A vingança dos meninos

964 Words
O sol começava a descer no horizonte, tingindo o céu de tons dourados e alaranjados. A brisa da tarde era suave, e o mar refletia o brilho quente como se fosse feito de ouro líquido. As meninas ainda estavam dentro d’água, rindo, conversando, trocando olhares cúmplices e livres. Pareciam flutuar entre as ondas, leves, como se nada ao redor as atingisse. Na areia, os rapazes observavam. Otávio, de braços cruzados, lançou com ironia: — É… estão lá. O dia todo na água. Parecem até peixe. Só pra não ter que ficar perto da gente. Acham que vão nos deixar no vácuo, só porque ficaram bravinhas. Leandro gargalhou: — m*l sabem elas que assim que a gente se levantar daqui, a gente vai se armar bonito e partir pro fervo. Aí quero ver se elas vão continuar com essa palhaçada. — Elas vão aprender. — completou Caio, com um meio sorriso torto. — Aprender a não brincar com o emocional dos outros. Marcos assentiu, puxando a camiseta da cadeira: — Eu vou com vocês. Quero curtir a noite também. A gente tá precisando. Mas eu sei… eu conheço a Carla. Depois ela vai aprontar alguma comigo. Todos riram juntos. — Vai mesmo. — disse João. — Elas são unidas demais. Quando uma apronta, a outra ajuda. É irmandade. Leandro completou: — A Carla só não aprontou hoje porque foi pra casa dos teus pais contigo. Senão, já teria jogado na tua cara também. Marcos riu: — Então vamos aproveitar a noite entre amigos. Hoje, a gente que vai fazer elas surtarem. Enquanto isso, lá dentro do mar… Kelly virou-se para as meninas, já prevendo tudo: — Meninas, hora de ir pra casa. Tá na hora da gente começar o contra-ataque com classe. — Como assim? — perguntou Isadora. — A gente sai agora, tranquilas. Fala que estamos cansadas, que vamos pra casa descansar. Chegando lá, tomamos um banho, colocamos o despertador e fingimos que dormimos. — Eles vão sair umas quatro horas depois que a gente chegar. — completou Renata. — Eu conheço o timing deles. Eles vão deixar papelzinho, fingindo que foi um programa improvisado. Mas já tá tudo armado. Inclusive pelo Otávio. Aposto que ele vai escrever até a letra fofa, tentando disfarçar. — Assim que o despertador tocar, a gente levanta, se arruma rapidinho e sai também. E não é pra qualquer rolê não. É pra aquela baladinha top da orla. Eles que nos encontrem lá. Se encontrarem. — disse Carla, com um sorriso misterioso. — Fechou. — falaram todas ao mesmo tempo. E então, saíram do mar juntas, com os cabelos molhados, os corpos ainda com gotas reluzindo, as risadas soltas, como se nada as afetasse. Sorrisos leves. Livres. Na areia, os rapazes assistiam. Olhares de quem achava que tinha vencido. Mas não sabiam que o verdadeiro jogo… só começava quando elas decidiam jogar. As meninas saíram da água ainda com os corpos úmidos e os cabelos escorrendo, com os sorrisos mais tranquilos do mundo. Se aproximaram dos rapazes com a postura leve, como se nada tivesse acontecido. Kelly, a mais direta, falou com naturalidade: — Vamos? A gente tá cansada, já deu por hoje. Só queremos dormir e descansar. Eles se entreolharam rapidamente, tentando manter a fachada de inocência, e sorriram. — Vamos, também estamos cansados. — respondeu Otávio, com aquele tom controlado, tentando disfarçar a empolgação pelo plano armado. O grupo recolheu suas coisas e foi em silêncio até a casa. Já divididos pelos casais, cada um entrou no seu quarto. Kelly foi para o quarto com Otávio. Renata seguiu com João. Luiza deitou ao lado de Leandro. Isadora foi com Caio. E Carla com Marcos. Em pouco tempo, todas já tinham tomado banho, deitaram na cama com os cabelos ainda úmidos e suspiraram. — Vou dormir, tá? — murmurou cada uma. — Claro, pode descansar. — responderam eles, como se estivessem sendo compreensivos. Mas antes de fechar os olhos, como combinado, cada uma delas pegou o celular e programou o despertador para dali a quatro horas. E por ironia do destino — ou pelo cansaço real — acabaram pegando no sono profundo. Enquanto isso, os rapazes, atentos, observaram o momento em que o silêncio do quarto se estabeleceu. Então, um por um, começaram a se arrumar em silêncio. Camisas abertas, perfume, cabelo ajeitado, tênis nos pés. Celulares em mãos. Um grupo no w******p criado na hora só com eles: Otávio: "Vamos, ta na hora." Leandro: "Bora, partiu." Caio: "Tudo pronto aqui." João: "Já saindo." Marcos: "Tô chegando na sala." Antes de sair, cada um escreveu à mão um bilhete curto, dobrado com cuidado, e deixou sobre o criado-mudo, ao lado do abajur: "Fomos curtir a noite dos meninos. Mais tarde chegamos, ou pela manhã." Saíram os cinco, discretos, entrando no carro já esperando a farra. Em minutos, estavam rindo alto num bar badalado próximo à praia, copos erguidos, brindes sendo feitos, promessas de vingança emocional voando pelo ar. — Agora sim, elas vão surtar. — disse Leandro, levantando um shot. — Elas vão aprender a não brincar com os nossos sentimentos. — disse João, convencido. Mas o que eles não sabiam… é que, naquele exato momento, os despertadores tocavam em perfeita sincronia nos quartos. Kelly foi a primeira a despertar, os olhos se abrindo devagar, um sorriso malicioso surgindo. Olhou para o lado e viu o papelzinho dobrado. — Sabia… — murmurou, já rindo. Uma por uma, as outras acordaram da mesma forma, lendo o bilhete com os dizeres ensaiados: "Fomos curtir a noite dos meninos. Mais tarde chegamos, ou pela manhã." As gargalhadas ecoaram pelos quartos. Kelly pegou a caneta, dobrou o papel ao contrário e escreveu com uma calma provocadora: "Tá bom. A gente também foi curtir a noite das meninas. De manhã nos vemos. Beijo."
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