Letícia Narrando Meu Deus, o Coringa. Até um tempo atrás eu chamava ele de tio, mesmo sem conhecer, sem lembrar, sem ter memória nenhuma real. Era mais um nome respeitado do que uma pessoa de carne e osso. Só que agora ele voltou, anda pelo morro, e a gente começou a se esbarrar por aí. E, sem querer, eu comecei a prestar atenção. Forte. Tatuado. Imponente demais. — Para, Letícia — falei pra mim mesma, quase em voz alta. — Se controla. Ele é o melhor amigo do meu pai. É o pai da minha melhor amiga. Ele me vê como a Lelê, a filha do amigo dele. E tá ótimo assim. Ótimo. Repeti isso umas três vezes na cabeça até acreditar. Cheguei em casa, fui direto pra cozinha, coloquei os bombons que tinham sobrado da dinâmica num pote e enfiei na geladeira. Costume antigo. Depois subi pro banho. Ág

