Sento-me na cadeira mais uma vez, girando a taça na minha mão. A minha mãe e Fausto desapareceram em algum lugar, provavelmente tirando fotos ou assinando documentos.
— Este lugar está ocupado? O zumbido familiar de uma voz do fundo do mar me pergunta. Eu olho para cima para encontrar Marte sorrindo no seu conjunto perfeito demais de dentes brancos perolados.
— Seja meu convidado. Eu sorrio ligeiramente.
— Você parece pálida.
— Eu só estou cansada.
— Estou vendo.
— Onde está a sua namorada?
— Ela foi para casa. Ele dá de ombros, tomando um gole da sua caneca de cerveja. — Você quer ir para algum lugar mais tranquilo?
— Sim por favor. Eu rio e mando uma mensagem rápida para minha mãe dizendo que estou indo para o meu quarto de hotel por causa de uma forte dor de cabeça.
Silenciosamente, Marte e eu conseguimos escapar da multidão de pessoas dançando. Graças a Deus ninguém tentou falar conosco.
— O meu quarto de hotel ou o seu? Ele pergunta de repente.
— O seu. Eu dou de ombros. O meu quarto é ao lado do quarto da minha mãe e do Fausto e eu realmente não quero ficar perto deles quando eles forem 'dormir' esta noite.
— Ok, você gosta de vodca?
— Claro que sim.
— Bom, porque isso é tudo que eu tenho. Ele ri, franzindo o nariz de um jeito fofo. Pegamos o elevador de dois andares e caminhamos por alguns corredores quando finalmente chegamos ao nosso destino. Ele passa o cartão, abre a porta e a mantém aberta para mim como o cavalheiro que está fingindo ser.
— Mer*da, eu esqueci de tirar as roupas do meu quarto para vestir. Eu digo, ficando um pouco brava comigo mesma por agora ter que ficar sentada com este vestido que já está me incomodando.
— Não se preocupe, eu tenho uma camisa que você pode pegar emprestada. Marte sorri e me entrega uma camiseta preta. Agradeço a ele e ele que abre o zíper do meu vestido e eu entro no banheiro para me trocar. Eu deslizo a sua camisa sobre a minha cabeça, uma vez que a monstruosidade está fora do meu corpo, noto que a camisa só vai até o meio da minha coxa.
Me*rda.
Mordo o meu lábio inferior enquanto tento arrumar mais as roupas, mas é inútil. Engulo qualquer timidez que tenho e me olho no
espelho.
Ele tem namorada, não tentaria nada.
Digo a mim mesma várias vezes enquanto saio do banheiro. Eu o encontro deitado na sua cama de short e camisa, digitando no seu telefone. — Ficou bem em você? Ele pergunta, notando a minha figura desajeitada parada no meio da sala.
— Sim, obrigado. Subo na cama ao lado dele, cobrindo o meu corpo da cintura para baixo com lençóis para impedi-lo de ver qualquer coisa que possa gostar.
— Você quer que eu peça pizza?
— Isso seria genial. O meu estômago ronca ao pensar em pizza. Marte liga para o serviço de quarto para pedir que deixem o entregador de pizza entrar enquanto eu peço uma pizza grande de pepperoni e queijo.
— Está gostando de ser rica? Marte me pergunta enquanto enfiamos pizza nos nossos rostos enquanto tomamos uma ou duas doses de vodca para engolir.
— Oh meu Deus, é incrível. Como se eu tivesse o guarda-roupa que sempre quis. Posso ir a lugares chiques. Mas acho que vou conseguir um emprego, só para não esvaziar a conta bancária de Fausto.
— Bem, estou feliz que você gostou.
— Você trabalha para o Fausto?
— Sim, ele e o meu pai são donos da empresa, mas estou treinando para ser o CEO dela.
— Isso é muito legal.
— Eu trabalhei muito para conseguir isso. Muitas pessoas acham que consegui o emprego graças ao meu pai e Fausto. Mas, na verdade eu trabalhei duro para consegui-lo. Marte não parava de falar sobre o seu trabalho. As suas palavras se arrastavam enquanto bebíamos mais e mais das vodcas que ele tinha para oferecer.
— Então me diga, como você conheceu Priscila? Eu rio.
— O pai dela trabalha para nós. Deus, eu honestamente não a suporto. Ela é uma vá*dia! Marte ri enquanto eu morro de rir.
— Termina com ela.
— Eu iria, mas aí o pai dele vai me processar por quebrar o coração dela.
— Que me*rda. Irmão, isso é tão fó*dido.
— Eu sei. Ela não entende mer*da nenhuma e manda em mim. Priscila honestamente me mataria se soubesse que você está aqui.
— Ela pode ir se fó*der.
— Ela tem que fazer isso, eu não vou dar nenhum pá*u a ela.
— Por quê?
— Ela é uma pros*tituta e eu não vou me perder para uma prost*ituta. Estou esperando quando a encontrar, sabe?
Suspirei e senti pena dele. Eu gostaria de poder dizer que sabia, mas não sei. Já fui desonrada, e sinto muito, ainda mais agora.
— Você quer passar a noite aqui? Marte pergunta, lentamente limpando a nossa bagunça.
— Se não for um grande problema. Eu mordo o meu lábio e o ajudo. — Quero que fique. Ele sorri, os seus olhos enlouquecendo com o zumbido.
Voltamos para a cama queen size e apagamos as luzes. Estamos cara a cara quando a sua mão roça o lado da minha bochecha.
— Eu quero te beijar, mas não posso. Por mais que eu odeie o meu relacionamento, não ouso traí-la.
Ele murmura sonolento.
— Entendo. Boa noite, Marte.
— Boa noite, Vanessa. Eu coloco a minha mão sobre a dele, o que mantém meu rosto imóvel e observo os seus olhos se fecharem lentamente. Eu o observo por um momento, ou o que pude, já que o quarto está escuro.
Por que sinto que vai começar algo dentro de mim?
Eu me afasto dele e suspiro. Eu não poderia ter uma queda por um cara que conheci por um minuto quente. Mais uma vez, fico pensando em Fausto e em como seria bom se ele estivesse dentro de mim.
Balanço a cabeça e fecho os olhos enquanto tento me forçar a dormir, esperando esquecer todos os sentimentos que tenho por Fausto e Marte.
.....
— Oi querida. A minha mãe me cumprimenta enquanto é recebida no meu quarto de hotel.
— Ei. Eu esfrego os meus olhos enquanto continuo a arrumar as minhas coisas.
— Onde você estava ontem à noite? Eu vim aqui para verificar você e você não estava aqui.
— Eu estava com Marte.
— Entendo, essa é a sua camisa? Ela arqueia uma sobrancelha fina para mim e eu balanço a minha cabeça.
— Sim, mas não é assim, mãe. Somos apenas amigos. Eu aceno para ela quando sinto os seus olhos cravadas em mim como se estivesse tentando ver se eu estava realmente mentindo.
— Então não aconteceu nada?
— Não, ele tem namorada e é leal. Ele apenas me deixou passar a noite no quarto dele.
— Estou vendo. Ela cantarola, claramente não acreditando na minha verdade. — Bem, Fausto e eu estamos partindo. É um longo vôo para Fiji. Ela envolve os seus braços cor de pêssego em volta de mim enquanto o cheiro de extrato de baunilha envolve os meus sentidos.
— Eu te amo, divirta-se. Eu beijo as suas bochechas.
— Te amo mais. Ele me beija na testa antes que uma virada na maçaneta interrompa o nosso adeus.
— Eu vim para dizer adeus. Fausto entra na sala e me abraça, a sua colônia Axe enchendo o meu nariz, deixando-me com uma sensação de formigamento. O meu corpo pressiona fortemente contra o dele, eu podia sentir o seu abdômen pressionando contra o meu abdômen.
— Tente não destruir a minha casa enquanto estivermos fora. Ele ri enquanto me solta.
— Eu deveria tentar. Eu rio. Nos despedimos e eles saem do meu quarto.
Termino de fazer as malas e coloco uma camiseta e jeans quando ouço uma batida na porta. — Entre. Grito para quem está do outro lado da porta enquanto me inclino para dentro, fechando as minhas malas.
— Preparada? Pergunta a melódica voz aveludada de Marte.