O peso do silêncio(2)

564 Words
— O Peso do Silêncio A casa estava em silêncio, exceto pelo som baixo de notificações nos celulares. Já passava das dez da noite. As meninas haviam acordado tarde, mas os homens já estavam em alerta desde o início da noite, cada um em seu quarto, ao lado de suas companheiras adormecidas ou descansando. A noite anterior ainda pulsava como uma ressaca emocional. Otávio estava sentado na poltrona, luz baixa, com o celular nas mãos. Mandou uma mensagem no grupo com os amigos: Otávio: > “Elas detonaram com a gente, né?” Leandro respondeu de imediato. Leandro: > “A gente pediu. Eu fui um i****a com luiza Quis proteger tanto que virei um carcereiro.” Caio apareceu em seguida. Caio: > “Isadora me olhou ontem com tanto ódio… e depois tanto medo. Eu me senti um monstro. E eu só queria o bem dela.” João digitou por último, mais seco: João: > “Renata me chamou de controlador. Disse que se eu não mudasse, ela ia embora. Nunca vi ela tão firme.” Marcos: > “Pelo menos vocês ouviram o que elas tinham pra dizer. O que elas fizeram foi extremo, mas o recado tá dado.” Otávio soltou um suspiro e mandou outro áudio curto: Otávio (áudio): > “Quando a Kelly me disse que me amava, mas ia embora se eu continuasse tentando prender ela… aquilo me destruiu. Eu nem percebi que tava sendo assim.” Leandro respondeu em áudio também, voz embargada: Leandro (áudio): > “Eu achava que tava protegendo… mas no fundo era medo de perder. Medo de ela perceber que pode viver sem mim.” João: > “A Renata pode viver sem mim. Todas elas podem. E é isso que dói.” Caio: > “A Isa olhou pra mim com tanto nojo quando tentou me empurrar… e depois desabou dizendo que só queria liberdade. Eu me senti… pequeno.” Marcos: > “Eu só conversei com a Carla. Ela me pediu uma promessa… de nunca tentar controlá-la. Eu prometi. E percebi que esse é o segredo: liberdade com amor.” Houve alguns segundos de silêncio no grupo. Otávio: > “A gente precisa mudar. Não porque elas exigiram, mas porque elas merecem. Elas não querem ser nossas presas. Querem ser nossas parceiras.” Leandro: > “E a gente precisa ser homens suficientes pra admitir que erramos.” Caio: > “E fortes o bastante pra mudar.” João: > “Mesmo que seja difícil… eu não quero viver sem ela.” Marcos: > “Então, a gente vai começar amanhã. Juntos. Um ajudando o outro a ser melhor. Por elas. Por nós.” Otávio olhou para a cama, onde Kelly dormia profundamente. A expressão dela estava tranquila. Ele sorriu de leve, se aproximou, deu um beijo em sua testa e sussurrou: — Eu vou ser o homem que você merece. Leandro segurava a mão de luiza,deitado ao lado dela. Caio acariciava os cabelos de Isadora, com o peito apertado de culpa e ternura. João observava Renata dormindo, com medo de perdê-la e ao mesmo tempo determinado a reconquistá-la com respeito. E Marcos, abraçado a Carla, pensava no quanto a liberdade compartilhada podia ser ainda mais bonita do que qualquer posse. Naquela noite, sem gritos, sem brigas, os homens compreenderam que amar era muito mais sobre soltar do que sobre prender.
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