não pareceu se importar em estar sentado no tapete para comer. Pelo contrário, ele apenas se preocupou em apreciar o maravilhoso arroz com passas preparado por Louis, ainda meio tonto pelo acontecimento anterior — m*l podia acreditar que estivera tão próximo daqueles lábios finos e rosados.
Só não o parabenizou pela comida extraordinária, pois era muito orgulhoso para tal.
O silêncio entre os dois chegava a ser agradável por causa da música de fundo que ainda tocava no mp3, e, pelo contrário do de olhos azuis, Harry demonstrava não estar com o mínimo de vergonha na cara pelo o que havia acontecido. Já Louis m*l conseguia olhar no fundo daqueles malditos olhos verdes, menos ainda falar alguma coisa.
Portanto, ele pegou o vinho no centro da mesa e encheu toda a taça do Styles. Em sua cabeça, serviria para quebrar o clima anterior, e, além disso, fazia parte do plano.
— Está tentando me embebedar ou algo assim? — Harry disse já com a voz meio embargada pelo álcool ter começado a fazer efeito. Louis teve vontade de rir pelo quão engraçada a voz rouca ficava quando trêmula do jeito que estava, mas se conteve.
— Que isso, Styles? Minhas intenções jamais seriam assim. Eu quero que você se divirta, apenas.
— Existem outras maneiras de me divertir. — Louis engasgou. O Styles falava abertamente com segundas intenções extremamente safadas, e isso só fez com que o Tomlinson ficasse ainda mais tenso e vermelho. — Vamos, Loueeeh. Se você não beber comigo, eu vou me sentir ofendido.
E então, o maior esticou os grandes braços para pegar o vinho que estava ao lado do prato de William. Sem mais demoras, simplesmente despejou tudo o que restava da garrafa na taça do Tomlinson, e fez questão de entregá-la nas mãos do mesmo, com aquele puto sorriso de covinhas que apenas incentivava Louis a ir logo com aquilo e beber tudo de uma vez.
E ele bebeu. Mesmo que fosse um vinho não muito forte, desceu rasgando por sua garganta. Seus olhos azuis pareciam ainda mais intensos com a sensação, enquanto a careta feita pelo mesmo dividia Harry entre se hipnotizar pelas íris azuis-celestes a sua frente, e rir.
— Bom menino. — O Styles disse, rindo por mais alguns minutos antes de se levantar e arrumar seu sobretudo estampado no corpo. Para a surpresa de Louis, ele pegou o vinho que antes tomava na bancada da cozinha e se colocou a andar em direção à porta de saída.
— Aonde você vai? — Louis o seguiu, confuso.
— Você disse que quer me divertir, oras. — Ele abriu os braços como se fosse um pavão exibindo toda a sua beleza, o vinho em uma de suas mãos indo em direção à boca, mais rosada que o comum. — Faça isso.
E quase inconscientemente, William sorriu. Não se sabe o motivo; se era por culpa do álcool também já fazendo efeito nele, ou pelo fato de seu plano estar seguindo a risca certa. Com isso, Harry Styles estava bêbado e queria se divertir. Então, ele teve uma ideia.
Sem mais demoras, Louis pegou a chave do quarto e um maço de cigarros junto de um isqueiro. Ele sabia que estava frio lá fora, mas não se preocupou muito quando saiu porta a fora com apenas um suéter. Harry vinha logo atrás, tomando o vinho de pouquinho em pouquinho, focado demais no traseiro do policial, que ia de um lado para o outro conforme o mesmo andava. Cerca de três vezes o gângster esbarrou na porta do elevador e, quando chegaram na parte térrea, de onde se seguia uma rua iluminada por casas decoradas com pisca-pisca, tropeçou mais duas vezes em seus próprios pés.
Já era quase meia-noite e a região estava pouco movimentava. No meio de todo aquele clima familiar e natalino, um bêbado e um fumante andavam cercados por uma tensão s****l alarmante. O Tomlinson, mesmo um pouco fora de si, ainda tinha consciência sobre o que deveria fazer, e então, apenas continuou caminhando à frente de Harry. E ficaram assim, até que o de olhos azuis parou diante de uma pequena praça em meio a vários restaurantes com música alta.
A visão de Harry estava tão confusa, que as luzes se tornavam ainda mais intensas — ele estava maravilhado. Quando se deu por entendido, Louis o puxou para se sentar num banco com visão a uma pequena estrada com árvores tingidas pelo branco da neve, tudo tão impressionante em volta deles, que parecia mágico.
Estavam ambos dividindo goles do mesmo vinho quando Louis tomou coragem e olhou no fundo das íris esverdeadas para perguntar:
— Como é ser um gângster?
— Que pergunta mais bizarra, Loueh. — Respondeu, tendo um pequeno ataque de risos conforme falava lentamente, a voz muito rouca. — Uhnn... Ok. Vamos lá. É legal porque eu ganho muito dinheiro, e você sabe que é uma grana mais ou menos fácil. Eu tenho o que quero, quem eu quero... O que mais? — Ele franziu o cenho, mas mantinha o clima divertido. —Eu sou o verdadeiro fodão, de quem todos têm medo. Não é o suficiente?
— E como você consegue? Tipo, sozinho? Eu acho que não conseguiria. — Acendeu um cigarro, fingindo muita dúvida. O mais casualmente possível. — Nossa, sim, eu definitivamente não conseguiria.
— Louis, se eu te contar que bato punheta sozinho, e com apenas uma mão, você responderia a mesma coisa? — Riu mais e mais. Instantaneamente, uma de suas mãos foi parar no joelho de Louis, e, por mais que o menor estivesse suficientemente bêbado, ele ainda assim congelou com o toque. — Cuidar de uma gangue é como ter um orgasmo sozinho e logo depois sentir aquilo que chamam de depressão-pós-punheta. São cinco ou dez minutos de culpa ou sei lá que maldita sensação, mas, no dia seguinte, você está fazendo mais uma vez. E com muito amor pela coisa.
Puta merda, ele 'tá muito doido. — Louis pensou, revirando os olhos.
— Mas eu entendi a sua pergunta. — Retomou Harry, dando de ombros um pouco mais sério, o que surpreendeu WIlliam. — Em cada país desse mundo existe um dos meus bonecos. Cada-p***a-de-um-país. E, se quer saber, essa é a p***a da minha ajuda.
Aquilo, sem dúvida alguma, estava começando a ficar interessante para Louis. Antes de fazer a próxima pergunta, esperou alguns minutos. Não queria parecer a merda de uma metralhadora de perguntas estranhas.
— E a sua vida? Como ela é, exatamente?
— A minha vida? Que merda de pergunta é essa, Loueh? — Ele franziu a testa e suas mãos subiram mais um pouco. Agora estavam praticamente nas coxas do Tomlinson; mais um movimento e nada mais seria controlado por ambos. — Ela já era uma grande merda antes disso tudo. E agora está o dobro do que pode se chamar de merda, por incrível que pareça. Quer saber mais, Tomlinson?
— Eu já entendi, Harry. — Os pequenos dedinhos de Louis foram parar na boca rosada e carnuda do gângster, impedindo-o de continuar a falar.
Se ele soubesse o que aconteceria após isso, jamais teria ousado encostar sequer um dedo naquele homem.
Tudo aconteceu tão rápido, tudo ligado ao desejo e à atração de dois polos muito diferentes — um na busca pelo prazer, o outro na busca pela justiça.Pareciam ímãs.
As mãos de Harry subiram ainda mais nas pernas do Tomlinson, de modo que estivessem na coxa grossa e gostosa do mesmo. Com isso, não foi necessário muito tempo para que ali fosse criada uma bolha invisível de calor infernal e latente entre os dois. O azul e o verde se encontraram. O espaço entre as bocas ia diminuindo, diminuindo... E eles finalmente estavam se beijando. O homem da lei e o homem do crime, ambos sentindo o gosto um do outro como se o gesto fosse algo preciso e almejado por anos, talvez séculos. Mesmo conhecidos há pouco tempo, parecia uma imensidão o tempo pelo qual esperaram.
Ambos os lábios se moviam numa sincronia indescritível. Harry, vez ou outra mordendo o lábio inferior de Louis, mantinha os olhos fechados e perdidos no prazer que era estar sentindo aquele gosto tão... Refrescante. Quando se atreveram a deixar que aquilo avançasse uma casa a mais em direção à perdição, as línguas se encontraram e acabaram por deixar tudo ainda mais quente, intenso. O Styles não pôde se controlar, não mais, não era possível; quando o fôlego se fez necessário, distanciaram-se um pouco, ofegantes, mas logo uniram-se novamente, com Harry apertando de forma doentia as coxas de Louis.
As garras do maior, num relance, agarraram as duas coxas do Tomlinson, fazendo-o colocar todo o seu peso no colo de Harry, que sentiu seu m****o latejar no mesmo instante em que as nádegas se ajeitaram bem em cima de seu ponto fraco. Sem controle, as mãos de Louis traçaram um labiríntico caminho desde os bíceps do maior, sentindo cada músculo bem definido da região, até abaixo do peito, onde ele sabia que estava a tatuagem de borboleta que vira dias atrás na academia. Mesmo com roupas separando suas mãos da pele do outro, Louis o arranhava com urgência, a ponto do sobretudo estar prestes a rasgar.
Deus, como tudo conseguiu ficar tão quente de uma hora para outra?
Com as bocas finalmente separadas, o policial m*l teve tempo de se pronunciar ou repensar o que estava fazendo, onde estava fazendo, pois logo os lábios do gângster atacaram seu pescoço de surpresa. No começo, breves beijinhos na extensão de seu pescoço com a clavícula. Depois, a língua traçando lentas faixas de saliva ao redor da pele descoberta pelo suéter, o que fazia Louis jogar a cabeça para trás de imediato, e entreabrir os lábios — visão que apenas excitava ainda mais o gângster.
Sem perceber, o menor já movia os próprios quadris circularmente, de modo que o p*u de Harry só era ainda mais castigado por debaixo de toda aquela roupa, conforme Louis rebolava por puro prazer e mordia os lábios tão fortemente quanto provocava o gângster, para evitar que gemesse alto o bastante para chamar ainda mais atenção. Tão anestesiado pela onda de prazer, Harry m*l podia acreditar que estava duro por algo que m*l havia começado devidamente, ainda cobertos por camadas de tecidos; ele não se conteve em aproximar os lábios da orelha do menor e sussurrar coisas sujas, ora parando para beijar o lóbulo alheio, ora para morder, enquanto Louis esfregava-se mais e mais no p*u do gângster.
Foi então que ouviram a vizinhança gritar um animado "Feliz Natal" da janela de prédios próximos, mesmo que estivessem longe o suficiente para não verem o casal se pegando no banco em frente aos restaurantes, que, por sorte, estavam praticamente vazios.
Só assim eles se deixaram interromper o que faziam, com um Harry de lábios inchados e pupila dilatada segurando a parte inferior dos lábios do policial com os dentes por alguns segundos, antes de mover sua boca de volta ao ouvido já sensível de Louis, onde sussurrou lento e roucamente:
— Feliz natal, diabinho francês.
— O-oh, Harry, o que nós estamos fazen—
— Shiu — Ele o interrompeu. Não precisava e nem queria que Louis desistisse de tudo o que estavam fazendo àquela altura do campeonato. Portanto, não perdeu tempo e levantou-se do banco, carregando o Tomlinson no colo enquanto voltava a atacar seus lábios com a mesma luxúria e vontade da primeira vez. Ele estava viciado. Louis era viciante.
O policial até podia ouvir parte de si gritando para parar — a parte que não estava bêbada e tentada por um corpo tão pecaminoso —, mas era quase como uma missão impossível quando as mãos do encaracolado o seguravam com vontade pela sua b***a, o que fazia com que o maior conseguisse carregá-lo pelo caminho menos movimentado possível que visse pela frente. Enquanto se beijavam num ritmo constante, Louis ia se perdendo naquele misto de sensações, atrevendo-se a puxar e enrolar seus dedos nos cachos castanhos do Styles. Uns maiores e mais desmanchados, outros perfeitamente formados e sedosos.
Conseguiram encostar-se num pequeno muro, de uma rua sem saída e próxima ao hotel de William, e ali ficaram. Em certo momento, Harry arfou e parou o beijo, tombando a cabeça para trás conforme soltava o gemido mais gostoso e rouco que Louis já tivera o prazer de ouvir. Arrepiado, o menor enfiou suas mãos geladas por debaixo do sobretudo e camiseta do maior, dessa vez arranhando toda a pele sensível com vontade, se juntando ao gângster e gemendo também, não se contendo e abaixando suas mãos para que uma das mesmas adentrasse o jeans azul e apertado que Harry usava. Ele arregalou os olhos sentindo tudo aquilo em sua mão. Era enorme.
Harry estava descontrolado pela sensação, começando a f***r a mão de seu diabinho francês conforme seu corpo pedia por mais prazer. A pequena mão também o ajudava com os movimentos, indo e voltando por toda aquela extensão, os dedos esbarrando na glande que já liberava pré- g**o. Era louco e doente, doente como o câncer, assim como Harry.
E então, o telefone tocou. De algum lugar no meio de todos os incessantes gemidos, o toque vilão de toda a história começou a ficar cada vez mais alto, fazendo com que Harry tivesse vontade de bater a cabeça na parede ou se jogar de um prédio com a decepção do quão azarado ele era. Ainda beijando o de olhos azuis e friccionando seu p*u nas mãos do mesmo, ele tirou o celular do bolso com o intuito de desligar o mesmo e terminar o que fazia com Louis, de preferência numa cama, com ambos nus.
Mas ele não o fez.
De relance, conseguiu ver aquele nome brilhando no visor do celular. Seus pelos se eriçaram imediatamente. Dessa vez, a razão de todo o arrepio não era os gemidos finos e entrecortados de Louis. Ele tinha que atender. Harry precisava atender.
— Merda, e-eu preciso ir. — Sua voz estava embargada, tanto pelo quão bêbado estava, quanto pelo nervosismo repentino que tomara conta do seu ser.
— Como assim? Merde, Harry, merde... E-eu não acredito que... — E foi calado com um breve selar de lábios. Suas mãos foram tiradas com cuidado de dentro da calça do maior, e então, ele se foi. Se foi tão rápido quanto havia permanecido ali, com Louis. E tudo o que se podia ver era a sua sombra se distanciando cada vez mais.
O Tomlinson, agachado no chão e com as mãos escondendo o próprio rosto, já podia sentir que, além de seu problema entre as pernas, ele tinha ainda outro, muito, muito pior.
Mesmo que bêbado e ainda extasiado pelo prazer, ele sabia que havia acabado de cometer um erro que poderia ferrar com todo o seu plano; com toda a sua missão.
William fez mais do que beijar o seu alvo. Pior que isso: Ele havia gostado.