destino da amanda

384 Words
Duas semanas depois… A casa dos pais de Amanda estava mais silenciosa do que nunca. Roberta preparava chás calmantes, cuidava das feridas visíveis da filha com compressas, enquanto Rogério passava as tardes conversando com psicólogos indicados por Kelly. Amanda dormia em um quarto no fundo da casa, sem celular, sem acesso às redes sociais. Pela primeira vez, ela encarava o silêncio. Encara os próprios erros. Ela chorava quase todos os dias, mas não por pena de si mesma — era culpa, vergonha, e um novo tipo de dor… o arrependimento. — Na casa de Kelly… O ambiente era outro. Paz, aconchego. O sol da manhã entrava pelas cortinas, iluminando a cozinha onde Kelly preparava um café com Otávio atrás dela, abraçando-a pela cintura. — Tá sentindo falta dela? — ele perguntou, beijando o pescoço dela. — Não como antes — respondeu Kelly, sincera. — Eu torço por ela… mas agora eu sei que preciso viver minha vida. Otávio sorriu. Ele estava orgulhoso da mulher que tinha ao lado. — Eu te amo, Kelly. Você salvou uma vida… e continua sendo forte depois de tudo. — Não… — disse ela, com um sorriso fraco. — Eu só cansei de me colocar em último lugar. — Na casa de Amanda… Na terceira semana, Amanda foi até a varanda da casa dos pais com um caderno nas mãos. Sentou-se ali, encarando o jardim. Ela começou a escrever: "Eu destruí muitas coisas. Principalmente quem eu era. Mas hoje… hoje eu quero me reconstruir." Ao fim da tarde, ela entregou esse caderno à mãe e disse: — Mãe, eu queria ir pra uma clínica. De verdade. Eu quero melhorar. Não quero viver daquilo nunca mais. Roberta chorou e abraçou a filha como há muito tempo não fazia. — Agora sim, minha filha. Agora sim você está começando a voltar… — Do outro lado da cidade… Kelly e Otávio caminhavam de mãos dadas no parque. Ela agora usava um novo anel, presente dele. Não era pedido de casamento ainda. Era símbolo de um recomeço. — Que tal uma viagem? Só nós dois. Um fim de semana longe de tudo? — Eu aceito. Mas com uma condição… — disse Kelly sorrindo. — Qual? — Que a gente não fale de passado. Só de futuro. Ele sorriu e a beijou com ternura.
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