A reconciliação

1037 Words
De longe, Otávio observava. Os olhos semicerrados, o maxilar tenso. Ele viu Rafael se aproximando, viu os gestos dele, a forma cínica como falava com Kelly. A raiva queimava por dentro como brasas vivas, mas ele se conteve. Não queria estragar tudo de novo. Não agora. Foi quando, para sua surpresa, Kelly se virou, caminhou até ele e, sem dizer nada, segurou seu rosto e lhe deu um beijo. Um beijo calmo, direto, terno. Algo que ele não sentia há semanas. Otávio sorriu. O coração pulando no peito. Colocou a mão no rosto dela, olhando com ternura. — Tá tudo bem? Kelly assentiu, tranquila. — Tá tudo ótimo. Podemos ir? Ele pegou a mochila dela sem dizer uma palavra e os dois foram juntos pra casa. Já no apartamento, Otávio se sentou à mesa, espalhando cadernos e anotações, preparando os trabalhos da semana. Kelly foi direto para a cozinha e começou a preparar o almoço, os aromas tomando conta do ambiente, quentes e acolhedores como o momento silencioso que dividiam. Durante o almoço, ela finalmente falou. — Eu sei que você viu. E sei que ficou intrigado. Otávio continuou em silêncio, mastigando devagar. Queria ouvir tudo. Deixar que ela tomasse o controle da conversa. — Sim, ele me abordou de novo — continuou ela. — Disse várias coisas… que você me mantém numa prisão, que comigo ele faria diferente, que me mostraria “novidades”. Ele apertou os dedos com força sob a mesa. Os nós das mãos brancos. Mas não interrompeu. — Disse que eu só sou assim porque ainda não experimentei o novo. Eu ri. Um riso árido, seco… E disse pra ele que estou exatamente onde quero estar. Que quem tem meu coração, meu amor, é você. Sempre foi você, Otávio. Foi como se o ar voltasse ao pulmão dele. Lento. Suave. Preenchido de um alívio profundo. Ele se levantou, rodeou a mesa e a puxou pra um abraço apertado. Enterrou o rosto no pescoço dela e murmurou com a voz embargada: — Meu amor… você não sabe como eu te amo. E como eu fiquei feliz de sentir teu beijo de novo. De ouvir você falando comigo, como antes. De ver você voltando… pra mim. Kelly sorriu, os olhos brilhando. — Não é só isso. Ela encostou o rosto no dele e sussurrou com malícia: — Mais tarde… a gente vai matar a saudade de verdade. Porque estamos precisando. E como estamos. Otávio sorriu com aquele brilho travesso nos olhos. Tocou o rosto dela com cuidado. — Eu vou fazer valer cada segundo. E ali, naquela tarde comum, no silêncio depois de uma tempestade emocional, eles reencontraram o caminho de volta um para o outro. O dia passou em sintonia. Kelly e Otávio estavam lado a lado no sofá, a mesa de centro tomada por livros, cadernos e notebooks. Trocaram ideias, corrigiram textos, ajustaram apresentações. Riam de bobagens, dividiam goles de café, e sempre que os olhares se cruzavam, havia aquele brilho discreto — de quem está redescobrindo o amor, aos poucos. Cada rascunho finalizado era um passo rumo à leveza. Otávio mantinha o autocontrole admirável, doce, concentrado. Kelly sentia que ele realmente estava tentando. E isso a tocava. Quando a noite caiu, o trabalho estava finalizado, tudo pronto para as apresentações. Ela se espreguiçou no sofá, olhando para ele com um sorriso provocante. — Vamos tomar um banhozinho ? Otávio arqueou uma sobrancelha, já rindo. —pedindo desse jeito… não tem como eu negar. Eles seguiram para o banheiro, rindo, cúmplices. Kelly preparou a banheira com espuma perfumada, luz baixa e música suave tocando ao fundo. Assim que entraram juntos na água morna, foi como se todas as barreiras caíssem de vez. No início, foram só trocadilhos e carinhos suaves. Ela se deitou entre as pernas dele, a cabeça apoiada no peito forte de Otávio. Ele afundava os dedos na espuma, desenhando círculos delicados nos ombros dela, nos braços, nas laterais da cintura. — Eu não lembrava como era bom te ter assim — ele murmurou. — Você só esqueceu porque se afastou. Mas eu estive aqui, sempre. O clima foi mudando. Os risos foram dando lugar a olhares mais intensos. Os toques ficaram mais ousados. Kelly virou-se de frente pra ele, sentando sobre suas pernas dentro da banheira, olhando nos olhos dele com fome. As bocas se encontraram com mais urgência — beijos longos, úmidos, carregados de saudade e desejo. As mãos dele exploravam suas curvas de forma reverente. Ela gemeu baixo ao sentir os dedos escorregando pela lateral do pescoço, pela cintura, até alcançarem as coxas. Ele a puxou para mais perto, pressionando o corpo dela contra o dele. Kelly se inclinou, passando a língua pelo pescoço dele, o que fez Otávio suspirar e cravar os dedos na cintura dela. Lentamente, ele deslizou a mão entre as coxas dela, fazendo-a arquear o corpo na água, os olhos fechados em puro êxtase. Seus dedos sabiam exatamente onde e como tocar, provocando arrepios intensos. A banheira se tornava um cenário quente, íntimo e hipnotizante. Ela gemeu mais alto quando sentiu a língua dele descer até ali — sim, ele se inclinou, ignorando a espuma, a água, tudo. Ele queria ela. Completamente. E Kelly se entregou. Os gemidos ecoavam baixo pelo banheiro, misturados ao som da água agitada pelos corpos. Foram trocas de posições, beijos desesperados contra os azulejos, mãos marcando a pele, sussurros entre pausas curtas de respiração. Ali, não havia vergonha. Só entrega. Ele a pegou no colo, levando para a cama ainda molhados, onde a noite continuou. Onde ela montou nele com os cabelos molhados caindo pelas costas, e depois foi ele quem a virou, tomando as rédeas do prazer com estocadas firmes, profundas, que a faziam gritar seu nome sem medo. — Eu te amo — ele murmurava, entre gemidos e respirações pesadas. — Eu sei… eu também te amo. E eu quero você. Só você. Até que o êxtase os alcançou juntos, como uma tempestade morna que varreu o passado e os lançou de volta ao presente, onde tudo parecia recomeçar. Os corpos suados, ofegantes, entrelaçados sob os lençóis, e os olhos, ah… os olhos diziam tudo. Era reconciliação. Era amor. Era um recomeço ardente e inesquecível.
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