As semanas seguintes foram um turbilhão de esforço, ansiedade e noites m*l dormidas. A universidade respirava um clima denso e carregado — fim de semestre. Era como se os muros da faculdade absorvessem toda aquela tensão e a devolvessem multiplicada.
Kelly mergulhou nos estudos com a mesma dedicação implacável de sempre. Era uma máquina de concentração. Estava presente em cada aula, fazia anotações impecáveis, e ainda encontrava tempo para ajudar colegas com dúvidas. Otávio, com a mesma garra, era seu parceiro de guerra intelectual. Os dois formavam uma dupla imbatível, incentivando um ao outro, trocando resumos, revisando juntos até tarde da noite.
Chegado o momento das provas finais, o clima era de pura sobrevivência. Corredores cheios de estudantes desesperados, olhos vermelhos de tanto estudar, vozes sussurradas discutindo teorias constitucionais, jurisprudência, penal e regional. Era uma verdadeira maratona mental.
E como esperado… Kelly gabaritou todas as provas. Otávio também.
João, Caio e Leandro, os irmãos que a vida universitária deu a Otávio, também saíram vitoriosos. O grupo celebrou as conquistas com sorrisos cansados e olhos brilhando de alívio. Eles estavam vencendo — juntos.
Mas nem tudo eram flores.
Rafael ainda estava lá.
Observando. Medindo. Analisando. Os olhares que ele lançava para Kelly não haviam cessado — apenas se tornaram mais disfarçados. Ele não ousava mais encará-la com descaramento como antes. Agora, agia com sutileza envenenada. Um levantar de sobrancelha durante as apresentações dela, um olhar que se demorava segundos a mais, um meio sorriso quando ela falava algo brilhante.
Mas ele sentia os olhos de fúria. Não só os de Otávio, que praticamente queimavam quando flagrava os olhares de Rafael, mas também os de João, Caio e Leandro. Os três encaravam Rafael como se ele fosse um vírus prestes a ser eliminado.
E era claro: Rafael estava testando limites.
Otávio estava à beira de um colapso. Disfarçava, mas por dentro, fervia. E Kelly… notava.
Foi durante uma tarde de intervalo que ela se reuniu com suas amigas mais próximas — Carla, Renata, Isadora e Luiza — no refeitório da faculdade. Elas pegaram café, sanduíches, se sentaram num canto mais reservado.
— Gente, o Otávio tá estranho… tá tenso — desabafou Kelly, mexendo o canudo no copo de suco. — Ele tá com ciúme. E eu sei que é por causa do Rafael.
As amigas trocaram olhares rápidos.
— Ai, amiga… — disse Carla, mexendo no cabelo — esse tal Rafael tá passando dos limites mesmo. Não é só coisa da cabeça do Otávio. A gente viu.
— Exato — completou Renata, com um suspiro. — Eu já vi ele encarando você várias vezes. Não é olhar de admiração, não. É olhar de desejo. É desrespeito.
— Mas o Otávio precisa confiar em você — disse Luiza, firme. — Você não dá a******a nenhuma, Kelly. Nunca deu. Ele precisa lembrar que você é dele. E só dele.
— Eu tento conversar, mas ele se fecha… — Kelly olhou para a mesa, triste. — Eu amo o Otávio. Eu só tenho olhos pra ele. Mas esse clima tá me deixando angustiada.
— Calma, amiga — disse Isadora, tocando sua mão. — O Otávio ama você mais do que tudo. E quando um homem ama desse jeito… ele surta mesmo. Mas ele vai entender. Confia.
A noite ,a porta do apartamento se abriu devagar, rangendo suavemente como se soubesse o que estava prestes a acontecer. Otávio entrou, o perfume do bar ainda em suas roupas, o sorriso fácil no rosto, o corpo levemente aquecido pelo álcool e pela euforia de uma noite descontraída com os amigos.
Mas tudo se dissolveu no ar no instante em que ele empurrou a porta do quarto.
Lá estava ela.
Kelly.
Deitada sobre os lençóis brancos, vestida com uma lingerie preta rendada, que abraçava cada curva com perfeição, deixando visíveis seus s***s fartos, a cintura estreita e a pele macia que parecia brilhar sob a luz suave do abajur. As alças finas escorriam por seus ombros, e o olhar... ah, aquele olhar.
Sexy. Calmo. Provocador.
Otávio parou na porta, o coração disparando. Um sorriso lascivo surgiu nos lábios enquanto ele mordia o inferior, os olhos cravados nela como se fosse um banquete.
— Uau... que isso, mulher? — murmurou com a voz rouca, os olhos faiscando de desejo.
Kelly sorriu, lenta, perigosa.
— É tudo pra você... vem. — sussurrou, o olhar cravado nele como uma promessa.
Ele não pensou. Largou as chaves no criado-mudo, tirou a camisa com pressa, o peito arfando. Caminhou até ela como um animal faminto. Quando chegou à beirada da cama, ela se ergueu ligeiramente, os dedos finos passeando pela pele dele. O toque dela o incendiava.
Otávio desceu por sobre ela com delicadeza e fome. Os corpos se encontraram como peças de um quebra-cabeça antigo e conhecido. Ele deslizou os lábios pela clavícula de Kelly, beijando, lambendo, mordiscando com lentidão, como quem saboreia cada milímetro. A mão esquerda dele desceu por suas costas nuas, e ela arqueou o corpo em resposta, sentindo um arrepio quente subir pela espinha.
— Você tá linda demais… — ele sussurrou, com a voz baixa e rouca, encostando a testa na dela.
Kelly respondeu com um gemido abafado quando a língua dele desceu pelo vale dos s***s, fazendo círculos lentos e úmidos na pele sensível. Seus dedos cravaram nos cabelos dele, guiando, puxando, pedindo mais.
Otávio deslizou as mãos pelas laterais do corpo dela, apertando as coxas, subindo, agarrando sua cintura e colando o quadril ao dela. Os dois arfaram. O calor era quase insuportável.
Ela gemeu de novo quando ele puxou a calcinha de lado, devagar, fazendo questão de encostar o rosto em suas coxas no caminho. A barba rala arranhava de leve, provocando sensações explosivas.
Línguas e dedos se encontraram, se misturaram. Otávio percorreu toda a extensão do corpo dela com beijos lentos, molhados, sussurrando palavras indecentes ao pé do ouvido, explorando com devoção cada espaço entre os ombros, os quadris e principalmente entre as costas — ali onde ela era mais sensível. Ela tremia, arqueava, agarrava os lençóis, soltava gemidos roucos, deliciosos, que o deixavam ainda mais louco por ela.
Os corpos se uniram em um ritmo que alternava entre a delicadeza e o desespero. Mãos deslizando, respirações entrecortadas, gemidos abafados contra bocas que se buscavam. Eles se amaram com a alma. Com intensidade. Com verdade.
E quando terminaram, exaustos, ofegantes, enroscados um no outro, o quarto ainda pulsava com o calor dos dois.
Kelly acariciava os cabelos dele com delicadeza, os olhos suaves. Otávio, com a cabeça repousada entre as coxas dela, subia e descia os dedos com carinho em sua pele morna.
— Meu amor… — ela começou, em tom calmo. — Eu não quero mais que você continue com isso. Você sabe que eu sou sua. A gente mora junto, a gente estuda juntos, na mesma sala, no mesmo curso. A gente vive junto o tempo todo. Minha vida é com você… o tempo inteiro.
Ele a olhou com ternura, mas permaneceu em silêncio, os olhos carregados.
— Não tem motivo pra você desconfiar assim. Então me diz. Me lembra… o que tá acontecendo com você?
Otávio suspirou, os dedos parando de se mover.
— Meu amor… não é de você que eu desconfio. Eu confio em você de olhos fechados. É nele que eu não confio. No jeito que ele olha. No que ele pensa. — sua voz era baixa, mas firme.
— Mas deixa ele pra lá, Otávio. — Kelly se moveu, sentando-se, ficando de frente para ele, os olhos marejados. — Você sabe que eu não fiz nada. Eu não estou fazendo nada. Eu tenho olhos pra você. Eu sou sua. Poxa, isso me dói… ver você se afastando de mim. Porque eu sinto. Eu sinto você se afastando. E isso me machuca.
Ele a envolveu nos braços, puxando-a pra perto, com força, com verdade.
— Me perdoa. Eu tô tentando lidar com isso… Mas eu te amo tanto que às vezes meu medo me engole.
— Não deixa o medo estragar o que a gente tem. — ela sussurrou contra o peito dele. — Não deixa as coisas entre a gente ficarem assim. Por favor.
Otávio levantou o rosto dela e a beijou. Primeiro com calma. Depois com intensidade. Como um pedido de desculpas. Como uma promessa.
— Você é tudo. Tudo. E eu vou melhorar. Por você. Por nós.
Ela sorriu, enfim. Os olhos ainda brilhando.
E ali, no silêncio do quarto, entre os lençóis bagunçados, os cheiros misturados e os corpos colados, eles sabiam: o amor deles era real. Intenso. E mesmo que às vezes doesse, ele era deles. Só deles.