o confronto

1136 Words
Otávio abriu a porta do quarto devagar, o coração pesado e a mente cheia de culpa. No silêncio do ambiente, seus olhos encontraram Kelly dormindo, tranquila e vulnerável, completamente alheia à tempestade que havia acabado de passar. Ele se ajoelhou na beirada da cama, sentindo o peso do arrependimento apertar seu peito. Com a mão trêmula, ele acariciou suavemente os cachos dela, tentando transmitir todo o amor e o pedido de perdão que as palavras não conseguiam expressar. — Amor, por favor... me perdoa — sussurrou, a voz embargada —. Eu errei, eu errei mesmo. Eu gritei, fui um monstro aqui... Eu nunca quis ser assim. Você não merece esse meu lado. Me perdoa. Eu vou mudar. Kelly continuava com os olhos fechados, imóvel, mas com um leve movimento de cabeça, um sinal silencioso de que ela o escutava e aceitava, mesmo cansada. Ele deu um beijo terno na testa dela, sentindo uma mistura de alívio e dor no peito. Com muito cuidado, se levantou, deixou-a descansar e saiu do quarto, sentindo que ali não era o lugar para ele. Otávio se acomodou no sofá da sala, envolto no silêncio da noite, e, exausto, adormeceu ali mesmo, longe, mas ainda perto do amor da sua vida. Nos dias que se seguiram, Otávio acordava todas as manhãs determinado a ser diferente. Cada gesto, cada palavra, carregava o esforço sincero de controlar seu ciúme e sua ansiedade. Ele evitava os surtos, segurava a língua, fazia questão de mostrar para Kelly que estava tentando — para ele, para ela, para o que tinham juntos. Kelly, por sua vez, ainda carregava uma distância silenciosa, uma cautela em cada olhar e em cada gesto. Mas, aos poucos, ela começou a abrir pequenas brechas naquele muro: dizia algumas palavras, ainda que poucas, olhava para ele de vez em quando e, mesmo sem grandes demonstrações, deixava claro que estava disposta a observar essa mudança. O dia do trabalho na faculdade chegou. Como sempre, Kelly estava impecável, calma e segura, pronta para apresentar seu projeto. Otávio a acompanhou, não por ciúme, mas para apoiá-la. Enquanto Kelly falava, Otávio percebeu o olhar pesado e fixo de Rafael. O velho incômodo tentou surgir dentro dele, a raiva que já conhecia, o fogo do ciúme que queimava por dentro. Mas ele se conteve. Respirou fundo. Lembrou-se do que havia prometido — não seria mais aquele homem impulsivo, destrutivo. Com os olhos fixos em Kelly, ele repetiu mentalmente: “Dessa vez, eu mudo de verdade.” E ficou ali, firme, forte, segurando sua raiva, porque sabia que era só assim que podia reconquistar o amor que quase perdeu. Nos dias que se seguiram, Otávio acordava todas as manhãs determinado a ser diferente. Cada gesto, cada palavra, carregava o esforço sincero de controlar seu ciúme e sua ansiedade. Ele evitava os surtos, segurava a língua, fazia questão de mostrar para Kelly que estava tentando — para ele, para ela, para o que tinham juntos. Kelly, por sua vez, ainda carregava uma distância silenciosa, uma cautela em cada olhar e em cada gesto. Mas, aos poucos, ela começou a abrir pequenas brechas naquele muro: dizia algumas palavras, ainda que poucas, olhava para ele de vez em quando e, mesmo sem grandes demonstrações, deixava claro que estava disposta a observar essa mudança. O dia do trabalho na faculdade chegou. Como sempre, Kelly estava impecável, calma e segura, pronta para apresentar seu projeto. Otávio a acompanhou, não por ciúme, mas para apoiá-la. Enquanto Kelly falava, Otávio percebeu o olhar pesado e fixo de Rafael. O velho incômodo tentou surgir dentro dele, a raiva que já conhecia, o fogo do ciúme que queimava por dentro. Mas ele se conteve. Respirou fundo. Lembrou-se do que havia prometido — não seria mais aquele homem impulsivo, destrutivo. Com os olhos fixos em Kelly, ele repetiu mentalmente: “Dessa vez, eu mudo de verdade.” E ficou ali, firme, forte, segurando sua raiva, porque sabia que era só assim que podia reconquistar o amor que quase perdeu. Outro dia, com o vento leve balançando os cabelos de Kelly, ela cruzava o campus com passos firmes e o semblante centrado. Seus olhos estavam fixos no prédio à frente, quando, de repente, esbarrou em alguém. Era Rafael. — Eita, desculpa — disse ela automaticamente, recuando um passo. — Nossa… até que enfim te vejo — disse Rafael, com um sorriso torto e aquele tom cínico que sempre carregava. — Tava achando que você tinha evaporado da faculdade… ou será que seu namorado surtado te trancou em casa? Kelly respirou fundo, controlando a irritação que subia em seu peito. — Dá licença, Rafael — disse seca, tentando passar por ele. Mas ele bloqueou o caminho com o corpo, ainda sorrindo. — Por que você é assim, hein? — perguntou ele, cruzando os braços. — Tão cheia de atitude... Isso só me dá mais vontade de te provocar. Você sabe que tem química aqui. Você pode tentar negar, mas eu vejo como seus olhos reagem. Kelly estreitou os olhos, as palavras afiadas como lâminas na ponta da língua. — Química? — ela cuspiu a palavra com desprezo. — Eu não sei se você realmente não percebe ou se gosta de bancar o i****a. Eu sou uma mulher comprometida, Rafael. Eu tenho um namorado. Nós moramos juntos. Nós somos um só. — Um só? — ele debochou, arqueando a sobrancelha. — Parece mais que você vive numa prisão. Todo mundo viu o show que ele deu. Você merecia mais, Kelly. Alguém que realmente te admire. Que saiba conversar... tocar você do jeito que você merece. Ela riu, um riso seco e sem humor. — O que você sabe do que eu mereço, Rafael? Você nem me conhece. Você olha pra mim como se eu fosse um prêmio, um troféu pra alimentar seu ego. Mas eu não sou isso. Eu sou uma mulher. Eu tenho dono no coração e ele não é você. Rafael deu um passo mais perto, a voz mais baixa, mais venenosa. — Você pode se enganar o quanto quiser, Kelly. Mas uma hora você vai perceber que tá presa a alguém que te limita. E quando esse momento chegar, eu vou estar aqui. Porque eu te enxergo de verdade. Kelly então o encarou, séria. — Você não me enxerga. Você fantasia. Mas eu não sou um desejo seu. Eu sou de Otávio. E você vai parar com isso. A próxima vez que me abordar desse jeito, eu vou até a coordenação. E sem esperar resposta, ela passou por ele, reta, firme, com o coração acelerado — mas não de desejo. De raiva. De nojo. E lá no fundo, de orgulho por não ter vacilado. Rafael a observou partir, ainda com o sorriso no rosto. Mas agora, era um sorriso amargo. Ele sabia que tinha perdido — por enquanto.
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