Dia de cachoeira (2)

1524 Words
A água gelada arrancava risadas e gritos, mas logo os corpos se acostumaram, e a brincadeira deu lugar a momentos mais intensos. Marcos se aproximou de Carla, que estava de costas, com os cabelos molhados grudados nas costas. Ele a puxou suavemente pela cintura, encostando o corpo quente no dela sob a água cristalina. — Sabe o que eu pensei? — ele sussurrou ao pé do ouvido dela, enquanto suas mãos acariciavam lentamente a barriga dela por baixo da água. — O quê? — ela perguntou, sorrindo, sentindo o arrepio da pele se misturar ao calor da presença dele. — Que você fica ainda mais linda assim, molhada… e só minha — respondeu ele, dando um beijo lento e profundo na curva do pescoço dela. Carla se virou de frente, enlaçando os braços em volta do pescoço dele, colando os corpos com desejo. O beijo veio quente, intenso, cheio de emoção, como se o mundo ao redor não existisse. Do outro lado, Kelly e Otávio se divertiam, mas o clima também esquentava. Ele segurou a cintura dela, deslizando as mãos pelas costas até os quadris. — Vem cá, mulher gostosa — disse ele, puxando-a com firmeza. Ela riu alto, mas se entregou ao toque dele, e os dois se beijaram ali mesmo, com a água escorrendo pelos rostos. Luísa e Leandro estavam mais discretos, mas trocavam olhares intensos. Ela sentou em uma pedra rasa dentro da água e ele se aproximou, ficando entre suas pernas. — Tá rindo de quê? — ele perguntou, encarando os olhos dela. — De nada… só tô feliz. Esse lugar, você… tudo tá perfeito — ela disse, envolvendo o rosto dele com as mãos e puxando para um beijo calmo e profundo. Já Isadora e Caio estavam no canto mais afastado, rindo um do outro, jogando água, mas aos poucos os toques se tornaram carícias. Ele a pegou no colo e encostou o corpo dela na pedra fria, com a água batendo nas pernas. Ela gemeu baixinho com o contraste da temperatura e mordeu os lábios ao sentir os beijos lentos que ele dava por todo o pescoço. Renata e João, mais ousados, foram os primeiros a sair da água e se deitaram sobre a canga, rindo e se acariciando enquanto o sol secava seus corpos. Ele passava as mãos lentamente pelas coxas dela, que fechava os olhos e sorria de prazer. Enquanto isso, a trilha sonora era o som da cachoeira, os risos, os beijos molhados, os suspiros e o som suave das latas de cerveja sendo abertas. O clima era perfeito: liberdade, natureza e desejo. Ali, entre árvores, pedras e águas frias, os corpos estavam quentes. E mais do que isso — os sentimentos começavam a nascer, mesmo que alguns ainda não soubessem. Depois de tantos mergulhos, beijos molhados e abraços dentro d’água, a galera saiu da cachoeira com os corpos renovados e a alma leve. As meninas estenderam as cangas na parte mais seca das pedras, vestiram novamente suas saídas de praia e se sentaram, deitadas ou encostadas umas nas outras, rindo e curtindo o pós-banho com os cabelos ainda pingando. Carla ajeitou os cabelos molhados para o lado, enquanto mordia um dos sanduíches que haviam preparado mais cedo. Ao seu lado, Kelly já estava abrindo outra garrafa de suco e oferecendo para as meninas. Renata estava deitada, com o braço sobre os olhos, rindo das besteiras que Luísa contava. Isadora segurava uma latinha de cerveja e balançava os pés descalços de forma despreocupada. — Isso aqui tá parecendo o paraíso — disse Carla, olhando em volta. E era mesmo. Enquanto isso, os meninos se entreolharam e decidiram ir até um barzinho rústico e charmoso que tinham visto a uns duzentos metros dali, um pouco mais afastado da parte reservada onde estavam. Era de madeira, com uma varandinha e alguns bancos altos, e o cheiro de comida boa já chegava no ar. Marcos virou-se antes de sair e falou alto, piscando para Carla: — Espera aí que a gente vai buscar uma surpresa pra vocês. As meninas apenas riram, sem saber o que esperar. Cerca de vinte minutos depois, eles voltaram — e a surpresa era deliciosa. Eles carregavam bandejas com petiscos fumegantes: peixe frito crocante, batatas rústicas bem temperadas, linguiça acebolada apimentada, molhos variados e até umas pimentas em conserva que Luísa gritou de felicidade ao ver. — Gente do céu, que banquete! — disse Kelly, rindo alto enquanto ajudava a distribuir os pratos. — Isso aqui tá melhor que muito restaurante por aí — comentou Isadora, provando a batata e fazendo um som de aprovação. Eles comeram ali mesmo, dividindo os pratos, rindo, trocando garfadas, servindo um ao outro. Otávio dava batatinhas direto na boca de Kelly, Marcos segurava o peixe e assoprava para Carla provar. Leandro roubava uma linguiça do prato da Luísa, que deu um tapa leve no ombro dele. Era uma energia gostosa, leve, cheia de carinho. Enquanto o tempo passava, o céu começava a mudar de cor. O sol, aos poucos, descia no horizonte, tingindo as árvores e a água com tons dourados, alaranjados e rosados. Um espetáculo natural digno de cinema. — Olha isso… — sussurrou João, deitado ao lado de Renata, apontando para o céu. Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, admirando aquele momento mágico. A natureza parecia em sintonia com o que cada um sentia por dentro. — Esse pôr do sol... parece que é só nosso — disse Carla, encostando a cabeça no ombro de Marcos, que a envolveu com os braços, a beijando no topo da cabeça. O barulho da água caindo, o vento leve balançando as folhas, o cheiro da comida ainda no ar e as risadas ao fundo… tudo era perfeito. Era o tipo de dia que ninguém queria que acabasse. O fim da tarde tingia o céu de dourado alaranjado, refletido nas águas da cachoeira que corriam com brilho mágico. A luz suave de pequenas lanternas solares, instaladas ao longo de uma trilha próxima, dava um toque acolhedor ao ambiente. A natureza ao redor parecia cúmplice daquele momento único: as folhas sussurravam com a brisa leve, o som da queda d’água ecoava como uma trilha sonora natural, e a ausência de qualquer outra pessoa tornava tudo ainda mais íntimo. Era como se aquele pedaço de paraíso tivesse sido reservado só para eles. Cada casal tinha encontrado seu espaço, uma pedra confortável, uma canga estendida ou apenas o calor dos corpos para aquecer o começo da noite. A atmosfera era densa de desejo e ternura. Marcos estava com Carla sentada em seu colo, de frente pra ele. As mãos dele acariciavam lentamente as coxas dela por baixo da saída de praia, enquanto os olhos dos dois trocavam olhares profundos. — Você não tem ideia do quanto eu tô gostando disso aqui… com você — disse ele, puxando-a para um beijo lento, profundo, que fazia o tempo ao redor parar por alguns segundos. Carla sorriu, com os lábios ainda colados aos dele. — Eu tenho. Porque eu também tô sentindo tudo isso. Do outro lado, Otávio havia deitado Kelly sobre uma toalha perto da margem. Ele acariciava a barriga dela com a ponta dos dedos, descendo aos poucos pela lateral do biquíni. Kelly ria baixinho, se arrepiando com o toque dele. — A noite tá ajudando a deixar tudo ainda mais gostoso, né? — ele provocou. — Tá — ela respondeu com os olhos brilhando. — E você também. Os dois se beijaram ali mesmo, com o som da água preenchendo os silêncios entre um suspiro e outro. Renata e João estavam sentados mais perto das pedras, com os pés dentro da água fria. João estava com os braços ao redor dela, acariciando o pescoço da namorada com os lábios. Renata fechava os olhos e deixava os dedos deslizarem lentamente pelo braço dele. Luísa e Leandro tinham se deitado de lado, frente a frente, na canga estendida perto de uma árvore. As mãos de Leandro traçavam os contornos da cintura de Luísa por baixo da blusa leve, enquanto ela sorria com os olhos fechados, mordendo de leve o lábio inferior. — Essa noite podia não acabar nunca — ela sussurrou, antes de se aproximar mais, roçando o nariz no dele e o beijando com carinho. Caio e Isadora estavam ainda mais reservados, escondidos por uma formação de pedras maiores. A água batia de leve perto dos pés deles. Isadora estava sentada no colo de Caio, com as pernas envoltas na cintura dele. As mãos dele estavam apoiadas nas costas dela, os olhos fixos nos dela. — Você não tem ideia de como você fica linda assim, nesse cenário — ele disse, com a voz baixa e rouca. — Então me olha mais… porque eu quero que essa imagem fique gravada em você — respondeu ela, antes de beijá-lo com intensidade. A noite tinha chegado de verdade. E ali, envoltos pela natureza e pela cumplicidade dos corpos e sentimentos, cada casal se entregava ao toque, aos beijos demorados, ao calor da pele e à conexão que ia além das palavras. A cachoeira continuava correndo… como se guardasse todos aqueles segredos sob suas águas brilhantes.
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