Desolado, decido vestir meu terno, ficando a caráter para uma reunião em que os Pasini irão arrancar meu fígado. Com certeza não irei sair ileso quando lhes contar a m***a que fiz. Isso pode prejudicar qualquer futuro que eu possa, talvez, ter com Layla.
Vou na direção da sala de jantar para o desjejum, quando a vejo. Ali está a minha miragem, o meu imã, dançando como uma criança. Outra vez, acaba com meus nervos, por estar toda suja de terra, sapateando em cima do tapete branco da minha mãe. Tapete esse que ela amava.
Eu a encaro e pronto: meu imã ganha força total sobre mim. Agora, vendo seu sorriso, percebo que preciso ficar afastado dela. Entretanto, ao mesmo tempo sei que não serei capaz de ficar longe. E essa certeza veio na noite passada, quando a tomei em meus braços.
Ela gira, saltitando, e sua luz, junto à cólera do meu ciúme, invade todo o Complexo. Não poderia ser diferente, porque a linda mulher, que é pura doçura e transmite paz, está dando saltos de vestido. Isso faz meus nervos tensionarem e minha mente ser tomada de t***o. Meu corpo queima e é tomado por uma fúria estranha.
Layla fica séria ao me ver e outra sensação surge no meu peito: o incômodo por ter sido ignorado. Ela passa por mim e sobe escadaria a cima.
Eu a espero, por longos minutos, aparecer para o desjejum, e nada. Sem conter mais a insana espera, vou atrás dela, entro em seu quarto e a surpreendo. Ela está apenas de sapatos de saltos altos, escolhendo algo para vestir.
— Caramba! — Salivo vendo tal cena.
Ela tenta cobrir o corpo, acanhada e com suas bochechas vermelhas.
— Não bate na porta? — perguntou envergonhada.
— Já fomos bem mais longe do que isso. Não acha? — Admiro seu belo corpo.
— Isso foi antes de eu ser apenas sua hóspede.
— Desculpe! Mas, apesar da i********e que já tivemos, m*l nos conhecemos. Então, não sei porque está agindo assim.
Ela não responde, só fica olhando sério na minha direção. Assim, entendo que quer que eu saia do quarto.
Sem tomar café da manhã, sigo para a sede na surdina, antes que meus primos e meu pai comecem a me fazer perguntas que me forçariam a contar porque precisei formar uma reunião.
Estou tragando meu charuto, bebendo conhaque e pensando na m***a que fiz na p***a da viagem. Ainda tem o agravante da coisa que estou sentindo pela menina que m*l conheço.
Estava tudo muito bem, até meu pai entrar. Ao senhor Antuani, ninguém engana. Ele se senta na minha frente, acende um charuto e se serve de uma dose de conhaque. Eu me sirvo outra dose generosa e o escuto começar a falar.
— Iam t****r na cozinha ontem à noite? — perguntou sem rodeios.
— Achei que não tivesse visto nada.
— Acha mesmo que eu ia sair pela casa como um i*****l, sem saber o que estava acontecendo debaixo do meu teto?
Olho-o e suspiro.
— O que quer saber exatamente?
— O que quer com a filha do Miguel? A sobrinha do Douglas, a herdeira virgem, a menina que é mafiosa...
— Não sei. — respondi a verdade.
— O que sente por ela, meu filho? Alonso, eu já lhe vi com muitas mulheres, mas nunca o vi olhar para uma como olha para a doce Layla. Jamais te vi perder o juízo como perde perto dela. Também não me lembro de já ter lhe visto rindo daquela forma. Só quando sua mamma estava viva. E não me recordo de você ficar atrás de uma mulher como foi atrás dela nesta manhã.
Atordoado, olho para o meu pai. Eu não queria que ele soubesse de tudo e não queria responder nada a ninguém. Suspiro, certo de que terei que explicar as coisas.
— Pai... — Eu lhe conto tudo sobre o dia em que a conheci e ele salta da poltrona. — Desde então, não consigo tirá-la da cabeça. Sinto que posso m***r o mundo quando outro a olha ou quando ela pula enquanto usa roupas inapropriadas.
— O que acha que seria roupas apropriadas?
— Burca e sem nunca mais saltitar se não for montada em mim. — despejei de uma vez, levando meu pai a se engasgar.
— O que está sentindo por essa menina?
— Não sei. — confessei. — Não insista nessa pergunta! Por agora, essa é minha resposta.
— Descreva o que sente quando a vê e quando não a vê! — ordenou.
— t***o quando a vejo e agonia quando ela se afasta, como se recebesse facadas no peito. Eu poderia dizimar a Itália e o universo se ela olhasse para outro... Se outro a olhasse como eu a olho. Senti saudade quando estava longe. Ela me faz rir e traz leveza e paz à minha alma inquieta na mesma proporção que me causa ira.
— Está apaixonado, e não é uma paixão simples. Você se fechou quando sua mamma se foi, evitando dar e receber amor, e Layla ali, nua em seus braços, quebrou isso... A geleira. Acontece que junto a essa paixão e a esse desejo insano pela menina, veio o ciúme c***l. Ciúme esse que temos que descobrir até onde é capaz de ir. Tem mais, meu filho: se eu estiver certo, a maior causa de tudo isso é o fato de Layla ter se tornado sua maior obsessão. E o conheço bem para notar isso em seu modo de falar e de tragar o charuto mostrando ira. Também esmagou os punhos quando falei sobre ela ficar na casa do Eric. Filho, não se esqueça que o amor, na maioria das vezes, vem assim, sem aviso, de repente!
— É ridículo afirmar que sinto tudo isso por ela. — falei com irritação.
— Tudo bem. — disse tranquilamente. — Mas, se for verdade, contenha suas reações! Porque todos vamos a uma boate hoje, e ela vai junto. E lá, deixe-a aproveitar a noite como quem ela é: uma jovem linda e sem compromisso com ninguém.
Afrouxo os primeiros botões da camisa, preocupado com o que a noite reserva para mim. Estou pronto para contestar, quando ouço um ruído na porta. Caminho com cuidado até ela, abro-a e vejo as três fofoqueiras da família caírem: Eric, Luca e Fred.
— Estavam escutando atrás da porta? — perguntei indignado.
— Em nossa defesa, afirmo que estávamos vindo aqui para lhe interrogar, quando o seu papà entrou. Então, fizemos nossas apostas e aqui estamos. Estou certo de que nós três ganhamos e perdemos. — Eric explicou.
— Aposta... — Franzo o cenho. — Ganharam e perderam... — repeti, analisando tudo que ouvi. — E, posso saber que maldita aposta é essa?
— Apostamos como está caidinho pela herdeira da Beijo da Morte e como vai ser tão possessivo com ela quanto Fred é com Kalita. Está muito apaixonado pela moça, mesmo que m*l a conheça. Foi como fiquei na primeira vez que vi minha russa. — Luca disse de modo sério.
— Com o agravante de que será mais esperto do que Luca e eu fui, não vai negar que se apaixonou assim que a beijou. — Fred acrescentou.
— E eu afirmo que vai ser bem mais t****o do que nossos primos são pelas suas esposas. — Eric anota tudo no seu caderninho de apostas.
— Pode ser. — Eles ficam boquiabertos com o fato de eu não ter negado nada. — Ou pode ser que estejam loucos. — revidei.
Eles se entreolham e riem.
— Como o tio Antuani falou, hoje, na boate, vamos tirar a prova se estamos certos ou não.
Eles ficam mais um pouco no ambiente e saem rápido quando são chamados pelo patriarca Frederico.
— Pai, o que a Layla faz na nossa casa?
— Kalita precisa aprender os costumes deles. Por isso, nada mais justo do que Layla lhe ensinar tudo. Mas acontece que ela não pode ficar embaixo do mesmo teto que a prima recém-casada, porque suas tradições mandam que ninguém atrapalhe o novo casal. Então, depois de uma pequena reunião com os patriarcas e as senhoras, decidimos que seria melhor deixá-la na nossa casa. Na do Eric nem pensar, porque ele mora sozinho, e apesar de jurar que não tem nenhum tipo de interesse por ela, não vamos ariscar uma aproximação dele com a mulher que chamou sua atenção. — Remexo-me ao ouvir tal coisa. — Na mansão do Luca também é impossível, pois ele e Micaela já têm dois filhos, e nenhum de nós pode correr o risco de atrapalhar a pequena Clara em seu aprendizado com algo que não seja dos nossos costumes. Como a Beijo da Morte ainda é um mistério para nós e para o mundo, não vamos arriscar que a bambina veja e aprenda algo de fora das leis Pasini. Sendo assim, a nossa casa é a melhor opção. É claro que a instalação de Layla lá também foi decisão das cabeças da família e da mamma da menina. O que eu não imaginava é que vocês já haviam tido momentos bem íntimos. Isso complica tudo.
Lembro-me mais uma vez da besteira que fiz.
— Por quanto tempo ela ficará sob o nosso teto?
— Deveria se perguntar por quanto tempo vai resistir sem tê-la, sem tomá-la para si. Pode mentir para si mesmo, mas não para o seu papà. Eu o conheço bem, capo, e volto a afirmar que está louco pela menina da Beijo da Morte. Agora, vamos! Arthur está na sala de reuniões.
Não digo nada, apenas sigo ao lado dele para o momento que até mesmo ele irá querer arrancar o meu couro. Vejo-o entrar no local e sinto Eric puxar o meu braço para me levar até o corredor ao lado, onde Luca e Fred estão nos esperando. É exatamente como fazíamos quando éramos crianças.
— Se acha que vai entrar lá antes de contar em que m***a se meteu, está enganado. — Eric disse rapidamente.
— Sem esquecer da Layla. — Fred complementou.
— Na noite da boate, quando pegou ela. — Luca continuou.
— Quando se tornaram matracas fofoqueiras? — perguntei indignado.
— Desembucha! — Fred ordenou, acendendo um charuto.
— Fiquei noivo. — Fred se engasga, Eric arregala os olhos e Luca olha para mim como se estivesse perplexo. — Eu estava muito bêbado, de saco cheio do Eric e dos patriarcas no meu ouvido com a m***a da ideia de que eu teria que me casar; estava perdido, sem entender o porquê Layla, quem eu m*l conhecia, não saía da minha mente. Também fiquei com ciúme dela, porque Ayla disse que a amiga estava em uma espécie de missão. A minha mente ficava a imaginando dançando para outros, como vi naquela noite. Nunca havia bebido daquele jeito, a ponto de ficar fora de mim, então conheci uma garota chamada Nivea e trepei com ela e uma amiguinha c****a sua. Por fim, acabei pedindo a miserável em casamento. A desgraçada, sem eu ver, foi para o banheiro, ligou para o pai dela e lhe contou da m***a que fiz. Agora, não sei o que fazer. Para complicar tudo, quando voltei para casa, Layla estava tocando piano, com meu pai ao lado. Só me lembro de ter sentido aquela fúria de quando assassinaram a minha mãe. A necessidade que tenho de vê-la, de falar com ela e de tê-la é brutal. Tenho uma obstinação por querer enterrar meu c****e nela e a fazer minha, de fazer com ela o que os patriarcas exigem que eu faça. É um absurdo, no entanto nunca quis tanto uma coisa como agora. Nem quando cacei e estraçalhei os assassinos de mamma, senti a cólera borbulhando como lava direto do inferno para o meu corpo, como sinto a cada vez que penso na possibilidade de ela estar com outro.
— Vamos por partes! — Luca pediu. — Desde quando liga para o que um pai vai pensar?
— Desde quando esse é o Olimpo.
— p**a que pariu! O nosso contato para que nossos carregamentos entrem e saiam do México sem problemas.
— Ele não é o nosso único aliado do governo mexicano. — Fred argumentou.
— Levei meses para trazer o cara para nós, porque se borrava de medo dos quartéis inimigos. Foi só quando mandei m***r a mãe dele e forjei provas contra os quartéis, que o desgraçado tomou partido. A m***a toda é que ele é o único que tem poder para facilitar os nossos negócios livremente por lá; sabe todo o esquema e não nos dá problemas. — comentei.
— Cara! Os patriarcas vão arrancar sua cabeça. — Eric comentou.
Entro na sala e vejo a mesa de mármore n***o e as cadeiras de couro do mesmo tom. Os patriarcas estão bebendo conhaque, tragando seus charutos e analisando papéis. Enquanto isso, os demais capos e eu nos sentamos em nossos devidos lugares.
— Ande logo, Alonso, e nos conte porque cargas d’água está com esta cara! — tio Ferdinando ordenou.
— Além de ter caído de quatro pela menina da Beijo da Morte, o que está escondendo? — o patriarca dos patriarcas indagou com frieza.
Pigarreio, afrouxo os botões da camisa, viro uma dose de conhaque, acendo um charuto e começo a contar tudo. À medida que vou explicando as coisas, noto a fúria nos olhos dos patriarcas. Meu pai parece desconsolado.
— Colocou em risco uma operação grande como a que temos no México por uma b****a. — Ferdinando disse irritado.
— Não foi por uma b****a. — retruquei no mesmo tom.
— Como não? Olhe o que fez! — revidou. — Tá na cara que não vai se casar com a menina Layla. Portanto, não se aproxime dela, não a toque e deixe outro ter aquilo que você tanto anseia! Ou acha que sou trouxa para não ter percebido o quanto está louco para f***r com a garota desde a noite em que a conheceu? Acontece que ela é filha do Miguel, prima da Kalita. Nós lhe devemos respeito. E ela, até onde sei, nunca teve homem algum entre as pernas, portanto é virgem e, agora, proibida a você.
Bato em cima da mesa com meus dois punhos fechados e me coloco de pé.
— Se acha que outro a terá, está enganado. Se preciso for, matarei Nivea, forjando um acidente de carro. Mas Layla não será de outro.
Fred gargalha e eu o olho como o d***o olha para a cruz.
— Pode ser o dono do inferno, como nossos inimigos o reconhecem, por ser o mais c***l de nós todos juntos, porém já ouvi Layla e Kalita conversando. Acredite: elas têm os gênios parecidos. Se a garota não quiser ser sua, não será, nem mesmo se você se rastejar aos pés dela. E se ela souber que está noivo, não hesitará em desaparecer das suas vistas.
— Pode apostar que Layla é minha. — Esmurro a mesa novamente.
— Fala com obstinação, como se a qualquer momento aquele porco gordo não fosse aparecer aqui, com a filha dele debaixo do braço. — Frederico disse rispidamente.
— Alonso está apaixonado. Não errou apenas conosco, mas consigo mesmo. Meu filho é o maior prejudicado. E, mesmo assim, eu nunca tinha lhe visto tão bem e feliz como o vi ontem, ao lado dela. Também nunca tinha lhe visto levar uma mulher para a cama. Ontem, os dois estavam quase trepando na cozinha e a menina correspondia a ele, olhando-o com amor. Sabem que quando meu filho quer algo, nada nem ninguém o impede de conseguir. Como eu disse e ele afirmou a todos aqui, esse capo dono do inferno ama de forma possessiva aquela menina. Sabemos que eles vão acabar indo para a cama, porque é com um amor forte assim e mais ou menos obsessivo que todos amamos as nossas senhoras.
— Como pode saber que ela ama o capo? — Arthur parece analisar tudo.
— Porque ela olha para o mio bambino como Graça olhava para mim. — respondeu com tristeza.
— Não vamos condená-lo a uma vida infame ao lado dessa tal Nivea. — o patriarca dos patriarcas afirmou, surpreendendo a todos. — Porém, vamos analisá-lo; começando por hoje, na boate.
— Eu sempre os respeitei, patriarcas, mas não ousem tentar nada contra a mulher que tomei pra mim! — declarei o que nem eu, de fato, sabia. E, neste momento, tenho a impressão de que todos esperavam por isso. — Nem pensem na possibilidade de jogar machos para cima do que é meu!
— Ela não sabe, mas está namorando com você. — Eric ri debochado.
— Vá para o inferno! — retruquei irritado.
— Acalme-se, Alonso! Já entendemos que não vai abrir mão da herdeira da Beijo da Morte. Diferentemente dos capos Luca e Fred, você sempre soube o que quis e foi obstinado, no entanto quero saber o que faremos com o grave fato de ter se comprometido com uma c****a. — falou o patriarca Frederico.
— Alonso terá que manter esse noivado às escondidas, tanto da Layla, como de toda a Beijo da Morte, ou Douglas e Miguel darão um jeito para que ele nunca mais possa ver a herdeira deles. E isso seria terrível, porque na última vez que Alonso surtou, matou até mesmo aliados importantes. E como vai esconder a m***a que fez, é problema dele. Enquanto isso, vamos mandar o máximo de carregamentos para os mexicanos, fechar novas alianças e planejar milimetricamente um acidente de carro para a v***a e o paizinho dela. Ele precisa morrer com ela, ou acabará dando com a língua nos dentes. E assassiná-los explicitamente não é uma opção, pois levantaria especulações. Já a amiguinha da p**a vai ter um surto de overdose. — tio Arthur informou.
— Ou poderíamos desaparecer com ela, fazendo-a se envolver com o paizinho da noiva cadáver. Assim, Nivea ficará tentando reconciliar os pais. Isso nos daria mais tempo. — Luca sugeriu de modo sério.
— É o Alonso quem vai ter que cuidar para esse maldito noivado não se espalhar. — o patriarca dos patriarcas decidiu.
— Por que está me ajudando? — perguntei intrigado.
— Layla nasceu na máfia. Fred, ao se casar com mia bambina, que, por acaso, também é bambina do Ferdinando e do Douglas, trouxe uma aliança forte para nós. Porém, como Kalita não se criou junto ao Douglas, essa aliança precisa ser conciliada.
— Desde quando fazemos alianças? — questionei desconfiado.
— Desde quando Fred ganhou como sogro o Douglas e, com isso, a Beijo da Morte e muito mais inimigos para atentar contra as nossas senhoras. Nunca tive, nem tenho medo de nada ou de ninguém, mas nós já provamos o gosto de perder uma das senhoras e amargamos quando Kalita entrou naquela mata e foi sequestrada. Então, entendi que Miguel estava certo: alianças nos deixam mais fortes e ricos.
— Eu sabia que não era só por amor à Kalita. — Eric disse.
— Por acaso vivemos só de amor? — tio Arthur indagou.
— Não. — ele respondeu, dando o braço a torcer.
Nós saímos do local calados. Até que o patriarca Arthur vem na minha direção.
— Alonso, precisa saber de algo, mas antes quero pedir para que seja você mesmo hoje à noite. Tente! Lute para manter a calma! E, pense bem se quer levar uma virgem para a cama, se está disposto a largar sua vida de farra para se amarrar! Sabe que nós, Pasini, não traímos as nossas senhoras, e sabe que terá que cumprir não apenas as nossas leis, como as da família dela.
— Não se preocupe! Não penso em deixar de seguir o que tanto nos une e que se cumpre há gerações. Quanto às leis deles, eu não tinha pensado a respeito. Nem mesmo Douglas fala sobre elas. Vou tentar saber algo ao observar Layla.
— Ah! Antes que eu me esqueça, tive um probleminha quando ela chegou no Complexo.
— Que problema, patriarca? — perguntei sisudo.
— Meu novo chefe de segurança andou espionando a sua futura senhora na piscina. Não bastando isso, ele espalhou entre os nossos homens que ela é uma v***a da Beijo da Morte e que é comestível. Ao invadir a casa dele, vi que o desgraçado tem um mural que quero que veja com seus olhos. Lá tem o nome dela em uma folha coberta de esperma. Ele ainda não sabe que nossos homens nos contaram sobre a fixação dele pela menina, tampouco que sua casa foi invadida por mim. Quero saber se vai fazer algo. Caso contrário, eu mesmo farei. Miguel, Douglas e Miquelangelo, o fraterno deles, confiaram a segurança dela a nós.
Eu dobro as mangas da minha camisa e o patriarca dos patriarcas já entende bem o que isso quis dizer. Também afrouxo os botões dela. As minhas veias ardem, queimando feito brasas.
Fecho os punhos e fito meu tio.
— Quando soube disso?
— Um pouco antes de começar a reunião.
— Você disse que ele é seu novo chefe de segurança. Cadê o que é de longa data?
— Na Flórida, resolvendo pessoalmente uns assuntos dos nossos interesses.
— Quando o assunto é a Layla, eu cuido pessoalmente.
Ele mostra satisfação.
Minutos depois estou sentado, fumando e analisando novas estratégias, quando Eric entra na sala sem bater, como sempre.
— Eu soube que pendurou o Jordan no seu porão e descobri os motivos. Tem consciência de que está agindo muito pior do que Fred e Luca? — Sente-se irritado. — Cara, você está obcecado pela ideia de ter uma mulher que nem sequer conhece bem. Layla parece ter opiniões fortes e formadas sobre as coisas. Se essa mulher aceitar ser sua, acho que isso o tornará ainda mais sanguinário. O que seria ótimo se não fosse enlouquecido por uma garota que viu duas vezes. Tome cuidado! m*l a conhece e está aí, agindo como se cada passo dela te pertencesse. Eu te vi poucas vezes assim, e em todas as vezes que perdeu a cabeça, nunca foi por uma mulher. Então, acredito que esse motivo será muito mais forte dentro de si. Tome cuidado, primo, para não fazer dela a sua vida e para não se tornar dependente! Já passou da adolescência, para se comportar com tanta insanidade.
— Eric, eu esperava um sermão de qualquer um, menos de você. — Achei um absurdo o seu comportamento.
— Só estou preocupado. Você passou anos longe e eu me lembro que nem mesmo quando caçou os assassinos da sua mamma e as famílias deles, ficou tão obstinado. Os patriarcas estão certos: não adianta falar nada. Bom... O que vai fazer com o sobrevivente que está no seu porão?
— Vou mutilá-lo, arrancar e dilacerar o p*u dele. — Trago meu charuto. — Mas, amanhã. Hoje vou à nossa boate, La vison. Parece que até mesmo os capetas casamenteiros irão.
— Era de se esperar. Provavelmente, elas vão lá para cuidar dos maridos, já que são tão ciumentas quanto eles. Melhor assim, ou iriam voltar para a vingança delas. E os patriarcas, Fred e Luca iriam estressar nossas vidas até elas resolverem fazer as pazes.
— Elas são demônios de saias. Se o inferno expulsou demônios para casar os capos, mandou-as diretamente para a nossa família.
— Ouça bem uma coisa: elas adoram a Layla. Se uma delas descobrir que já está noivo, todos estaremos ferrados por te ajudar nessa canalhice.
— Não vou me casar com Nivea; vou meter em Layla, que é virgem, e ela terá que se casar comigo. Irei m***r o pai da c****a para a desestruturar e forjar um suicídio de sua parte.
— É uma boa ideia. Só não pode deixar que ninguém da Beijo da Morte descubra antes que você pediu uma v***a em casamento. Tem que tomar cuidado. Aquela mexicana não é nada burra, ou não teria alertado o pai dela. E se esse verme descobrir sua obsessão pela filha do Miguel, vai dar um jeito de fazer a própria Layla descobrir. Posso estar enganado, mas não acredito que ela vai aceitar isso.
— Eric, não sou bobo. O que está acontecendo? Desde quando se preocupa com a vida alheia? — Ergo as pernas para cima da minha mesa, esperando uma resposta.
— Eu me tornei muito amigo do Douglas e ouvi ele dizendo para a minha irmã que, por sorte, ela está casada com quem quer, porque do jeito que ela saía por aí beijando quem queria, a lei deles teria lhe feito se casar com quem a mamma dele escolhesse. E nos dois meses que esteve longe, vi Layla perto da avó dela. Foi uma única vez, mas foi suficiente para eu notar uma tensão grande entre elas. A velha arrogante disse, de peito estufado, que a neta ainda era intacta e que nem sequer havia provado um beijo. Vi a moça mostrar repudio pela atitude da avó, que falava com os patriarcas sobre o assunto como quem anunciasse uma coisa que estava à venda. Também vi Douglas e Matteo, o nonno da mulher que você acredita que será sua.
Suspiro.
— Vá para o inferno se acha que acredito que está pensando no bem-estar de Layla porque fiz aquela m***a no México e teme que Douglas ou qualquer outro da Beijo da Morte descubra isso. Ou melhor, que a velha arcaica descubra que a neta dela foi bem além dos beijos comigo. Diga logo a verdade! — ordenei. — Desde quando começamos a mentir uns para os outros?
— Se você se casar, em seguida, querendo ou não, será minha vez. E adoro a minha vida de farras.
Bato as mãos em cima da mesa em sinal de euforia.
— Eu sabia! Esse é o Eric que conheço.