CAPÍTULO 7

4867 Palavras
3ª pessoa. P.O.V Charter Row era a área nobre de Sheffield, localizada no centro e cercada por prédios luxuosos; entre eles, estava um dos metros quadrados mais caros da Europa, envidraçado aos fundos, digno de donos de uma grande fortuna, bem como a que Harry Styles, injustamente ou não, possuía. Era pouco mais de meio-dia, o tão esperado horário de almoço, quando três dos gângsteres mais poderosos da Inglaterra se reuniram no esplendido e majestoso apartamento duplex que acolhia, provavelmente, cerca de dez pessoas, tranquilamente. Havia pelo menos dois anos era o que dividiam com o Styles, cada um pagando as devidas contas, dividindo turnos para a "vez do barulho", e, claro, era o lugar onde se reuniam para conversar. Pelo menos uma vez, conversar como homens normais que trabalham duro e honestamente, e apenas precisam desabafar ao final do dia. E então, eles faziam isso no horário de almoço. Com Harry ou sem Harry, eram sempre os três: Niall telefonando para qualquer novo lugar que servisse fast-food; Liam cuidando dos inúmeros machucados que Zayn sempre arranjava depois de treinar tiro ou cumprir as metas diárias do boxe, enquanto o moreno resmungava das pontadas de dor e vez ou outra cantarolava os trechos do rap tocando como fundo na sala de estar. — Hoje conheci o diabinho francês do Harry. — Eles falaram em uníssono, o que fez Niall soltar um risinho enquanto discava o número do Subway animadamente, morto de fome como sempre foi. — Esperto, bonito e observador. — O moreno de olhos castanhos, Liam, continuou. — Você diz isso pois não foi quem quase levou um tiro no estômago. Por isso, eu diria: Bonito, mas maluco, e péssimo no tiro. — Zayn, pare de exagero. — Liam repreendeu o amigo com um tapinha no ombro, por fim terminando o curativo que fazia na testa do moreno, ajeitando-se no grande sofá cor creme ao que revirou os olhos para o olhar indignado que o Malik lhe lançou logo em seguida. — Não estou exagerando! Pergunte ao Harry, ele quase me matou. — Liam fingiu indiferença. — Tudo bem! Ele é razoável no tiro, mas quase me matou. Esse já é um ponto negativo na nossa relação. — Que relação? — Liam franziu a testa em confusão, voltando o corpo na direção do moreno, para que pudesse olhar no fundo dos olhos do mesmo. — Qual é o seu problema, cara? — Zayn, você m*l o conhece. — Falou como se tal situação fosse óbvia. — Ei! — O loiro, que antes falava ao telefone, bateu forte com o gancho do mesmo, causando barulho o suficiente para parar a discussão dos dois amigos a duas poltronas de distância de si. Mesmo ele não tendo o hábito de ligar para as brigas de Zayn e Liam, Niall já era acostumado pelo fato de terem passado grande parte da vida juntos. Eram como irmãos. — Vamos apenas focar no fato de que esse Tomlinson não é confiável. — Harry assegurou que ele é. — Zayn deu um longo e impaciente suspiro, fechando os olhos em puro tédio quando Niall começou a se aproximar com aquela cara de gênio da lâmpada que sempre tivera. Ele já sabia o que viria depois. — Harry está cego! — Nah, Harry é inteligente. E eu ainda procurei notar algum traço estranho na personalidade do sujeito, algo que não batesse... Mas vi exatamente o que Harry nos descreveu ontem. Completamente inofensivo. — Liam discordou. — Lee, não! Apenas pense comigo... Você também, Zayn. — O loiro rapidamente se encaixou no espaço entre os dois amigos, pegando o notebook largado na mesa de centro em frente a si, por fim abrindo-o e digitando "Louis Tomlinson" em meio a tantos códigos que apareciam como estrelas na tela. Liam e Zayn apenas observavam, não entendendo aonde exatamente o amigo queria chegar. — Eu posso rastrear qualquer pessoa nesse mundo inteiro, pegar informações e brincar com cada uma delas, vocês sabem disso. Porém, quando digito Louis Tomlinson, simplesmente há erro nos dados. E estou falando dos dados do FBI. — Talvez seja algum problema no sistema, e é como você falou, dados do FBI! Você mesmo nos contou que a transmissão de informações de lá para cá é extremamente lenta. Veja aqui. — O de traços paquistaneses apontou para a tela do computador ao seu lado. — Os dados estão estimando cerca de 8 milhões de pessoas no mundo. Pelo amor de Deus, Niall! — Ainda mostrando-se contrariado à suposição do loiro, desviou o olhar do computador para voltar a atenção a qualquer outra coisa que não envolvesse as ideias malucas de Niall. — Mas isso não significa que devemos tomar o mínimo de cuidado? Afinal, Harry está cego de amores pelo Tomlinson, por isso simplesmente ignora as teorias. Ignora as proposições e os inúmeros perigos em simplesmente infiltrar um desconhecido francês na máfia, da noite pro dia! — Louco de amores? — Zayn e Liam disseram indignados, em uníssono, ambos soltando uma gargalhada exagerada com tal ideia; tão lunática na visão de qualquer um que conhecesse Harry há tempo suficiente para saber que a ideia do mesmo nutrir qualquer sentimento muito profundo por qualquer ser humano, a não ser por James, era improvável. Os quatro sempre foram muito próximos desde a adolescência, quando cada qual encontrou o outro por razões e mágoas diferentes, o que os levou a se juntarem num só estilo de vida, sendo este adequado ou não; era o que lhes restava, viver ilegalmente ou legalmente... Era uma escolha entre morrer vegetando por aí ou viver como reis. E então, Zayn, Liam, Niall e Harry foram se tornando próximos e confiantes um para o outro. Zayn e Liam tinham uma i********e maior, apesar de Zayn sempre estar preso em seu estilo de vida misterioso, enquanto Liam conseguia ser um fora da lei, mas, ao mesmo tempo, um homem demasiadamente correto. Niall era apenas focado em suas engenhocas pelo universo dos aparelhos eletrônicos, sempre despreocupado com o mundo ao redor quando se podia passar horas e horas descobrindo e redescobrindo códigos. Mas e Harry? Harry era o núcleo de tudo, e isso sempre fora óbvio demais para todos que soubessem de toda a história. Ele era ambicioso demais, e, de longe, o ser-humano mais incógnito que o mundo já conheceu. Indecifrável do jeito que era, nem os próprios Liam, Niall e Zayn, os únicos mais próximos do gângster, conseguiam chegar perto de enxergar o que acontecia naquele coração tão duro como pedra e frio como gelo. Harry Styles, de fato, não era um homem que se pegaria amando qualquer um que encontrasse por aí. E não, nem pensar! Não havia como fazer com que as peças do quebra-cabeça se encaixassem entre Louis e Harry. Haveria, talvez, se o Tomlinson se esticasse até o mais alto da insensibilidade do gângster, para somente assim, depois de muita jornada, encontrar a sensibilidade. Afinal, Louis teria paciência, e, mais que isso, disposição? — Eu sei que é meio insano Harry estar louco de amores por alguém. Mas vamos pensar na aptidão s****l que o desgraçado tem. Louis é bonito e na certa deve ter seduzido Harry logo de cara. — O loiro continuou gesticulando com as mãos, por fim atraindo os olhos atentos de Zayn quando citou a possibilidade de sedução, assim animando-se e falando ainda mais. — Poucos dias atrás, aliás, no clube próximo de onde o Grimshaw foi visto caindo aos pedaços, eu lembro-me de ter visto Harry conversando com um moreno enquanto pedia bebidas. Logo depois veio atrás de mim, falando que estava diante de um salvador da pátria gostoso e, para ficar ainda pior, francês. É óbvio que o salvador da pátria era Louis. — Está insinuando que eles transaram e, voalá, Harry deixou Louis trabalhar com a máfia? — Zayn continuou com a sua implicância, perdendo o pouco de interesse que tinha na conversa e voltando a roçar o indicador em um dos curativos feitos no extremo das pernas, o que fez com que o papo se estendesse apenas entre Liam e Niall. — Os códigos estão afetando seus neurônios, Niall! — Zayn não precisava ser tão ignorante, apesar de ele ter dito coisas inteligentes por uma vez na eternidade. Mas prossiga, Niall. — Liam, vá tomar no... — E então...! — O de olhos azuis impediu a dupla de iniciar uma das muitas discussões, apertando com força o braço de cada um deles. — Eu também sei que quando Harry transa com alguém, o lance é passageiro e puro divertimento, a pessoa é descartada como pratos de plástico são depois de usados. Ainda assim, pessoal, vamos lá! Algo está errado nessa história com o Louis! — Niall, olha... — Uma mão tatuada e ainda com vestígios da pasta de cocaína a qual antes esfarelava com os dedos, pousou levemente sobre o ombro do amigo. Liam, assim como Zayn, estava farto de toda aquela paranoia de Niall e suas infinitas suposições. Porém, diferente de Zayn, ele sempre lidara mais gentilmente com o loiro. — Todos sabemos que Harry foi o mais instruído por James, em todos os sentidos, para cuidar de tudo isso aqui. Harry tem sangue nos olhos e, melhor que isso, paixão por tudo o que construímos. Se Louis for um infiltrado, afinal, Harry vai descobrir mais cedo ou mais tarde. E Deus sabe que ele não terá remorso em aniquilar qualquer centímetro vivo de Louis para contar a história. Em resposta, o loiro se limitou a pequenos resmungos, por fim rendendo-se às mentes indomáveis de seus companheiros, saindo do meio da dupla ao que foi de encontro à embalagem cheirosa do Subway recém chegado na cozinha. Enquanto comia apressado, sem ao menos oferecer um pedaço do lanche aos outros — de tão nervoso que estava por ser contrariado —, Niall ainda não se deixava convencer de que aquele pressentimento r**m entre Louis e Harry era apenas implicância de sua mente engenhosa. Ele estava decidido a seguir em frente com hipóteses e quaisquer fossem as oportunidades de chegar à resposta pela qual tanto ansiava, para uma só pergunta: Quem é Louis Tomlinson? *** Naquela mesma segunda-feira fria e desanimada como a morte, na qual William conheceu parte do casarão enorme e monstruoso do Império Styles, o de olhos azuis m*l teve tempo de sequer pisar para fora da casa e respirar o verdadeiro ar puro da natureza, longe de toda aquela tensão insuportável que apenas armas e drogas, sozinhas, já lhe proporcionavam. O Tomlinson estava tremendamente encurralado em mais uma de suas crises de ansiedade — precisava de um cigarro mais do que necessitava de oxigênio —, e então, quando estava prestes a dar partida em seu velho carrinho de aluguel, aquela colônia refrescante e altamente perigosa voltou a atingir suas narinas, causando uma tontura tão destrutível quanto a sua pressão quando seu pequeno corpo se mantinha a tão pouca distância daquele outro, tão forte e quente a ponto de transformar qualquer inverno rigoroso num verão infernal. Louis não se questionou muito sobre o que teria de enfrentar num momento tão inesperado, e, para a sua surpresa, quando se virou para encarar a íris verde que o fitava a bons minutos desde quando o policial disparara feito um descontrolado em direção ao carro, o gângster apenas ofereceu-lhe um cigarro juntamente de um isqueiro. Os dois ficaram bons minutos em silêncio enquanto a neve começava a cessar ante eles; Louis fumando seu cigarro num alívio tão súbito, sendo capaz de fechar os olhos, tragando-o deliciosamente, mesmo sabendo que um criminoso acompanhava cada uma de suas expressões com atenção; Harry encarando o de olhos azuis como se pudesse o engolir a qualquer momento, apesar de manter seu semblante indiferente, não importando o quanto seus instintos lhe dissessem para simplesmente prensar o menor no capô do carro e fodê-lo ali mesmo. O desejo que dominava cada fibra do Styles era tão grande, que até a ele foi uma grande surpresa seu corpo se limitar a um simples suspiro sôfrego de quem precisa omitir um gemido. Apesar de sua má fama em conseguir o que quisesse e na hora que quisesse, Harry havia feito sua escolha: iria devagar com seu diabinho francês. Devagar para que se tornasse torturante e, no final das contas, intenso e delicioso. — Eu vim atrás de você pensando que poderíamos nos explorar um pouco mais. Você conheceu os outros tão bem, não? É lastimável que um homem como eu perca a oportunidade de apresentar o próprio trabalho mais devidamente. — O de olhos verdes, por fim, quebrou o silêncio desagradável que pairava entre os dois, encostando-se no capô onde Louis estava, antes tirando o cobertor de neve que envolvia tal parte do carro. O Tomlinson rapidamente se afastou do maior que, àquele ponto, o olhava profundamente e com segundas intenções muito claras. Estar a menos de um quilômetro de Harry já era uma ameaça aos seus hormônios, afinal. — Eu sei muito bem do que se trata o seu trabalho, Styles. — Ele apagou o cigarro com os pés e andou em direção à porta do carro, prestes a fugir daquela atmosfera tremendamente s****l. — Wow, Louis! Você que está fantasiando as coisas. — O maior impediu que Louis fechasse a porta. Apenas com sua mão comparável a dois tijolos enormes, avançou contra ela, voltando a abri-la com brutalidade. — Para ser mais claro, quero que me acompanhe até o aeroporto para levar alguns carregamentos. — É um pedido ou uma ordem? — Ora, Louis, uma ordem. — Deu de ombros secamente, somente voltando a atenção ao pequeno dentro do carro quando o silêncio se fez presente e o único jeito de concertar as coisas foi estender-lhe a mão brevemente, não acostumado com muito cavalheirismo. Louis, por sua vez, aceitou o gesto inesperado tremulamente, logo tratando de afastar-se do maior ao sentir que sua mão cheia de calos se encaixava perfeitamente àquela enorme e cercada por escritos em tinta preta e por anéis. Aquela maldita mão que, por Deus, causava-lhe tantos pensamentos impuros. O gângster também não fazia questão de continuar com os dedos enganchados ao do outro homem. Por mais que aspirasse tanto a um contato carnal com seu diabinho francês, mãos dadas pareciam pouco para o que preparava entre os dois. E então, ambos seguiram para a parte de trás do casarão, onde Louis fez questão de aproveitar a vista e o máximo de detalhes possíveis. O que viu ali foi uma grande garagem, com cerca de quatro caminhões de grande porte, e tudo o que Louis pensou foi que aquelas informações lhe dariam um ótimo relatório para o FBI. O dia já estava escurecendo, fazendo com que Harry se apressasse em guiar o policial até um dos grandes caminhões, com uma pintura recente e neutra que tinha como objetivo amenizar o que escondia por dentro da enorme caçamba, a qual, mais tarde, seria coberta estrategicamente por uma chapa de madeira e lona. Ali estavam quadros famosos e inúmeros sacos de prensado de maconha, sem contar com as demais drogas escondidas na parte inferior das rodas. Eles esconderiam cocaína até no ** se fosse preciso, Louis pensou. Logo, para a surpresa de todos, chegaram Niall e Liam, ambos conversando sobre algum assunto aleatório, até que viram o ser de olhos azuis sentado no banco carona do caminhão, onde seriam levados carregamentos ilegais com destino à Miami. Harry do lado de fora, vez ou outra observava seu diabinho francês enquanto analisava se todos os carregamentos estavam de acordo com o planejado. Assim que Niall vislumbrou o homem que lhe parecia o enigma mais petulante que já conhecera, sua garganta secou e as mãos tatuadas se fecharam em punho. Liam pareceu perceber a irritação repentina do loiro em descobrir que faria um pequeno "passeio" com Louis, e logo tratou de distrair o amigo, puxando-o para cumprimentar Harry e começar a arrumar o caminhão antes que o sol se posse. E então, a lona estava posta e o caminhão finalmente se parecia com aqueles gigantes que carregavam frutas de um lugar para outro; Liam se apressou em colocar o cinto no banco do motorista, passando Harry para o carona, e Louis e Niall logo atrás, ambos se encarando com puro ódio reprimido. A visão de todos, por muito tempo, resumia-se a mato e gado se alimentando numa planície sem fim. Louis não podia evitar o nervosismo e ansiedade para o que aconteceria quando chegassem no aeroporto — se teriam outros contribuidores que levariam as drogas e quadros para muito além da Inglaterra, ou se tudo ficaria apenas por conta do Styles. William também não podia deixar de conhecer cada pedaço de pele de Harry com o olhar, extremamente curioso com o que se passava naquela mente tão monstruosa. Seus olhos estavam num verde mais escuro do que nunca, o olhar parecia distante, por mais que já tivesse ocupado muito tempo comendo Louis com os olhos... Harry era um mapa a ser explorado, por mais que o Tomlinson ainda sentisse repulsa em se aproximar de tal. Contudo, os devaneios do policial foram interrompidos quando o caminhão parou bruscamente em meio a estrada. Somente olhando mais adiante, onde se podia ver um grupo de policiais chefiando a fronteira entre Sheffield e Holmes Chapel, que Louis conseguiu entender a raiva que se apossou do de olhos verdes, tão subitamente. Harry estava com o rosto num tom deliberadamente vermelho e com o sangue pulsando em ódio, logo batendo a porta do carona bruscamente. Ele correu mais a frente, onde um dos policiais estava parado e de braços cruzados em frente ao caminhão, impedindo que o mesmo avançasse para Holmes Chapel. Tudo o que Liam e Niall trocaram foi um nervoso entreolhar, antes de saírem do caminhão em pulos para se juntar ao Styles. Louis seguiu-os, curioso. — Que merda está acontecendo? Não vai me deixar passar, agora? — Harry praticante rugia, respirando fundo para que conseguisse conter sua raiva. — Deixarei passar, sim, até que o senhor me mostre o que esconde no caminhão. — O policial respondeu despreocupadamente, ameaçando empurrar o gângster para olhar o caminhão mais de perto. Em resposta, Harry começou a rir debochado, olhando numa mistura de divertimento e horror para Niall e Liam, que presenciavam tudo quietos, assim como Louis, que já reconhecia a imagem de alguns dos policiais. O gângster se manteve em silêncio por poucos minutos, até que lançasse outro sorriso genial para os companheiros de crime, depois curvando-se para onde o policial de barba branca tentava abrir passagem para olhar a caçamba do caminhão. — Pra quê mostrar quando se pode falar, não é mesmo? — Finalmente disse, jogando os cachos castanhos para trás, o que lhe conferia um ar ainda mais perigoso. Sua expressão passara de monstruosa para uma perversa, e, ao que tudo indicava, ele já sabia o que fazer. — Sua filha é uma menina inteligente, conseguiu uma bolsa generosa e está estudando arte em Barcelona, não é? Ela com certeza deve ser amante das obras do Picasso, cubismo, arte moderna... Talvez devesse dar uma olhada nos que eu tenho aqui... — Como você sabe quem é minha filha? Mas que p***a? — O policial não se demorou em avançar para cima do gângster, seu semblante despreocupado sendo substituído por um totalmente alterado diante das risadas convencidas do Styles. — Elizabeth é o nome dela, estou certo? — Harry prosseguiu cheio de sarcasmo, dessa vez olhando para Niall, sua enciclopédia humana, que concordou, também rindo com toda a cena; o policial sendo puxado para longe de Harry enquanto os demais ameaçavam tirar a arma dos bolsos e mirá-la em direção ao garoto dos olhos verdes. — Elizabeth Weckshire. — Niall confirmou, firmando o olhar no policial de barba branca que ainda se encontrava alterado e com o medo mais profundo já enfrentado, notando que um criminoso sabia até mesmo sobre sua filha. Louis, por certo tempo, perguntava-se do porquê dos demais imbecis estarem parados ao invés de simplesmente revistarem o caminhão e prenderem Harry num só piscar de olhos. Contudo, as duvidas duraram pouco, assim que presenciou o showzinho continuar. — E você, meu amigo? — Harry andava lentamente, como se seus passos fossem realmente massacrantes e pudessem causar a ativação de uma bomba nuclear caso fossem m*l calculados; olhou bem nos olhos de cada policial, parando num moreno musculoso, o que se mostrava mais medroso com a situação. — De fato está se dando bem com essa vidinha de social dentro da lei. Arrumou umas garotas porque trabalha pra policia, eu sei. Andréa é o nome da sua atual, e eu tenho certeza de que ela ficaria muito feliz se ganhasse alguma das joias que eu tenho aqui. O homem arregalou os olhos. Sua cor parda parecia transformar-se num pálido de quem acabava de dar de cara com o fantasma da ópera. Não seria surpresa caso o policial desmaiasse de desespero. Enquanto isso, o de barba branca, que parecia ser o chefe dos guardas policiais, por fim olhou para os demais companheiros e lhes lançou uma mensagem quase inaudível: de que eles deveriam se render. O Tomlinson, que até aquele momento observava tudo tão atentamente, agora entendia melhor o que estava acontecendo: O gângster provavelmente possuía contato com milhares de policiais infiéis e corruptos pela Europa, pagava-os para encobrir sua máfia e para deixá-lo passar livremente pelas fronteiras de qualquer lugar, com suas mercadorias sujas. Entretanto, sempre apareciam os novatos, aqueles que não conheciam as regras dos criminosos locais. Sempre havia os certinhos, e para que eles se tornassem diabinhos, seria preciso mostrar quem mandava. E apelar para o lado pessoal sempre valia à pena. Harry tinha experiência nisso. — Eu faço meu trabalho tão bem quanto vocês e, acredite, eu sei de tudo que acontece por essas bandas. Se você respirar errado, eu irei saber. Eu irei te matar e sairei bem com isso. Por isso, sugiro que nunca mais atrapalhe meus negócios, senhor. — Suas palavras pareciam soar ainda mais roucas num contexto tão frio e direto, e logo os policiais já se encontravam intimidados o bastante para abrirem passagem para o caminhão ultrapassar a pequena Holmes Chapel. O próximo destino certamente seria o aeroporto de Manchester, e Louis estava extremamente animado para quando chegasse lá, já satisfeito por ter conseguido tantos acontecimentos num só dia, o que indicava que sua missão estava indo de bem a melhor, uma vez que conseguisse descobrir quem era o despachante do aeroporto. Porém, antes mesmo que as rodas gigantes do caminhão tocassem o solo da pequena vila de Holmes Chapel, Harry, ainda nervoso pela situação anterior, gritou para que Liam parasse no meio da estrada e mandasse um de seus homens para a A34 com um carro, o mais rápido possível. Louis ficou abismado com a mudança de rota e humor de Harry, tão repentinamente. Sua cabeça não parava de latejar em perguntas. — Liam e Niall, levem o carregamento para o aeroporto e avisem que houve um imprevisto, e por isso eu não pude estar presente. Mas deixem claro que quero tudo em Miami e notícias breves sobre a realização da rota até a América. Eu vou levar Louis pra casa. — Suas palavras eram curtas e objetivas. Niall, que, assim como Liam, não entendia ao certo o que se passava pela cabeça do amigo, quis imaginar que Harry estava tomando o mínimo de cuidado com a demasia de informações a Louis em tão pouco tempo, e, por isso, suspirou aliviado. A neve estava começando a cessar e o céu fechado aparecia num azul claro do mar, misturado com o rosa alaranjado do algodão-doce, e esse foi o sinal para que Harry puxasse Louis pelos braços até uma rua deserta, onde uma picape de cor desbotada os aguardava. Um homem aparentemente colombiano entregou a chave da lata velha ao gângster, suas mãos descobertas tremendo absurdamente no processo — Louis não sabia se por ele se sentir um ser tão rebaixado perto de Harry, ou se simplesmente pelo frio —, e então o mesmo sumiu de vista pela neblina, deixando que os dois se acomodassem rapidamente dentro do carro, antes que eclodisse alguma tempestade e o tempo ficasse ainda mais rigoroso. Harry nada disse quando ligou o carro e começou a dirigir na direção contrária de onde partiram Niall e Liam, no sentido Holmes Chapel — Sheffield. Como havia dito, levaria Louis para casa. E por mais que o policial não quisesse voltar para o hotel classe média de Sheffield, e sim descobrir mais coisas sobre a rota daquele mercado n***o, ele resolveu permanecer calado e não interromper o silêncio que se fixava ali, a não ser pelos chiados de uma música que custou ao Tomlinson reconhecer. Era óbvio que bancar o curioso num momento como aquele seria suicídio; Harry estava diferente, estranhamente pálido e  quase estático. Além disso, estava frio, e por um momento Louis esqueceu-se de que não estava como em duas noites atrás, aquecendo suas pequenas mãos no aquecedor do Chevy Malibu de Harry. Teve de puxar as mangas de seu suéter para que criasse o mínimo de calor em seus dedos, e, bem na hora em que o fez, sentiu o olhar penetrante das duas esferas verdes o observando com dúvida. Numa tentativa falha em disfarçar o incomodo, Willian mexeu os quadris até que estivesse ereto no banco; o que apenas piorou toda a situação, afinal, o que havia ali, mais objetivamente, passou a ser uma tensão s****l alarmante. — O que vai fazer no natal? — Foi a primeira coisa que lhe veio em mente, desesperado por livrar-se daquele clima, mesmo que Harry estivesse levemente abatido, tornando improvável qualquer tentativa de algo ali. — Natal? — Harry soltou uma breve gargalhada rouca, arrepiando os pelos do Tomlinson um a um, enquanto abaixava o som do rádio para que pudesse ouvir o sotaque deliciosamente francês mais claramente. — Sim, de Noël, como dizem na França. Ou vai me dizer que desconhece? — Nah, é claro que eu conheço. — Revirou os olhos. — Só acho uma data i*****l. Eu nunca comemorei, aliás. Sinceramente? Isso é coisa de gente sem ter o que fazer, se contaminando de falsa felicidade e presentinhos idiotas. — Mas não deixa de ser um tempo legal, vai. Imagine só se reunir com a família, senão amigos... Se desligar um pouco da vida real e agir como criança. Aquele sentimento de "f**a-se tudo, hoje eu só vou comer e ficar com quem me faz bem". — Eu achei que seu pai tivesse morrido e que você odiasse sua mãe. — Escancarou as sobrancelhas em duvida, ao que Louis apenas deu de ombros e engoliu em seco, se doendo por ter deixado escapar essa. — E é o que aconteceu. Mas não significa que eu tenha deixado de comemorar. Família não é só a droga de um pai e uma mãe. — Continuo achando uma perda de tempo. E acabo de descobrir que você é um romântico terrível, senhor Tomlinson-o-sentimental. — O de olhos verdes piscou, arrancando um risinho sincero de Louis. Depois, voltou a aumentar o som, que agora apresentava os acordes iniciais de uma versão acústica de Back to Black. Seu semblante voltava a ficar duro e indiferente como sempre fora, e isso aliviou Louis de certa forma. Até porque, ele havia conseguido quebrar a anterior tensão s****l entre ambos, claramente proibida em sua cabeça, a qual gritava a todo o momento que ele precisava pensar como um profissional; os hormônios podiam esperar por outra pessoa ou ocasião. Contudo, por mais que gostasse da ideia de permanecer em silêncio, algo nas falas de Harry incomodaram profundamente o seu inconsciente. Ele sabia que o Styles era fechado ao mundo e que seu coração devia ser duro como pedra e inquebrável como o diamante. Por um momento, tudo o que sentiu foi dó; não resistiu e voltou a falar sobre o assunto. — Por que não tenta passar esse natal com os outros? Sei lá! Alguém como Niall, Liam, ou o tal de Zayn? Eles são seus amigos, não são? — Talvez eles sejam minha família, sim, para falar a verdade. Cada um de nós é família para o outro, e eu odeio admitir isso. p***a! Olha como soa gay. Mesmo que eu seja gay, é claro. — O Styles soltou sua segunda risada no dia, logo se recompondo ao perceber que havia se derretido demais na frente de Louis. — Mas Niall sempre vai para a Irlanda, seu país natal, e nem Deus sabe se ele tem família lá. Liam e Zayn são inseparáveis e eu até suspeito de que os dois se peguem casualmente, mas Zayn costuma ir para o seu canto em Los Angeles, enquanto Liam visita uma tal garota que conheceu uns anos atrás em Paris; nós suspeitamos de que ela seja sua irmã, mas ele se n**a a dar detalhes. E então, eu fico sozinho, simplesmente porque gosto de pouca companhia. Nunca me incomodei. — Isso é mau. — Louis falou quase inaudível, por mais que achasse que Harry merecia passar cada dia de sua vida sozinho, vegetando conforme a velhice, talvez uma forma de pagar por tudo o que fizera. Porém, aquela parte i****a de seu coração mole o fazia sentir dó, e uma necessidade louca em tentar mudar os tons de cinza onde aquele gângster vivia. Foi assim que teve uma ideia. Louca e m*l pensada ideia, mas que na hora lhe pareceu plausível, tanto para conseguir explorar ainda mais o monstro que estava domando, quanto para fazer da sua vida, pelo menos uma vez, menos monótona. — E se passarmos a véspera juntos, amanhã? Eu posso te garantir que vai ser insano. — Louis mordeu os próprios lábios, numa demonstração clara de atrevimento, sabendo que não haveria como Harry negar qualquer coisa diante daquilo. — Você sabe onde eu estou morando, então, apenas... Apareça.
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