O mês passou envolto em tranquilidade aparente, mas os ventos começaram a mudar. O amor entre Rafael e Kelly florescia — noites de carinho, risadas no sofá, planos para o futuro, jantares improvisados e beijos demorados na cozinha. Ele a olhava todos os dias como se fosse a primeira vez, e ela sentia o coração aquecido só de estar perto dele.
Mas, aos poucos, Otávio começou a se reaproximar. Com passos calculados, mensagens sutis, presença constante nos lugares certos... Ele nunca forçava, mas deixava sempre algo no ar — uma memória, uma saudade não dita, um olhar insistente.
Rafael percebia. Cada vez que via o nome de Otávio surgir no celular dela, ou escutava risadas compartilhadas de longe entre os dois, algo queimava em seu peito. Ciúme? Sim. Mas não do corpo de Kelly. Era da história que ela tinha com Otávio. Era da parte dela que talvez ainda guardasse amor pelo outro homem.
Mesmo assim, Rafael escolhia o silêncio. Ele observava com atenção, com um aperto discreto no estômago. Não queria sufocá-la, não queria forçá-la a nada. Ele só queria que ela o amasse — por vontade, por escolha, por verdade. E queria ver, ele mesmo, até onde o coração de Kelly ia.
Kelly, por sua vez, notava as tentativas de aproximação de Otávio. Ela respondia com educação, com firmeza e às vezes com certa nostalgia no olhar. Mas a atenção dela era outra. O foco, os sorrisos, os olhares longos — todos pertenciam a Rafael.
— Amiga... — disse Renata em uma das conversas no sofá, enquanto observava a situação — o Otávio tá tentando voltar, né?
Kelly suspirou, olhando pro nada por alguns segundos.
— Tá. Devagar, mas tá. E sabe... mexe um pouco comigo, eu não vou mentir. Ele fez parte da minha história. A gente viveu muita coisa. Mas... não mexe como antes. Não dói como antes. Porque agora... agora tem o Rafael. E é ele quem me faz sorrir de verdade.
Naquela mesma noite, Rafael a esperava no quarto. Quando ela entrou, ele sorriu, mas havia algo nos olhos dele. Um brilho diferente. Um receio contido.
Ela se aproximou e deitou sobre seu peito.
— Amor... — disse baixinho — Você tá estranho.
Ele a envolveu com os braços, fazendo carinho em seus cabelos.
— Não tô estranho. Tô... observando.
— Observando?
Ele sorriu, beijou-lhe a testa e sussurrou:
— Às vezes, o amor verdadeiro precisa só de espaço pra escolher por onde quer ficar. E eu escolhi confiar em você.
Ela se calou por um segundo, emocionada. Então o olhou com ternura e disse:
— Eu já escolhi. É você, Rafael. Eu só tô aqui porque é com você que eu quero ficar.
Ele a abraçou mais forte, fechando os olhos. Sentia o ciúme como uma corrente morna correndo sob a pele, mas também sentia algo mais poderoso: a certeza de que, mesmo com o passado batendo à porta, era o presente que batia mais forte no coração dela.
semanas depois a noite caiu silenciosa, com uma brisa suave entrando pela janela entreaberta. Rafael estava sentado no sofá, o olhar perdido, distante. A televisão estava ligada, mas ele nem notava. Seus pensamentos pesavam, embaralhados entre o medo de perder e o esforço de se manter forte. O rosto demonstrava um misto de cansaço e tristeza, os olhos azuis marejados refletindo um conflito interno que só ele conhecia.
Kelly entrou em casa após um dia intenso de estágio. Largou a bolsa discretamente, observando o homem que amava ali, imóvel, afogado nos próprios sentimentos. Com passos leves, foi até ele, sentou-se em seu colo sem dizer nada, e simplesmente o beijou. Um beijo doce, demorado, carregado de saudades. Rafael, ao sentir seus lábios, despertou do torpor. Acariciou com carinho as coxas dela, afagando seus fios enquanto a olhava com ternura.
— Como foi o estágio, amor? — perguntou ele, tentando sorrir.
— Foi tranquilo, meu amor — respondeu Kelly, o beijando novamente, com mais intensidade.
Ficaram apenas ali, se olhando em silêncio e sorrindo, num daqueles momentos onde o tempo parece parar.
— Eu vou lá tomar banho e preparar um jantar pra gente, tá bom? — disse ela com doçura.
Rafael assentiu, com um sorriso discreto.
— Tá bom, princesa.
Ela o beijou mais uma vez e seguiu para o quarto. Prendeu os cabelos, entrou no chuveiro, deixando a água levar consigo o peso do dia. Logo após, seguiu para a cozinha e preparou tudo com carinho: frango à milanesa, purê de batata, molho branco e uma salada fresca. Fez também uma jarra de suco de laranja natural, montou a mesa com cuidado e chamou:
— Amor, tá pronto!
Rafael desligou a TV e se aproximou, sentando-se à mesa. Deu a primeira garfada e sorriu com os olhos brilhando.
— Nossa, meu amor... isso tá uma delícia!
— Fico muito feliz que gostou — respondeu Kelly, encantada com a reação dele.
Jantaram com leveza. Ela contou histórias engraçadas do estágio, e Rafael, mesmo com o coração apertado, riu com sinceridade. Quando terminaram, ele se levantou, lavou a louça sem que ela precisasse pedir, e juntos seguiram para o quarto.
Rafael lavou o rosto e deitou na cama, sem camisa, apenas com uma calça de moletom. Ligou a TV num filme qualquer, mas não prestava atenção. O semblante ainda estava abatido, e os olhos, úmidos. Kelly saiu do banheiro logo depois, usando uma camisola vermelha de cetim, transparente, sem sutiã, com apenas um fio dental por baixo. Ao vê-lo ali, deitado, tão vulnerável, sentiu o coração apertar.
Ela caminhou até ele, parou ao seu lado e o olhou nos olhos.
— Meu amor... não fica assim. Eu sei que o Otávio tá tentando se aproximar, tentando me reconquistar... Mas eu tô com você porque eu quero. Eu escolhi você.
Rafael a olhou. Não havia palavras, apenas emoção. Os olhos azuis estavam marejados. Ele não conseguiu disfarçar, nem queria.
Kelly sorriu levemente e sussurrou:
— Deixa eu te mostrar que é você que eu escolhi. Deixa eu te amar essa noite.
Ele apenas assentiu com a cabeça.
Ela desligou a televisão, subiu com carinho sobre ele, encaixando-se em seu corpo como se pertencesse àquele lugar. Começou a beijá-lo com calma, explorando seu pescoço, seu peito, seus braços fortes e seu abdômen definido. Desceu, com a boca e a língua, até a barra do moletom e o removeu lentamente. Com os lábios, começou a saboreá-lo, provocando gemidos baixos e suspiros intensos que escapavam sem controle.
Rafael se entregava ao prazer, os dedos apertando os lençóis, a respiração acelerando. Quando ele alcançou o ápice, Kelly tirou a própria camisola, deixando seu corpo à mostra, e lentamente sentou sobre ele, encaixando-se com suavidade.
Os movimentos começaram devagar, sensuais, envolventes. Ela o guiava com o corpo e com o olhar. Rafael segurava sua cintura, os olhos fixos nela, completamente rendido. O ritmo aumentava, e os dois gemiam juntos, abafando os sons com beijos profundos, desesperados de desejo.
Depois de longos minutos de prazer intenso, chegaram juntos ao clímax, exaustos e satisfeitos.
Kelly deitou-se ao lado dele, a cabeça repousada sobre seu peito, os dedos acariciando sua cintura com delicadeza. Rafael, ainda tentando recuperar o fôlego, passou a mão pelas costas dela, com ternura.
— Obrigado, meu amor... por esse momento, por esse prazer... por ainda estar aqui — murmurou ele, com a voz rouca e emocionada.
Ela sorriu, o beijou no peito e o envolveu com o corpo.
Naquele silêncio, não era só o desejo que falava. Era o amor. A escolha. A confirmação.