— Costa Rica e Brasil são os novos pontos do trajeto, então?
— Na verdade esses foram os pontos que eu sugeri. Talvez eles avaliem mais a fundo antes de adicionarem no trajeto. O Styles não é nem um pouco burro.
Louis andava de um lado para outro na cabine quase cúbica do banheiro masculino de um restaurante consideravelmente próximo ao casarão do Império Styles, ainda que o tal já fosse isolado de centros comerciais. Era o seu horário de almoço, mas ele não pretendia voltar tão cedo para o casarão, pelo menos por aquele dia.
Ele ainda se sentia desconfortável, sentindo a cueca suja do pré-g**o que Harry havia provocado horas atrás, algo de que Louis definitivamente não precisava lembrar-se caso não quisesse acabar com outra ereção e uma vergonha quilométrica pela forma como seu corpo reagia ao Styles.
— William, William... Vamos lá, o que anda acontecendo? — Stanley mudou de assunto repentinamente ao perceber que Louis enfrentava mais um de seus muitos devaneios.
— Pelo amor de Deus, Stan! Eu que te pergunto o que está acontecendo. Eu sinceramente não sei.
— Eu te conheço como a palma da minha mão, William. Aposto que está trancando num banheiro e andando pra lá e pra cá com um cigarro nas mãos.
— Errado. Eu estou sem cigarros no momento. — Bagunçou o próprio topete ao que procurou o maço nos bolsos da calça e não encontrou nada mais que um pacote de camisinha, lembrando-se de onde e de quem aquilo poderia ter vindo. Era bem a cara de Harry Styles. — Eu deixei meu maço no escritório do Styles. Além da minha dignidade, é claro.
— Hum! Entendi tudo. Algo aconteceu nesse escritório.
Louis se perguntava sobre quais seriam as chances de seu corpo parar num bueiro próximo a sua casa em Londres caso se enfiasse na privada e desse descarga. Era muita coisa para a cabeça dele. Por que Stan tinha tanta intuição, droga?
— Mais uma vez estamos falando sobre a minha vida pessoal?
— E profissional, lembre-se disso. Que eu saiba, nós concordamos que sua vida s****l caberia nisso tud...
— Não! Nem termine isso, Stanley... — Bateu com o punho na porta da cabine e se assustou quando a mesma se abriu, revelando uma imagem de si mesmo totalmente descabelado no espelho. Estava sozinho, e agradeceu mentalmente por isso. — Eu simplesmente não quero te contar o que aconteceu naquele escritório. Não vou. Todo esse constrangimento está me dando nos nervos. Preciso desligar.
— Ok, ok. Sem constrangimentos. Mas quero que saiba o quanto essa missão é crucial para toda a Europa e metade da América. Se for preciso t*****r com o ladrãozinho de cabelos cacheados apenas para conseguir informações, William, é isso o que você vai fazer.
— Você não tem controle sobre isso. — E desligou.
O Tomlinson estava começando a desacreditar a que ponto Stanley conseguia chegar. Talvez fossem os anos que se passaram com ele sentado na cadeira de um escritório estampado de rostos criminais e notas de investigações, o deixando louco, mas Louis sinceramente não queria mais saber. Ele apenas arremessou o aparelho celular no chão, arrumou seu topete e contou até dez.
Por sorte o celular não havia quebrado.
***
1ª pessoa P.O.V. (Harry Styles)
Meu escritório não poderia estar mais s****l. Fazendo rabiscos na minha agenda telefônica, eu ainda olhava para o lado oposto da mesa e tinha vislumbres de Louis na minha cadeira de couro, aquela camisa quase transparente que usava, e seus lábios finos sendo mordidos pelo próprio enquanto tentava resistir a mim. O desgraçado era lindo, e, pelo jeito, demoraria para meu desejo por ele cessar e assim eu voltar para o meu cotidiano, com ficantes de uma só noite.
Para falar a verdade, eu sequer tinha tempo para ficantes de uma só noite, pelo menos por agora. Louis já bastava por ser um alvo tão fácil e tão louco de t***o por mim, da mesma forma como eu me sentia sobre ele. Afinal, meus negócios exigiam cada vez mais de mim. Cobrar e negociar produtos ilegais não era uma tarefa tão simples enquanto existissem pessoas tentando te passar a perna e sair bem com isso.
Fazia um tempo desde a última vez que alguém tentara essa proeza. E fora por um descuido muito i****a, o qual teria me rendido fortes dores de cabeça se não fosse pela astucia do meu diabinho francês. Portanto, minha atenção estava redobrada, assim como a minha disposição em matar qualquer um que entrasse em meu caminho.
Foi o que aconteceu com o Grimshaw, não se lembram?
Recostando-me na cadeira, tirei uma maleta mediana da gaveta e a abri com a maior cerimônia possível. Tinha muito dinheiro ali, e, vamos lá, qualquer um se gabaria de tudo aquilo que havia conquistado, por mais que o dinheiro fosse sujo; desde que as coisas continuassem ótimas, eu não me importaria.
— Harry. — Uma voz incômoda me surgiu repentinamente, fazendo-me dar um pulo na cadeira e fechar a maleta de dinheiro por puro reflexo. Era Zayn parado em frente a minha mesa, na qual ele não tinha o direito de tocar sem bater na p***a da porta.
— Achei que você já estivesse ciente das regras básicas por aqui. Bater na porta antes de entrar, por exemplo.
— Céus, Harry, não temos tempo para as suas frescuras. — Eu já te contei que Zayn gosta de me testar, certo?
Sentando-se na cadeira de couro oposta a mim, aquela em que Louis estava sentado horas atrás, ele revirou os olhos e cruzou os braços ao que soltava um suspiro cansado. Algo me dizia que as coisas não estavam ocorrendo conforme os planos.
— Eu subi aqui porque o que aconteceu é realmente muito sério. Você não vai gostar nem um pouco...
— Não enrola.
Zayn me encarou mais um pouco, suspirando sôfrego mais uma vez. Era como se estivesse prestes a soltar algo que o machucava tanto quanto o que ele sabia que me machucaria igualmente.
— James morreu.
Certo. Aquilo quase me abalou. Minhas sobrancelhas instantaneamente se arquearam com o choque, e minhas mãos voaram de encontro ao meu peito pela pontada de dor que senti logo em seguida. Eu poderia bloquear meus sentimentos de qualquer coisa que eu desejasse, sim, eu era capaz... Mas tal notícia me trouxera as lembranças de um garoto perdido e de um homem o guiando de volta aos trilhos.
James foi um homem digno de ser chamado de terrível, mas fazia parte de cada pedaço da minha grande evolução.
— Bom... Eu já sabia.
Desviei meu olhar para bem longe dos olhos negros e cheios de dúvida do Malik. Esse era o momento em que ele surtava.
— C-como assim?
— Eu já sabia que ele estava com câncer. Câncer no pulmão e terminal. O velho não ia viver tanto tempo. — Cobri meu rosto com uma das mãos, a outra circundando os anéis dos meus dedos enquanto tudo o que reinava no meu escritório era um terrível silêncio, sentindo meus olhos marejarem com aquela dor incômoda da perda. Mas eu não iria chorar.
Zayn e os outros garotos eram tão envolvidos com James quanto eu. Quando fui levado ao velho albergue onde mais tarde James me treinaria, Zayn e os outros já estavam lá. Por uma razão ou outra, também foram encontrados no pior dos seus dias, e depois salvos pelo doentio objetivo de James em transformar-nos em assassinos. Eu genuinamente entendia a razão pela qual Zayn estaria perplexo e acabado, a ferida do apego agora muito aberta, com a breve sensação de ter sido traído tanto por mim, quanto por James.
— Seu... Seu merda!
Não tive muito tempo para me defender quando as mãos de Zayn avançaram para o meu pescoço, junto da sua voz extremamente gritante. Da mesma forma que não demorou tanto para ambos nos desequilibrarmos da cadeira com o seu toque repentino e forte o bastante para deixar marcas na pele pálida do meu pescoço. Em reflexo, tudo o que eu fiz foi tirar suas mãos dali e prendê-las para cima dos nossos corpos, antes que ele me enforcasse.
— É claro que James contaria tudo somente a você, o preferido dele, o filhinho de papai! E você, Harry, como o grande egocêntrico e filho da p**a que é, não contou uma coisa dessas aos seus próprios irmãos! Como você pôde, p***a?
De fato, quando Zayn estava nervoso, sua força quase triplicava em relação a minha. Seus olhos ficavam assustadoramente dilatados, e seus dentes rangiam. Numa tentativa em soltar-se das minhas mãos, as quais o impediam de me enforcar novamente, ele me deu uma joelhada realmente forte no estômago, algo que me deixou nervoso o bastante para dar o troco com ainda mais força ao que já rolávamos pelo chão.
Seu punho esquerdo finalmente havia conseguido escapar do meu aperto firme, e então, nada mais o impedia de me acertar um soco na mandíbula; algo que só não aconteceu porque eu fui rápido o suficiente para inverter as posições, encurralando-o no carpete de madeira.
E naquele momento éramos apenas eu e Zayn, num aperto que eu sabia estar esmagando seus ossos e bloqueando sua passagem de ar para os pulmões. Mas eu não pararia. Tudo o que eu fazia era movido aos nervos, e, por maior que fosse a minha ligação com o cara entre mim e o chão, eu não pararia até que ele se rendesse.
— p***a, Harry! Está m-me machucando... — Ele disse pausadamente e em ofegos, a careta de dor se tornando cada vez mais presente conforme eu o apertava. — Tá bom, p***a, tá bom! Eu me rendo!
E só assim eu o soltei, sua careta de dor se dissipando em alívio conforme isso. Rolei para o lado oposto a ele e tateei a protuberância na região do meu pescoço, exatamente onde Zayn havia apertado, soltando um rugido de dor só com o raspar dos dedos ali.
— Apenas suma daqui, Malik.
— Não. Tem outra coisa que eu precisava te falar, é claro, antes de você me jogar essa bomba. — Ele apoiou-se nos próprios joelhos antes de virar-se para mim e a anterior feição apavorante voltar para si. — James não morreu por doença terminal nenhuma. Ele foi assassinado na casa de Los Angeles, tudo por lá foi revirado, destruído, não sobrou muita coisa. O assassinato deve ter sido muito bem elaborado já que, de todo o exército de seguranças, nenhum sobreviveu pra contar que diabos aconteceu.
Porra. Isso não podia estar acontecendo comigo. Uma coisa r**m sempre se regenerava em algo ainda pior, e, pela cara de Zayn, eu não havia escutado nem mesmo o pior.
— Eles arrombaram o cofre. O cofre principal, Harry!
O cofre principal era o núcleo de tudo o que lucrávamos. 70% do lucro estava guardado naquele maldito cofre. Era óbvio que ele ficaria aos olhos de James, que vivia numa mansão imensa, com mais cômodos que o palácio de Buckingham, a qual eu m*l havia chegado perto de conhecer. Mas só de olhar as fotos eu já imaginava a proporção do problema, do prejuízo e dor de cabeça que a p***a de um assassinato nos causaria.
— Merda. Merda. Merda! — No auge da minha raiva, soquei a maleta de dinheiro ainda posta sobre a mesa, um alvo que provavelmente teria salvado a pele de Zayn. O dinheiro voava por todos os cantos, mas pouco me importava; eu só precisava de uma boa bebida e possivelmente de uma boa transa. — Chame o Niall. Quero uma passagem com destino à Los Angeles para ainda hoje. É pra lá que nós vamos.
— Até o Sr. Tomlinson?
— Não, menos o Louis. Vamos deixá-lo fora disso.
***
Los Angeles nunca esteve tão deprimente.
Passando pelas colinas do Griffith Park, eu só conseguia olhar para a Hollywood Sign e me afundar ainda mais no espirito suicida de ter perdido 70% do lucro da gangue.
De acordo com Niall, a mansão de James não ficava muito longe dos pontos turísticos clássicos, e então, quando estacionamos em frente a uma mansão imensa e cercada por todo aquele mato, entendi o motivo de James ter escolhido morar ali: o lugar era completamente isolado de pessoas, por mais que estivesse próximo aos pontos turísticos. Niall explicou que era uma área proibida para turistas, o que só podia ser consequência das mágicas que o dinheiro de James fazia.
A mansão resplandecia num verde claro que combinava com as colinas ao seu redor, contando com um grande portão de ferro na sua entrada. Havia cercas elétricas por todos os cantos, o que me levava a pensar que quem quer que fosse e tivesse conseguido entrar ali só poderia ser extremamente bom para tal.
Por fora tudo parecia normal, intacto, mas o estrago foi miseravelmente notável quando finalmente adentramos o seu interior: corpos jogados na grama avermelhada por algo que eu averiguei ser sangue, cadeiras dobráveis quebradas e jogadas na piscina que fazia frente para a entrada da porta principal ao térreo.
Niall falava por meio de um rádio bidirecional com um dos assistentes de Conway conforme as incontáveis portas de vidro se abriam diante de nós. Zayn carregava duas armas em cada mão, enquanto Liam ajudava Niall a passar pelos cômodos por meio de um painel que tinha da mansão. Manchas de sangue tingiam determinadas paredes, móveis estilhaçados vez ou outra apareciam pelo nosso caminho... Parecia um verdadeiro cenário de filmes de terror.
Em determinado momento, chegamos até a cozinha onde duas empregadas e uma cozinheira nos olhavam assustadas e tremendo, num canto isolado de todo o sangue, com talheres jogados pelo chão. Elas trocavam algumas palavras ofegantes e incompreensíveis por nós, já que aparentavam ser latinas, enquanto Niall era o único que entendia pelo menos um terço do que diziam.
— Elas estão dizendo que só conseguiram ver muitos homens entrando na casa antes de ficarem desacordadas. Uma delas estava levando chá para o Sr. Conway, que estava em seu escritório quando os homens chegaram e o apontaram a arma. Estavam encapuzados e eram todos brancos. — Niall disse.
— O cofre deve estar no escritório. — Concluí. — Elas não chamaram a polícia, certo?
Niall se deu o tempo de fazer a pergunta a elas, que negaram antes mesmo que ele terminasse a sentença. Suspirei de tanto alívio, afinal, polícia era algo de que menos precisávamos no momento, especialmente a polícia americana. Por trás do assassinato, eles descobririam a origem do dinheiro roubado, desmascarariam informações confidenciais sobre a gangue de James, e então eu estaria perdido, tudo estaria perdido.
Niall trocou mais algumas palavras com as latinas antes de voltar a tomar frente e guiar-nos pela escadaria de mármore que nos levaria até o segundo andar, onde nos deparamos com cacos de vidraças quebradas ao redor, nos degraus. Tudo estrategicamente feito para marcar a presença dos ladrões, assassinos ou que merda eles fossem, o que me instigava da cabeça aos pés. Mesmo eu sabendo que já havia feito coisa muito pior.
Porém, nada se comparava ao terror diante dos meus olhos conforme eu me aproximava do primeiro cômodo ao lado da escadaria, já no segundo piso. Liam pensava o mesmo que eu ao que olhou hesitante para Zayn e Niall, ambos abrindo lentamente uma porta em ferro com detalhes em dourado, elegante como a própria casa, mas com ares tenebrosos pelo fato da maçaneta estar coberta por sangue, já seco e nojento o suficiente para eu me contorcer numa careta, logo atrás dos outros três. Zayn, que antes segurava as duas armas em ambas as mãos, não disfarçou a feição horrorizada e as mãos trêmulas que fizeram com que as armas fossem ao chão, causando eco por toda a casa.
Eu não demorei muito em enxergar o que todos os outros assistiam horrorizados. A cena era tão monstruosa que eu tive de me apoiar na estante de livros mais próxima da porta. Meu estômago se embrulhava com o cheiro de carne viva que invadiu minhas narinas logo em seguida. Aquela dor incômoda no peito voltava com ainda mais intensidade, principalmente quando vi Liam virar-se para trás com os olhos marejados e mordendo os lábios. Doía tanto para todos nós, eu sabia.
Talvez fosse a vida nos dando o preço de tudo o que fazíamos, ou talvez tudo aquilo fosse por James, e, pela ligação que tínhamos, a dor era a consequência. Ainda assim, eu não conseguia ficar intimidado e rendido ao que nos tinham feito. Aprendi com o tempo, e com James, sobre isso: o que os olhos veem chega ao coração com dez vezes mais intensidade, e, se você é uma pessoa rancorosa, você se livra daquilo que chegou ao coração com dez vezes mais intensidade. E eu me vingaria. Faria eles pagarem por cada detalhe e cada sangue derramado. A dor seria dez vezes pior.
O corpo estilhaçado de James não me deixava falhar na minha mais recente decisão. Sua famosa cicatriz em sangue vivo, a camisa social branca ensopada do mesmo sangue que pingava em sua calça e pendia ao redor de seu corpo; seus olhos azuis que sempre foram tão incrivelmente flamejantes e fora do comum, finalmente humanos. Desabado no chão como um boneco, banhado à luz suave que vinha das frestas da janela, colorindo seu cabelo branco e fino. Jogado de qualquer jeito para onde todos os demônios o levariam após isso.
Mas minhas lágrimas raivosas e quentes descendo pelo rosto não mais pertenciam à imagem dele. E sim ao papel jogado entre seus dedos flácidos e pálidos, sem circulação, com um pequeno e objetivo parágrafo escrito numa caligrafia elegante, mas que mudava absolutamente tudo:
"Esse é apenas o começo. Eu matarei um por um, roubarei cada tostão e cada aliado, até que a sua máfia se resuma em apenas pó distribuído em partes no fogo do inferno. Não existe espaço para dois Impérios aqui, guarde isso, com todo o seu coração. — Casey Emmett."