No ritmo Do amor e da rotina

1033 Words
O silêncio do quarto era preenchido apenas pela nossa respiração tranquila. A luz da madrugada invadia pelas frestas da janela, pintando nossos corpos com tons suaves e dourados. Otávio acariciava meus cabelos com a ponta dos dedos, em um carinho que me dava paz. Estávamos deitados, entrelaçados, com os corações batendo em sintonia. — Você tá tão quieta… — ele murmurou, encostando os lábios na minha testa. — Em que tá pensando, amor? Suspirei, sentindo meu peito cheio. — Em você… Em como você mudou minha vida de um jeito tão bonito. Nunca pensei que fosse me sentir assim. Tão… inteira. Ele me apertou contra o peito, e eu ouvi o coração dele acelerar. — Sabe o que é mais louco? — ele falou, com a voz baixa e embargada. — Eu sempre imaginei que o amor fosse uma coisa simples. Que bastava gostar, querer, estar junto. Mas com você… é mais do que isso. Com você, é entrega. É cura. É verdade. E às vezes eu me pergunto se mereço tudo isso. Levantei o rosto e encarei os olhos dele, brilhando no escuro. — Não fala isso… Você merece tudo. Você me ama de um jeito que eu nem sabia que era possível. Você me respeita, me admira, me cuida… Me faz sentir que posso enfrentar qualquer coisa, desde que seja com você. Ele sorriu de leve, e seus olhos se encheram de emoção. — É que eu olho pra você e vejo futuro, sabe? Eu te imagino ao meu lado em cada conquista, cada desafio. Te vejo como mãe dos meus filhos, como minha parceira pra vida inteira. Eu quero te proteger, te fazer feliz todos os dias… até quando a gente tiver ruguinhas e cabelos brancos. Soltei uma risadinha emocionada, enquanto meus olhos marejavam. — Com você, eu quero tudo também. Quero acordar ao seu lado todos os dias. Quero brigar por causa da louça, rir por qualquer besteira, planejar viagens, construir nossa história... E envelhecer te amando do mesmo jeito que eu amo agora — confessei, com a voz trêmula, e ele me puxou para mais perto. — Então me promete uma coisa? — Qual? — Que mesmo quando o mundo tentar derrubar a gente… a gente vai lembrar disso aqui. Do que a gente sente agora. E vai lutar. Sempre. — Eu prometo — sussurrei, com o coração em chamas. — Porque você é o meu sempre, Otávio. Nos beijamos devagar, como se selássemos um pacto sagrado. Depois, ficamos ali, deitados, aninhados um no outro, enquanto o dia nascia lá fora, e dentro de nós, a certeza de um amor que era para durar para sempre. O sol m*l havia nascido quando Kelly despertou. Com os olhos ainda pesados de sono, ela se espreguiçou, levantou-se da cama, caminhou até o banheiro, tomou um banho revigorante e se vestiu com calma. Queria que a manhã começasse bem, com carinho e leveza. Saiu do quarto e foi direto para a cozinha. Ligou a cafeteira, separou o pão, a manteiga, as frutas, os ovos. Com delicadeza, começou a preparar o café da manhã para sua mãe e para Otávio. Quando já estava terminando de arrumar a mesa, sentiu braços fortes a envolverem pelas costas. — Bom dia, meu amor — sussurrou Otávio ao seu ouvido, com um beijo leve no pescoço. Kelly sorriu, virou-se de frente para ele e respondeu com um selinho cheio de ternura: — Bom dia, vida. Logo em seguida, a mãe de Kelly apareceu na porta da cozinha com um sorriso no rosto. — Bom dia, pombinhos! Como vocês estão hoje? — Estamos bem, mãe — respondeu Kelly, sorrindo. Otávio assentiu com a cabeça e também sorriu. Os três se sentaram à mesa e compartilharam aquele momento simples, porém cheio de afeto. Risadas suaves, olhares cúmplices e o cheirinho de café fresco enchiam a casa de aconchego. Após o café, Kelly se despediu da mãe com um beijo carinhoso no rosto e saiu com Otávio. Era dia de prova de História. Na sala de aula, tudo seguia em silêncio, o som dos dedos digitando e canetas rabiscando enchia o ambiente. Kelly estava focada, concentrada, mas não se surpreendeu quando seu celular vibrou discretamente. Olhou de canto de olho e viu o nome de Amanda. Mais uma vez, pedindo ajuda. Kelly ergueu os olhos e apenas acenou com a cabeça, sinalizando um firme “não”. A prova terminou. Quando saíram da sala, Amanda se aproximou, já com aquele tom de cobrança: — Nossa, Kelly… você tá muito diferente! Você sabe que eu tô precisando de ajuda, se você não me ajudar, eu vou reprovar! Kelly respirou fundo e respondeu com um sorriso sarcástico: — Ajuda, Amanda? Vamos falar de estudo então? Você não larga rede social, vive de namorado em namorado, não faz nada em casa, só trabalha de vez em quando… e ainda quer cola? Amanda bufou, mas Kelly continuou com firmeza: — A minha vida é uma correria. Eu estudo em casa, me preparo pra concurso, trabalho, cuido da casa, da minha mãe, do meu homem… e você ainda quer que eu chegue aqui e te passe cola? Assim, do nada? Otávio, que estava por perto, apenas observava tudo em silêncio, atento. Amanda cruzou os braços e respondeu, num tom provocativo: — Quem te viu, quem te vê… Kelly arqueou a sobrancelha. — Sério, Amanda? Me diz aí, em que exatamente eu mudei? Amanda ficou calada por alguns segundos, sem saber o que dizer. — Em nada, né? Eu sempre fui assim. A única diferença é que agora eu não sou mais solteira. E mesmo assim, continuo dando meu jeito. Estudo, me esforço. Só que você quer tudo fácil, e eu não sou esse atalho. Amanda suspirou e virou as costas. — Deixa, Kelly… eu me viro sozinha. Otávio se aproximou, envolveu Kelly num abraço e falou baixinho: — Não liga pra isso, vida. Você tá certíssima. Quem quer, corre atrás. Quem não quer, arruma desculpa. Kelly encostou a cabeça no peito dele, aliviada por ter falado o que precisava. Era isso. Ela não era mais a mesma. Era melhor. Mais firme, mais forte. E tinha ao seu lado quem a compreendia de verdade.
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